A nova edição, revista e aumentada, de O Espião de D. João II, com a chancela da Casa das Letras/Leya, já se encontra nas livrarias.
Será «O ESPIÃO DE D. JOÃO II» um romance histórico ou um livro de viagens exploratórias de mundos reais há muito desaparecidos?
Creio que é ambas as coisas. Tem como suporte, além da historiografia
contemporânea, crónicas, diários e itinerários escritos pelos padres,
cronistas, cientistas e aventureiros do século XV ao XVII.
São
históricos os indivíduos, os factos e as datas, como são históricos os
costumes dos povos e os lugares que me servem para criar a intriga e pôr
o herói em acção, pois «O Espião de D.
João II» é, sobretudo, uma obra de ficção que permite a efabulação e a
transformação da realidade em mito.
Esgotadas as três primeiras edições, A Casa das Letras, publica, em Abril 2015, uma nova edição, revista e aumentada de «O Espião de D. João II», o segundo romance da sua trilogia dos Descobrimentos Portugueses.
A VIDA DOS LIVROS (CNC)
"O Espião de D. João II" de Deana Barroqueiro
(Casa das Letras/Leya, Abril 2015) é um romance baseado em factos reais, que nos permite
acompanhar a viagem de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João.
Transpondo para os dias de hoje a imagem de um “agente secreto”,
travestido de James Bond ou de Indiana Jones, a autora não comete o erro
do anacronismo e procura, com uma experiência já ganha noutras obras
(“O Navegador da Passagem”, “D. Sebastião e o Vidente”), transmitir ao
público em geral, e em especial aos mais jovens (dada a sua longa e rica
experiência pedagógica), o ambiente geral do final do século XV, com
uma evidente vivacidade.
UMA ESTRATÉGIA INTELIGENTE Em 1487, Pêro da
Covilhã e Afonso de Paiva, escudeiros de D. João II, o Príncipe
Perfeito, foram enviados de Portugal para a costa oriental de África, ao
mesmo tempo que Bartolomeu Dias partia para o Cabo da Boa Esperança.
Tratava-se de descobrir por terra, aquilo que os navegadores iam
procurar por via marítima – a rota das especiarias da Índia e notícias
do “encoberto Preste João”. E deste modo acompanhamos uma longa
peregrinação de cerca de seis anos pelo Mar Roxo, primeiro na companhia
de Afonso de Paiva e depois solitariamente pelas costas do Índico até
Calecute, mas também, pela Pérsia, África Oriental, Arábia e Etiópia,
descobrindo povos e culturas completamente estranhos. Mas, para fazer
essas andanças, Pêro da Covilhã teve de ocultar a sua verdadeira
identidade e origem (como verdadeiro agente secreto, que de facto era),
aparecendo como um enigmático mercador do Al-Andalus.
Para
compreendermos, contudo, a génese do romance temos de ir à obra anterior
de Deana Barroqueiro – “O Navegador da Passagem”, onde o tema é a
missão de Bartolomeu Dias de preparação do caminho marítimo para a
Índia. A autora, naturalmente, entendeu que a chave do enigma do
Príncipe Perfeito só estaria plenamente desvendada (ou a caminho disso)
se se tentasse perceber o que se passou com Pêro da Covilhã e Afonso de
Paiva, na sua complexa e misteriosa viagem terrestre ao encontro do
Presbítero João, o mítico Imperador Cristão do Oriente, há muito
referenciado mas nunca descoberto.
Afinal, o que era o mito do Preste
João? Fala-se muito do tema, mas raramente com o rigor indispensável, e a
nossa autora coloca com cuidado e correcção os termos em que essa
referência deve ser feita. Depois do Concílio de Éfeso (431) e após a
condenação dos Nestorianos, que defendiam ter Cristo uma dupla natureza,
humana e divina, os partidários dessa heresia espalharam-se pela
Pérsia, Arábia, Índia, Tartária, Mongólia e China. Daí as referências a
comunidades de influência cristã espalhadas pelo continente asiático.
Por outro lado, o apóstolo Tomé teria chegado à Índia e fundado núcleos
cristãos no sul, de que temos notícia desde muito cedo (cerca do século
IV). Lembrámo-nos bem dessas referências quando visitamos Cochim.
Estas
duas primeiras alusões põem-nos perante a existência de bolsas de
influência cristã na Ásia, que podem ter estado na origem da lenda do
desejado Preste João, a que faz referência o veneziano Marco Pólo no seu
célebre Livro. A alusão a esse Presbítero pode ter ainda a ver com o
mito de que o Apóstolo João não teria morrido, à espera da segunda vinda
de Jesus Cristo, daí o nome adoptado. O célebre viajante veneziano
situa, aliás, o reino do Preste João algures no centro da Ásia.
Acresce
que, dentro do espírito das Cruzadas, foi dirigida no final século XII
ao Papa Alexandre III, bem como aos Imperadores do Oriente (Manuel
Comeno) e do Ocidente (Frederico Barba Roxa), uma Carta apócrifa
assinada pelo Preste João das Índias, descrevendo o seu reino
maravilhoso e pedindo apoio. Sabemos, ainda, que Gomes Eanes de Azurara
aludia à busca de uma aliança com um Imperador cristão das Índias entre
as cinco razões do Infante D. Henrique para iniciar a Expansão.
D. João
II, a partir destas referências díspares, tinha, assim, uma informação
suficientemente precisa de que havia um rei cristão na costa oriental de
África, para lá do Cairo, na zona de influência copta. Com efeito, no
Alto Egipto e na Etiópia havia cristãos, fruto da evangelização que a
tradição atribuía a S. Mateus. Fácil é de compreender, por tudo o que
fica dito, a importância desta missão confiada a Pêro da Covilhã. O
plano da Índia exigia uma definição clara de uma acção política e
diplomática que desse consistência à criação de um novo Império dos
portugueses.
UMA PEREGRINAÇÃO HERÓICA Seguimos, a partir de
todos estes ingredientes, com entusiasmo, esta peregrinação. Há
vivacidade na narrativa, o que permite ao leitor acompanhar o relato sem
perder a atenção bem desperta. Santarém, Lisboa, Valência, Barcelona,
Nápoles, Rodes, Alexandria, Cairo. Na cidade egípcia define-se a missão,
Pêro da Covilhã irá para a Índia, para a Costa do Malabar, enquanto
Afonso de Paiva destinar-se-á à Etiópia.
A autora procura, assim,
dar-nos o colorido dessa cidade que é uma encruzilhada de influências, o
centro nevrálgico do comércio do Levante do Mediterrâneo. Com base nos
testemunhos tradições e documentos coevos, a autora faz uma descrição
minuciosa e rigorosa da viagem (em termos que pôde verificar com os seus
olhos quando visitámos juntos a cidade e o Golfo Pérsico, com o CNC, em
Setembro último). Depois do Cairo, ruma a Adem, no Mar Roxo, onde se
separa de Afonso de Paiva, atravessa o Mar Arábico e chega a Cananor,
segue para Calecute, passa por Goa, e regressa ao Golfo Pérsico e a
Ormuz, o porto donde partiam as caravanas da Rota da Seda, que Marco
Pólo visitou por duas vezes… Depois, segue para sul na costa ocidental
de África, zona crucial para a descoberta do caminho marítimo para a
Índia, até Sofala, retornando ao Mar Vermelho e ao Cairo.
