24/07/2013

Deana Barroqueiro A Páginas Tantas

Uma grande surpresa, que chegou no dia do meu aniversário, enviada pelo jornalista Marco Carvalho: a entrevista que ele me fez para a televisão de Macau, aquando da apresentação de "O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto", a convite da Casa de Portugal.

Marco Carvalho deu-me espaço e tempo para contar histórias da nossa História, numa conversa amena e despretensiosa, com tamanha simpatia que conquistou para sempre a minha amizade.

Apesar da gripe terrível que apanhei à chegada a Macau e da febre que ainda tinha, a entrevista até nem correu mal, creio mesmo que os espectadores ficaram com uma ideia (se ainda não conheciam) do importantíssimo papel que os Portugueses  tiveram em dar a conhecer à Europa o verdadeiro Oriente, até então praticamente desconhecido.

Para quem tiver pachorra para ver e ouvir...



16/07/2013

Do Tempo da Outra Senhora: Cinemateca

Caras Amigas e Amigos cinéfilos:

CINEMATECA PORTUGUESA:  Filmes portugueses alojados no YouTube 1930 - LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA (1930 - Leitão de Barros... 
Para ver aqui:

26/06/2013

Respondendo a Miguel de Sousa Tavares

Por Anabela Bragança, uma professora de Coimbra, indignada:
 
 Caro Miguel

Desde já peço desculpa pela familiaridade do trato, mas como nos conhecemos tão bem sinto-me no direito de ser mais tu-cá-tu-lá consigo. Li o seu artigo sem adulteração, aquele do Expresso do último sábado, do dia 15 de Junho de 2013. Escrevo a data completa porque a quantidade de textos que debita poderiam criar na sua cabeça alguma confusão sobre o espaço temporal a que me refiro. Devo dizer que é um texto bem escrito, daqueles que se aprendem a escrever quando se tem uma professora à moda antiga, das que nos ensinam a amar o saber e fazer da vida uma busca continua desse mesmo saber, das que nos ensinam a ter espírito critico, das que nos ensinam a pensar e a usar com racionalidade essa fundamental característica que é uma das que nos distinguem das restantes espécies da Classe Mammalia. Como se deu ao trabalho de fazer uma breve introdução romanceada do seu percurso pelo primeiro ciclo, então escola primária, vou, também eu, essa breve introdução, sem as figuras de estilo que o Miguel usa, porque em mim a escritora não pode florescer por falta não de vocação que essa até tenho, mas de tempo, e a seu tempo entenderá o porquê. Então vejamos, em 1976 entrei na escola primária. A escola que me acolheu, uma das obras positivas do tempo assumidamente autocrático, era linda, branca, com casas de banho que por acaso não funcionavam mas estavam lá, com as paredes preenchidas pelos trabalhos de desenho dos meus colegas mais velhos que a minha arte ainda não se tinha manifestado. Sabe porque é que a minha escola era linda? Porque eu não sou filha de nenhuma escritora, nem nenhum deputado, nunca os meus olhos tinham visto tanto livro junto, e refiro-me a meia dúzia que havia lá pela minha escola de aldeia, longe de Lisboa e do Porto. Sabe Miguel, acredito que pense efectivamente que sabe, ou não tivesse sido aluno da D. Constança, as vivências da realidade são diferentes de ser humano para ser humano, e por isso o quadro feio e negro da escola do Miguel pode ser belo e muito colorido para alguns dos seus colegas de carteira. Mas deixemos isto e continuemos na saga do meu percurso escolar. Tal como o Miguel também na minha escola éramos muitos, tanto que nem me lembro do número, será porque isso nunca foi relevante? É que das pessoas ainda me lembro bem, das brincadeiras também, das aulas também… As duas salas estavam sempre cheias, como um ovo, havia dois turnos de aulas com 4 professoras, duas de manhã e duas de tarde. A mim calhou a D. Maria Isabel, uma mulher linda, com o seu cabelo cinzento e os lábios pintados de uma cor fabulosa, um tom de laranja doce. A D. Maria Isabel acabou de me ensinar a ler, que alguma coisa a minha teimosia já me havia feito aprender. Sabe Miguel, em algumas situações a teimosia é uma característica boa, de tal forma que no final do primeiro período já eu substituía a minha avó na leitura de “O amigo do Povo” às suas comadres analfabetas. Vou agora refrescar-lhe a memória em relação ao que era o primeiro período: - período de tempo que mediava entre Outubro e meados de Dezembro, suponho que entende o que lhe estou a dizer, mas se não informe-se junto de alguns psicólogos e pedagogos credíveis. Abreviando um pouco, e quase para terminar este parágrafo, devo dizer-lhe que a minha professora foi tão boa que em 3 anos resolveu comigo as questões que para muitos se resolviam em 4, e para outros muitos em mais de 4. Tal como a sua, também a minha deixou em mim um apetite voraz para as letras, chamava-me “papa livros” tal era a minha voracidade, e todas as semanas, levava de Coimbra para mim muitos livros. A minha professora Maria Isabel era uma mulher completa com marido, 3 filhos, sendo um surdo-mudo,  pais e sogros. Vivia do seu trabalho e como tal faltou algumas vezes, pois não tinha possibilidades económicas para delegar responsabilidades. Mas sabe o que lhe digo, foram muitos os alunos que mandou para a universidade, que hoje até lêem o que o Miguel escreve com espírito crítico. Neste momento poderia considerá-lo um mentecapto e situar este comentário no seu texto brilhante, mas não o vou fazer, porque o Miguel também teve uma boa professora na escola primária.

Mudando de parágrafo e de assunto, tal como o Miguel, sei que o país está à beira da bancarrota, mas na minha família só o direito ao voto responsabiliza por essa situação, sabe porquê? Nunca nenhum dos meus progenitores ocupou lugar em nenhuma das cadeiras da Assembleia da Republica, por partido nenhum quanto mais por dois e ainda mais relevante, nunca nenhum dos meus progenitores foi ministro. Sinto muito Miguel por ter que lhe lembrar que algumas das responsabilidades da miséria que crassa por esse Portugal fora tem genes que lhe foram a si entregues. Mais ainda, na minha família toda a gente produz, desde tenra idade. Sobre trabalho o Miguel, por certo, teria muito a prender comigo e com os meus.

