23/05/2010

Passatempo do Segredo dos Livros


Oferta de 3 exemplares de "O Romance da Bíblia"

De 1 a 8 de Junho, o blogue Segredo dos Livros, em parceria com a Editora Ésquilo, vai lançar um passatempo, onde serão oferecidos três exemplares do meu novo livro.

Fiquem atentos ao prazo e vejam como participar AQUI!


Obs: Vou ficar por uns tempos sem poder trabalhar com o computador, daí ter feito o anúncio com tanta antecedência.
Boa sorte.

Obrigada, queridos leitores!

Foi um fim de tarde/começo de noite memorável.

Fechei a minha participação na Feira do Livro de Lisboa com chave de ouro: uma conversa gostosíssima com inúmeros leitores, em alguns casos com famílias inteiras, sobre a nossa História e as suas personagens fascinantes.

Conheci um produtor de cinema que gostaria de fazer um filme sobre as viagens de Pêro da Covilhã, O Espião de D. João II. E que me afirmou que se estivéssemos nos Estados Unidos, Austrália ou Inglaterra, os meus livros seriam guiões de filmes.

Falámos também das mulheres do Antigo Testamento, da condição da mulher nos nossos dias, da sua luta ou acomodação.

Foi tão bom estar na Feira do Livro, apesar do intenso calor! Obrigada a todos os que quiseram conversar comigo.

21/05/2010

O meu último dia na Feira do Livro

Vou estar amanhã, dia 22, das 15.30 às 19 horas, pela última vez na Feira do Livro, no Pavilhão B02, da Ésquilo, a conversar com os leitores e a assinar (se alguém quiser) O Espião de D. João II (que é Livro do Dia) e O Romance da Bíblia que, de tão recente, ainda nem chegou às livrarias, mas tem já este blogue.

Espero-vos, com muito carinho, para os tais dois dedos de conversa.

19/05/2010

O Romance da Bíblia já tem Página

Caros amigos

Como tenho por O Romance da Bíblia um carinho especial, dei-lhe corpo e alma próprios, em Página virtual.

Por enquanto ainda está a tentar os primeiros passos, contudo espero que cresça depressa e, em breve, tenha novidades, entrevistas, sugestões ou críticas dos leitores, passatempos e temas com afinidade à obra.

Desde já, podem ficar a conhecer as suas heroínas.

Espero que o visitem e se tornem fãs AQUI.

15/05/2010

SURPRESA NA FEIRA DO LIVRO!

AMANHÃ, DIA 16, A PARTIR DAS 15 H: PRÉ-LANÇAMENTO DE "O ROMANCE DA BÍBLIA"

Uma surpresa do meu editor! Eu não sabia!

O Romance da Bíblia representa um olhar feminino e crítico sobre a condição da mulher no Antigo Testamento. É uma crónica da vida dos seus homens e das suas mulheres, recriada com grande rigor histórico, sem todavia descurar o intenso erotismo que impregna o livro sagrado, através do uso e abuso das suas mulheres e das artimanhas a que estas recorriam para sobreviver e até, por vezes, dominar.

Estarei na Feira do Livro, no Pavilhão da Ésquilo B02 (no início da ala esquerda, vindo do Marquês de Pombal), para apresentar o romance aos que não possam estar presentes no lançamento, dia 20, às 18 h.30, no Centro Nacional de Cultura.

12/05/2010

O Espião de D. João II é Livro do Dia


13 de Maio, Quinta-feira,das 16 h. às 19 h.

Caros amigos: Estarei à conversa com os leitores, na Feira do Livro de Lisboa, Parque Eduardo VII - Pavilhão da Editora Ésquilo (B02) e, para quem quiser, a assinar O Espião de D. João II, que é Livro do Dia.
Venham fazer-me companhia e dar um pouco à língua!

No Sábado, dia 15, lá estarei também à mesma hora.

11/05/2010

FINALMENTE o Lançamento!!!


Deana Barroqueiro, a Editora Ésquilo e o Centro Nacional de Cultura têm o prazer de convidar a todos para o lançamento da obra

O ROMANCE DA BÍBLIA
Um olhar feminino sobre o Antigo Testamento

de
Deana Barroqueiro

Dia 20 de Maio, quinta-feira, às 18 h. 30
Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º
Lisboa - Metro Baixa-Chiado

A apresentação estará a cargo da
Dra. Maria Manuela Gamboa

Como escreve Maria Teresa Horta, no Prefácio deste romance, a odisseia das mulheres e homens do Antigo Testamento é minuciosamente recriada pela autora com "uma escrita toda ela tecida por sensualidades e cintilações audaciosamente irónicas".

* O Romance da Bíblia é uma reedição, revista e organizada em forma de crónica/romance, num só volume, dos Contos e Novos Contos Eróticos do Velho Testamento, que já só raramente se encontram.

Mais informações e textos na
Homepage de Deana Barroqueiro

10/05/2010

II Encontro Nacional Bookcrossing/Segredo dos Livros




Organizado por Margaret Santos, do Bookcrossing, e Fátima Rodrigues, do Segredo dos Livros, no passado dia 8, no Centro Cultural da Branca em Albergaria-a-Velha, teve lugar o II Encontro Nacional Bookcrossing (um movimento de leitores que nasceu nos Estados Unidos da América), que conta com mais de 8.000 membros em Portugal.

Fui convidada, entre outros escritores, para participar no primeiro dos três painéis temáticos sobre os vários tipos de romance: “Romance/Ensaio Histórico”, com Fina d’Armada, Paulo Alexandre Loução e Sónia Louro, moderados por Sebastião Barata, do Segredo dos Livros.

Evento bem organizado, apoiado pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, na pessoa do seu Presidente, Professor João Agostinho Pereira, com assessoria de Margaret Santos, ofereceu um ambiente acolhedor e de muita qualidade a todos os participantes (escritores e leitores).

É de lamentar apenas que, sendo uma comunidade de 8 000 “bookcrossers”, este evento preparado com tanto empenho e trabalho pelo Segredo dos Livros e o Bookcrossing português, tenha tido uma tão fraca adesão e participação desses leitores.

Todavia, uma assistência interessada e culta proporcionou aos escritores convidados um dia de agradável e amistoso convívio, pelo que agradeço a todos, a honra do convite e o prazer que senti, lamentando não ter podido ficar para a sessão da tarde, devido ao cansaço, pelo que apresento as minhas desculpas.

06/05/2010

Celivrarias cancela pela 2ª vez o lançamento do meu livro

A CEBUCHHOL (antiga livraria Buchholz), por conveniência e interesses próprios, cancelou hoje, pela segunda vez, o lançamento de O Romance da Bíblia, quando a editora Esquilo já tinha começado a enviar os convites, tanto electrónicos como em papel, aos leitores e aos Media e eu o tinha também anunciado em todas as minhas páginas da Internet.