Deana
Barroqueiro não se limita, porém, à descrição fria dos acontecimentos,
concede densidade dramática a alguns dos momentos mais marcantes da
narrativa. A personalidade de Rute, que surge com um destaque especial,
não pode deixar de ser referida pela sua intensidade e pelo modo como
nos dá um exemplo do modo como os portugueses se relacionavam com os
povos desconhecidos que encontravam. De facto, a miscigenação não surge
de um momento para o outro, por mera decisão política circunstancial. E
este romance prenuncia-a.
DIPLOMACIA E AVENTURA
A um tempo, estamos perante
os exemplos vivos quer do participante activo na empresa dos
descobrimentos portugueses (no lado, algo inesperado, da preparação das
navegações e da espionagem terrestre, bem diferente das histórias
trágico-marítimas), quer da aventura em estado puro, que a autora
inteligentemente explora com conhecimento e verosimilhança. Trata-se, no
fundo, para usar uma metáfora medieval, quase de uma demanda mística
que só pode ter paralelo na busca do Graal. É o prolongamento do
espírito das cruzadas. Sente-se isso claramente, como depois veremos,
Afonso de Albuquerque ao lançar uma ofensiva político-militar na região
que pressupõe o conhecimento e a preparação, que Pêro da Covilhã
conseguiu, mesmo que, em parte, fossem decepcionantes as conclusões…
O
Padre Francisco Álvares encontraria o agente português graças à
embaixada de Rodrigo Lima (que demandou a corte do negus da Etiópia,
sendo representado na frontispício da obra de Álvares). Aí pôde
confirmar as excepcionais qualidades de Pêro da Covilhã – com uma
espantosa memória, onde nada se perdia, a capacidade de aprender
qualquer língua e, em pouco tempo, falá-la como um natural, além da
apurada arte para criar os mais extraordinários disfarces, assumindo
diferentes identidades e a extrema facilidade da improvisação.
Estamos,
assim, perante um romance histórico que é, a um tempo, livro de viagens e
relato de aventuras. E como diria o Padre Álvares: “todas as cousas a
que o mandaram soube, e de todas deu conta”. Quem melhor poderia
sublinhar esta preocupação? Esta é a melhor homenagem que pode ser feita
a Pêro da Covilhã, cuja memória parece ir-se desvanecendo, apesar da
sua importância fundamental...
Um bloguer foi morto à facada em Dacca,
capital do Bangladesh, um mês depois de outro escritor, um ateísta
norte-americano, ter sido assassinado com uma catana, num ataque
similar.
Washikur
Rahman, que escrevia sob o pseudónimo "Kucchit Hasher Channa" (Patinho
Feio, na tradução para português), tinha 27 anos e era bastante crítico
do fundamentalismo religioso. Foi abordado, esta manhã, a 500 metros de
casa, na área de Begunbari.
Segundo
relata a polícia, Rahman foi "brutalmente esfaqueado até à morte" por
dois estudantes de um seminário islâmico, detidos pela polícia local
depois de serem apanhados a tentar fugir do local do crime.
O mês
passado, o norte-americano Avijit Roy, conhecido por criticar a
intolerância religiosa, morreu quando visitava Dacca, espoletando uma
investigação por parte do FBI.
Um homem, tido como um bloguer
fundamentalista com ligações ao grupo islâmico Hizb ut-Tahrir (banido no
Bangladesh), é o principal suspeito deste caso, depois de ter ameaçado,
nas redes sociais, que ia matar o escritor.
A esposa de Roy também
ficou gravemente ferida durante o ataque.
O incidente provocou
diversos protestos no país e além-fronteiras, especialmente por parte de
estudantes e ativistas, que acusam as autoridades de não protegerem
convenientemente as vítimas.
No adeus àquele que era o maior poeta português vivo, lembramos quatro poemas do último livro de Helberto Hélder, A Morte sem Mestre.
a última bilha de gás durou dois meses e três dias
a última bilha de gás durou dois meses e três dias, com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado, mas eis que se foram os três dias e estou aqui e só tenho a dizer que não sei como arranjar dinheiro para outra bilha, se vendessem o gás a retalho comprava apenas o gás da morte, e mesmo assim tinha de comprá-lo fiado, não sei o que vai ser da minha vida, tão cara, Deus meu, que está a morte, porque já me não fiam nada onde comprava tudo, mesmo coisas rápidas, se eu fosse judeu e se com um pouco de jeito isto por aqui acabasse nazi, já seria mais fácil, como diria o outro: a minha vida longa por muito pouco, uma bilha de gás, a minha vida quotidiana e a eternidade que já ouvi dizer que a habita e move, não me queixo de nada no mundo senão do preço das bilhas de gás, ou então de já mas não venderem fiado e a pagar um dia a conta toda por junto: corpo e alma e bilhas de gás na eternidade - e dizem-me que há tanto gás por esse mundo fora, países inteiros cheios de gás por baixo!
queria fechar-se inteiro num poema
queria fechar-se inteiro num poema lavrado em língua ao mesmo tempo plana e plena poema enfim onde coubessem os dez dedos desde a roca ao fuso para lá dentro ficar escrito direito e esquerdo quero eu dizer: todo vivo moribundo morto a sombra dos elementos por cima
tão fortes eram que sobreviveram à língua morta
tão fortes eram que sobreviveram à língua morta, esses poucos poemas acerca do que hoje me atormenta, décadas, séculos, milénios, e eles vibram, e entre os objectos técnicos no apartamento, rádio, tv, telemóvel, relógios de pulso, esmagam-me por assim dizer com a sua verdade última sobre a morte do corpo, dizem apenas: igual ao pó da terra que não respira, o que é falso, pois eu é que deixarei de respirar sobre o pó da terra que respira, entre o poema sumério e este poema de curto fôlego, mas que talvez respire um dia, ou dois, ou três dias mais: quanto às coisas sumérias: as mãos da rapariga, o cabelo da estreita rapariga, a luz que estremecia nela, tudo isso perdura em mim pelos milénios fora, disso, oh sim, é que eu estou vivo e estremeço ainda
que um nó de sangue na garganta
que um nó de sangue na garganta, um nó de ar no coração, que a mão fechada sobre uma pouca de água, e eu não possa dizer nada, e o resto seja só perder de vista a vastidão da terra, sem mais saber de sítio e hora, e baixo passar a brisa pelo cabelo e a camisa e a boca toda tapada ao mundo, por cada vez mais frios o dia, a noite, o inferno, o inverno, sem números para contar os dedos muito abertos cortados das pontas dos braços, sem sangue à vista: só uma onda, só uma espuma entre pés e cabeça, para sequer um jogo ou uma razão, oh bela morte num dia seguro em qualquer parte de gente em volta atenta à espera de nada, um nó de sangue na garganta, um nó apenas duro
E lá vamos outra vez adiantar os relógios. Será que ainda é para "poupar cera"?
Mais uma vez chega aquela altura do ano em que as pessoas confundem se hão de mover os ponteiros do relógio para frente ou para trás, se dormem mais ou menos uma hora, o que faz alguns andar rabugentos. Mas nada que não se compense com a mais longa duração dos dias, que proporciona momentos extra de lazer e descontração. O Expresso conta-lhe a história por trás do fenómeno.
Março está a chegar ao fim, e apesar de a primavera andar mascarada é tempo de mudar a hora no relógio, mais uma vez. Todos os anos a pergunta é a mesma, é uma hora para lá ou uma hora para cá nos ponteiros do relógio?, dormimos mais ou dormimos menos?