Voltemos agora ao ainda cerne desta questão, a greve dos professores. Sabe Miguel, depois de ler o seu texto, volto a dizer, sem adulterações, fiquei a pensar se o seu sistema digestivo seria igual ao dos restantes mamíferos. E confesso que esta dúvida já me assaltou algumas vezes frente aos seus escritos. Em relação aos professores o Miguel não sabe nada do que pretende dizer, seria bom e revelador de algumas sinapses activas, que se calasse até conseguir saber sobre o que se pronuncia. Eu sou professora, há já muitos anos, executo a profissão que sempre quis ter, lá por causa da minha rica professora Maria Isabel, e trabalho que me desunho, e não falto, e estou disponível para os meus alunos até para ser mãe. O meu horário semanal (e o da maioria) tem sempre muito mais do que as 40 horas agora na moda, tenho que me preparar, nem sequer para cada ano é mesmo para cada turma, pois são sempre diferentes os alunos e as suas interacções; tenho que os avaliar, e isso exige muito pois sou acérrima defensora da avaliação formativa; tenho que tentar manter-me actualizada pois lecciono uma disciplina das ciências mais vanguardista, e isso requer muito tempo (percebe agora porque não me dedico mais à escrita?). Eles, os meus alunos, que são quem me importa, sabem disso! Acho de uma arrogância tola o Miguel vir pronunciar-se sem saber do que fala. Eu também sou leitora e agora vou aqui falar de um  escritor medíocre que já li. Vou tecer comentários sobre obras e escrita que conheço, não sobre números de origem duvidosa! O Miguel escreve com a qualidade necessária para ser comercial, isto é para ganhar dinheiro, muito por sinal. Quer assumir-se como um Eça? Sabe que está a anos luz, sobra-lhe a capacidade descritiva, mas falha nos pormenores, vou dar-lhe um exemplo concreto: descreve cenas de sexo/amor com minúcia, mas impraticáveis por imposição das leis da física. Tenta ser um critico social, mas o seu azedume natural tira-lhe a graça e a leveza que tornam Eça sempre actual. Poderia continuar mas acho que já consegue perceber onde quero chegar. O Miguel é um escritor medíocre, mas isso não faz com que todos os escritores de Portugal o sejam, repare a sua mãe até ganhou um prémio Camões. Até sei que vai pensar que estou a ser ressabiada, será um argumento de defesa legítima uma vez que o estou a atacar, mas totalmente desprovido de verdade. Entenda o que lhe quero dizer de forma clara, há professores medíocres mas a maioria é bastante boa, empenhada e esforçada. Esta greve serviu apenas para mostrar ao governo que o caminho da mentira e do enxovalhamento público tem que acabar. Os direitos dos alunos estão a ser salvaguardados, é certo que temos menos alunos, mas também é certo que cada ano as turmas são maiores e os problemas sociais, que entram sempre pela sala de aula dentro, são cada vez mais. Sabe Miguel, seria mais proveitoso para os alunos trabalhar em salas com menos crianças/jovens e consequentemente menos problemas do que em salas cheias até à porta. Sabe que assim poderíamos desenvolver o espírito critico desses jovens e aí as coisas mudavam um pouco… Já  imaginou um país em que a maioria dos cidadãos tivesse espírito crítico? Imagina o destino que seria dado aos medíocres? Acha que haveria lugar a tantas PPP’s? Acha que o dinheiro do Estado Social  (faço aqui um parêntesis para lhe dizer o que é o estado social, que eu sustento: EDUCAÇÃO, SAÚDE e SEGURANÇA SOCIAL) seria desbaratinado em manobras  bizarras sem que fossem pedidas contas? Acha que os gestores das empresas públicas que acumulam prejuízos continuariam a ser premiados? Acha que se assistiria a uma classe política corrupta, incompetente e desavergonhada de braços cruzados? Acha que haveria prémio para a mediocridade de textos que vendem como cerejas à beira do caminho? Ai Miguel depois destas questões até o estou a achar inocente… acabei de ficar com aquele sorriso que dou aos meus alunos travessos, mas simples, só que para eles é para os conduzir ao bom caminho, para si é mesmo com condescendência.

Falou no seu texto no estado calamitoso em que se encontram as contas públicas, e sou forçada a concordar consigo, só tenho pena que apenas consiga ver o erro, e lhe falte a coragem para imputar responsabilidades. O país está neste estado por causa dos decisores políticos e dos fazedores de opinião, entre os quais o incluo. A má gestão é que nos levou a este marasmo, não fui eu, nem os meus pais. Desde muito jovem que justifico o que como, foi assim que fui educada, é assim que educo os meus filhos e até os meus alunos, dentro do possível. Da má gestão posso ser responsabilizada por votar, mas sempre o fiz em plena consciência, acreditando que dava o meu voto a um ser humano digno. E continuo a fazê-lo! Quanto aos fazedores de opinião é um problema acrescido, porque esses nascem do nome que carregam, tal como o Miguel bem sabe. Por isso lhe digo em jeito de conclusão, este texto só será lido em blogues, porque o apelido Bragança não me abre as portas dos jornais. Fique bem Miguel e quando não conseguir mais dormir, por ter tomado consciência da sua responsabilidade pessoal no estado em que se encontra o país, não pense logo em suicídio, tome primeiro Valeriana e se não resolver tome Xanax.

Anabela Bragança, professora de Biologia, ainda com alegria e orgulho!

Coimbra, 19 de Junho de 2013

23/06/2013

UNESCO classifica Universidade de Coimbra como Património Mundial

Um belo artigo de Luís Miguel Queirós, no Público, sobre a histórica Universidade de Coimbra, considerada por fim como Património Mundial pela Unesco. Parabéns a Coimbra e Portugal! Os Portugueses necessitam de se orgulhar do seu país e da... sua História, face à mediocridade, ignorância, incompetência e, sobretudo, falta de estima e respeito pela Nação e povo que (des)governam. Se conhecessem algo da sua História passada e riqueza cultural, acumulada ao longo dos séculos, talvez se abstivessem mais de a destruir.
Para ver AQUI:

UNESCO classifica Universidade de Coimbra como Património Mundial
 

20/06/2013

Quem é Maria Aliete Galhoz


Maria Aliete Farinho das Dores Galhoz nasceu em Boliqueime, no ano de 1929. Estudou no Liceu de Faro e licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É editora literária, poeta e ensaísta. Entre 1953 e 1972 foi professora do Ensino Secundário. Colaborou em pesquisas de Literatura Popular Portuguesa, tema sobre o qual publicou inúmeros estudos e fez várias conferências, no Centro de Estudos Filológicos, juntamente com Lindley Cintra e Viegas Guerreiro, no Centro de Estudos Geográficos, e no Centro de Estudos de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa. Tem colaboração dispersa nas revistas "Boletim de Filologia", "Colóquio", "O Tempo e o Modo", "Nova Renascença" e em vários jornais. Colaborou e fixou os textos de "Poemas Esotéricos" de Fernando Pessoa em 1993. No campo da investigação da Literatura Tradicional Oral Portuguesa publicou "Pequeno Romanceiro Popular Português" (1977), "Romanceiro Popular Português" (1998), "Memória Tradicional de Vale Judeu" (1996), "Memória Tradicional de Vale Judeu II" (1998), "Romanceiro do Algarve" (2005). Colaborou na edição de "Povo, Povo, Eu te pertenço" de Filipa Faísca em 2000, bem como num conjunto de volumes subordinados ao tema "Património Oral do Concelho de Loulé" em parceria com Idália Farinho Custódio e Isabel Cardigos. Escreveu três livros de poesia: "Poeta Pobre" (1960), "Décima Quinta Matinal Esquecida - "Acto da Primavera" (1967), "Poemas em Rosas" (1985). Em prosa publicou o livro de contos intitulado "Não Choreis Meus Olhos" (1971). Recebeu a Medalha Municipal de Mérito, grau prata, pela Câmara Municipal de Loulé, em 1994. Foi ainda condecorada com o título Doutora Honóris Causa pela Universidade do Algarve (1966) e com o grau honorífico de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1999).
 

PÁSSARO

Tenho um pássaro
Não canta
Contudo
irrisoriamenmte pássaro
No meu peito...

Pássaro, garganta, ou alvorada
Fios alvacentos
Da manhã

Entre montes...

Não eras tu, rouxinol
Não era a cotovia
Nem a invisível calhandrina...
Era na minha garganta
Fio da memória
Na manhã já alta...

Portanto
Não canta o pássaro
Que tenho em meu peito...
Leiras
Leivas
Veredas
O pulsar da brisa
Hoje...
Pássaro
Alma cantante
Em minha garganta
Finamente acutilada...

