27/08/2010

Cada romance é como um puzzle


Nas minhas conversas com os leitores, é muito frequente surgirem perguntas sobre a motivação e o processo de conceber um romance. Sendo a escrita de um livro de ficção um acto criativo, cada autor terá decerto um modo próprio de o fazer. Assim, só posso falar da minha experiência.

A motivação para a criação de romances históricos surgiu há quase duas décadas (quando em Portugal muito poucos autores se dedicavam a este tipo de obra literária), com o desejo de dar a conhecer aos portugueses uma época espantosa da nossa História e da nossa Literatura - assim como nos restantes domínios da Cultura e da Ciência -, que foi o período dos Descobrimentos, tão injustamente remetidos a um patético tabu, em que era intelectual e politicamente incorrecto dizer-se bem dessa nossa expansão pioneira pelo mundo, durante os Séculos XIV, XV e XVI.

Uma atitude muito portuguesa, essa de desprezar o que é nosso! Tão contrária ao orgulho mostrado por outras nações que nos foram no encalço, para aprenderem connosco e nos roubarem depois, apoderando-se pela força das armas das nossas fortalezas e feitorias, praticando a sua expansão com a ocupação de mundos e de povos descobertos por nós, os quais, durante séculos e até ao início do Séc. XX, escravizaram e exterminaram com muito maior violência e frieza do que as exercidas pelos portugueses nessa época em si mesma brutal e bárbara (basta lembrar os Ingleses na Austrália, um entre muitos exemplos das nações europeias, para já não falar das de outras áreas geográficas).

Não eram, todavia, os feitos militares que me fascinavam neste período, eram sobretudo os heróis da extraordinária saga das Descobertas: navegadores e exploradores aventurando-se, antes de qualquer outra gente, em viagens impossíveis por mar e por terra; sábios descobridores dos astros, dos ventos, das correntes e das rotas marítimas que desenharam cada curva, linha ou ponto dos mapas do mundo moderno; estudiosos dos segredos da natureza, fazendo as primeiras descrições científicas modernas das drogas e das artes de curar os enfermos. E, acima de todos estes, os escritores - poetas e prosadores - com o espírito aberto do Renascimento, capazes de captarem em obras originalíssimas, de prosa e verso, esses mundos novos, essa surpresa contínua e maravilhada da descoberta do Outro, com as suas diferenças e semelhanças. Mundos até então encobertos, onde o insólito e o inexplicável podiam causar um terror supersticioso ou mesmo a morte, sem todavia lograrem destruir a curiosidade e o desejo de saber mais e de ir sempre mais longe.

É esse espírito, essa visão muito particular dos novos mundos (quase sempre fruto de vivências e experiências) e essas obras que eu quero dar a conhecer aos leitores, em cujos genes seguramente ainda perdura a marca desses homens que, na maioria dos casos, nem sequer têm os seus nomes impressos nos arquivos da História, embora tenham ajudado a construir as nossas vidas e o nosso futuro.

Existem muitas definições e teorias sobre o que é ou deve ser um romance histórico, se deve manter-se fiel à verdade das fontes e dos factos que narra, fazendo uma reconstituição rigorosa da época ou se, pelo contrário, sendo uma obra de ficção, o seu autor tem liberdade para reinventar a história a seu bel-prazer, sem as algemas da fidelidade histórica. Entre estes dois extremos creio que caberão todos os romances até hoje publicados.

Talvez por defeito de formação, porque me fiz como sou na convivência dos grandes mestres da Literatura portugueses e estrangeiros, confesso-me, em parte, herdeira de Alexandre Herculano e da sua concepção de romance histórico. Considero que este tipo de romance deve dar ao leitor algo mais do que uma intriga, um enredo; ele é um meio privilegiado para a partilha de conhecimentos, fruto das pesquisas do escritor sobre determinado acontecimento ou personagem da História.

Por estas razões, não só procuro manter-me fiel aos acontecimentos, como tento recriar os ambientes, temporais e espaciais, com grande pormenor (por vezes quase obsessivo, reconheço), porque quero fazer o leitor viajar no tempo até essa época, para ver o que lhe é descrito através do olhar das personagens e as ouça falar com a voz que lhes é própria.

Por outro lado, a minha formação em Literatura e o conhecimento das obras e dos autores deste período, levam-me a construir cada romance segundo os modelos e recursos narrativos que então vigoravam, como por exemplo, quando dou particular relevo ao papel do narrador-comentador e ao entrelaçamento das vidas das duas personagens em capítulos curtos, no D. Sebastião e o Vidente, ou escolho a estrutura de romance de cavalaria e busca do Graal para O Espião de D. João II cujo herói é o errante e solitário cavaleiro Pêro da Covilhã (à procura do mítico Preste João), ou ainda o labirinto das viagens e recordações de Bartolomeu Dias em O Navegador da Passagem, cujo contexto é a intrincada rede de jogos políticos de D. João II e D. Manuel.