Pois bem, cá vai a cábula: na madrugada deste sábado para domingo, 29 de março, em Portugal continental e na Madeira, à 1h00 deste domingo, 29 de março, adiante o relógio 60 minutos, passando para as 2h00. Nos Açores, a mudança é feita à meia-noite. Ou seja, teremos um dia com apenas 23 horas de duração, e a hora agora "comida" será recuperada lá mais para diante, em outubro, na mudança para o horário de inverno.
Para aqueles que gostam de dormir não é fácil passar a "acordar mais cedo", mas o facto de "os dias parecerem maiores" compensará o esforço.
Os pais agradecem
Anoitece mais tarde e os dias parecem proporcionar todo um conjunto interminável de atividades de lazer. Dá para ficar até mais tarde na rua, com os amigos a beber uma cerveja, passear e ver as vistas, correr e andar de bicicleta. Enfim, até os pais parecem mais descansados.
É essa opinião de Manuela Subtil, professora de matemática do ensino básico, que diz ficar mais descansada quando a sua filha "sai da explicação quando ainda é de dia". De acordo com a sua experiência, "os miúdos" preferem este tipo de horário, pois têm "mais tempo para brincadeiras."
As opiniões são igualmente positivas entre os "miúdos" mais velhos. Sérgio Santos, estudante universitário de 23 anos, diz que apesar de se tratar de um efeito ilusório, o dia "passa a ter mais horas, e com a chegada do verão isso é muito importante, porque dá para estar mais tempo na praia."
Para Inês Rodrigues, médica de 29 anos, o "desaparecimento" de uma hora na madrugada de sábado para domingo é positiva, não acarretando quaisquer consequências físicas para as pessoas, a não ser "a preguiça de acordar cedo nos primeiros dias após a alteração do horário".
Benjamin Franklin, o autor da ideia que queria "poupar cera"
É sabido que o horário de verão estica a luz diurna, pelo menos até à entrada da época mais quente do ano. Mas saberá o leitor a história que está por trás desta ideia?
A primeira vez que se falou na hipótese de alteração da hora foi nos Estados Unidos da América, e logo pela boca de um dos nomes incontornáveis da História deste pais: Benjamin Franklin. O antigo político propôs esta ideia ao seu governo como uma medida de poupança de "cera das velas", chamando-a de "Daylight Savings Time" (DST).
Mas apesar de vários artigos publicados um pouco por todo o mundo, a ideia só foi adotada cerca de 130 anos depois, durante a I Guerra Mundial, pela mão do último kaiser alemão, para poupar carvão. A mudança da hora começou por ser, nessa altura, uma necessidade, para permitir reajustar os horários de trabalho de forma a poupar combustível, fortemente racionado no período de guerra.
Depois da Alemanha seguiram-se a Rússia e os Estados Unidos, todos em busca de uma poupança energética. O mesmo aconteceu durante a II Grande Guerra. Contudo, após os conflitos, a maioria dos países deixou de "dar voltas às cordas do relógio", ignorando as mudanças da hora.
Então, como é que chegámos à prática dos últimos anos? Com a crise energética de 1973, os países árabes aumentaram os preços do petróleo em 400% e provocaram um pânico mundial. A partir dessa altura, a mudança de hora duas vezes por ano começou a generalizar-se, uma vez mais tendo em vista a poupança de recursos com a maior longevidade da luz diurna.
União Europeia muda a hora em uníssono
Não se sabe ao certo se a alteração dos horários ainda se justifica com a "poupança de energia". Não há dados suficientes que permitam tirar conclusões concretas, e isso confirma-se com o último relatório sobre o tema emitido pela Comissão Europeia (CE), em 2007, onde se lê que: "A hora de verão contribui para uma poupança de energia pelo facto de se utilizar menos eletricidade em iluminação ao fim do dia, visto haver mais luz natural. No entanto, desta poupança é necessário deduzir o maior consumo de energia devido à necessidade de aquecimento de manhã, quando da mudança horária, e o consumo de combustível suplementar gerado pelo possível aumento do tráfego ao fim do dia quando há mais luz natural."
Os países membros da União Europeia partilham uma diretiva respeitante à mudança da hora desde 2001, e no mesmo relatório da CE lê-se: "A maioria dos Estados-membros sublinha a importância da harmonização do calendário da hora de verão na UE, nomeadamente em relação aos transportes." E isso é um fator muito positivo, todos mudam a hora.
É a primeira vez que um escritor moçambicano surge entre os
finalistas do prémio, emanado do Man Booker e atribuído bienalmente numa
escolha aberta a autores de todo o mundo.
O júri destacou o carácter "preciso" e "profundo" das "histórias de civilização e barbárie" de Mia Couto Rui Gaudêncio
Mia Couto está entre os finalistas do Man
Booker International Prize. A lista de 10 escritores foi anunciada esta
terça-feira na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, e inclui
também o argentino César Aira, a libanesa Hoda Barakat, Maryse Condé, de
Guadalupe, a americana Fanny Howe, o líbio Ibrahim Al-Koni, o húngaro
László Krasznahorkai, o congolês Alain Mabanckou, a sul-africana Marlene
van Niekerk e o indiano Amitav Gosh.
Atribuído bienalmente, o prémio
emana do Booker Prize, um dos mais prestigiados prémios literários britânicos.
Está aberto a escritores de todo o mundo, desde que traduzidos para inglês, e
premeia um corpo de obra e não um título específico. O vencedor da edição de
2015 será anunciado em Londres dia 19 de Maio.
O júri destaca o carácter “preciso”
e “profundo” com que a língua é utilizada nas “histórias de civilização
e barbárie” de Mia Couto, o primeiro moçambicano a figurar na lista
final do Booker International. “Ele tece em conjunto a tradição viva da
lenda, poesia e canção. As suas páginas estão cravejadas de imagens
surpreendentes”, referiu o júri, que destaca entre a sua obra livros
traduzidos para inglês como Terra Sonâmbula, O Último Voo do Flamingo ou Jesusalém.
Este
ano, oito dos dez finalistas são autores traduzidos para inglês, algo
inédito na história do prémio. Marina Warner, a presidente do júri,
destacou precisamente a abrangência geográfica e diversidade cultural
formada pelos finalistas. “A ficção pode aumentar o mundo para todos nós
e expandir a nossa compreensão e compaixão”, comenta no comunicado
emitido pela organização.
Edwin Frank, editor chefe da New York Review Classics, referiu, citado pelo Guardian,
ter sido intenção do júri ter em atenção “o mundo vasto da literatura”,
destacando a presença da literatura árabe, representada pelas histórias
do deserto de Ibrahim Al-Koni, bem como os restantes autores africanos
"escrevendo em línguas e tradições literárias muito diferentes”.
Segundo
Marina Warner, escritora e académica londrina, a literatura dos
finalistas é prova de que o romance está actualmente em “boa forma”
enquanto “campo para questionamento, tribunal da história, mapa do
coração, antena da psique, estímulo do pensamento, fonte de prazer e
laboratório de linguagem”. Nenhum dos finalistas tinha surgido
anteriormente entre os finalistas do prémio.
Nas suas três últimas
edições o Man Booker International Prize foi atribuído a autores do
norte do continente americano. A contista Lydia Davis foi distinguida em
2013, Philip Roth foi o vencedor de 2011, e a contista canadiana Alice
Munro, que seria nobelizada quatro anos depois, em 2009.
Atribuído
pela primeira vez em 2005 (o albanês Ismail Kadare foi o distinguido), o
Man Booker International atribui um prémio monetário de 60 mil libras
(cerca de 82 mil euros) ao vencedor. Caso este seja um autor traduzido,
pode escolher um tradutor para inglês da sua obra a quem é atribuído em
paralelo um prémio de 15 mil libras (cerca de 20 mil euros).