Poema dedicado a Irene Lisboa
"Para Irene Lisboa, que escreveu Um dia e outro dia...:
poético amargo/lírico do quotidiano, do frágil quotidiano no
seu frémito de vida, de dor, de olhar, de Beleza igualmente,
dedico como homenagem e afecto antigos."
 
Publicado por Carlos Pereira \foleirices

A MINHA PROFESSORA

Nestes tempos difíceis para os professores, em luta pelos seus direitos, relembro os meus dias de estudante  e penso que se não fosse por Maria Aliete Galhoz, talvez eu não me tivesse tornado professora e escritora...

Ouço dizer a muita gente da minha idade (e até mais nova) que a escola no seu tempo era muito melhor do que a dos seus filhos ou netos, com professores competentíssimos que sabiam dar-se ao respeito e dominavam na perfeição todos os segredos da arte de ensinar, portanto, a anos-luz dos docentes que, nos últimos vinte anos, lhes seguiram as pisadas nas escolas portuguesas.

Tenho de confessar que não foi essa a minha experiência enquanto estudante, quer no ensino oficial quer no privado. Nas aulas, a maioria dos meus professores limitava-se a ler as matérias dos manuais, obrigando-nos a decorá-las e a despejá-las sem reflexão ou espírito crítico, desencorajando qualquer assomo de criatividade do aluno. Em doze anos de aprendizagem conheci talvez quatro professores competentes, dos restantes não lhes recordo os rostos e muito menos os nomes, porque nenhum deles me marcou. Raramente encontrei compreensão, simpatia ou calor humano nessas professoras que não inspiravam respeito, mas apenas medo. Com elas aprendi a ocultar sentimentos, gostos e, sobretudo, pensamentos.

Contudo, apesar da prepotência tantas vezes desumana dos seus docentes, a escola era um lugar onde os menos privilegiados (assaz raros) podiam ter acesso aos livros e, por eles, à cultura, à descoberta e ao conhecimento, mesmo se o acesso à Biblioteca e aos seus livros fosse limitado ou até vedado. E ler e escrever tornaram-se na minha paixão, na minha evasão, na minha liberdade.

Então, no meu penúltimo ano no Liceu D. Filipa de Lencastre, conheci Maria Aliete Galhoz, a professora de Francês. Como por um toque de magia a desconfortável sala de aula transformou-se num mundo fantástico, com janelas para o sistema solar, as galáxias e o Universo inteiro!

De cabelos louros e ainda jovem, a professora tinha uns olhos azuis que nos olhavam com ternura e uma voz doce que nos afagava e me levava a querer cumprir todas as tarefas que nos pedia em vez de exigir. Para nosso imenso espanto, logo nos primeiros dias, fez-nos dispor as carteiras em círculo, criando uma intimidade/cumplicidade connosco que eu jamais julgaria possível (custou-lhe esta ousadia a desconfiança (e mesmo perseguição) das outras professoras que consideravam os seus métodos pouco didácticos ou mesmo perigosos).

Aliete Galhoz não se limitou a ensinar-nos Francês. Foi com ela que aprendi a ver além do olhar, a interpretar um texto para lá dos limites desse texto, a apreciar o tesouro da nossa Língua e a magia das palavras como criaturas do pensamento; foi ela que me fez amar Fernando Pessoa e muitos outros poetas; pela sua mão fui guiada até aos grandes mestres da literatura e pude maravilhar-me com livros que me desvendavam os mistérios da alma humana e da minha própria alma; por ela cheguei à pintura e à música (quase desconhecidas na minha esfera familiar) e o mundo ficou estranhamente belo.

Ela foi a Mestra, a Educadora o Pigmaleão que modelou e animou o meu Ser futuro. Fez-me compreender que, pelo estudo, eu poderia ir sempre além dos meus limites e ultrapassar todos os obstáculos; a sua generosidade e sensibilidade foram o húmus que fez desabrochar a minha mente e o meu sentir e, pela primeira vez eu escrevi os meus textos sem medo e ousei tirar a máscara e pôr a minha alma a nu.  

Aliete Galhoz foi o modelo que eu tentei seguir na minha carreira de professora, para assim lhe pagar uma enorme dívida de gratidão.

28/05/2013

Agenda de Junho


 
2 de Junho, Domingo, às  15.00 horas
Praça da LeYa - Casa das Letras - stand D58
 
8 de Junho, Sábado, 15.00 horas
Praça da LeYa - Casa das Letras - stand D58
 

9 de Junho, Domingo
- 16.00 horas
Tertúlia sobre o romance histórico português
na Praça Amarela
 
-17.00 às 19.00 horas
Conversa com os leitores e sessão de autógrafos:
"O Espião de D. João II" que esgotou nas livrarias, estará à venda com preço de feira, no stand da Ésquilo - B17

11/05/2013

Não há só diamantes de sangue...

 
Também as grandes marcas ocidentais de roupa podem ficar com os seus texteis manchados de sangue. O barato pode sair-lhes muito caro em vidas humanas, de mão-de-obra barata, a nova escravatura os países pobres.
 
Para não pagarem salários justos aos trabalhadores, as grandes marcas "deslocalizam" as fábricas dos países europeus para países asiáticos onde homens, mulheres e crianças são infamemente exploradas, trabalhando em condições por vezes sub-humanas, com salários de miséria que mal lhes permitem sobreviver, para fazerem as peças de vestuário que são vendidas pelas empresas, com enormes lucros, no Ocidente.
 
Se ao menos tragédias como esta despertassem a consciência e a indignação dos consumidores e os levassem a boicotar estes novos esclavagistas, como a H&M e a GAP ou a Primark e a Mango.
 
O Rana Plaza, edifício que albergava cinco fábricas têxteis que forneciam marcas ocidentais, ruiu no passado dia 24 de Abril. Operações de resgate recolheram 1039 mortos e o número continua a subir

Mais de 2.500 pessoas foram resgatadas imediatamente após o desmoronamento, que aconteceu no passado dia 24 de Abril. Cerca de 1.000 encontram-se em estado grave e a recuperar de lesões complexas e de amputações de membros feitas no local por serem consideradas a única opção viável para retirada de muitos sobreviventes dos escombros.

O colapso do edifício Rana Plaza, construído com o objetivo de funcionar como centro comercial mas utilizado como fábricas têxteis com mão-de-obra barata para fornecer marcas ocidentais famosas como a Primark ou a Mango, terá acontecido devido à fraca estrutura do edifício e ao uso de maquinaria pesada e geradores de alta potência que a danificaram.
 
Embora já tivessem sido emitidos avisos acerca de eventuais problemas de segurança do complexo fabril, a produção continuou, dando espaço à tragédia. Entretanto, os responsáveis pelas fábricas e o dono do edifício foram detidos, à semelhança de especialistas que tinham atestado a segurança do Rana Plaza.
 
Os trabalhos de remoção dos escombros deverão prolongar-se, pelo menos, por mais uma semana, pelo que o Ministério do Interior do Bangladesh estima que o número de mortos confirmados possa continuar a subir.