Parece-me, independentemente de ter sido a parte prejudicada, que o comportamento da Cebuchholz foi de uma falta de profissionalismo, para já não dizer de ética, inqualificável.

Tendo sido contactada com mais de um mês de antecedência, a livraria marcou o lançamento do meu romance para o dia 20 de Maio. Para nosso espanto (da editora e meu), alguns dias mais tarde comunicaram-nos a impossibilidade de o fazer nessa data, invocando um inesperado “overbooking”: os serviços não se tinham dado conta de que haviam marcado dois lançamentos para o mesmo dia e hora (falta de competência ou desculpa esfarrapada?).
Como ainda não se tinham feito os convites, o editor da Ésquilo, Dr. Paulo Alexandre Loução, desculpou o erro e aceitou a nova data que lhe propuseram – 17 de Maio.

Anunciámos o evento. Fizeram-se os cartazes e convites electrónicos e os de papel, marcou-se a data com a actriz Tânia Alves, que vai ler alguns excertos da obra, e com a apresentadora (a primeira convidada já não o poderia fazer nesse dia, por isso tivemos de convidar outra pessoa, dando-lhe portanto menos tempo para preparar a apresentação).

Hoje, dia 6 de Maio, estando os convites já impressos e a serem enviados, a Cebuchholz contactou o editor da Ésquilo, para lhe comunicar que tinham outro lançamento, o qual, devido à presença de uma certa entidade política, só podia realizar-se no dia e hora do nosso, pelo que a apresentação da obra de Deana Barroqueiro tinha de ser de novo cancelada.
Ficámos siderados!

Percebo que a Cebuchholz zele pelos seus interesses, até posso aceitar a sua ideia de que os meus leitores não tenham o peso de uma qualquer personalidade da Presidência da República ou semelhante, porém não consigo aceitar que os seus dirigentes não honrem um compromisso, assumido com terceiros (e com grande antecedência, para mais depois de já terem faltado uma vez à palavra dada), só porque lhes apareceu outro evento que consideraram mais vantajoso para os seus interesses, atropelando sem hesitação os compromissos que a editora e a autora haviam assumido, por sua vez, com outras pessoas, porque fizeram fé na palavra e no profissionalismo da Cebuchholz.

Ao comprometermo-nos com eles, pusemos de lado outras instituições igualmente interessantes que nos ofereciam os seus espaços. Esses dias, entre 17 e 20, são as datas possíveis para se fazer o lançamento, ainda este mês.
A Cebuchholz deixou-nos, assim, numa situação quase impossível: conseguir à última hora, em cima do acontecimento, um outro local para a apresentação. E num dia e hora em que todos os participantes, sobretudo, a apresentadora e a actriz, o possam fazer.
Ainda que na Cebuchholz nos oferecessem outra data, já não podíamos aceitar, por falta de confiança na sua palavra, pois a(má)experiência ensinou-nos que, sem qualquer escrúpulo, o podiam cancelar de novo.

Estou indignadíssima e peço desculpa, a todos os meus leitores, deste comportamento vergonhoso da parte de uma instituição ligada à cultura que, todavia, age como se desconhecesse as mais elementares regras de compromisso e cortesia.

O editor, apesar da agenda carregadíssima deste mês vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir um local para o lançamento, se possível no dia e hora anunciado, pelo que espero ter oportunidade de ainda vir a receber os meu amigos e apresentar-lhes em pessoa O Romance da Bíblia.

Nunca imaginei que haveria de passar por uma situação destas!
É realmente escandaloso e inadmissível.

04/05/2010

Conversas ao princípio da tarde


5 de Maio, Quarta-feira, 12.15 h
Auditório da Soc. Interbancária de Serviços
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1, Lisboa

Venho lembrar a todos os interessados que esta Conversa ao Fim da Tarde sobre o enigmático Espião de D. João II, promovida por Pedro Katzenstein e Jorge Soares, passou para o início da tarde e é de entrada livre. Lá os espero e serão muito bem-vindos.

03/05/2010

A Feira do Livro e os meus Leitores

É bom estar na Feira do Livro a assinar autógrafos! Mas melhor ainda é a conversa com os leitores, mais ou menos longa conforme a bicha (adoro esta palavra tão nossa, em vez da politicamente correcta "fila", introduzida à pressão como o desgraçado acordo ortográfico que os "interesses" inventaram) dos que esperam pela minha atenção é maior ou menor.

Por isso li com espanto, em mais de um blogue, as queixas de leitores por alguns autores, durante as sessões de autógrafos, mostrarem cara ou atitude de quem estava a "fazer um frete"! Se não for por outra qualquer razão pessoal, doença ou incómodo, essa aparente má vontade, se é de facto sintoma de uma penosa "obrigação", parece-me algo absurdo e em completa contradição com aquilo que deve ser a própria natureza do escritor, ou seja, o prazer e a necessidade de comunicar com o leitor.
Pelo menos aqueles que não são mediáticos, como os pivots de TV, jornalistas, políticos, "estrelas" que têm visibilidade e promoção garantida nos media, os que são apenas e visceralmente escritores de obras literárias.

Quanto a mim, no passado Sábado, estive nas minhas-sete-quintas! Perfeitamente realizada e feliz, num dia glorioso, a falar com alguns conhecidos e inúmeros desconhecidos sobre os nossos heróis e a nossa História. Creio que os leitores se divertiram também, porque várias vezes rompemos às gargalhadas como, por exemplo, quando me apareceu o Sr. Deus (disse-lhe que há quase 65 anos esperava em vão que me falasse e tinha-o agora ali, na feira do livro e ele não partiu sem me dar a bênção), a senhora espanhola que queria oferecer o livro a uma compatriota, a nova leitora que me queria conhecer ou o abençoado fã que lera todos os meus anteriores livros e gostara! Ou ainda antigos alunos (antes meninos, hoje pais e mães de família e profissionais competentes com a vida cheia) a quem deixei boas recordações e, segundo me dizem, propaguei esse mesmo amor pela nossa cultura!

Que afagos para o ego de alguém que tem realmente a paixão da escrita e que procura passá-la aos que a lêem! Ainda agora, depois de muitos milhares de livros vendidos, quando vejo alguém com uma das minhas obras nas mãos, sinto a mesma profunda emoção que experimentei a primeira vez que vi numa livraria o "Uraçá" (a obra com que me iniciei nestas lides do romance histórico). E, sobretudo sentirei sempre uma enorme gratidão por todos os que têm prazer em me ler, porque eu sou a minha escrita e a minha escrita é a minha alma.

No dia 13 e no dia 15, estarei de novo na Feira do Livro para conversar. Não precisam de comprar o livro, basta-me o convívio (o meu editor que me desculpe).