25/08/2010

D. João II e "O Navegador da Passagem"


Ganhei um grande número de novos leitores graças ao título do meu romance O Espião de D. João II, por nele vir explícito o nome daquele que é considerado, se não o melhor, pelo menos um dos melhores reis da História de Portugal, e que ultimamente tem despertado muito interesse nos portugueses que gostam de conhecer a sua História.

Contudo, o meu romance que trata em pormenor da vida e obra deste rei é não "O Espião de D. João II", mas O Navegador da Passagem, porque o seu reinado serve de contextualização às viagens do grande Navegador Bartolomeu Dias (outra personalidade portuguesa extraordinária e quase ignorada). Neste romance, são descritos os dramas pessoais do Príncipe Perfeito, os seus empreendimentos, as conspirações de que foi vítima ou que urdiu, a sua política de grande visão e a rede de de espiões e de relações internacionais (incluindo algumas personagens e episódios espantosos pouco conhecidos que tive a sorte de descobrir nas minhas pesquisas em obras de autores coevos).

Nas conversas que tenho tido com esses novos leitores, procuro informá-los de que em O Espião de D. João II - que se seguiu a O Navegador da Passagem -, procurei complementar a informação deste reinado, desenvolvendo, a propósito das viagens de Pêro da Covilhã (outro herói também injustiçado, por ignorado), o sonho do Príncipe Perfeito, uma espécie de busca do Graal a que devotou muitos anos da sua vida: a descoberta do Preste João e também da rota das especiarias da Índia.

A escolha de um título, por estranho que pareça, pode ajudar a determinar o sucesso ou o insucesso de um livro, atraindo os leitores ou afastando-os. Creio que isso aconteceu, de certo modo, com O Navegador da Passagem, um título que achei poético e capaz de sintetizar o conteúdo do romance. Todavia, creio que o facto de não nomear Bartolomeu Dias ou el-rei D. João II - o que não quis fazer por me parecer demasiado óbvio - deve ter funcionado um pouco contra esta obra, em relação aos novos leitores.

Talvez me engane, no entanto julgo pertinente deixar aqui este esclarecimento.

23/08/2010

Pechincha: D. Sebastião e o Vidente

Como há muitos leitores apaixonados pelo meu romance D. Sebastião e o Vidente (a ponto de terem criado esta Página no Facebook), venho informar que a Porto Editora está a vendê-lo, com 50% desconto, por 9,49 €, nas suas Páginas on-line. Ver Aqui e na WOOK.

20/08/2010

Feira do Livro de Sesimbra 2010


No dia 15 de Agosto, encerrou-se a VII Feira do Livro de Sesimbra. Não era um grande certame com pavilhões de editoras, era apenas um salão comprido, contudo parecia imenso, assim povoado de palavras, sentimentos e sonhos. Abria-se sobre o mar, com promessas de viagens por novos mundos ou antigas paisagens revisitadas.


É de louvar o esforço feito pela Câmara Municipal de Sesimbra e por pessoas como Rui Graça e seus colaboradores, para promoverem a leitura, levando os livros e os seus autores ao encontro de potenciais leitores. E esta actividade cultural, tão necessária, tem sido prática corrente, durante o Verão, em inúmeras vilas e cidades. E atrai público - adultos e jovens -, por vezes famílias inteiras, para comprar com desconto a obra desejada, só ver as novidades ou simplesmente sentir o prazer de folhear um livro. E para conhecer e conversar com os escritores.


Quanto a mim, no dia 1 de Agosto, passei uma noite de animado convívio com os leitores e veraneantes de Sesimbra. Conheci um professor, natural de Pedrógão Grande que veio à Feira de propósito para me ver, trazendo um exemplar do meu D. Sebastião e o Vidente para eu assinar: queria saber se eu era sua conterrânea, pois não seria possível descrever a terra e os costumes de Pedrógão Grande, do modo como fiz no romance, não sendo nada e criada na terra da minha personagem, o aventureiro Miguel Leitão de Andrada.
E conversei com muitos outros que conheciam parte ou até todos os meus romances e gostavam da minha escrita!
Tenho de confessar, todavia, que morri de inveja do autor desconhecido que conseguiu prender desta forma, com o seu livro, a atenção do leitor.


Procurei enviar as fotos deste amante da leitura à sua mãe, mas o endereço do e-mail que me deu deve estar errado, porque não recebi resposta.

28/07/2010

A minha gratidão...

...a todos os que transformaram o dia dos meus anos em festa gloriosa, por se lembrarem de mim, enviando-me mensagens através do Facebook, por telefone, telemóvel ou e-mail. Foram mais de cem, um espanto! Fico-vos imensamente reconhecida por essa mostra de carinho que tanto me emocionou.

Na impossibilidade de as transcrever a todas, gostaria de vos deixar aqui um exemplo dessas mensagens fora do Facebook e que, portanto, foram lidas apenas por mim. Espero que a autora não se importe, pois agradecendo-lhe, faço-o também aos restantes amigos. Ei-la:

Neste dia...
As flores de espuma e sargaço, no ocidente canteiro do mar,
desabrocharam com o madrugar da cotovia; o rio saiu das margens
confundindo as pedrinhas redondas, lisas e brilhantes com uma qualquer alegoria; alindou-se de Verão o verso que abriu a cancela para a romaria passar. E todos exclamaram em uníssono que eram horas de festejar. Viva a Deana, viva!