(adaptado de Boas Notícias)

07/05/2013

Está-nos no sangue, a corrupção


Têm de ler até ao fim a crónica de Ferreira Fernandes para apreciarem a piada:

"Primo, mulher ou filho, a relação familiar pode variar, mas a etimologia de nepotismo é como a prova do algodão: a origem da palavra é "nipote", que em italiano quer dizer sobrinho. O nepotismo é de país do Sul, evidentemente. Cola-se--nos aos costumes, a todos PIGS - tugas, macarronis, coños e outros comedores de iogurte com pepino picado -, gente mediterrânica que começa a corrupção logo lá em casa. Sabem como termina a Carta de Pêro Vaz de Caminha ao Rei, depois do achamento do Brasil? A pedir um favor para o genro! E depois não queremos os alemães a dar-nos lições...
Agora, mais uma região europeia do Sul, palco de nepotismo. Há 15 dias, o líder parlamentar de um partido do Governo demitiu-se do cargo, depois de se saber que empregava a mulher como sua secretária há 23 anos, com salário mensal de 5500 euros pago pelo Parlamento.
Na semana passada, o presidente da comissão parlamentar de Finanças, do mesmo partido, também se demitiu: tinha há dez anos como assalariados, pagos pelo Parlamento, a mulher e os dois filhos. Estes, quando começaram a mamar dos dinheiros públicos, tinham 13 e 14 anos. Apesar de se terem demitido dos cargos de direção, os dois políticos continuam deputados.
No Sul pode haver muito défice, mas não de falta de vergonha.
Ah, já me esquecia, a região europeia de que falo é a Baviera, no Sul da Alemanha. E os deputados, Georg Schmid e Georg Winter, são da CSU, da coligação de Angela Merkel.

(Ferreira Fernandes - Diário de Notícias - Opinião)

05/05/2013

O prémio de arquitectura Wan 2013

Mais um prémio internacional para arquitectos portugueses.
O prémio de arquitectura Wan 2013 está na Pontinha
Foi a primeira vez que a equipa do gabinete CVDB Arquitectos se candidatou aos Wan Awards, promovidos pela publicação World Architecture News. Bastou. O projecto da Escola Secundária Braamcamp Freire, na Pontinha, criado pelo atelier de Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, conquistou o prémio de 2013 na categoria Educação.

Aos arquitectos foi pedido que apresentassem propostas que se ajustassem à actual conjuntura económica difícil — foram recebidos 82 projectos de todo o mundo nesta área. A escola cumpriu os requisitos. Em funcionamento desde o ano passado, foi criada a partir de uma série de pavilhões existentes, transformados numa única unidade, cujo preço de construção ficou em 798 euros por metro quadrado, um valor “incrivelmente baixo, tendo em conta a elevada qualidade final”, destacou o júri.

 “O projecto tem essa particularidade de ter conseguido um custo muito baixo por metro quadrado, aliado a um bom nível de design, e foi bem acolhido pela comunidade escolar”, salientou Diogo Burnay, em declarações à agência Lusa, acrescentando que os créditos cabem a uma equipa de 16 pessoas, na maioria, jovens arquitectos. “Nos dias de hoje, com a crise que atravessa o sector, sabe bem receber um prémio”, comentou.

Na mesma área, foi distinguido um outro projecto, ainda não concretizado, de um jardim infantil, idealizado pelo atelier esloveno Modular Architects.

Ver mais fotos do edifício premiado Aqui

03/05/2013

Ship Reconstruction Laboratory

O Professor Dr. Filipe Vieira de Castro dirige o Ship Reconstruction Laboratory, na Texas A§M University - Center of Maritime Archaeology and Conservation (EUA), com projectos que incluem a construção de um modelo de uma nau portuguesa naufragada, partindo dos achados arqueológicos subaquáticos.


The ShipLab was created by J. Richard Steffy in 1976 and today is one of the laboratories of the Centre for Maritime Archaeology and Conservation of the Anthropology Department at Texas A&M University.

Its mission is to acquire and disseminate knowledge about shipbuilding through time. As a classroom its main objective is to provide an effective learning environment. As a research laboratory its objective is to facilitate investigation, seek public and private research funds, and recruit and retain quality students for its projects.

As an outreach institution it aims at providing information, education, and guidance about the discipline of nautical archaeology and the importance of the world's submerged cultural heritage, perhaps more than ever threatened by treasure hunting.

To see here:
http://nautarch.tamu.edu/shiplab/index_00main.htm

Para ver Aqui

Menino de 5 anos mata a irmã de 2 anos com tiro de espingarda nos EUA


Do Mundo Notícias

O caso chama atenção porque a arma foi dada ao menino como presente pelo seu 4º aniversário. Isso mostra como pode ser incrivelmente difícil impor algum tipo de restrição ao comércio de armas de fogo por lá.

Nos Estados Unidos, a morte de uma criança, atingida por um tiro de espingarda, mostrou como pode ser incrivelmente difícil impor algum tipo de restrição ao comércio de armas de fogo por lá.

A pequena Caroline Sparks, de 2 anos, é descrita como uma criança alegre e feliz. Linda, a avó, diz que a neta via graça nas pequenas coisas. Tudo o que resta para a família do estado do Kentucky agora são lembranças. Caroline morreu com um tiro de espingarda, disparado pelo irmão de 5 anos. A mãe estava em casa, saiu para o quintal por alguns minutos, quando ouviu o barulho do tiro.

O caso chama atenção porque a arma foi dada ao menino como presente de aniversário. Para o tio, o que aconteceu foi um acidente trágico. A avó completa: “Era a vontade de Deus. Era a hora de Caroline partir”.

O que aconteceu a essa menininha de 2 anos no Kentucky revela um hábito em algumas regiões dos Estados Unidos: pais dão espingardas de presente aos filhos pequenos. Isso é tão comum, que a indústria investe em armas de verdade, com capacidade para um tiro, especificamente para estas crianças.
Elas são vendidas legalmente na internet. A campanha em um site diz: "Minha primeira espingarda". Uma sessão é dedicada a fotos de crianças, que aparecem com as suas armas.  As espingardas à venda são coloridas. E há modelos rosa, para as meninas. Foi uma arma desse tipo que matou Caroline.

Joe Phelps, juiz da cidade onde ela morreu, explica que dar armas às crianças é um hábito normal, em todas as áreas rurais dos Estados Unidos, para que elas aprendam a caçar. "Elas aprendem bem cedo a usar e a respeitar armas", afirma o juiz.

Para a polícia do Kentucky, foi um acidente. A casa da família Sparks agora está vazia. Ficaram apenas o cachorro e o carrinho do garoto de cinco anos que recebeu a espingarda dos pais.

Apesar de considerar a morte de Caroline um acidente, a polícia do Kentucky afirma que a investigação vai levar semanas. E que ainda é cedo para dizer se alguém será responsabilizado criminalmente.

(Jornal Nacional, Brasil - adaptado)

Paulo Morais: Crise foi provocada pela corrupção, não pelos excessos dos portugueses


O vice-presidente da Associação de Integridade e Transparência, Paulo Morais, garantiu hoje que a crise económica em Portugal não se deve ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, mas aos fenómenos de corrupção.
 
"Há duas mentiras que têm sido repetidas na sociedade portuguesa: que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades e que não há alternativa à austeridade para expiarem os pecados (que não cometeram)", disse.

Segundo Paulo Morais, que falava sobre a "Origem da Crise" numa conferência sobre o modelo do Estado Social, promovida pela Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, "grande parte da divida pública e privada é fruto da corrupção e não dos alegados excessos dos portugueses".

Paulo Morais destacou o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública e lembrou que 68% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária, salientando que só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses.

