As doze vítimas do atentado ao "Charlie Hebdo", uma polícia municipal, os dois irmãos Kouachi, o sequestrador do supermercado em Paris e quatro reféns morreram.
09-01-2015 19:12 por Inês Alberti e Rodrigo Machado (infografia)
Depois de três dias de tiros, mortes, perseguições policiais e muitas
suspeitas, chegou ao fim a busca pelos responsáveis do ataque de
quarta-feira ao jornal satírico "Charlie Hebdo", que fez 12 mortos.
Os dois suspeitos, os irmãos franco-argelinos Cherif
e Said Kouachi, com 32 e 34 anos, foram mortos
pela polícia francesa esta sexta-feira.
Os
irmãos Kouachi tinham-se barricado durante várias horas num armazém na
zona industrial de Dammartin-en-Goële (cerca de 40 quilómetros de
Paris), depois de um tiroteio e uma perseguição policial que fez cerca
de 20 feridos.
O cerco terminou por volta das 17h00 quando a
polícia invadiu o espaço e foram ouvidos tiros, explosões e fumo a sair
do armazém.
Durante este tempo todo estava dentro do armazém um
civil. Contudo, os irmãos Kouachi nunca se aperceberam da sua presença
e, segundo o procurador-geral de Paris, ele terá mantido contacto com as
autoridades através de mensagens escritas.
Simultaneamente, em
Paris, as autoridades francesas lidavam com outra situação de reféns: um
homem, que se suspeita ser Amedy Coulibaly (32 anos), sequestrou várias
pessoas dentro de um
supermercado judaico no
bairro de Port-Vencennes. Inicialmente a informação indicava que havia
apenas cinco reféns, mas depois verificou-se que eram mais.
A
polícia entrou no estabelecimento, matou Amedy e libertou a maioria
dos reféns, mas quatro morreram. Em conferência de imprensa, ao fim da
tarde, o procurador-geral de Paris disse que se calcula que as quatro
vítimas tenham sido assassinadas pelo terrorista, antes da entrada dos
polícias, mas que tudo será confirmado por autópsias.
Nesta
altura continua a monte uma suspeita, Hayat Boumeddienne, mulher de
Amedy, que se julga ser sua cúmplice nos crimes praticados mas que não
estava dentro do supermercado.
Agora que a população e as
autoridades francesas podem respirar de alívio, desenha-se uma rede de
ligações entre os incidentes dos últimos dias.
A comunicação
social francesa avança que os dois irmãos estavam em contacto com Amedy,
no supermercado e, por isso, a investida policial aconteceu
simultaneamente.
As autoridades francesas calculam que os três homens (Chérif e Said Kouachi e Amedy Coulibaly) já se conheciam anteriormente e pertenciam ao mesmo grupo islâmico.
As
autoridades suspeitam ainda que Amedy, em conjunto com Boumeddienne,
foi o responsável pela morte de uma polícia em Montrouge na
quinta-feira. As autoridades identificaram-no através de amostras de ADN
retiradas de uma camisola deixada no local do assassinato.
Conclusão: os três incidentes dos últimos dias (o atentado ao
Charlie Hebdo,
o tiroteio em Montrouge e o
sequestro do supermercado em
Porte de Vincennes), assim como os seus protagonistas, podem estar
relacionados. Aliás, os próprios terroristas admitem-no. Em declarações
concedidas por telefone, durante a ocupaçaõ do supermercado, Amedy
afirma que tinha agido em coordenação com os irmãos Kouachi.