Feliz Aniversário, Navegadora!

Um grande abraço e um beijinho.

Isabel



Muito obrigada, "Poetisa Encoberta das Terras do Minho".
Muito obrigada, queridos amigos. Um grande beijo a todos.
Deana

26/07/2010

Feira do Livro de Sesimbra


Estarei à Conversa com os Leitores e a assinar os meus livros a quem quiser, no dia 1 de Agosto, Domingo, às 21.30 h, na 7ª Feira do Livro de Sesimbra.

Espero-vos, para uma amena cavaqueira, no recinto destinado aos eventos, à entrada da Feira, na Praça da Califórnia (junto ao Hotel & Spa de Sesimbra).

O Espião de D. João II é Livro do Dia.

Página do Facebook

Programa

24/07/2010

O Google repôs o meu blogue

Amigos Leitores

Ao fim de 13 longos dias - talvez por ser o dia dos meus anos - o Google devolveu-me a identidade virtual: cédula de nascimento, bilhete de identidade, cadastro, curriculum vitae e passaporte de internauta, ou seja, restaurou o meu blogue http://deanabarroqueiro.blogspot.com/, que é tudo isso e muito mais.

Durante duas semanas, senti-me ostracizada (homiziada como diriam as minhas personagens do Renascimento), como se de repente tivesse sido declarada apátrida (o que já me sucedeu na vida real, essa outra vida minha sempre recheada de imprevistos e de sucessos absurdos, dignos dos meus romances de aventuras)!

Porém, tendo prevalecido a rebelde persistência humana (minha) sobre a cegueira implacável dos robots googleanos, a justiça foi por fim reposta: revalidaram a minha existência, enquanto ser virtual, já inseparável deste imenso universo que é a Blogosfera e aqui me tendes, ressuscitada e inteira, de novo entre vós.

16/07/2010

Viagens bíblicas


Julgo que o Google apagou a minha Página Principal, sob a acusação de "violação por SPAM" por eu ter os meus três blogues interligados e os robots, pouco inteligentes, tomaram-nos por SPAM.
Assim mesmo, vou correr o risco de ficar de novo sem estes dois blogues de comunicação com os meus amigos, ao indicar-vos a minha última postagem do blogue "O Romance da Bíblia", por aí descrever um dos meus modos de pesquisa para a recriação dos ambientes e da vida dessas gentes. Ver em Terras, gentes e usos do Romance da Bíblia

13/07/2010

O meu romance e a Moda Lisboa


Tenho febre e dores de garganta. Sinal seguro de que vou ficar mais de um mês a contas com uma dessas gripes que nos minam todas as capacidades de trabalho e de prazer e nos deixam com um humor de cão.
Incapaz de escrever, passeio-me pelas alamedas, ruas e ruelas desta cidade virtual que se abre, no monitor, diante dos meus olhos distraídos, à procura de algo que me alegre. E vejo esta passagem de uma entrevista feita, há já alguns meses, pelo autor do blogue "Conceito de Homem" ao criador Nuno Gama, durante o certame da Moda Lisboa:

Conceito de Homem - Gosta de ler ?

Nuno Gama - Eu gosto imenso de ler, gosto imenso de História, em particular História de Portugal. Estou a terminar um livro e estou a ficar tristíssimo porque não tenho nada para ler a seguir, que é o D Sebastião e o Vidente , que é fabuloso e recomendo a toda a gente, ficamos com uma visão global com relação ao D. Sebastião, e à nossa história, ainda há muita gente que associa o saudosismo entre a Amália Rodrigues, Salazar e D Sebastião… o livro é profundamente envolvente.


Obrigada Nuno Gama! Um afago destes ao meu ego, se não me cura, pelo menos ajuda a melhorar a minha disposição.

O resto da Entrevista pode ser vista AQUI.

10/07/2010

A barbárie do Islão fundamentalista


A morte por apedrejamento

Quando o poder religoso, em mãos de fanáticos, domina o poder político, implanta-se a barbárie e volta-se à Idade Média. Em nome de Deus e de uma falsa moral, os mullahs e imãs do mundo muçulmano fundamentalista - gente sacrílega e ávida de mando - arrogam-se o poder divino de dar vida e morte aos que lhe estão sujeitos, mesmo quando inocentes e, em particular, a mulheres indefesas. Como cidadã do mundo, mulher e escritora, sinto o dever de denunciar a infâmia e o crime. Faço-o nos meus livros. E um dos crimes mais infames do Islão é a morte por apedrejamento de mulheres a quem não é dada a possibilidade de se defenderem, pois os julgamentos não passam de uma farsa obscena (se homens e mulheres são igualmente incriminados por adultério e relações sexuais, porque será que no Irão há 12 mulheres e apenas 3 homens, nas prisões, à espera desta pena de morte?).
Podem ver em pormenor, neste excerto do meu livro "O Espião de D. João II", a morte por lapidação de uma "adúltera", nos finais do Século XV, um modelo de "justiça" posto novamente em prática nos inúmeros países fundamentalistas muçulmanos:


"– É chegada a hora! – anuncia numa voz sem cor. – O Conselho requer a tua presença durante o castigo da adúltera.
O escudeiro (Pêro da Covilhã) faz um esforço para se dominar e as palavras sibilam-lhe de raiva por entre os dentes cerrados:
– Mina Atef não cometeu adultério e eu recuso-me a assistir ao assassínio de uma mulher inocente.
O velho faz um sinal ao mercenário que prontamente se acerca do português.
– A mulher foi julgada e condenada segundo as leis do Mensageiro de Allah (a paz seja com ele) – diz Saed com voz dura. – A lei la Taqrabuz zina ordena ao crente que não chegue sequer próximo do adultério, não precisa de o cometer! Por isso o acto de Mina Atef mereceu o haad , como castigo. E tu tens de assistir ou acabarás por partilhar da sua sorte.

Obedece. Sacode com brusquidão a mão do mercenário que lhe segura o braço e sai da tenda, caminhando entre o imã e o guerreiro para o local do sacrifício. Em volta do buraco, está desenhado um círculo com um raio de cerca de seis passos. Dois imãs verificam as pedras, retirando as que lhes parecem impróprias para o castigo: as muito pequenas por não fazerem dano e as muito grandes pelo risco de a matarem depressa demais.
Enterram as pedras rejeitadas e observam a multidão que se vai juntando na parte exterior do sulco de areia e, num vozear exaltado, abre alas para dar passagem a Pêro e à sua escolta. Os murmúrios cessam de chofre e o silêncio torna-se ameaçador e maligno quando Mina é trazida por dois homens para junto do buraco, dentro do círculo. O rosto da mulher está pálido, vazio de vida e o olhar sem brilho fixa-se nos olhos acesos de revolta do escudeiro que não sabe se é a febre do deserto ou a pedra da Vidente que lhe queima o peito e lhe faz escorrer fios de suor pelo corpo, num arrepio de sezões.

Os dois sacerdotes acercam-se de Mina e atam-lhe as vestes em volta do corpo, imobilizando-a, sem que a mulher emita um protesto ou um gesto de rebeldia, numa aceitação resignada do seu destino ou da vontade de Allah. Os dois coveiros erguem-na como se fora um fardo e metem-na, de pé, dentro do buraco, cobrindo-a até ao peito com areia que calcam em volta.
Os preparativos são, em si mesmos, uma cruel tortura infligida à condenada, como se os seus algozes procurassem causar-lhe, pelo opróbrio e pública humilhação, outra punição antes da morte. A cabeça de Mina, emergindo do solo, como um estranho fruto, é uma visão insuportável. Os seus olhos muito abertos ganham a pouco e pouco a expressão de um pequeno animal acossado, como se o desamparo e a solidão daquele enterramento a fizessem tomar, por fim, consciência da provação que a espera.

Pêro cerra os dentes, com repulsa e remorso. Era ele que devia estar ali, em vez de Mina, já que fora ele o causador da sua desgraça. Talvez até lograsse escapar. Saed dissera-lhe que a lei da Shariah concedia a liberdade ao condenado que, durante o castigo, se soltasse do buraco e fugisse. E um homem tinha mais vantagens do que uma mulher, posto que, enquanto ela era enterrada até ao pescoço, o homem era-o apenas até à cintura, podendo assim libertar-se com mais facilidade se fosse forte e ágil. Mina não tem salvação.
– Que os parentes do ofendido atirem as primeiras pedras – ordena o imã mais velho para a turba que segura nas mãos impacientes as pedras que apanhara no monte e acrescenta num tom de melopeia: – Allah hu Akbar!

É o sinal. Homens, mulheres e crianças começam a entoar em coro Allah hu Akbar! Allah hu Akbar! O irmão do ofendido, com os pés a tocarem o risco na areia, inclina o corpo e, visando a cabeça da cunhada, lança a primeira pedra e falha. A seu lado, a esposa mais velha de Ahmed Atef solta uma exclamação de despeito e arremessa com fúria um calhau de arestas cortantes que acerta em cheio na fronte de Mina, com um ruído surdo, seguido de um grito lancinante que parece sair das entranhas da terra. O sangue borbulha da ferida e escorre pelo rosto contorcido de dor.
– Allah hu Akbar! Allah hu Akbar! – a melopeia do coro sobe de tom, fervorosa.
Duas pedras falham o alvo e duas rasgam-lhe os lábios e o sangue salta de mistura com os dentes que Mina cospe por entre gritos e súplicas, enquanto forceja em vão por se libertar da prisão de areia que lentamente se tinge de vermelho:
– Perdão! Perdão! Allah amerceia-te de mim!
Pêro balbucia em português:
– Jesus Cristo! Virgem Maria! Tende piedade dela!
Na sua perturbação, só se dá conta de que orara a Cristo e à Virgem, quando a seu lado o imã Saed, ensurdecido pelo cântico, lhe pede para repetir a sua fala. O escudeiro empalidece de agonia. O mais pequeno incidente que o denuncie como cristão dar-lhe-á morte imediata esfandangado por aquela horda sedenta de sangue.