Comemora-se hoje o centenário de Orpheu, cujo primeiro número terá saído da gráfica no dia 24 de Março de 1915. Como um grupo de rapazes de vinte e poucos anos, liderado por Pessoa e Sá-Carneiro, lançou o modernismo em Portugal e mudou para sempre a paisagem cultural e literária do país.
Retrato de Fernando Pessoa de Almada Negreiros, com a revista Orpheu
Enric Vives-Rubio
“Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!// Hup lá, hup lá,
hup-la-hô, hup-lá!/ Hé-há! Hé-hô! Ho-o-o-o-o!/
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!// Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!”.
Estes versos finais dum poema intitulado Ode Triunfal, assinado por um tal Álvaro de Campos, fechavam o primeiro número da revista Orpheu, que há exactamente cem anos, no dia 24 de Março de 1915, saía dos prelos para escandalizar os meios culturais portugueses.
Todos sabemos hoje que Orpheu foi o primeiro grande
momento de afirmação das vanguardas modernistas em Portugal e não é exagero
afirmar que as réplicas desse já longínquo terramoto de 1915 se fazem sentir
até aos nossos dias. Mas quando a revista saiu, se não passou de todo
despercebida, também não se pode dizer que tenha sido propriamente saudada como
o decisivo marco literário e cultural que efectivamente foi. “Literatura de
manicómio”, chamou-lhe A Capital no
título de um dos muitos artigos de crítica mais ou menos galhofeira que
assinalaram na imprensa o nascimento de Orpheu.
Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, sem os quais Orpheu
não teria passado de uma curiosidade cujo centenário ninguém se
lembraria hoje de comemorar, teriam de esperar uma dúzia de anos até que
a geração de autores reunida em torno da revista presença reconhecesse o seu génio e procurasse divulgar o contributo decisivo dessa primeira geração modernista.
Tendo
sido a mais icónica revista literária portuguesa de todo o século XX, e
seguramente a que exerceu uma influência mais duradoura, Orpheu
foi também uma publicação efémera, com apenas dois números publicados
no primeiro semestre de 1915. O terceiro, já em provas tipográficas, não
saiu por falta de financiamento – tornou-se inviável continuar a
recorrer ao mecenato bastante involuntário do pai de Mário de
Sá-Carneiro –, e só veio a ser publicado em meados dos anos 80, numfac-símile da prova tipográfica, com a chancela da Nova Renascença, e numa edição organizada por Arnaldo Saraiva para a Ática.
Segundo informa José Barreto num artigo publicado no recém-lançado volume colectivo 1915 – O Ano de Orpheu,
organizado por Steffen Dix e editado pela Tinta da China, a primeira
das várias notícias que assinalaram o lançamento do número inaugural de Orpheu terá saído no dia 27 de Março, no jornal O Mundo.
Até ao final da tarde do dia anterior, diz ainda Barreto, tinham-se
vendido apenas 17 exemplares. Apesar deste arranque pouco auspicioso,
duas ou três semanas depois a edição estava praticamente esgotada. Tudo
indica, pois, que a insistência dos jornais em sugerir que os autores de
Orpheu não destoariam entre os loucos internados no manicómio
de Rilhafoles terá dado uma ajuda preciosa às vendas, confirmando a
cínica máxima de que publicidade negativa é uma contradição nos termos.
Doidos com pedigree
O escândalo provocado por Orpheu
não surpreende. Basta dar uma vista de olhos pela poesia que se
publicava ao tempo em Portugal para se perceber que, pese embora a
qualidade de poetas como Teixeira de Pascoaes ou Afonso Duarte, para
citar apenas dois, os meios literários da época, submersos no saudosismo
ou no lusitanismo, não estavam preparados para algo tão cataclísmico
como a Ode Triunfal.
Nem sequer os poucos livros já então publicados por alguns dos colaboradores de Orpheu, como Distância (1914), de Alfredo Guisado, Luz Gloriosa (1913), do co-director brasileiro do primeiro número, Ronald de Carvalho, ou, no limite, mesmo Dispersão
(1914), de Mário de Sá-Carneiro, prenunciavam o frenesi vanguardista de
Álvaro de Campos: “(…) Ó tramways, funiculares, metropolitanos,/
Roçai-vos por mim até ao espasmo!/ Hilla! hilla! hilla-hô!/ Dai-me
gargalhadas em plena cara,/ Ó automóveis apinhados de pândegos e de
putas (…)”.
No já referido artigo d’A Capital, lia-se: “O
que se conclui da leitura dos chamados poemas subscritos por Mário de
Sá-Carneiro, Ronald de Carvalho, Álvaro de Campos e outros é que eles
pertencem a uma categoria de indivíduos que a ciência definiu e
classificou dentro dos manicómios, mas que podem sem maior perigo andar
fora deles”. Talvez o jornalista estivesse a ser um pouco injusto ao
irmanar os três autores no mesmo insulto, já que em matéria de sinais
exteriores de vanguardismo (mas em Pessoa e Sá-Carneiro o próprio
vanguardismo foi sempre sinal exterior de rupturas de outra ordem, mais
fundas e irremediáveis), nada neste primeiro número de Orpheu é rigorosamente comparável à Ode Triunfal. Nem mesmo alguns versos mais alucinados de Sá-Carneiro, como os que fecham o notável poema 16:
“As mesas do Café endoideceram feitas ar.../ Caiu-me agora um braço...
Olha, lá vai ele a valsar/ Vestido de casaca, nos salões do
Vice-Rei...// (Subo por mim acima como por uma escada de corda,/ E a
minha Ânsia é um trapézio escangalhado...)”.
Desejo a todos os meus queridos amigos e amigas uma Primavera
regeneradora de energias, com muitas sensações de prazer oferecidas
pelos cinco sentidos (e também pelo sexto sentido, de quem for
afortunado bastante para o possuir).
Foto Akintunde Akinleye / Reuters
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, o Equinócio da Primavera começou ontem, dia 21 de Março, às 22:45.
"As temperaturas vão ter alguma oscilação. Sábado, dia 21,
já temos uma descida da máxima. No domingo não haverá grandes
alterações", disse Ricardo Tavares do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), salientando que as temperaturas máximas vão rondar
os 20 graus Celsius na região norte.
"Este instante [22:45]
marca o início da primavera no Hemisfério Norte. Esta estação
prolonga-se por 92,75 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21
de junho às 17:38", indica ainda o Observatório Astronómico de Lisboa.
O
dia de ontem foi também marcado por um eclipse parcial do Sol, com a Lua a
tapá-lo durante duas horas, um fenómeno que foi total na região do
Ártico e no extremo norte do Atlântico e que em Portugal teve início
pelas 08:00 (hora de Lisboa) e terminou pelas 10:00, com o pico a ocorrer
pelas 09:00.
Um total de 215.218 pessoas foram mortas na Síria, entre civis,
militares, milicianos e rebeldes, desde o início da guerra civil no
país, em meados de março de 2011, segundo dados hoje divulgados pelo
Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Num
comunicado, publicado para assinalar os quatro anos de guerra civil na
Síria, a organização não-governamental (ONG) explicou que, entre os
mortos, há pelo menos 102.831 civis, dos quais 10.808 menores e 6.907
mulheres.
A ONU estimou, em outubro, um
número de mortos superior a 200 mil, na guerra civil síria, e várias
outras organizações acreditam que supere os 220 mil.