Bem hajam pela visita no 1º de Maio!

28/04/2010

Agenda para Maio 2010

Sessões de autógrafos de Deana Barroqueiro, à conversa com os leitores na Feira do Livro de Lisboa, Parque Eduardo VII - Pavilhão da Editora Ésquilo (B02) - 1 de Maio, Sábado, 13 de Maio, Quinta-feira e 15 de Maio, Sábado - sempre das 16 h. às 19 h.

Conversas ao Fim da Tarde - Deana Barroqueiro fala sobre o enigmático Espião de D. João II no Auditório da Soc. Interbancária de Serviços, Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1, Lisboa - 5 de Maio, Quarta-feira, 12.15 h.

No Centro Cultural da Branca - Albergaria-a-Velha - 2ª Convenção Nacional Bookcrossing, Segredo dos Livros - 8 de Maio, Sábado, 10.30 h.; Painel Romance / Ensaio Histórico: Deana Barroqueiro, Fina D' Amata, Paulo Alexandre Loução, Sónia Louro - 8 de Maio, Sábado, 11 h.

A Livraria Buchholz substituiu, a dez dias do compromisso, o lançamento de "O Romance da Bíblia" por outro que crê ser-lhe mais vantajoso. Peço-vos desculpa, apesar de ser a vítima e não o prevaricador.
Estamos a procurar outro espaço para receber os amigos e informaremos da nova data e local, logo que seja possível.

Esperamos conseguir manter a apresentação pela professora/investigadora Dra. Manuela Gamboa e os textos lidos pela actriz Tânia Alves (Comuna - Teatro de pesquisa).

25/04/2010

Memórias de um Nonagenário - Parte III (Fim)

Nos anos trinta, fora com desgosto que se despedira das meninas que deixaram de frequentar as suas aulas, por força de uma lei que proibira o ensino misto e também detestara ver os alunos com a farda obrigatória dos “lusitos”, da Mocidade Portuguesa – calças e bivaque castanhos, camisa verde e um cinto com um S na fivela, em homenagem a Salazar – a fazerem a saudação fascista de braço estendido. Mas, com o passar do tempo, sossegara-o a revolta e a troça da maioria dos seus alunos contra o fascismo e a censura e não se enganara, pois muitos teriam um papel determinante no futuro de Portugal. Uma boa medida fora decretada, alargando a escolaridade obrigatória para 6 anos, o que, se fosse cumprido, talvez lhe trouxesse mais alunos no futuro.


O aparecimento dos primeiros filmes sonoros portugueses – “A Severa” (1931) ou a Canção de Lisboa (1933) – e da grande estrela Beatriz Costa animaram um pouco a cidade e provocara algum alvoroço entre os alunos, que logo voltaram às “fitas” americanas, as quais, segundo afirmavam, eram muito mais excitantes e cujos diálogos, apesar de serem em inglês, se percebiam muito melhor que os portugueses. Apesar dos maus tempos, havia um forte espírito de camaradagem e pertença entre ele os seus alunos e recorda ainda, com carinho, a constituição do A. L. P.A. – o Núcleo dos Antigos Alunos do Lyceu de Passos Manuel, em 1937.

A década de quarenta tão pouco fora promissora, metade dela preenchida pela 2ª Grande Guerra Mundial, embora Salazar conseguisse a neutralidade. Portugal tornou-se no porto de abrigo de muitos refugiados, sobretudo crianças judias que alguns dos alunos hospedaram em suas casas e cujas sofridas histórias lhes ouvira contar. Lisboa fora também o ponto de encontro de espiões alemães e dos países aliados e os seus pupilos vibravam com as intrigas e os mistérios que, apesar da censura e da repressão, chegavam aos ouvidos do Lyceu.


Os rapazes faziam gazeta para irem namorar as meninas que já frequentavam, com as mamãs, os cafés, as esplanadas da Av. da Liberdade e a Gelataria da Praça dos Restauradores, de vestidos atrevidos e sem chapéu, como as estrangeiras. Lisboa, Capital de Império, queria mostrar-se cosmopolita e inaugurara a Exposição do Mundo Português e o Estádio Nacional. E em 1943, inaugurou-se a Feira Popular, com as suas luzes de cores, ruído de altifalantes e de máquinas de diversão, barracas de comes e bebes, bazares de tostão, tendas de tiro ao alvo e de pim-pam-pum. Pagava-se um escudo à entrada e o povo acorria à festa, gastando uns tostões para esquecer o amargo quotidiano. Ali perderam muitos estudantes as suas noites, o dinheiro dos pais e, por vezes, até a sua inocência!

O Lyceu alegrara-se com o fim da guerra após a derrota dos nazis, em 1945, e acompanhara os alunos no delírio da 1ª vitória da Selecção Portuguesa de Futebol sobre a Espanha (invencível há 16 anos!) por 4-1 e do primeiro triunfo no estrangeiro, contra a Irlanda (0-2), aclamando os 5 violinos da bola: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Albano e Travassos . O Sporting fora, então, a equipa que mais títulos nacionais conquistara nesta década (3 campeonatos consecutivos) e por mais de uma vez fizera tocar o sino a rebate, para pôr termo às lutas travadas entre os seus adeptos e os do Benfica.

Com igual entusiasmo festejara a vitória da Selecção Portuguesa de Hóquei nos Campeonatos da Europa e do Mundo, transmitidos pela Rádio, a qual triunfa não só pela música, mas também pelos relatos dos jogos e com o teatro radiofónico, transmitido através das 240.000 telefonias que ligavam os portugueses ao mundo; todavia, jornalistas, escritores e opositores do regime são silenciados e morrem mais 43 pessoas nas prisões políticas ou abatidas pelas forças policiais.

Toca uma música suave e o velho Lyceu de Passos Manuel desperta das suas memórias, no alvor dos anos 50, e apruma-se com um sorriso a fim de receber os convidados e a homenagem que lhe prepararam para o dia do seu 95º aniversário. Oxalá que daqui a cinco anos, se ainda for vivo e estiver lúcido, possa recordar, das cinco décadas restantes da sua vida, os acontecimentos de que foi testemunha de ver e ouvir.

Porém teme que a sua progressiva decadência o impeça de vir a apreciar mais festejos ou mesmo de se manter de pé, se não lhe acudirem depressa, não com enganosas maquilhagens, operações de estética ou injecções de “botox” para esticar rugas e limpar as manchas da pele, mas de verdadeiras sessões de fisioterapia, de transfusões, de cirurgia profunda e reconstrução e reforço do esqueleto.