Os gritos de Mina enfraquecem, mudando-se em gemidos e num cuinchar abafado. Já não é possível reconhecer uma cabeça humana naquela massa palpitante e ensanguentada que oscila de um lado para o outro, para trás e para a frente, sob o impacto dos golpes. O olho direito foi arrancado e pende do buraco da órbita como um sinal esbranquiçado numa pasta de sangue, pele e ossos esmagados, de onde desapareceram os contornos do rosto. As pedras que continuam a cair sobre a pecadora já não fazem o ruído surdo do início, têm agora o som líquido dos seixos que, nas suas brincadeiras de comparar pontarias, os rapazes atiram à água dos rios e lagos.

O suplício eterniza-se e o corpo do espião treme ora de calor, ora de frio e um suor pegajoso ensopa-lhe as roupas e só a duras penas consegue dominar os vómitos que lhe sobem à boca, como uma maré azeda. A massa sangrenta parece ter diminuído de tamanho, já quase não faz relevo no tapete vermelho de areia molhada. Já não há movimento, nem sequer um tremor ou arrepio. Nenhum som. Só um cheiro quente e peganhento de uma vida que se escoa em dor e solidão. As pedras caem sempre e o grito de “Allah hu Akbar!” – Deus é grande! – continua incansável a subir aos céus para chegar aos ouvidos divinos. O mareio traz-lhe novamente à boca um cuspo ácido e amargo e o escudeiro sente o chão fugir-lhe debaixo dos pés e tomba desacordado, meio sufocado pelo vómito".

28/06/2010

Vencedores do Passatempo

O passatempo "O Romance da Bíblia", realizado pelo Marcador de Livros de parceria com a Editora Ésquilo, terminou no Domingo, dia 27, com um total de 154 participações.

Os vencedores foram:
Agostinho Gonçalves - Monção
Nuno Ricardo Moreira Gonçalves - Vila de Punhe
Nelson Frias Amaral - Sátão, Viseu

Parabéns aos vencedores e os meus agradecimentos, a todos os leitores que participaram, pelo interesse que manifestaram pela minha obra. Bem hajam!

27/06/2010

Passatempo Marcador de Livros - Lembrete

Não se esqueçam que termina à meia-noite de hoje, Domingo, a possiblidade de ganhar um dos 3 exemplares d'O Romance da Bíblia, a minha obra preferida. Observei em alguns blogues sobre passatempos que houve dificuldade em encontrar as respostas, mas elas estão no excerto dado no Marcador de Livros e também na Página de O Romance da Bíblia e na minha Página Principal. Ainda vão a tempo de concorrer. Boa sorte!

22/06/2010

Passatempo: Quer ganhar O Romance da Bíblia?

Passatempo Ésquilo / Marcador de Livros

O blogue Marcador de Livros, em parceria com a Editora Ésquilo, lançou um passatempo, onde serão oferecidos três exemplares da minha última obra, O Romance da Bíblia.

O desafio está já a decorrer e terminará às 23.59 h. do dia 27 de Junho. Basta responder acertadamente às perguntas de Maria Manuel Magalhães, a autora do blogue.

Se se virem aflitos, consultem a página do romance (http://romancedabiblia.blogspot.com/) que decerto vos prestará alguma juda.

Vejam como participar AQUI

80ª Feira do Livro de Lisboa e Porto

Terminaram as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto e, embora leia nos jornais e na internet a satisfação de alguns editores e livreiros, por terem facturado mais do que no ano anterior, sinto o mesmo desconsolo de sempre.

Pouco mudou num certame que devia ser um dos maiores eventos portugueses em prol dos livros, dos autores e dos leitores e, todavia, continua a parecer uma mero arraial de província, quer a nível de qualidade, exposição e informação, quer a nível de eventos culturais. Pobre, insignificante, revelando incompetência na organização. Na de Lisbos, no dia anterior à sua abertura, ainda não havia qualquer informação na Página do certame, rigorosamente nada; na do Porto, indicavam-se alguns livros do dia e umas raras sessões de autógrafos.

Copiamos tudo do estrangeiro, já agora porque não fazer algo semelhante às Feiras do Livro europeias ou até brasileiras? Este ano (valha-nos isso!) não houve as habituais tricas entre os participantes, que só prejudicam os leitores que eles afirmam querer servir e beneficiar.

Valeu pelo contacto com os leitores, que é a parte mais gostosa, para além da escrita, aos quais rendo aqui a minha homenagem e agradeço a amável companhia:

18/06/2010

Sessões de Autógrafos Invisíveis

Não existe na Página da Feira do Livro do Porto um e-mail ou um telefone para contactos com os seus responsáveis.