Segundo o OSDH, foram mortos 36.722 membros de distintas brigadas de
oposição ao regime do Presidente Bashar al-Assad, sendo as baixas no
exército de 46.138 efetivos.
Entre as
milícias pró-governamentais, a ONG contabilizou 30.662 mortos e registou
674 mortes nas fileiras do grupo xiita libanês Hezbollah, que luta a
favor do governo de Damasco.
Além disso,
foram mortos 2.727 combatentes estrangeiros xiitas (pró-regime sírio)
procedentes do Irão e de outros países árabes e asiáticos.
O Observatório precisou também que um total de 26.834 combatentes
estrangeiros, das organizações 'jihadistas' Estado Islâmico, Frente
al-Nusra (ligada a Al-Qaeda na Síria) e outras brigadas extremistas,
foram mortos nestes quatro anos de guerra.
A ONG sublinhou igualmente que documentou um total de 3.147 casos de pessoas mortas que não foram identificadas.
Por último, a organização referiu que estes números não incluem as mais
de 20 mil pessoas desaparecidas nos centros de detenção do regime sírio
e outras mil desaparecidas em operações das tropas e suas milícias, em
várias zonas em que foram perpetrados massacres.
Perto de 13.000 sírios morreram sob tortura nas prisões do regime de
Bashar al-Assad desde o início do conflito no país há quatro anos,
segundo o OSDH.
Também se desconhece o
paradeiro de sete mil soldados e milicianos que se encontram
prisioneiros e mais duas mil pessoas sequestradas pelos insurgentes e
'jihadistas', que as acusam de colaborar com o Governo sírio.
As forças de segurança da Tunísia prenderam nove pessoas suspeitas de estar ligadas directamente ao ataque terrorista a um museu na capital, Tunes, na quarta-feira. Este é resultado das medidas de segurança que o governo implementou, entre as quais o exército estar a vigiar as principais cidades do país.
O atentado matou 23 pessoas, sobretudo turistas estrangeiros (japoneses, espanhóis, italianos e ingleses), segundo o mais recente balanço avançado pela Reuters.
Este é pior ataque terrorista desde 2002 naquele país, altura em que um bombista suicida atacou a cidade de Djerba, e surge num momento particularmente complicado para a Tunísia, a braços com uma situação política muito volátil que resultou da Primavera Árabe.
"Depois de uma reunião com as forças armadas, o Presidente decidiu que as maiores cidades serão vigiadas pelo exército", refere comunicado do gabinete presidencial.
Ainda ninguém reclamou a autoria do atentado, mas este já era temido há muito tempo. A Tunísia tem um dos maiores contingentes de combatentes estrangeiros na Síria, Iraque e Líbia em que o autodenominado Estado Islâmico e a Al-Qaeda detém forte presença, razão que faz com que seja um alvo dos terroristas.
Os dois atiradores do ataque a Bardo são tunisinos, Hatem al-Khashnawi and Yassin al-Abidi. Um jornal local escreve que este último esteve a combater no Iraque e Líbia.
Papa condena
O Papa Francisco enviou um telegrama ao arcebispo de Tunes, pelas vítimas do atentado.
Neste telegrama, assinado pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, Francisco reitera a firme condenação de todos os actos contra a paz e contra a sacralidade da vida humana e associa-se com a oração à dor das famílias enlutadas, dos afectados por este drama e a todo o povo tunisino.
O que está em causa: "um plano de violência cuidadosamente preparado"; crimes contra a Humanidade. O que acaba de acontecer: uma testemunha apareceu misteriosamente morta - mutilada. País: Quénia.
William Ruto é o primeiro alto responsável político em exercício a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional / TONY KARUMBA/AFP/Getty Images
Um cadáver que foi descoberto mutilado numa floresta do
Quénia a 28 de dezembro passado era mesmo o de Meshack Yebei. O nome
será familiar a quem tem acompanhado o processo do atual vice-presidente
do país, William Samoei Ruto, no Tribunal Penal Internacional (TPI), em
Haia (Holanda). Ruto enfrenta acusações por crimes contra a Humanidade,
alegadamente cometidos no período que se seguiu às eleições
presidenciais de 2007. Yebei era testemunha de defesa e estaria
envolvido em tentativas de viciar o julgamento, em especial corrompendo
testemunhas da acusação. Desapareceu em dezembro, levando a especulações
sobre a mão do governo e a pelo menos uma identificação falsa.
Já há dois meses tinha aparecido num rio um corpo, igualmente mutilado,
que a família de Yebei disse categoricamente ser o dele. Testes de ADN
revelaram, para confusão geral, que afinal era outro homem. A atenção
virou-se para então o cadáver antes descoberto, que jazia numa morgue à
espera de identificação. Desta vez os resultados foram diferentes. O ADN
corresponde ao de familiares de Yebei. Agora, os patologistas vão
tentar perceber como morreu, mas parece dado como adquirido que foi
raptado e teve um fim violento.
A família sempre garantiu que o desaparecimento estava relacionado com o
processo, uma convicção que se terá fortalecido com a descoberta agora
anunciada. Yebei tinha ido ao Quénia em dezembro visitar familiares
quando o contacto com ele se perdeu. A sua morte violenta apenas faz
adensar o mistério e junta-se a um catálogo de horrores que já vai
bastante longo.
Mulheres e crianças queimadas numa igreja
O processo judicial tem origens nas eleições presidenciais de 2007. O
então Presidente Mwai Kibaki, apenas o terceiro desde que o país do
leste africano se tornou independente, em 1963, conseguiu ser reeleito,
mas apenas à custa de fraude maciça nas urnas. Assim confirmaram
observadores, e o candidato rival Raila Odinga não admitiu outra coisa.
Começaram tumultos violentos, com carácter marcadamente étnico e que se
prolongariam durante dois meses. No meio de todos os crimes então
cometidos, um episódio sinistro, que ficou como símbolo desse período,
foi a morte de dezenas de mulheres e crianças refugiadas numa igreja em
Kiambaa, à qual uma multidão pegou fogo.
A crise terminou com um acordo de partilha de poder, obtido graças à
mediação de Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU. Tinham morrido umas
1300 pessoas e mais de 600 mil foram obrigadas a fugir das suas casas.
Além disso, houve incontáveis episódios de agressão sexual. Para os
sobreviventes e os familiares das vítimas, começou a espera por justiça.
Ao longo dos anos, as autoridades quenianas foram protelando. Até que o
TPI, ao qual o Quénia tinha aderido formalmente anos antes, entrou em
cena. Após uma investigação, seis pessoas foram acusadas, entre elas o
então vice-primeiro ministro e actual Presidente Uhuru Kenyatta.
A ação do TPI chocou muita gente, em parte por uma certa perceção de que
o tribunal apenas acusa governantes ou ex-governantes quando eles são
africanos (há quem lhe chame "um brinquedo dos poderes imperiais em
decadência"). O governo queniano continuou a fazer tudo o que podia para
bloquear os procuradores, não respondendo a pedidos de colaboração e
não disponibilizando provas que lhe eram pedidas. Por fim, o procurador
acabou por abandonar a acusação contra Kenyatta por falta de evidências.
Contudo, manteve Ruto como réu, acompanhado pelo radialista Joshua arap
Sang, que também será julgado.
"Um plano de violência cuidadosamente preparado"
Enquanto Kenyatta era recebido de volta no seu país como um herói, Ruto
manteve-se no banco dos réus. Por entre expressões de uma atitude calma e
sorridente, o seu incómodo por vezes era visível. Afinal, ele é o
primeiro alto responsável político em exercício a ser julgado pelo TPI.