E, já agora, uma limpeza profunda aos ouvidos, para o livrar da imundície dos palavrões que é obrigado a ouvir, para poder escutar de novo, nas vozes dos alunos de agora e em trabalhos tão bons como os de outrora, a bela Língua Portuguesa, levada à altura dos céus nos textos dos poetas e prosadores portugueses, antigos e modernos, muitos deles seus antigos alunos. Oxalá! Oxalá...

Em nome do Lyceu,

pela escrivã Deana Barroqueiro

Fotos do Liceu Passos Manuel e de revistas antigas

Memórias de um Nonagenário - Parte II


A década dos anos 20 saíra do rescaldo da 1ª Guerra Mundial e o Lyceu, sempre em sobressalto pela salvaguarda dos seus meninos, ouvira dizer que Portugal passara a ser conhecido como o “País do Tirismo, visto os políticos e seus correligionários andarem sempre aos tiros uns aos outros e cujos estoiros lhe abalavam os claustros, com grande terror seu e dos pombos abrigados nos beirais, como na Noite Sangrenta, de 19 de Outubro de 1921, em que muita gente foi assassinada, incluindo o 1º Ministro António Granjo. Ficara sabendo, por notícias colhidas em pedaços de conversas, que o Presidente da República, António José de Almeida, durante os 4 anos do seu mandato recebera 18 recusas ao convite para Chefe do Governo e conhecera 150 ministros! Apesar de tudo, notava-se algum progresso e, no final da década, os automóveis passavam já de 24 mil e os telefones de 36.500!


Os alunos eram castigados por lançarem aviões de papel nas aulas e sonharem com Sacadura Cabral e Gago Coutinho e a sua travessia do Atlântico em avião, de Lisboa ao Rio de Janeiro e festejaram Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia pela ligação aérea de Lisboa a Macau (17.000 Kms). Para grande escândalo da maioria dos homens, surgiram as primeiras mulheres portuguesas ciclistas de competição, outras com carta de condução e automóvel ou brevet de aviadora, como Lurdes Sá Teixeira. Lyceu via com desagrado as meninas tornarem-se arrogantes, mandonas e mais atrevidas do que os rapazes. Enfim, era um mundo às avessas!


As novidades vinham de fora e o cinema, com os musicais americanos ou a divina Greta Garbo no ecrã, oferecia um prazer barato e tornara-se a pouco e pouco em vício, levando os alunos a fazerem gazeta para irem às sessões da matinée, com inevitáveis chumbos no ano ou nos exames. Austero e inflexível educador, o Lyceu arrepiara-se, escandalizado, ao ouvir uma aluna declarar: “Agora temos o amor-vertigem, o amor jaz-band, em que se conhece, se casa e se divorcia durante um fox-trot mais ou menos prolongado”. Os alunos trocaram o fato e a gravata pelo casaco desportivo, colarinho desabotoado e calças de golfe ou calções. Os vestidos das alunas tornaram-se mais curtos e os fatos de banho de cores vivas com as saias a subirem descaradamente quase até às ancas, como calções masculinos, numa demoníaca tentação à virtude dos alunos e (horror dos horrores!) as meninas fumavam às escondidas nas casas de banho, como os rapazes. Em 1927, nas aulas de Matemática, os únicos cálculos estudados pelos alunos foram os das formas, medidas e peso das participantes no 1º Concurso da Miss Portugal.


A 1ª Volta a Portugal em Bicicleta e a 1ª Volta a Portugal de Automóvel, em 1927, puseram a cabeça à roda aos estudantes de todo o país e muitos alunos de quadro de honra do Lyceu foram vergonhosamente apeados do seu pedestal. Mas ele vira com orgulho formarem-se as suas equipas de ginástica, de esgrima e de jogos, que treinavam com grande ânimo, lealdade e esforço nos ginásios e nos campos e pátios e ele sofrera com todas as derrotas e saboreara todas as vitórias nos campeonatos como suas.


No entanto, tratara-se de uma década perigosa e de muitos maus exemplos para os jovens que tinha à sua guarda, pois a vida parecia imitar o cinema e o crime tornara-se fácil e excitante, com assaltos e extorsões a clientes dos clubes e cabarets. Relatos de misteriosos assassínios e crimes passionais, com maridos e amantes a matarem as mulheres e namoradas por ciúme, eram a matéria preferida das alunas, substituindo os poemas de Camões e os autos de Gil Vicente, porém o maior escândalo e burla do século, comentados por professores e alunos seniores fora o golpe de Alves Reis que duplicara notas de 500 escudos no valor de 290.000 contos. Então, no fim da década, precisamente em 1928, alunos e professores não falavam senão de um tal António de Oliveira Salazar que fora feito Ministro das Finanças e chamara a si a sebastiânica missão de salvar a Pátria, por todos os meios ao seu alcance.

Neste ponto, o velho Lyceu abriu os olhos, assustado. Recordações e imagens das quatro décadas seguintes misturam-se na sua memória como um longuíssimo pesadelo, iluminado por raros e efémeros sonhos bons. Tinham sido os negros tempos da repressão e da Censura, da rolha e da mordaça, segundo a máxima de que “é tão importante dizer às pessoas o que pensar, como apagar tudo sobre o que não deve pensar” , quando alunos e professores vigiavam as suas conversas, por medo de denúncias e as matérias a ensinar e os livros eram censurados, proibidos ou impostos pelo Governo. O Campo de Concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, e outras prisões para os descontentes eram uma terrível e ameaçadora realidade. Lembra-se, com horror, de ter ouvido dois alunos mais velhos falarem em segredo, nos balneários, de 32 pessoas mortas nas prisões políticas ou abatidas pelas forças policiais.

25 de Abril...

Que aconteceu ao sonho de um Portugal livre, culto, justo, honrado e generoso?



(...) Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

Em em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalhos crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
de um país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras (...).

Excerto do poema "As portas que Abril abriu"

de José Carlos Ary dos Santos - Lisboa, Julho-Agosto de 1975

24/04/2010

Memórias do Lyceu Passos Manuel

Acabei de chegar da re-inauguração da Escola Passos Manuel, depois das obras profundas de requalificação a que foi submetida e a transformaram num belo e moderno estabelecimento de ensino, sem todavia prejudicarem o edifício original, que aparece remoçado. Os antigos alunos e professores têm aqui a Parte I (o texto é longo, se os leitores assim o desejarem, o resto seguirá em mais dois "posts") das Memórias deste Lyceu, a partir das suas confidências, aquando do seu 95º aniversário, em 2006, em que me deu o seu testemunho do muito que viu e viveu, na Travessa do Convento de Jesus.