Vou estar na Feira a assinar autógrafos ao Romance da Bíblia e ao Espião de D. João II, no dia 19, das 15 às 18 h. e não vejo lá qualquer indicação da minha sessão, nem de O Espião de D. João II ser Lvro do Dia da Ésquilo.

Não se compreende que haja tão poucas indicações da presença de escritores, até parece que há editoras privilegiadas e outras parentes pobres que não merecem referência. Procurei em vão contactá-los, pois gostaria que os meus leitores do Porto soubessem da minha ida e da minha vontade de os receber no Pavilhão A20 da Ésquilo.

Por isso deixei o meu apelo na sua Página do Facebook, todavia tenho poucas esperanças de que alguém responsável o leia e resolva o lapso até amanhã. O que será de lamentar!

17/06/2010

A Experiência Book - a não perder

Um amigo enviou-me este vídeo que não posso deixar de partilhar convosco. Eu sou uma fã desta experiência.

15/06/2010

Vou estar na Feira do Livro do Porto



Dia 19 de Junho, Sábado, das 15 h. às 18 h.

Caros amigos do Norte: Estarei à conversa com os leitores, na Feira do Livro do Porto - Avenida dos Aliados - no Pavilhão da Editora Ésquilo (A20)- e, para quem quiser, a assinar O Romance da Bíblia e O Espião de D. João II, que são Livros do Dia.
Venham fazer-me companhia e dar um pouco à língua sobre livros e leituras!

13/06/2010

Apresentação d'O Romance da Bíblia na FNAC do C. C. Colombo


Heroínas de O Romance da Bíblia

Amanhã, dia 14, pelas 19 h., encerrar-se-á o cíclo das apresentações deste meu romance, com uma análise literária e crítica, de primeira água, feita pela Dra. Manuela Gamboa, a que já tive o privilégio de assistir na sessão de lançamento, no Centro Nacional de Cultura. Como professora de Literatura e como mulher, Manuela Gamboa soube captar e dissecar todas as intenções e subentendidos da minha escrita, sem deixar nada de fora ou ao acaso.
Aqui vos apresento as minhas heroínas: assim captaram os pintores algumas das cenas descritas neste livro, como se tempos e gentes tão distintas partilhassem dos mesmos mitos e sensações, maravilhando-se sobretudo com o erotismo dessas mulheres eternas.
Ver mais.

09/06/2010

Resultado do Passatempo Segredo dos Livros

Venho agradecer o interesse dos quase cem leitores que participaram no passatempo que a Editora Ésquilo e o Segredo dos Livros fizeram sobre O Romance da Bíblia.

Parabéns aos três vencedores que vão receber os exemplares desta obra:
Éloi Mendes
Loulé

Elisabete Seromenho
Lisboa

Rute Duarte
Almada.

08/06/2010

Agenda de Junho

Dia 11/06, Sexta-feira - S. Pedro do Sul
Ilha das Letras: Feira do Livro, a decorrer de 1 a 13 de Junho, no Parque do Lenteiro do Rio.

* Às 21.30 h - Apresentação do meu último livro - “O Romance da Bíblia” - por Isabel Prates. A sessão contará com a presença do Exmo. Sr. Prof. Rogério Duarte, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

* Às 10h00 - Encontro com os alunos da Escola Secundária de São Pedro do Sul e às 11h00 com os alunos das escolas EBI de Santa Cruz da Trapa e EB 2/3 de São Pedro do Sul.


Dia 12/06, Sábado - Aveiro
Livraria Bertrand do Fórum Aveiro

* 19h00 - Apresentação de "O Romance da Bíblia" e tertúlia sobre os temas do Velho Testamento e a condição da mulher na Bíblia e hoje. Espero voltar a ver os meus queridos leitores de Aveiro com os amigos que desejarem acompanhá-los.


Dia 14/06, Segunda-feira - Lisboa
FNAC Colombo

* 19h00 - Nova apresentação de “O Romance da Bíblia”, pela Dra. Manuela Gamboa. Esperamos por todos os que quiseram ir ao lançamento do CNC e não puderam.

Ainda a tempo de ganhar "O Romance da Bíblia"

Caríssimos Leitores

Ainda vão a tempo de participar no Passatempo do Segredo dos Livros e ganhar um dos três exemplares de O Romance da Bíblia, oferecidos pela Editora Ésquilo.
O prazo termina às 23 h. de hoje, dia 8 de Junho.
Boa sorte!

23/05/2010

Passatempo do Segredo dos Livros


Oferta de 3 exemplares de "O Romance da Bíblia"

De 1 a 8 de Junho, o blogue Segredo dos Livros, em parceria com a Editora Ésquilo, vai lançar um passatempo, onde serão oferecidos três exemplares do meu novo livro.

Fiquem atentos ao prazo e vejam como participar AQUI!