Embora o tribunal não tenha conseguido evitar que muitas testemunhas,
pressionadas pelo governo, desistissem de testemunhar contra Kenyatta,
nem tenha conseguido proteger Yebei (o TPI diz que lhe ofereceu
residência segura num lugar diferente, entre outras medidas de
proteção), não é seguro que ele evite uma condenação.
"Os crimes de que o senhor Ruto e o senhor Sang são acusados não são
meros atos espontâneos e casuais de brutalidade. Isto foi um plano de
violência cuidadosamente preparado e executado", disse Fatou Bensouda, o
procurador-chefe do TPI. "Em termos legais, um caso num tribunal apenas
pode ser resolvido por vias judiciais. Tenho dúvidas que vias não
judiciais sejam eficazes", disse George Kegoro, director executivo da
Secção Queniana da Comissão Internacional de Juristas.
Ruto nega as acusações. Já há anos tinha explicado que o incêndio na
igreja em Kiambaa, que matou sobretudo membros da etnia Kikuyu, a do
então Presidente Mwai Kibaki, foi um acidente. Diz que não tem culpa de
nada. Entretanto, escândalos de outro tipo, relacionados com negócios
muito lucrativos feitos à custa do interesse público, foram ficando pelo
caminho.
A acumulação de vastas fortunas por gente ligada à política é um
fenómeno comum no Quénia. O primeiro Presidente do país, Jomo Kenyatta,
pai do atual Presidente, ter-se-á apropriado de não menos do que um
sexto das terras antes pertencentes a colonos que estavam destinadas a
quenianos sem terra. Num sistema que funciona assim, é inevitável que de
vez em quando os conflitos eleitorais, que são muitas vezes, também ou
sobretudo, conflitos sobre terra, rebentem em violência.
Num gesto emblemático para a cultura portuguesa, o Papa recebeu, estamanhã, na Praça de S.Pedro, as obras completas do padre António Vieira,considerado o maior embaixador da língua portuguesa. Investigadores portugueses compararam António Vieira a Francisco.
A auditoria forense ao BES encontrou indícios de gestão ruinosa praticada pela administração do Banco Espírito e Santo e do Espírito Santo Financial Group. O Jornal de Negócios avançou ontem à noite que Ricardo Salgado desobedeceu ao Banco de Portugal. Detalhes que constam do sumário executivo que o supervisor enviou à comissão parlamentar de inquérito que investiga a gestão do BES e do GES.
Joana Beleza (texto e vídeo) Fotografias de Marcos Borga e do arquivo Expresso
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/amadeu-que-aprendeu-o-mundo-no-campo-e-tinha-o-coracao-na-ponta-dos-dedos=f913553#ixzz3TVP60fFf
1950-2015
Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos
Em Portugal, a dedicação à língua
mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que -
quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo
para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da
Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a
um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil
pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua
última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira é
lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.
Dezembro de 2014 Saldanha, centro de Lisboa Hora de ponta
Chego a casa dele ao fim da tarde. Já lá está o fotógrafo a arranjar a melhor luz para fotografá-lo. Amadeu Ferreira tem 64 anos e um tumor no cérebro. Estamos no Inverno e sabíamos de antemão que a entrevista só poderia acontecer num ambiente protegido. A sala está quente e os dois filhos de Amadeu estão por casa para ajudar o pai e os jornalistas no que for preciso. Parar não é um verbo que encaixe na vida deste homem.
Apesar de muito doente e quase cego, Amadeu acaba de lançar um livro de provérbios mirandeses, "Ditos dezideiros", e um outro de poemas que acompanham fotografias de Luís Borges da região transmontana, o "Norteando". Anda agora a trabalhar um livro "entre o poético e o filosófico", sobre a velhice. Sabe que já não tem muito tempo de vida, por isso aceita tirar parte da tarde para falar com o Expresso sobre o que mais ama: a língua mirandesa. E do que falta fazer pela vida dela - a este tema o Expresso voltará, de forma mais detalhada, numa das edições de março da revista E.
"No passado, há muitos anos, obrigaram-nos a falar português. Disseram-nos que o mirandês não era uma língua de gente ou, então, era uma língua de gente estúpida, atrasada. (...) Envergonhada, foi-se escondendo de quem vinha de fora, foi encolhendo até ficar presa numa pontinha de Portugal. (...) Em cada aldeia, a língua cresceu com as suas diferenças, a sua maneira de ser, embora sem deixar de ser quem era. Apagar essas diferenças ou fazer de conta que não existem seria ficar mais pobre e, quem sabe, morrer de vez. Pertencer ao mirandês, como uma língua única, é algo de que nos devemos orgulhar."
Orgulho é uma palavra que encaixa bem em Amadeu Ferreira. Vice-presidente da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) e professor de Direito na Universidade Nova de Lisboa, Amadeu foi também o escritor, poeta, tradutor, cronista e o investigador que mais tempo e trabalho dedicou à promoção da língua que o "amamentou". Nascido em 1950 em Sendim, fez parte da geração que abandonou a terra e a língua. Onde muitos tinham vergonha da sua origem, aquele jovem sendines tinha um orgulho desmedido pelas palavras e expressões que ouvia os pais e os vizinhos usarem no dia-a-dia. "A vida no campo, nos anos 50, no interior do país, era uma vida difícil. Sendo filho de uma família muito pobre tive a sorte de poder estudar, mas sempre, desde novo, trabalhei no campo. O mundo que aprendi foi o mundo do campo. E aprendi-o em mirandês."
Muitos anos depois de ter nascido e a muitos quilómetros de distância de Miranda, numa "longa noite de setembro de 1999", Amadeu Ferreira sentou-se à secretária e, num rasgo de insónia e de inquietação, escreveu um manifesto pela língua mirandesa. Da ponta dos dedos saíram-lhe oito páginas que eram ao mesmo tempo um resumo de história, um pedido de socorro e uma carta de amor.
"Que destino queremos para o mirandês? É muito difícil responder: a língua está tão doente que ainda não descobriu remédio que a salve. Primeiro, fez uma fronteira com o português e manteve-se apenas numa parte da Terra de Miranda; depois, tornou-se amiga do português e foi-lhe pedindo palavras emprestadas como se fossem suas. Quando, entretanto, a expulsaram da Igreja, foi como receber uma facada que nunca deixou de sangrar e, com o tempo, evoluiu para cancro. Quem conhece a cura para o cancro? Apesar disso, não há que desistir nunca ou dar-se por vencido. O pior é que os mirandeses nem se aperceberam. Está doente, velha e cansada, com poucas forças para resistir. E apenas existe uma maneira de os velhos viverem: através dos filhos. O mirandês deve deixar filhos que tenham orgulho na sua língua e não reneguem os pais."
Naquela "longa noite de setembro de 1999", Amadeu tinha 49 anos e, na sua casa em Lisboa, escrevia com o pensamento posto no alto do planalto mais oriental de Portugal. No quarto ao lado dormiam os seus dois filhos, José Pedro e João, com os quais diariamente falava em mirandês para que a sua raiz não se perdesse. Mal sabia que, 15 anos depois, o mais velho dos descendentes, linguista de profissão e de paixão, lhe daria uma neta, a primeira neta, chamada Lhuzie. Era o culminar de um círculo perfeito, uma vida inteira a lutar pelo orgulho de uma língua minoritária. Precisamente numa altura em que Amadeu lutava contra um cancro mortífero, veio o orgulho de ver a família crescer. "O nome da minha neta é um manifesto pelo mirandês e o reconhecimento de uma vida, de um esforço, de um ideal que foi o meu. Se ela viver muitos anos, como eu espero que viva, e se os pais falarem com ela em mirandês, como eu espero que falem, então ainda se falará mirandês daqui a muito tempo."