Memórias de um Nonagenário - Parte I

Depois de ter dobrado o cabo do Século XX e entrado no Terceiro Milénio, chegara ao dia 9 de Janeiro de 2006, com a provecta idade de 95 anos (menos 5 para um século!). Mais do que o efeito do frio e da humidade acumulada em quase dez décadas de existência, esta ideia causou-lhe um arrepio que lhe arrepanhou as rugas do tecto e do soalho e, perpassando através da ossatura de colunas dos seus claustros, lhe atravessou a pétrea carnação das paredes até lhe atingir os fundamentos da alma. Então, o velho Lyceu Passos Manuel estremeceu de angústia pela incerteza do Futuro e, recolhendo-se ao sossego dos seus Arquivos, nas caves bolorentas, buscou o consolo das recordações, viajando no tempo até ao mais belo dia da sua longa vida...



O parto e os primeiros anos de crescimento haviam sido problemáticos, todavia, em 1911, a sua apresentação à sociedade não podia ter sido mais promissora quando, no dia 9 de Janeiro, abrira as majestosas portas da sua aristocrática casa, ainda com o nome de Lyceu Central de Lisboa, a fim de receber os alunos na sua primeira aula. Para grande espanto, tendo em conta que, nessa década, a população de Portugal rondava os 6 milhões de habitantes, com 4,5 milhões (75,1%) de analfabetos e 2.616.000 menores de 20 anos, dos quais cerca de 11.000 frequentavam o Ensino Secundário (com os seus 510 professores) e, tendo Lisboa 465.705 habitantes, os 1158 estudantes que lhe invadiram as salas, o anfiteatro, a biblioteca, os laboratórios, os ginásios e balneários, eram um número espantoso!


Nos primeiros tempos vivera em pânico, temendo confrontos ou uma dessas desgraças que sempre ocorrem em lugares sobrepovoados, capazes de pôr em risco a integridade dos jovens. Não esperara tamanho sucesso, pois estava preparado para acolher um número máximo de mil estudantes, no entanto, o orgulho de ser o maior Lyceu do país compensara o inconveniente do excesso, tanto mais que nesse excedente entrava a graça, a beleza e o espírito rebelde de 15 meninas dispostas a disputar aos companheiros um lugar ao sol no mundo das Ciências (inspiradas por certo no exemplo de Carolina Beatriz Ângelo que desafiara o poder masculino exigindo votar).


Mal tivera tempo de se habituar ao ruído e agitação, quando no dia 20 do mesmo mês os estudantes decretaram greve, ou mais propriamente, “fizeram parede” (“greve” é só para quem recebe salário) a favor da reintegração do professor de Inglês, Adolfo Benarus, expulso pelo Conselho de Professores por usar métodos modernos de ensino em vez das práticas rotineiras dos seus colegas.


E instaurara-se o pesadelo! Com o credo na boca, assistira durante a semana da dita “parede” a violentos confrontos entre os alunos e a Guarda Nacional Republicana, que só terminaram por intervenção do Ministro. Passado o susto, ficara-lhe o sangue a correr mais vivo nos veios de pedra, cheio de brio pela conduta dos seus jovens que se tinham batido, contra a injustiça, pela qualidade do ensino e nesses dias, fizera soar o sino da entrada tão festivamente como se fosse uma trombeta heróica.


Fora sem dúvida uma década difícil, depois de uma revolução que abolira a monarquia e proclamara a República, em 5 de Outubro de 1910, seguida por 29 mudanças de Governo, 18 intentonas ou revoluções, 20 revoltas populares e 3 atentados, além da participação de Portugal na Grande Guerra Mundial de 14-18. Com tudo isto, não era de espantar que, tanto os alunos, como os professores e os dedicados funcionários, andassem com os ânimos exaltados, a viverem em contínuo alvoroço e susto, com grande prejuízo da reputação do Lyceu.

Mas não só de política ou de guerra se falava no gabinete do Reitor ou nas salas de convívio, pois uma outra revolução ou escândalo se dera no mundo das Artes e das Letras, cujos ecos lhe chegavam a toda a hora aos ouvidos – a dos movimentos de Vanguarda, Modernistas e Futuristas – com a chamada geração do Orfeu: Mário de Sá-Carneiro (antigo aluno), Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor, Amadeo de Souza-Cardoso e tantos outros que abalavam o marasmo cultural de Lisboa, dominado pelo Dr. Júlio Dantas, inspirando os seus alunos, despertando-lhes o espírito e a curiosidade para imaginarem, experimentarem e criarem um mundo novo.


A revolução tecnológica tornara-se uma realidade, com 679 automóveis em circulação pelo país (com acréscimo de mortalidade dos peões resultante da utilização indevida pelos filhos dos condutores, à revelia dos pais) e ele dera graças aos céus por os professores da vizinha escola primária, com um ordenado mensal de 20$000 e os seus próprios docentes (embora ganhando um pouco mais), não poderem comprar tão dispendiosa e infernal máquina, evitando assim um fatal aumento de acidentes entre os seus alunos. Outra invenção diabólica invadira as casas dos honestos burgueses, distraindo os estudantes e afastando-os dos seus deveres, facilitando namoros secretos, conspirações e tramóias – o telefone, esse canal de bisbilhotice atingira o espantoso número de 6.000 assinantes!

07/04/2010

Quando a violência entra na sala de aula

A Reportagem Especial da SIC, do dia 31-03-2010, intitulada "Quando a violência entra na sala de aula", parece-me fazer a síntese do que, neste blogue, se discutiu a propósito do suicídio de um professor. Os testemunhos de docentes e auxiliares, vítimas da indisciplina, grosseria e agressividade dos alunos e dos seus familiares, a complacência manifestada pela representante dos pais e encarregados de Educação face ao comportamento dos alunos da turma do professor que se suicidou, não necessitam de mais explicações e apontam com urgência para a mudança.

Quem acha um exagero, duvida ou precisa de assistir para crer, não deixe de ver este vídeo até ao fim: A Reportagem Especial da SIC

Sociedade e Educação

Ainda sobre os Professores, a Escola e a Educação, remeto-vos para a leitura deste artigo de opinião "Bons Professores", que vi no blogue Em@, em que Francesco Alberoni põe sucintamente o dedo na ferida:

Ler artigo AQUI

02/04/2010

Desde o Minho...

As minhas mãos

A tarde entrava pela janela aberta, numa brisa de flores desabrochadas naquele instante de paz e céu azul. Reparei na cortina a pavonear-se de branca acima do parapeito desbotado, na lareira um vaso a encher de verde o escuro que ficou do Inverno, à frente a cadela enroscada num sono tranquilo, na mesa o folar envernizado de gema e com um cheirinho resgatador da saudade. Aqui e ali amêndoas coloridas, como se as árvores fossem tingidas por arco-íris.

Eu estava sentada numa cadeira de baloiço, daquelas de ir e vir no sopé dum sonho. No meu colo tinha um livro, que alertava os sentidos:
«O Espião de D.João II». A tarde findou e eu nem vi como desceu a noite. Estava a viajar...