Obs: Vou ficar por uns tempos sem poder trabalhar com o computador, daí ter feito o anúncio com tanta antecedência.
Boa sorte.

Obrigada, queridos leitores!

Foi um fim de tarde/começo de noite memorável.

Fechei a minha participação na Feira do Livro de Lisboa com chave de ouro: uma conversa gostosíssima com inúmeros leitores, em alguns casos com famílias inteiras, sobre a nossa História e as suas personagens fascinantes.

Conheci um produtor de cinema que gostaria de fazer um filme sobre as viagens de Pêro da Covilhã, O Espião de D. João II. E que me afirmou que se estivéssemos nos Estados Unidos, Austrália ou Inglaterra, os meus livros seriam guiões de filmes.

Falámos também das mulheres do Antigo Testamento, da condição da mulher nos nossos dias, da sua luta ou acomodação.

Foi tão bom estar na Feira do Livro, apesar do intenso calor! Obrigada a todos os que quiseram conversar comigo.

21/05/2010

O meu último dia na Feira do Livro

Vou estar amanhã, dia 22, das 15.30 às 19 horas, pela última vez na Feira do Livro, no Pavilhão B02, da Ésquilo, a conversar com os leitores e a assinar (se alguém quiser) O Espião de D. João II (que é Livro do Dia) e O Romance da Bíblia que, de tão recente, ainda nem chegou às livrarias, mas tem já este blogue.

Espero-vos, com muito carinho, para os tais dois dedos de conversa.

19/05/2010

O Romance da Bíblia já tem Página

Caros amigos

Como tenho por O Romance da Bíblia um carinho especial, dei-lhe corpo e alma próprios, em Página virtual.

Por enquanto ainda está a tentar os primeiros passos, contudo espero que cresça depressa e, em breve, tenha novidades, entrevistas, sugestões ou críticas dos leitores, passatempos e temas com afinidade à obra.

Desde já, podem ficar a conhecer as suas heroínas.

Espero que o visitem e se tornem fãs AQUI.

15/05/2010

SURPRESA NA FEIRA DO LIVRO!

AMANHÃ, DIA 16, A PARTIR DAS 15 H: PRÉ-LANÇAMENTO DE "O ROMANCE DA BÍBLIA"

Uma surpresa do meu editor! Eu não sabia!

O Romance da Bíblia representa um olhar feminino e crítico sobre a condição da mulher no Antigo Testamento. É uma crónica da vida dos seus homens e das suas mulheres, recriada com grande rigor histórico, sem todavia descurar o intenso erotismo que impregna o livro sagrado, através do uso e abuso das suas mulheres e das artimanhas a que estas recorriam para sobreviver e até, por vezes, dominar.

Estarei na Feira do Livro, no Pavilhão da Ésquilo B02 (no início da ala esquerda, vindo do Marquês de Pombal), para apresentar o romance aos que não possam estar presentes no lançamento, dia 20, às 18 h.30, no Centro Nacional de Cultura.

12/05/2010

O Espião de D. João II é Livro do Dia


13 de Maio, Quinta-feira,das 16 h. às 19 h.

Caros amigos: Estarei à conversa com os leitores, na Feira do Livro de Lisboa, Parque Eduardo VII - Pavilhão da Editora Ésquilo (B02) e, para quem quiser, a assinar O Espião de D. João II, que é Livro do Dia.
Venham fazer-me companhia e dar um pouco à língua!

No Sábado, dia 15, lá estarei também à mesma hora.

11/05/2010

FINALMENTE o Lançamento!!!


Deana Barroqueiro, a Editora Ésquilo e o Centro Nacional de Cultura têm o prazer de convidar a todos para o lançamento da obra

O ROMANCE DA BÍBLIA
Um olhar feminino sobre o Antigo Testamento

de
Deana Barroqueiro

Dia 20 de Maio, quinta-feira, às 18 h. 30
Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º
Lisboa - Metro Baixa-Chiado

A apresentação estará a cargo da
Dra. Maria Manuela Gamboa

Como escreve Maria Teresa Horta, no Prefácio deste romance, a odisseia das mulheres e homens do Antigo Testamento é minuciosamente recriada pela autora com "uma escrita toda ela tecida por sensualidades e cintilações audaciosamente irónicas".

* O Romance da Bíblia é uma reedição, revista e organizada em forma de crónica/romance, num só volume, dos Contos e Novos Contos Eróticos do Velho Testamento, que já só raramente se encontram.

Mais informações e textos na
Homepage de Deana Barroqueiro

10/05/2010

II Encontro Nacional Bookcrossing/Segredo dos Livros




Organizado por Margaret Santos, do Bookcrossing, e Fátima Rodrigues, do Segredo dos Livros, no passado dia 8, no Centro Cultural da Branca em Albergaria-a-Velha, teve lugar o II Encontro Nacional Bookcrossing (um movimento de leitores que nasceu nos Estados Unidos da América), que conta com mais de 8.000 membros em Portugal.