"Há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer. Há palavras, sons, ditos, coisas que dormiram durante tanto tempo connosco que tomaram cama para um lado e quando não nos deitamos para esse lado é como dormir sobre uma pedra."
Tristeza prolongada, desinteresse
ou falta de prazer em qualquer actividade, falta de energia, cansaço
persistente, falta de concentração e de memória, falta ou excesso de
apetite, alterações no sono (sonolência ou perda de sono), diminuição
gradual da líbido, baixa auto-estima, ansiedade, apatia. Os sinais podem
ser muito diversos de pessoa para pessoa.
Mas há algumas causas nutricionais que podem estar por detrás desta
sintomatologia. Saiba o que pôr no prato para aumentar a memória,
diminuir o cansaço e nutrir as ideias, segundo 20 especialistas que
partilharam num artigo publicado recentemente no The Lancet Psychiatry,
em nome da Sociedade Internacional para a Investigação em Psiquiatria
Nutricional (ISNPR), os 10 nutrientes essenciais para o cérebro, de
acordo com o agregador O Meu Bem Estar.
1.Ácidos gordos ómega-3, com potencial utilidade no
transtorno bipolar, depressão, transtorno de stress pós-traumático e na
prevenção da psicose. Estes nutrientes estão envolvidos na modulação da
síntese, degradação e recaptação de neurotransmissores, tais como
adrenalina, serotonina e dopamina. E também têm efeitos
anti-inflamatórios importantes para a formação de novos neurónios
através do factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e relacionado
com a nutrição do tecido nervoso. Os ácidos gordos ómega-3, presentes no
atum, sardinhas, anchovas, salmão, cavala, linguado, entre outros, têm
mostrado um papel protector contra doenças neurodegenerativas, como a
doença de Alzheimer.
2.A vitamina B, especialmente os folatos (B9) e B12,
são essenciais para o bom funcionamento dos neurónios. A deficiência de
folato (vit B9) é comum em pessoas deprimidas e está associada a uma má
resposta aos anti-depressivos. Administrada com anti-depressivos
melhora a resposta e o início da recuperação. Pode ser encontrada nos
peixes, lacticínios, ovos e levedura de cerveja.
3.A colina é a molécula precursora da acetilcolina,
um neurotransmissor envolvido em muitas funções, incluindo na memória e
no controlo do músculo. Juntamente com a w3 e a uridina, é um nutriente
essencial para a formação de novos neurónios. Pertence ao grupo da
vitamina B e está presente nos mesmos alimentos.
4.O ferro, juntamente com várias proteínas, está
envolvido em processos tão importantes como o transporte de oxigénio, a
formação de bainhas de mielina que revestem as fibras nervosas (axónios)
e permitem a transmissão de impulsos nervosos, e a síntese de
neurotransmissores que permite aos neurónios comunicar. Pode ser
encontrado em frutas e legumes, peixe, carne, lacticínios, grãos e
nozes, ovos.
5.O zinco é um modulador do sistema imune e da
formação de novos neurónios no hipocampo, através do gene BDNF. Os
suplementos de zinco melhoram o humor, especialmente quando são
associados à toma de anti-depressivos. Alimentos que contêm zinco:
legumes, banana, cereais integrais, peixe, alface, espinafre,
couve-de-Bruxelas.
6.O magnésio desempenha um papel essencial no
cérebro, coração e músculo-esquelético. Os suplementos de magnésio são
eficazes no tratamento da depressão e da enxaqueca. Legumes, frutas,
nozes, peixe, cereais, legumes, laticínios são ricos neste nutriente.
7.A S–adenosil metionina (SAMe), uma molécula
natural encontrada em todos os organismos vivos, está envolvida na
regulação do humor. Alguns ensaios clínicos avaliam a sua eficácia como
anti-depressivos. A metionina está presente em peixes, carnes e sementes
de sésamo.
8.A N-acetilcisteína (NAC)é eficaz no transtorno
bipolar, esquizofrenia e outros comportamentos compulsivos. Tem
actividade anti-inflamatória, antioxidante e neuroprotectora. A
N-acetilcisteína (NAC ou) é uma forma mais estável do aminoácido
L-cisteína e está presente em peixes, carnes e nozes, vegetais, entre
outros.
9.A vitamina Dé uma neuroesteróide e em baixas
concentrações nas mulheres grávidas está associada a um menor risco de
esquizofrenia. A sua deficiência também favorece os sintomas
depressivos. Pode ser encontrada nos lacticínios, peixes oleosos, ovos,
cereal.
10.Os aminoácidos são essenciais para combater a
depressão. Nove aminoácidos não conseguem ser produzidos pelo organismo e
têm por isso que ser fornecidos pela alimentação (aminoácidos
essenciais). As fontes completas de aminoácidos são as carnes, peixes,
ovos, lacticínios. Nas fontes vegetais a mais completa é a soja, sendo
que a combinação de outros alimentos como arroz e feijão também nos
podem fazer esse aporte. Dietas restritivas só com saladas e sopas podem
resultar em depressão.
O aminoácido essencial Triptofano é necessário para a formação da serotonina, um neurotransmissor essencial ao bom humor. Foto: la.kien / Creative Commons
Um dos grandes entraves ao sucesso da
aplicação da terapia génica, terapia que consiste em transferir material
genético exógeno para células-alvo, por forma a corrigir doenças que
envolvam factores genéticos, como por exemplo o cancro, é o transporte e
entrega eficiente do material genético às células alvo.
Uma equipa de investigadores da
Universidade de Coimbra (UC), através da Faculdade de Ciências e
Tecnologia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC),
conseguiu ultrapassar este grande obstáculo, desenvolvendo um “veículo”
de transporte à base de dois polímeros completamente catiónicos (um
polímero que tem uma distribuição de cargas positivas em toda a sua
cadeia).
Os resultados da investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foram tema de capa da última edição da revista científica Macromolecular Bioscience.
Podemos
dizer que o nanossistema concebido pela equipa da UC, nos últimos
quatro anos, é uma espécie de «novelo formado pelo emaranhado de
polímero e genes que assegura o transporte eficaz do material até às
células-alvo, protegendo-o e impedindo a sua destruição ao longo do
percurso», ilustram os coordenadores do estudo, Jorge Coelho e Henrique
Faneca.
A solução inovadora foi testada em linhas celulares
cancerígenas, mas a sua potencial aplicação estende-se a várias
patologias que envolvem fatores genéticos, como as doenças
neurodegenerativas.
Nas experiências realizadas, após complexos
estudos que permitiram encontrar a estrutura certa do novo polímero com
propriedades favoráveis à entrega do material genético, demonstrou-se
que «os genes chegaram ao destino com sucesso, apresentando o novo
nanossistema uma toxicidade reduzida.
Outra característica
importante deste “veículo” é o facto de conseguir conduzir uma grande
quantidade de genes com uma reduzida porção de polímero», notam os
investigadores que pretendem prosseguir com o estudo, agora em modelos
animais.
Créditos: Arménio Serra, Jorge Coelho, Henrique Faneca e Rosemeyre Cordeiro - UNIVERSIDADE DE COIMBRA
O desenho, intitulado "Cessar-fogo: aborrecimento instala-se em
Donetsk", mostra os habitantes da região separatista no meio de ruínas e
entulho perguntando-se "E se fizéssemos alguma coisa com
cartoonistas?".