Felizes dias de Páscoa.

Isabel

29/03/2010

Em Terras de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva

Desejo expressar aqui os meus agradecimentos ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Castelo Branco, Dr. Joaquim Morão Lopes Dias, pelo amável convite que me fez para uma apresentação do meu romance "O Espião de D. João II", na sua bonita cidade que muito amo. Um carinho extensível a toda a região que procurei homenagear com a minha obra, ou não fosse eu casada com um natural desta terra tão especial e que tantos heróis pôs no mundo.

No âmbito das festas do Município, a Exma Sra. Dra. Maria Cristina Vicente Pires Granada, Vereadora da Cultura, abriu o auditório da moderna Biblioteca Municipal, de que é directora, para receber, com extrema afabilidade e simpatia, os três escritores - Deana Barroqueiro, João L. Inês Vaz e Paulo Loução, que é simultaneamente o editor da Ésquilo - autores de três obras que tratam de personagens e temas da região, as quais foram apresentadas por ilustres personalidades albicastrenses: Pedro Salvado, Pires Nunes e Maria Adelaide Salvado. Podem ver aqui algumas fotos do evento.


Agradeço também a todos (e foram muitos) os que vieram assistir à apresentação, que pecou por demasiado extensa, por serem três obras e seis oradores, do que, pela parte que me toca, peço desculpa.

Quero agradecer ainda o convite do Exmo. Senhor António Carrega, Presidente da Junta de Freguesia da bonita vila de Alcains, pelo jantar de comida tradicional (gostosíssima) que ofereceu aos palestrantes, durante a festa da Feira do Queijo. um produto que pode rivalizar com o queijo da serra da Estrela.
A todos, a minha imensa gratidão!

26/03/2010

Heróis e Enigmas da Beira Interior

Amigos de Castelo Branco e arredores:

Não se esqueçam de que hoje, Sexta-feira 26, pelas 18.30 h. terá lugar, no Auditório da Biblioteca Municipal, uma apresentação de três obras que têm ligação com a Beira Baixa e não só:
- «O Espião de D. João II» de Deana Barroqueiro – pela Dra. Maria Adelaide Neto Salvado.
- «Os Lusitanos no Tempo de Viriato» de João L. Inês Vaz – pelo Dr. Pedro Salvado.
- «Grandes Enigmas da História de Portugal», Vol. I e II, coordenação de Miguel Sanches de Baêna e Paulo Alexandre Loução – pelo Dr. Pires Nunes. No Vol. II, o artigo «O Enigmático Espião de D. João II» é da autoria de Deana Barroqueiro.

Será um prazer voltar a ver-vos logo à tarde.

25/03/2010

Lembrete

Queridos amigos

Não querem aparecer, pelas 19 h., na Livraria Barata (Av. de Roma, 11 A - Lisboa), para conversar e dar apoio ao jovem autor, Pedro Medina Ribeiro, na apresentação da sua primeira obra?
Fico à vossa espera.

24/03/2010

"O Navegador da Passagem"... à vista!

Finalmente! Apareceu de novo e em força, nas principais livrarias e grandes superfícies, "O Navegador da Passagem", com a chancela da Porto Editora, que foi lançado em Outubro de 2008, esgotou em 15 didas e teve a 2ª edição disponível já em Novembro desse mesmo ano.
No entanto, o livro deixou de se ver a partir de Março de 2009 e, no passado Natal, quase não se achou à venda, pelo que os meus leitores se queixavam de só o conseguirem comprar pela internet.
Era frustrante, para mim, pois esta obra forma uma "dupla" com "O Espião de D. João II" (este publicado pela Editora Ésquilo), como se fossem as duas faces de uma medalha com a efígie do Príncipe Perfeito. A propósito das viagens do Navegtador Bartolomeu Dias, narra-se o reinado de D. João II, o seu projecto político e a luta contra as forças que se lhe opunham. Com o Espião Pêro da Covilhã e a sua Demanda das especiarias e do Reino do Preste João, fala-se do sonho desse grande rei, completando a história do seu reinado.

Fico muito grata à Porto Editora, por ter apostado novamente n' "O Navegador da Passagem", satisfazendo assim a procura dos meus leitores. Bem hajam!

19/03/2010

Agenda de Março

25 de Março, Quinta-feira, às 19 h.
Editora da Oficina do Livro-Leya, Livraria Barata


Lançamento do livro "A Noite e o Sobressalto"
de Pedro Medina Ribeiro.
Um jovem autor de grande talento, com histórias
de arrepiar.
Apresentação a cargo de Deana Barroqueiro

Espero-vos na Barata (Av. de Roma - Lisboa)
para uma amena cavaqueira


26 de Março, Sexta-feira, às 18.30 h.
Castelo Branco - Auditório da Biblioteca Municipal




A Biblioteca Municipal de Castelo Branco e a Ésquilo, Edições e Multimédia têm o prazer de convidar V. Exas. a assistir à sessão «Heróis e Enigmas da Beira Interior».
O evento será presidido pela Dra. Cristina Granada, Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco.
Farão alocuções sobre o tema, a Dra. Deana Barroqueiro, o Prof. Doutor João L. Inês Vaz, o Prof. Paulo Alexandre Loução.
Serão apresentados três livros relacionados com o tema:
- «O Espião de D. João II» de Deana Barroqueiro – pela Dra. Maria Adelaide Neto Salvado.
- «Os Lusitanos no Tempo de Viriato» de João L. Inês Vaz – pelo Dr. Pedro Salvado.
- «Grandes Enigmas da História de Portugal», Vol. I e II, coordenação de Miguel Sanches de Baêna e Paulo Alexandre Loução – pelo Dr. Pires Nunes.

Obs: Nesta obra, o artigo «O Enigmático Espião de D. João II» é da autoria de Deana Barroqueiro.

Contamos com a sua presença!

18/03/2010

Desde o Minho...

A Voz do Silêncio

Descemos as escadas de pedra, devagar, até à planície de retalhos verdes, amarelos e vermelhos. Açucena empurrava o vento com os braços esticados, e dizia que as ervas eram o tapete do rio, os malmequeres a jarra da avó e as papoilas um dos sonhos da Bela Adormecida. E eu perguntava-lhe por outros sonhos e ela fechava os olhos e não me respondia.

Começou a pingar. Recolhemo-nos debaixo de um alpendre. Nas traves de madeira carcomida, ouviam-se as alcoviteirices dos pássaros e ela continuava com os braços esticados para apanhar a água do céu. Depois, em cima dum carrinho de mão estacionado numa meda de palha, passava os dedos na cara, e com as avelãs dos olhos à mostra dizia que a Bela Adormecida já tinha acordado.