Os resultantes 15% da divida privada, disse Paulo Morais, correspondem a todo o dinheiro disponível na banca para apoiar a economia portuguesa, que considerou insuficiente.
Para o antigo vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, a verdadeira explicação para a crise em Portugal está nos fenó9menos de corrupção na administração central e local, que têm permitido a "transferência de recursos públicos para grandes grupos económicos".

"Seis a sete por cento dos recursos do Orçamento de Estado vão para grandes grupos económicos", disse Paulo Morais, referindo o grupo Espírito Santo, o grupo Mello e o grupo Mota Engil, como alguns dos principais beneficiários.

"Em 2011, as PPP custaram 1.700 milhões de euros, ou seja, mais do dobro dos 799 milhões de euros que estavam previstos inicialmente", disse Paulo Morais, considerando incompreensível que tivesse havido um desvio com um custo superior ao preço que estava inicialmente previsto.
"O que o Estado pagou a mais às PPP só é possível porque a sede da política - Assembleia da República - está transformada num centro de negócios", disse.

Como exemplo da gestão danosa dos dinheiros públicos, Paulo Morais referiu uma fórmula de cálculo inserida no contrato de uma PPP, numa auto-estrada em Viana do Castelo, em que o concessionário paga multas, ou recebe prémios do Estado, em função da taxa de sinistralidade.
"Se a sinistralidade aumentar 10%, o concessionário tem de pagar uma multa de 600 mil euros, mas, se houver uma redução de 10% na sinistralidade, o Estado tem de pagar à empresa 30 milhões de euros", disse.

"Quem assinou o contrato, só por isso, devia estar preso", sentenciou.

Referindo-se à nacionalização do BPN, Paulo Morais lembrou que o anterior governo socialista nacionalizou apenas os prejuízos, que estão a ser pagos pelo povo português, e permitiu que os acionistas da SLN - Sociedade Lusa de Negócios (agora com o nome Galilei), detentora do banco, ficasse com os ativos e com todas as empresas lucrativas.

Paulo Morais garantiu, no entanto, que "se houver vontade política e se a justiça actuar como deve, o Estado ainda pode recuperar três ou quatro mil milhões de euros, através dos activos do grupo Galilei e das contas bancárias dos principais accionistas".

A aquisição de dois submarinos à Alemanha é, segundo Paulo Morais, mais uma caso de "corrupção comprovada", não pelos tribunais portugueses, mas pelos tribunais da Alemanha.
"Na Alemanha há pessoas [acusadas de corrupção] a dormirem todos os dias na cadeia", disse.

02 Maio 2013, 20:02 por Jornal de Negócios | jng@negocios.pt

02/05/2013

Filme e Programa da Exposição 360º Ciência Descoberta

360º Ciência Descoberta

Uma Exposição a não perder, na Gulbenkian, com inúmeras visitas guiadas, inclusive para famílias, conferências e outras actividades.

Uma grande lição para os ignorantes que defendem a posição "politicamente correcta" de que Portugal devia ter vergonha dos Descobrimentos, por ser um período de violência (como o era então para todas as nações desenvolvidas). Quem isto diz, desconhece como os Portugueses estavam na dianteira das nações europeias, e o seu importantíssimo, e mesmo pioneiro, papel na revolução e desenvolvimento do conhecimento europeu, não só em termos científicos, culturais, como em muitos outros campos. 



Ver o calendário, horário das visitas guiadas e o programa das conferências Aqui

01/05/2013

Die rote blume - Os Cravos Vermelhos

Uma pérola de animação sobre a Revolução dos Cravos - 25 de Abril, com tanto simbolismo  nestes nossos dias


Maio Maduro Maio

Memórias do 1º de Maio da nossa liberdade


27/04/2013

4 Prémios do Europa Nostra para Portugal


TAMBÉM SE FAZEMOS COISAS BEM FEITAS, MELHORES ATÉ DO QUE OS OUTROS - 4 prémios internacionais entre 200 projectos, no âmbito do Europa Nostra.
 
"Os restauros do Liceu Passos Manuel, em Lisboa, e do chalet da condessa de Edla, em Sintra, são dois dos contemplados com o Prémio do Património Cultural da União Europeia/Europa Nostra, na categoria de Conservação. A Fundação Ricardo Espírito Santo, na categoria Contribuição exemplar, e o Projecto SOS Azulejo, na categoria Educação, Formação e Sensibilização, também foram premiados.
No total são 30 os premiados, seleccionados de entre quase 200 projectos nomeados, distinguidos em quatro áreas diferentes: Preservação, Investigação, Contribuições exemplares e Educação, formação e sensibilização."

Vale a pena ler o resto e ver as fotos e os vídeos aqui:
http://www.publico.pt/n1589206


25/04/2013

Um novo 25 de Abril

Estamos MESMO a precisar de um novo 25 de Abril, antes que nos roubem tudo aquilo por que lutámos e que conquistámos, sendo dos bens mais preciosos a Liberdade  e a Dignidade de ser humano.

Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que, visto hoje, parecia profetizar o tristonho destino do nosso país, tão mal governado por quem não tem um pingo de consciência social, nem ideia do que é a solidariedade para com os mais desfavorecidos do povo que governa, preferindo ser engrenagens de uma máquina de criar pobreza e desiguladade.

Desejo-vos um bom feriado na rua ou em casa.

Comentário premiado

Agradeço aos Amigos Leitores que corresponderam ao meu pedido para a "celebração" do Dia Mundial do Livro, com as suas mensagens e também a todos os que clicaram no Gosto das páginas do Facebook.

Apesar de serem apenas 6 mensagens, a escolha da "melhor" não foi fácil, por serem todas de estilos diferentes mas divertidas, inteligentes e/ou criativas. 

Por fim, decidimo-nos pelo comentário da autoria de Anizabel Pinto, que receberá o romance da sua preferência.

Segue a lista dos leitores e das mensagens que foram escritas neste blogue, na minha Página do Facebook e na do grupo "O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto":

Passarinho:
Muito obrigado por esta oportunidade de ganhar um dos seus livros!
Eu gostaria de receber uma cópia de "O Espião de D. João II", porque me agrada a ideia de pegar em figuras que não faziam parte da aristocracia e dar-lhes protagonismo. A história não se fez só de reis, rainhas, princesas e fidalgos, fez-se também de anónimos que nem sempre são celebrados mas que merecem igualmente destaque, quer pela sua valentia, quer pela sua pertinácia e empenho em singrar numa era de poder aristocrático.


Suzana Beites:
Ola querida Deana; um feliz dia do livro para si e todos nos viajantes literarios! Se pudesse, gostaria imenso de ler "O Corsario dos Sete Mares", pois tenho recentemente lido bastantes obras historicas sobre os descobrimentos portugueses; ter a oportunidade de ler um romance historico traria uma perspetiva diferente e mais artistica a minnha leitura; alem disso, nao tenho acesso a esta sua recente obra em New Jersey... Ca vai um abraco!

Luís Manuel Silva:
Alimento vivo interesse na leitura do livro "Tentação da Serpente". Isto porque a temática se assume como extremamente importante. Fazer uma abordagem sobre uma visão feminina do mundo e do papel da mulher na sociedade, malgrado todas as vicissitudes e desvios de percurso, é sempre, sem sombra de dúvida, um assunto actual e a merecer uma atenção muito especial. E quando essa análise recua a tempos imemoriais ganha, por certo, uma maior dimensão e mais consistente fundamentação.