Fui convidada, entre outros escritores, para participar no primeiro dos três painéis temáticos sobre os vários tipos de romance: “Romance/Ensaio Histórico”, com Fina d’Armada, Paulo Alexandre Loução e Sónia Louro, moderados por Sebastião Barata, do Segredo dos Livros.

Evento bem organizado, apoiado pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, na pessoa do seu Presidente, Professor João Agostinho Pereira, com assessoria de Margaret Santos, ofereceu um ambiente acolhedor e de muita qualidade a todos os participantes (escritores e leitores).

É de lamentar apenas que, sendo uma comunidade de 8 000 “bookcrossers”, este evento preparado com tanto empenho e trabalho pelo Segredo dos Livros e o Bookcrossing português, tenha tido uma tão fraca adesão e participação desses leitores.

Todavia, uma assistência interessada e culta proporcionou aos escritores convidados um dia de agradável e amistoso convívio, pelo que agradeço a todos, a honra do convite e o prazer que senti, lamentando não ter podido ficar para a sessão da tarde, devido ao cansaço, pelo que apresento as minhas desculpas.

06/05/2010

Celivrarias cancela pela 2ª vez o lançamento do meu livro

A CEBUCHHOL (antiga livraria Buchholz), por conveniência e interesses próprios, cancelou hoje, pela segunda vez, o lançamento de O Romance da Bíblia, quando a editora Esquilo já tinha começado a enviar os convites, tanto electrónicos como em papel, aos leitores e aos Media e eu o tinha também anunciado em todas as minhas páginas da Internet.

Parece-me, independentemente de ter sido a parte prejudicada, que o comportamento da Cebuchholz foi de uma falta de profissionalismo, para já não dizer de ética, inqualificável.

Tendo sido contactada com mais de um mês de antecedência, a livraria marcou o lançamento do meu romance para o dia 20 de Maio. Para nosso espanto (da editora e meu), alguns dias mais tarde comunicaram-nos a impossibilidade de o fazer nessa data, invocando um inesperado “overbooking”: os serviços não se tinham dado conta de que haviam marcado dois lançamentos para o mesmo dia e hora (falta de competência ou desculpa esfarrapada?).
Como ainda não se tinham feito os convites, o editor da Ésquilo, Dr. Paulo Alexandre Loução, desculpou o erro e aceitou a nova data que lhe propuseram – 17 de Maio.

Anunciámos o evento. Fizeram-se os cartazes e convites electrónicos e os de papel, marcou-se a data com a actriz Tânia Alves, que vai ler alguns excertos da obra, e com a apresentadora (a primeira convidada já não o poderia fazer nesse dia, por isso tivemos de convidar outra pessoa, dando-lhe portanto menos tempo para preparar a apresentação).

Hoje, dia 6 de Maio, estando os convites já impressos e a serem enviados, a Cebuchholz contactou o editor da Ésquilo, para lhe comunicar que tinham outro lançamento, o qual, devido à presença de uma certa entidade política, só podia realizar-se no dia e hora do nosso, pelo que a apresentação da obra de Deana Barroqueiro tinha de ser de novo cancelada.
Ficámos siderados!

Percebo que a Cebuchholz zele pelos seus interesses, até posso aceitar a sua ideia de que os meus leitores não tenham o peso de uma qualquer personalidade da Presidência da República ou semelhante, porém não consigo aceitar que os seus dirigentes não honrem um compromisso, assumido com terceiros (e com grande antecedência, para mais depois de já terem faltado uma vez à palavra dada), só porque lhes apareceu outro evento que consideraram mais vantajoso para os seus interesses, atropelando sem hesitação os compromissos que a editora e a autora haviam assumido, por sua vez, com outras pessoas, porque fizeram fé na palavra e no profissionalismo da Cebuchholz.

Ao comprometermo-nos com eles, pusemos de lado outras instituições igualmente interessantes que nos ofereciam os seus espaços. Esses dias, entre 17 e 20, são as datas possíveis para se fazer o lançamento, ainda este mês.
A Cebuchholz deixou-nos, assim, numa situação quase impossível: conseguir à última hora, em cima do acontecimento, um outro local para a apresentação. E num dia e hora em que todos os participantes, sobretudo, a apresentadora e a actriz, o possam fazer.
Ainda que na Cebuchholz nos oferecessem outra data, já não podíamos aceitar, por falta de confiança na sua palavra, pois a(má)experiência ensinou-nos que, sem qualquer escrúpulo, o podiam cancelar de novo.

Estou indignadíssima e peço desculpa, a todos os meus leitores, deste comportamento vergonhoso da parte de uma instituição ligada à cultura que, todavia, age como se desconhecesse as mais elementares regras de compromisso e cortesia.

O editor, apesar da agenda carregadíssima deste mês vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir um local para o lançamento, se possível no dia e hora anunciado, pelo que espero ter oportunidade de ainda vir a receber os meu amigos e apresentar-lhes em pessoa O Romance da Bíblia.

Nunca imaginei que haveria de passar por uma situação destas!
É realmente escandaloso e inadmissível.