Isabel

17/03/2010

Oferta do blogue Sorumbático


EM AGRADECIMENTO pela participação dos nossos leitores, Carlos Medina Ribeiro, que publicou no blogue Sorumbático o texto "Um Professor suicidou-se" oferece um livro aos autores dos três comentários que melhor abordaram o problema em discussão:
Fernando Rebelo, Gonçalo Correia e Fernando.
Os três têm, a partir de agora, 24h para escreverem para premiosdepassatempos@iol.pt indicando, por ordem decrescente de preferência, o que preferem: Capitães da Areia, Entre o Pavor e a Esperança, ou um livro da lista que pode ser consultada [Aqui]; e morada para envio, evidentemente.

Muito obrigada, amigos.

14/03/2010

A propósito do assédio ("bullying")

Agradeço profundamente aos que se deram ao trabalho de me ler e de deixar os seus comentários ao meu texto, tanto aqui como no blogue "Sorumbático". Foi para proporcionar essa troca de ideias com os meus leitores ou outros cibernautas que eu quis ter, além da minha página de escritora, este blogue.

Não pretendo ser "modeladora de opiniões" (já os há em demasia e não tenho formação para tão difícil empresa). Escrevo apenas sobre o que conheço ou o que observo, em particular, sobre o que me alegra ou me desgosta além do razoável e não suporto ver gente humilhada ou subjugada a qualquer tipo de poder.

Reajo instintivamente, à ameaça ou intimidação e contra-ataco, mesmo sabendo o perigo que corro. Não se trata de bravura, mas desse "Síndrome de Joana d'Arc" que me impele a lutar contra a injustiça. Desde menina.

Por isso, também tinha dificuldade em aceitar que um professor - sobretudo um homem, porque a matilha dos opressores escolhe habitualmente professoras muito jovens ou idosas, por serem presa fácil -, não conseguisse controlar uma turma e se deixasse abater, ao ponto de cair em tal depressão que necessitasse de tratamento psiquiátrico ou o pudesse levar ao desespero do suicídio, como confessou o colega na sua nota de despedida.

Contudo, ao longo dos últimos anos, fui vendo aumentar a indisciplina e diminuir a capacidade das escolas e os seus instrumentos para a conter, por obra e graça das directivas e reformas do M.E. O sentimento de impunidade e do "vale-tudo" tornou-se regra entre os estudantes e ai daqueles que se tornem seus alvos e não reajam ou não consigam impor-se-lhes. Há os que o conseguem, com mais ou menos luta; outros, para sobreviverem, "fazem o jogo" dos alunos, deixando-os "à solta"; os mais fracos e sensíveis são triturados.
Assisti, apesar da ajuda que colegas e membros do Conselho Directivo lhes prestasvam, à destruição de alguns colegas (homens e mulheres) que tinham vindo para o ensino cheios de esperança e de desejo de se fazerem bons profissionais. Não lhes deram essa oportunidade.

Cada vez há mais casos de professores com problemas de depressão, há artigos, relatórios e estatísticas sobre isso, mas também sei que só quem tenha um contacto próximo com a comunidade escolar conseguirá perceber a gravidade do problema. Daí que a situação se tenha vindo a agravar a passos de gigante. Sem a solidariedade e a compreensão dos seus pares e da sociedade, o indivíduo fica isolado, vulnerável e indefeso.

Em que outra profissão, um trabalhador (e a classe dos professores é aquela cujos membros têm mais habilitações académicas e profissionais, actualmente já todos têm Licenciaturas e muitos o Mestrado) está sujeito a sofrer, diariamente e durante seis ou oito horas seguidas, o desgate de vagas sucessivas, de 25/30 crianças e adolescentes "apenas" barulhentos e desatentos, embora simpáticos (no melhor cenário) ou indiciplinados, violentos e grosseiros (nos piores casos)?

Por que razão não tem o professor o direito, como qualquer outro profissional em contacto com o público, de se recusar a dar aulas a uma turma de alunos que o ofendem e humilham, que se estão nas tintas para o que ele lhes quer ensinar e lhe fazem a vida negra?
Não pode, porque, se se recusar, fica sujeito a um processo disciplinar, com consequências gravíssimas. Só poderá libertar-se abandonando o ensino, se tiver outros meios de subsistência ou se estiver disposto aos riscos de mudar de vida, a meio da carreira, para começar de novo, depois de ter passado os seus melhores anos como professor.

Muitas vezes os colegas e a direcção da escola não sabem do seu sofrimento porque os visados não contam o que se passa, por vergonha (vejam a entrevista no link do post anterior, embora não seja sobre a escola, refere inúmeros casos patéticos de suicídio devido ao assédio), o que os leva a isolar-se cada vez mais. Tal como acontece com os alunos vítimas de assédio (prefiro a palavra portuguesa ao "bullying") dos colegas mais velhos ou mais fortes, quase sempre em bando.

Há uns anos, eu aconselhava a minha profissão aos mais jovens, agora digo a todos para a evitarem, tal como aconselhava a frequentar a escola pública e, agora, aconselho a privada, não por terem melhores professores, mas porque aí os pais pagam balúrdios de propinas e obrigam os filhos a comportarem-se bem e a estudarem, para que eles não sejam recusados ou expulsos por essas escolas. As públicas são praticamente gratuitas e, mesmo com cadastro, um aluno não pode ser recusado e é quase impossível expulsá-lo.

Tive, durante cerca de 30 anos, a paixão do ensino, nos últimos anos perdi-a quase por completo. Aposentei-me por antecipação e com penalizações. Retomei a escrita, senti-me renascer e voltei a ser feliz. Mesmo assim ainda fui a muitas escolas falar aos alunos, porque sentia-lhes a falta. Tenho uma grande capacidade de comunicação e sempre captei a atenção dos jovens com as minhas histórias.

Agora, já nem isso se consegue. Não voltarei a perder o meu tempo e as energias a ir às escolas falar para uma massa barulhente e grosseira (a última sessão foi numa das boas escolas de Lisboa, só com Secundário e num bairro tradicionalmente rico), que só ali está para "se baldar às aulas" e, apesar da vigilância dos professores, faz tudo para estragar a conversa que alguns alunos ainda interessados procuram manter.

Quando se passar a responsabilizar os pais pelo abandono e mau comportamento dos filhos, talvez as coisas mudem.

Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal

Entrevista a Christophe de Dejours no Público, sobre um tema e uma realidade de que ainda se fala muito pouco. É extensa, mas vale a pena ler. Conclusões esmagadoras, as deste psiquiatra e psicólogo, director do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção (Paris). Explica bem o acto do professor de Sintra.
Leia a entrevista Aqui

13/03/2010

Um Professor suicidou-se

Suicidou-se um professor.