Margarida Santinho:
Olá Deana! Tal como na carta para o Pai Natal, vou jurar, a pés juntos, que me portei bem durante o ano: não aborreci muito o marido com as minhas intermináveis conversas sobre as histórias que leio e partilhei, sem problemas, os meus livros com os amigos devoradores (tal como eu!). Assim, gostaria de receber no sapatinho, ou melhor, na caixa do correio, “O Navegador de Passagem”. E, porquê? Bem, porque fiquei encantada com a apresentação da Deana na Bertrand de Aveiro, em que me fez ter orgulho da nossa História… o que muitos professores de liceu não conseguem fazer! Fiquei fã, comprei “O Corsário dos Setes Mares” e “O Espião de D. João II” e agora só me falta “O Navegador de Passagem” para completar a minha coleção sobre os Descobrimentos. É simples, mas verdade! (agora, é só rezar para ser bafejada pela sorte!)

Anizabel Pinto:
O Espião de D.João II!
Apaixonei-me pelo Corsário dos Sete Mares, e louca de amor procurei D.Sebastião e a Vidente!
Terminado estes, e rendida à beleza da pena, do rigor históricos e à magia q também fazem parte de qualquer bom contador de histórias, mergulhei no Romance da Bíblia e como tal ávida q sou quero a consumação total deste amor lendo a obra toda da autora! D.JoãoII, uma figura enigmática e grande da nossa história q deve e tem q estar bem retratado por esta escriba, Deana Barroqueiro!


Luis Vitor Correia Nunes:
Se tiver a sorte de ser o escolhido, gostaria de ter o D.Sebastião e o Vidente ! Porquê ? Porque só me falta esse, felizmente ! a história do Fernão Mendes Pinto está-me a apaixonar. Na escola, só se falava no Vasco e no Sacadura, porquê?

23/04/2013

Oferta de romance no Dia Mundial do Livro

Caras amigas e amigos Leitores

Gostaria de commemorar convosco este Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, oferecendo-vos um romance. Na impossibilidade de o fazer a todos, terei de me limitar a uma das minhas obras.

Só terão de escrever um comentário com o nome da obra que gostariam de receber e a razão da preferência.
O livro será dado ao leitor que melhor justificar a sua escolha.

Podem responder também no Facebook, se tiverem dificuldades em o fazer aqui.

Os que não conhecem a minha obra, leiam as sinopses dos romances na minha Página Principal.

O prazo para as respostas termina à meia-noite de 24 de Abril. O vencedor será anunciado no dia 25 de Abril.

Boa sorte!

22/04/2013

Agenda de Abril


30 de Abril, Terça-Feira, às 13.30 e 15.15 horas
Deana Barroqueiro vai estar na Escola Secundária Leal da Câmara, em Rio de Mouro, para conversar com os alunos e professores e contar-lhes histórias dos seus corsários, espiões e outros aventureiros.

19/04/2013

Entrevista para a RDP Internacional

Para quem ainda não ouviu e tiver curiosidade ou paciência para escutar as minhas histórias e inconfidências politicamente incorrectas aqui fica, em versão integral, a
Entrevista para a RDP Internacional - Especiais, feita por Isabel Flora Albano.
 
Fernão Mentes? Minto! Uma expressão popular associada a uma fascinante personage...m da história de Portugal e à sua peregrinação em terras do Oriente, agora revisitada em mais um romance histórico de Deana Barroqueiro.
 Para ver aqui: http://www.rtp.pt/play/p792/e114301/rdpi-especiais

16/04/2013

Agradecimento aos meus leitores

É, em geral, entre Fevereiro e Março, que as editoras dão a conhecer os mapas de vendas, relativos ao ano anterior, e os direitos de autor que são devidos a cada escritor.
 
Por isso, como é meu costume e meu gosto, venho  partilhar com os meus leitores os sucessos que animam ou desanimam a minha vida de escritora na difícil arte do romance histórico. E, sobretudo, agradecer-vos o carinho e o incentivo que sempre me têm dado ao longo dos meus treze anos de trabalho de romancista.

Com a crise no seu auge, em 2012, as editoras temiam os seus efeitos sobre o mercado livreiro, prevendo uma forte diminuição nas vendas, pela falta de poder de compra dos portugueses, o que de facto se veio a verificar. Como não podia deixar de ser, por muito que amem os livros e a leitura, quando os salários sofrem cortes brutais ou desaparecem, as pessoas têm de satisfazer primeiro as necessidades básicas, suas e das famílias, antes de dispenderem o seu dinheiro nas livrarias.
 
Assim, foi com alguma surpresa (e uma imensa gratidão!) que verifiquei terem os meus romances conseguido vendas substanciais, chegando mesmo alguns dos mais antigos a aumentar grandemente o número de exemplares vendidos, em relação aos anos anteriores, como aconteceu com O Navegador da Passagem - Bartolomeu Dias, da Porto Editora 
 
O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto, que foi lançado pela Casa das Letras/Leya, no fim de Outubro, também não ficou muito aquém dos lançamentos dos meus outros livros, no mesmo período de Natal, ou seja, apenas nos dois meses de Novembro e Dezembro.
 
Quanto a O Espião de D. João II - Pêro da Covilhã, da Editora Ésquilo, esse não contou, pois há mais de um ano (desde a falência da distribuidora Sodilivros) que deixou de aparecer nas livrarias e portanto não foi vendido nenhum exemplar. Hão-de aparecer alguns na Feira do Livro, retirados do fundo da editora.
 
Portanto, em 2012, foram vendidos vários milhares de exemplares das minhas obras e esse feito devo-o, quase exclusivamente, aos meus leitores. Não só aos fiéis, que me acompanham desde o primeiro romance e vão passando a palavra aos seus amigos (não sou "famosa", nem jornalista, portanto, apareço  pouco nos Media e os meus livros não são "literatura light, por isso não tenho "visibilidade"), mas também aos amigos das redes virtuais e bloguistas, sobretudo aos facebookianos e ainda aos mais recentes, que, por qualquer acaso ou circunstância, vão conhecendo os meus romances e gostam e trazem outros leitores para o meu círculo de amigos - que amigos são todos os que me lêem, porque ler os meus livros é ler-me a alma, como fazem os verdadeiros amigos.
 
Bem hajam todos! Não pelo ganho que poderei auferir (embora seja importante), mas pelo vosso apreço pela minha escrita, porque ninguém compra os meus livros para os pôr numa prateleira por ser "escritora da moda", só compra quem os quer ler porque gosta e isso não há dinheiro que pague.
 
Prometo tentar fazer melhor ainda no próximo romance, que será também diferente dos outros - gosto de vos dar livros que não obedeçam a receitas e que sejam de certo modo um desafio, a que sempre têm sabido responder.
 
 Muito obrigada, meus amigos.

08/04/2013

DEANA BARROQUEIRO, ESCRITORA DE ROMANCE HISTÓRICO


Entrevista pelo jornalista Hélder Fernando, para o jornal Hoje Macau, no âmbito do festival literário da Lusofonia, A Rota das Letras.

Páginas centrais - 10 /11 - da edição de 8 de Março, 2013
 
DEANA BARROQUEIRO, ESCRITORA DE ROMANCE HISTÓRICO

Os livros que escreve fazem-nos navegar por todos os mares lado a lado com os grandes navegadores portugueses, mas também com os marinheiros anónimos, sofrendo horrores, sentindo mil prazeres. Formada em filologia românica, foi professora, é poliglota, dinamiza blogues culturais, conferencista, vasta obra publicada no que toca a romance histórico, Deana Barroqueiro é umas das grandes figuras convidadas para a Rota das Letras-Festival Literário que agora tem início em Macau. Logo depois continuará viajando por algumas terras onde andaram, a Oriente, certos verdadeiros heróis portugueses. Uma entrevista que vai emocionar o leitor.