"Isto é abominável, não é liberdade de expressão", disse Pushkov através da sua conta de Twitter.
A Rússia apoiou inicialmente a marcha contra o terrorismo que
aconteceu em Paris, depois dos ataques de janeiro contra o jornal
satírico, mas muitos meios de comunicação e governantes russos acabaram
por virar costas ao Charlie Hebdo, dizendo que desrespeita as pessoas de
fé.
Três órgãos de comunicação russos foram multados pelo regulador do
país, em janeiro, por republicar recentes caricaturas do profeta Maomé.
Está já no prelo a nova edição, revista e aumentada, de O Espião de D. João II - Pêro da Covilhã, desta vez com a chancela da Leya - Casa das Letras.
Já era muito raro achar nas livrarias um exemplar da versão anterior, publicada pela editora Ésquilo, e muitos leitores me perguntaram por ele, assim, estou muito feliz por o ver aparecer com novas roupagens e mais completo.
Ainda não tem data marcada para o seu aparecimento, mas os leitores serão informados logo que a editora indique o dia em que o livro já seguiu para as livrarias.
Algumas críticas na imprensa:
Em seis anos, Deana Barroqueiro
tornou-se uma perita no romance histórico. Iniciada na escrita juvenil ao longo
da década de 90, operou, já este século, a passagem para a dificílima arte da
escrita do romance histórico, constituindo-se hoje, com mais de 2 000 páginas
publicadas e, sobretudo, com a recente edição de O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto, um dos mais
singulares autores neste género literário.
(Miguel Real – JL)
Com base nos testemunhos tradições e documentos coevos, a
autora faz uma descrição minuciosa e rigorosa da viagem (de Pêro da Covilhã) … não
se limita, porém, à descrição fria dos acontecimentos, concede densidade
dramática aos momentos mais marcantes da narrativa.
A um tempo, estamos perante os exemplos vivos quer do
participante activo na empresa dos descobrimentos portugueses (no lado, algo
inesperado, da preparação das navegações e da espionagem terrestre, bem
diferente das histórias trágico-marítimas), quer da aventura em estado puro,
que a autora inteligentemente explora com conhecimento e verosimilhança.
Trata-se, no fundo, para usar uma metáfora medieval, quase de uma demanda
mística que só pode ter paralelo na busca do Graal.
Esta é a melhor homenagem que
pode ser feita a Pêro da Covilhã, cuja memória parece ir-se desvanecendo, apesar
da sua importância fundamental...
Seis horas de audição em menos de cinco minutos. Zeinal Bava esteve esta semana na comissão de inquérito ao colapso do Grupo Espírito Santo e levou os deputados à perplexidade. Veja porquê.
O antigo presidente da Portugal Telecom e da Oi foi esta quinta-feira ouvido durante cerca de seis horas pelos deputados da comissão de inquérito. A maior parte das perguntas destinou-se a querer saber as relações entre a PT e o BES, bem como as razões, métodos e intervenientes da compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo, que acabaram por contagiar a PT de forma irreversível.
Zeinal Bava respondeu, segundo os deputados, muitas vezes de forma insatisfatória, explicando com falta de conhecimento, de intervenção ou de memória a sua não intervenção no processo e a sua relação com Ricardo Salgado. Isso levou os deputados a diversas intervenções críticas.
Editar no feminino e em português e levar cada vez mais mulheres a
introduzir informação na Wikipédia é o objetivo de um encontro a
realizar em Lisboa e em muitas outras cidades do mundo. "Falta de
participação feminina na produção gera uma distorção nos conteúdos
disponíveis." Anabela Natário |
Cartaz do o encontro de edição colectiva Arte e Feminismo & WikiD - Edit a Thon Lisboa 2015
Lisboa é um dos 75 locais, em três
continentes, onde vai ser assinalado um acontecimento mundial, no fim de
semana de 7 e 8 de março. Na Universidade Lusófona, acontece "Arte e
Feminismo & WikiD - Edit a Thon Lisboa 2015", que tem como principal
objetivo "minimizar a quase ausência de mulheres editoras a publicar na
Wikipédia, com foco para as temáticas sobre arte, feminismo e
arquitetura".
A razão deste "evento satélite" do "Art+Feminism
Edit-a-Thon", que decorre no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque em
conjunto com o WikiD - Women Wikipedia Design, organizado pelo coletivo
ArchiteXX, prende-se com o facto de um grupo de mulheres portuguesas
querer despertar as cidadãs e levá-las a ajudar a inverter a falta de
informação feminina.
Em Portugal, o acontecimento tem a sua originalidade, já que junta duas ações internacionais distintas, como diz ao Expresso Patrícia
Pedrosa, uma das organizadoras. O fim é o mesmo, pôr mais mulheres na
Wikipédia, mas une duas áreas disciplinares distintas, a arquitetura e
as artes.
A arquiteta e professora universitária estava a montar a
Wiki da arquitetura no feminino, "por interesse académico e ativismo
pessoal", quando "tropeçou" na iniciativa da produtora Marta Raquel
Fonseca e da professora e artista norte-americana Maile Colbert
(mencionamos estes três nomes mas a escala é maior), que pretendiam
realizar a Wiki para as artes também no feminino, mas debatiam-se com o
problema do espaço físico.
"O mais importante é montar as redes, com estratégia,
entranhando e enraizando...", frisa a académica, entusiasmada com mais
este projeto, já que também está a organizar, para o final de março, o
2º Congresso Internacional de Arquitetura e Género.
Mais mulheres na net, mas poucas a editar
Um estudo de 2011 indica que o número de mulheres a contribuir para a
Wikipédia estava a subir. E o objetivo dos fundadores desta enorme
enciclopédia online era chegar aos 25%. Mas a realidade é que 91% dos
editores são homens e o problema é que "a falta de participação feminina
na produção gera uma distorção nos conteúdos disponíveis".
Trata-se de uma situação curiosa se se tiver em conta
outros estudos, mais alargados, que indicam que as mulheres passam mais
tempo a navegar na web do que os homens. Porque será que não se
interessam por editar conteúdos na Wikipédia? É que esta falta de mão
feminina representa, segundo a organização, "uma ausência alarmante na
construção deste repositório de partilha de conhecimento cuja
importância é cada vez maior".
A união de vontades ("é a única Wiki que junta as duas
ações - num país pequeno como o nosso, o que temos é de juntar
esforços", diz Patrícia Pedroso) vai resultar num encontro no próximo
dia 7, na Universidade Lusófona, em Lisboa, com a manhã dedicada a uma
"lição" sobre como editar na Wikipédia e a tarde para "trabalhar,
trabalhar", isto é, "fazer entradas" em língua portuguesa sobre mulheres
ligadas à arquitetura e às artes, sejam elas portuguesas ou
estrangeiras. Neste último caso podem até ser traduções de artigos já
existentes na enciclopédia online.
Para Pedrosa, o encontro duplo Wiki em Lisboa, apesar
de ainda não se ter concretizado, já conta algo diferente: "Foi juntar,
ao contrário do que se faz, que é separar, compartimentar, pôr de
costas. O que nós queremos é rede, informação a circular. E de
qualidade, sustentada pela academia, porque esta sabe fazer as coisas. É
a mistura entre ativismo, visibilidade e academia".
As inscrições para a iniciativa "duas em uma" estão
abertas até dia 5 de março, bastando para o efeito enviar um mail para
editathonlx@gmail.com.