A anterior equipa do Ministério da Educação, se ainda estivesse em funções, diria certamente que ele era um dos muitos professores sem perfil para a complexa missão de ensinar crianças ou adolescentes, dos docentes que nunca poderiam progredir na carreira, dos que deveriam ser avaliados por quem de direito o poderia fazer com rigor, por serem os mais directamente interessados – os seus alunos e os respectivos Pais ou Encarregados de Educação.

Com a boa prática de estes últimos começarem a interessar-se muito mais pelo trabalho dos filhos, indo com maior frequência à escola, sobretudo para pedir satisfações ou até administrar uns tabefes ao docente que não souber levar o seu educando, mesmo contra vontade da criança ou do adolescente, a frequentar as suas aulas e, coisa mais rara e improvável, a estudar.

Suicidou-se um professor.

E, se ainda estivessem em funções trabalhando para impor a sua brilhante reforma do ensino, a anterior equipa ministerial diria talvez que o professor suicida era a prova viva de que tinham razão quando se devotaram, desde o primeiro dia da sua tomada de posse, à necessária e espinhosa tarefa de disciplinar a classe, “metendo os professores na ordem”, de os “triturar”, se necessário fosse, por serem uma classe de incompetentes, preguiçosos e absentistas.

Suicidou-se um professor.

Com esta desvalorização da classe, os professores foram espoliados da sua dignidade, despidos de toda a autoridade, deixados indefesos e sem recursos, no exercício de uma profissão que é das mais difíceis, exactamente pelo que exige dos seus membros e da relação com o Outro (os alunos), tão infinitamente delicada que o mais leve sopro a pode romper.
Face a uma sociedade cada vez mais grosseira, inculta, desprovida de ética e de moral – cujos maus exemplos vêm de cima, a começar por aqueles que nos desgovernam para se governarem –, em que muitos pais, para não dizer a maioria, se demitiram da sua função de pais e guias da vida dos seus filhos, não lhes inculcando no tempo devido (desde o berço) os mais básicos princípios de disciplina, civismo e decência.

Os alunos deixaram de respeitar os professores e de ouvir os seus ensinamentos, insultando-os e humilhando os mais fracos, porque a tutela os desrespeitou e humilhou.
Em muitas escolas as aulas transformaram-se em arenas e muitos professores não conseguiram enfrentar o pesadelo e desistiram ou adoeceram. Porque não têm apoio, porque a escola não quer ou não pode agir.

E um professor suicidou-se

Quando a antiga equipa ministerial viu os vídeos que passaram nas televisões, com crianças e adolescentes a portarem-se nas aulas como no recreio ou num circo, a insultarem e baterem nos colegas e em professoras (jovens e idosas, para as crianças isso não conta, quanto mais frágil for a vítima, tanto melhor…), negaram a evidência e tomaram por excepção o que começava a ser uma regra.

Seis mil professores pediram, no mesmo ano, a aposentação antecipada.
E, agora, um professor suicidou-se.

Se a anterior equipa ministerial estivesse em funções talvez fizesse um inquérito aos alunos do professor suicida, para apurar se estes jovens do 9º ano, com uma idade média de 15 anos, que o empurravam, lhe davam “calduços” e chamavam “cão”, não teriam ficado traumatizados pelo acto tresloucado do seu suicídio. Não hesitariam seguramente em fazer-lhe um processo disciplinar a título póstumo.

Um Professor suicidou-se.
Antes de se lançar ao rio, escreveu no seu diário: “Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio”.

A anterior equipa ministerial não é a única culpada da degradação do ensino, ela é fruto da degradação da nossa sociedade e toda a comunidade tem culpa, por se demitir das suas funções e dos seus deveres.

Talvez o desespero e a morte deste Professor façam despertar as consciências e haja uma reflexão séria sobre o estado a que chegou o nosso ensino, a nossa política e a nossa sociedade.

Eu escrevo com dor e asco. Para que os Professores que sofrem ou conhecem estas situações as denunciem e que se repensem as leis e os estatutos dos Professores e dos alunos, de modo a que os docentes possam ensinar num bom ambiente de trabalho, os alunos prevaricadores possam ser punidos com severidade e os pais responsabilizados pelo mau comportamento dos seus filhos.

10/03/2010

Desde o Minho...

O meu sorriso

Era uma tarde como outra qualquer. Eu acomodei o corpo ao assento do carro. Ele tardaria um pouco mais a chegar. Gosto de me antecipar à hora marcada, para apreciar o antes. Esfregava as mãos e impingia-lhes o sopro de uma boca sem palavras. Lá fora, os carrapichos verdes das árvores ao fundo, agitavam-se, comovedores como asas fincadas. Pelo pára-brisas desceu um gato pardo, como se adivinhasse que no assento
de trás havia um peixe avermelhado num frasco de vidro, que arregalava os olhos e batia com a cauda em desespero.

Depois dos estendais, era um campo descosido de vedações, onde o Maio costuma soltar flores de muitas cores, encavalitadas na sombra que os pássaros deixam ficar.

Decidi abrir a porta. O gato escapuliu por um vau que eu desconhecia. Corri pelo campo fora, com asas cosidas aos braços e numa nuvem cinzenta verti a água do frasco e o peixe foi com ela. Viajaram até à beira do rio e quando ele chegou junto a mim mostrei-lhe as minhas mãos molhadas, com cheiro a cardume.
Beijou-me os olhos e eu acordei.


Cerzir palavras

A névoa aos pés do rio era manto alinhavado por escamas. Assim o descreveu a minha boca fechada no papel desdobrado em cima da pedra, numa friagem que intumescia as palavras de uma cor misteriosa. Um pintarroxo poisou num barquito que vacilava entre a noite e a madrugada. Tinha uma baga presa no bico.

Só quando raiava e a aura lhe trazia o pescador de volta, a rota das pétalas era retomada. Ele vinha com o pendor da lua nos lábios. O mesmo rosto escanhoado e as mãos grandes na flor prensada em páginas manuscritas, lá no fundo do cesto de vime, com cheiro a horas coadas por redes quiméricas. Eu via-os partir. E durante algum tempo vogava com eles. As asas soltavam as amarras do pensamento. O sacudir das águas calçava os pés do rio lentamente, como quem quer seguir o sonho que medrou e que o simples piar delata.

Uma chuva morna ancorou pouco depois e descreveu ilhas azuis no papel e istmos nos meus dedos. A écharpe escorregou. Caiu no chão. Voltou ao contorno do pescoço. Notei-lhe tufos. Eram as pétalas garridas que o pescador não soube achar.


Navegadora,
Uma tarde de Inverno à lareira e com a Maria João Pires a tecer o ar de brilhos.
O beijinho e o sorriso.

Se o azul do céu tiver corrupios brancos são sementeiras de palavras.

Isabel