Pode dizer-se que mais do que uma escritora de viagens talvez nem contando as que faz, é uma investigadora que publica romances históricos fundamentalmente situados nos Descobrimentos e Renascimento portugueses?
_ Eu não escrevo sobre as minhas viagens nem sobre as minhas experiências de vida, porque não desejo fazer diários mas sim romances históricos, dando a conhecer aos leitores, vidas e acontecimentos fascinantes da nossa História e Cultura, que são das mais ricas da Europa. Só a saga dos Descobrimentos Portugueses, oferece um manancial inesgotável de personagens reais, tão extraordinárias que podem emparelhar com os mais audaciosos heróis da ficção. Comecei a explorar o tema, talvez para contrariar a visão dos que encaram os Descobrimentos Portugueses como um período vergonhoso da nossa História que se deve repudiar e esquecer. No entanto, as nações outrora nossas rivais vangloriam-se dos seus impérios passados, conquanto tenham sido muito mais violentas do que Portugal, tendo até destruído com premeditação povos e civilizações inteiras, como a Espanha na América do Sul, a Holanda nas Molucas ou os ingleses na Austrália, em pleno século XX. Os Descobrimentos fazem parte do nosso passado colectivo que deve ser assumido com objectividade, sem desculpar os crimes e abusos, mas também sem esquecer que, com esta grande empresa, Portugal se tornou cabeça da Europa, muito à frente das outras nações, pelo desenvolvimento científico, social e civilizacional que atingiu e pelo seu protagonismo numa pioneira globalização do mundo e de outros acontecimentos que trouxeram a Europa para a modernidade.

Esta sua presença na Rota das Letras em Macau dever-se-á ao facto de ser bastante conhecida pelos leitores da diáspora?
Mapa de Cantino, de 1502, roubado aos Portugueses que já tinham desenhado os contornos do Mundo moderno

 _ Não sou uma escritora muito mediática, passo meses sem sair de casa, a estudar e a escrever, publicando um livro cada dois ou três anos, porque o romance histórico sério implica um longo trabalho de investigação. Contudo, já escrevi onze romances históricos e dois livros de contos; D. Sebastião e o Vidente recebeu um prémio e realmente tenho tido bastante divulgação nos media da diáspora portuguesa. Não é, pois de estranhar que, através dos blogues e redes sociais da internet, tenha conseguido alguns leitores em Macau, despertando a curiosidade da Sra. presidente da Casa de Portugal. Quando soube que “O Corsário dos Sete Mares” narrava a vida de Fernão Mendes Pinto e de outros aventureiros portugueses na China, a Dra. Maria Amélia António convidou-me para fazer a sua apresentação na Rota das Letras.

Do multifacetado programa em termos temáticos e quanto a diferenciados autores, que expectativas sente?
_ Conheço grande parte das obras dos autores lusófonos convidados, por isso a minha curiosidade e interesse vão para os escritores de Macau, da China e da Tailândia, porque, no meu romance, procurei mostrar a ligação entre os portugueses e o Oriente, no séc. XVI, dividindo-o em sete mares, cujos capítulos começam por um texto antigo – poema, carta, documento oficial, outros – dos países que Fernão Mendes Pinto conheceu. Li muitíssimas obras clássicas destas nações, mas desconheço os autores contemporâneos, por isso vou aprender muito nestes encontros. E há também o cinema, essa arte que possibilita viajar e conhecer o mundo e até a alma de um povo através do olhar. Sinto que vai ser uma experiência muito enriquecedora.

O "Barco Negro", a nau dos Porgueses que levava para a China e o Japão produtos e maravilhas nunca antes vistas, concretizando o primeiro projecto de globalização

Durante umas semanas, dentro e fora do âmbito da Rota das Letras, vai viver um pouco deste Oriente, agora num tempo tão diferente dos séculos XVI, XVII ou XVIII que costuma contemplar nos seus estudos em grande parte reflectidos na globalidade da sua obra literária…
_ Vou fazer aquilo que sempre faço quando termino um livro: viajar pelos lugares onde as minhas personagens viveram durante as suas vidas reais, para ver quanto dessa realidade ainda permanece no séc. XXI e até que ponto se aproxima da realidade virtual das vidas ficcionadas que eu lhes criei no meu romance, a partir dos mais variados textos coevos. Em todas as minhas obras, procuro fazer com que o leitor viaje no tempo e veja esse mundo antigo através do olhar dessas personagens do séc. XV ou XVI, respire os mesmos odores e fedores, saboreie os mesmos exóticos manjares ou se mareie com o biscoito bichoso e a água salobra. Por isso, nunca vou conhecer os lugares por onde peregrinaram os meus heróis antes de terminar o livro, para não contaminar o seu mundo com o meu olhar de turista do século XXI. Na muralha da China, imaginarei Fernão Mendes Pinto e os oito companheiros, a cumprirem a pena de trabalhos forçados na sua construção, tal como o descrevi no meu romance. Seguirei o seu rasto pelos rios que o levaram de Nanquim a Pequim; evocarei Tomé Pires com a trágica odisseia da primeira embaixada de uma nação europeia à China, há 500 anos; e em Cantão recordarei Galiote Pereira, catorze anos preso na terra estranha, e sentirei emoção e respeito por estes homens, muitos deles anónimos, que redesenharam o Mundo, fazendo a sua História. Presto-lhes homenagem com os meus romances, dando voz a essa gente ignorada que não deixou o nome mas a vida pelo mundo repartida em sangue, sémen, suor e lágrimas.
Fortaleza de Macau, da qual aimda restam as muralhas originais
 
É tão aliciante o que acaba de dizer e a forma como nos diz! É nítido que concebe as suas personagens, os cenários, com base na realidade histórica. Alguns observadores da sua obra, dizem que a investigação que faz (“O Espião de D. João II”, “D. Sebastião e o Vidente”, “O Romance da Bíblia”, por exemplo), é obedecida com o produto final dos livros, ou seja o que lá está é verdade. É assim?
_ O romance histórico deve dar ao leitor algo mais do que uma simples narrativa para entretenimento, pode e deve contribuir para um melhor conhecimento da época e do espaço retratada, da geografia, dos ambientes, das gentes e costumes. Por isso se considera o histórico como o mais difícil de todos os romances, porque, para se impregnar desse “espírito de época”, é necessário muito estudo e imensa pesquisa, um sacrifício que poucos se dispõem a fazer neste tempo em que tudo é ligeiro e superficial, até a Literatura. A minha melhor recompensa está em os leitores reconhecerem e apreciarem esse trabalho meticuloso de recriação histórica, que eu julgo ser um dos aspectos mais importantes nas minhas obras.
 Barcos chineses, do tipo em que navegavam os Portugueses
 
Poderá dizer-se que esses portugueses realizaram a globalização ainda antes de existir esse conceito?
_ Os Portugueses foram, sem dúvida, os pioneiros da globalização, não por mero acaso mas com um projecto começado no tempo de D. João I, com a conquista de Ceuta e o domínio da costa Marrocos, continuado pelas navegações henriquinas até à Serra Leoa, retomado por D. João II de forma pensada e sistematizada, à luz dos conhecimentos científicos mais avançados da época, e prosseguido triunfalmente por D. Manuel I. Os Portugueses povoaram lugares desérticos, influenciaram a língua, a política, as religiões e os costumes – por vezes até a geografia – dos lugares e nações que visitaram. Contudo, não souberam gerir e manter essa grande empresa, acabando por ser espoliados dela pelas nações rapaces suas rivais, nomeadamente os Países Baixos.

Tem assinalável experiência em visitar estabelecimentos de ensino secundário e superior, como acontecerá em Macau. A generalidade dos alunos gosta mesmo de ser estimulado para a leitura, para a literatura de língua portuguesa, ou a preocupação sobre a escassez de saídas profissionais, é demasiado absorvente?
_ Há mais de uma década que o ministério da Educação tem promovido o facilitismo no ensino, com consequências catastróficas. Entre outros cortes nas disciplinas de Humanidades, os programas de Português do ensino básico e secundário foram esvaziados dos conteúdos literários, em prol de uma pretensa competência em textos não literários, todavia, muito redutores para o conhecimento da nossa língua e também dos seus escritores. Enquanto um aluno habituado a ler e interpretar textos literários não tinha dificuldade em escrever uma carta, elaborar uma lista ou o regulamento de um concurso, o inverso já não acontece, como se pode constatar pela dificuldade que a maioria dos jovens, universitários ou já com os cursos concluídos, têm em interpretar um texto ou até uma pergunta, expressar um pensamento e pior ainda escrevê-lo. Se, nas escolas, os alunos não conhecem nem aprendem a gostar das obras dos grandes escritores, dificilmente se tornarão bons leitores em adultos e ainda menos saberão escrever uma carta. Teremos cada vez mais gente capaz de manejar com perícia as novas tecnologias, mas cada vez menos culta e com uma visão estreita do mundo que a rodeia, formada pelos “saberes” pesquisados na internet, habituada ao parasitário “copy/paste”, em prejuízo de um trabalho original que implique estudo e esforço.
 
À conversa com os alunos da Escola Portuguesa de Macau
 
Lendo-a, nos seus livros e nos blogues literários que mantém, noto que não utiliza o chamado Novo Acordo Ortográfico. Trata-se de uma não concordância assumida por uma filóloga românica, como é o seu caso?
_ Não aceito este Acordo Ortográfico, feito no segredo dos gabinetes e à revelia das instituições que estudam a língua, suscitando o mais firme repúdio da maioria dos seus utentes, que sentiram este acordo como um bom serviço prestado pelos nossos governantes ao Brasil que, para cúmulo do ridículo, se recusa agora a assiná-lo! Fruto de um trabalho apressado, pouco reflectido e incompetente que, na sua ânsia de uniformizar a diversidade da língua, acabou por complicar em vez de simplificar, levando o caos às escolas e ao país. Uma língua é um organismo vivo que se modifica, desenvolve, moderniza e enriquece, de forma natural e harmoniosa, diversificando-se. Ela é a expressão da identidade de um povo. Nós somos a nossa língua, uma língua com muitos séculos de história, tão sábia, pujante e maleável, que se tornou matriz, língua-mãe da Lusofonia e das suas soberbas variantes, dispersas pelos quatro cantos do mundo. E é essa multiplicidade que a torna única no mundo, por isso não se deve permitir a uns poucos a destruição de um valioso património que é de todos.

Para além de no evento Rota das Letras, a Deana Barroqueiro integrar um painel de escritores de literatura de viagem, vem apresentar o seu mais recente trabalho literário, o já considerado empolgante “O Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto”. Não querendo este jornal antecipar o tanto que dirá, pergunta: ele foi um aventureiro cheio de sorte, um grande cronista e relator de factos vividos, uma pessoa à procura de fronteiras ou um peregrino?
Casamento em Goa
_ Fernão Mendes Pinto encarna o espírito empreendedor, criativo e aventureiro do homem dos Descobrimentos, mas também do nosso tempo, com todas as qualidades e defeitos que fazem dos portugueses um povo singular, disposto a emigrar para longes terras em busca de nova vida, sujeitando-se aos caprichos da sorte, adaptando-se às mais duras condições e prosperando em qualquer lugar habitável do planeta. Por outro lado, a Peregrinação mostra-o como o grande precursor do romance moderno, cujas personagens são gente comuns, expondo, com grande realismo, os vícios e virtudes dos homens em luta constante com a adversidade e capazes de tudo para sobreviver. Personalidade das mais importantes do séc. XVI, está profundamente ligado à saga dos Portugueses no Oriente, quer como embaixador nos reinos vizinhos de Malaca, quer como mercenário ou ainda navegador experiente e descobridor de mundos ignorados na Europa. Inteligente e com uma surpreendente abertura de espírito, a sua curiosidade insaciável leva-o a procurar saber tudo sobre os povos e terras que encontra ao longo da sua peregrinação de 21 anos no Oriente, sem emitir juízos de valor depreciativos, denunciando igualmente a violência, a corrupção e os crimes dos Portugueses, mouros e gentios.

Afinal, Fernão Mendes Pinto não foi, mesmo ironicamente, um mentiroso…
_ Como costuma acontecer aos que mais contribuem para a valorização de Portugal, Fernão foi desacreditado pelos seus compatriotas, que se encarniçaram contra a “inveracidade” da sua narração, incapazes de apreciarem o valor e a singularidade da Peregrinação que, logo após a sua publicação em 1614, teve vinte edições em várias línguas, tornando-se o roteiro dos viajantes e dos corsários das nações rivais, em particular dos Holandeses. Estudos actuais, feitos por um naipe de especialistas internacionais provam que mais de 80% do conteúdo da Peregrinação é verdade. Afinal Fernão não mentiu.
 
O Templo da deusa A Ma, protectora dos pescadores e navegantes, achado pelos Portugueses ao desembarcarem na baía da península, há quase 500 anos. A Ma Gau viria a ser Macau
 
A viagem está como que no seu ADN. Filha de portugueses, nasceu na América, ou seja é filha da diáspora.
_ Aos dois anos de idade, fiz o percurso contrário ao dos nossos emigrantes, vindo com a minha mãe e irmãos, dos Estados Unidos, onde nasci, para Portugal. Por isso costumo dizer que o meu gosto pelas viagens e pelo tema dos Descobrimentos, começou aí, com esse ritual da passagem transatlântica. E logo a saudade pela ausência do pai, a família dividida, tudo isso me formatou a alma e me converteu no que sou.

05/04/2013

Interview for Macau Culture Guide


For my English spoken friends, curious about my participation in The Script Road literary festival, here is my interview for the "Macau Culture Guide":

_ What are your thoughts on the concept of The Script Road?

. For me, The Script Road is a marvelous concept, associating this literary event with the Portuguese Past, as it awakes the memory of the ancient Silk Road, used by our merchants and adventurers, in the Sixteenth Century. It establishes a significant connection between Literature and History, renewing ties with China and other nations, and, in this particular case, among Portuguese, Lusophone and Eastern world writers.

_ What do you feel The Script Road aims to do?

I would say that The Script Road, with this important meeting of literates from China and Portuguese speaking countries, aims to improve the understanding and cooperation among these nations, preventing the loss of the Portuguese cultural and historical remains in Macau, which was built from nothing by our ancestors and developed and preserved by the Portuguese for almost five centuries.
I believe it also pretends to draw attention to the study of the Portuguese language, so important in the future, mainly for China and the business world, as it is spoken by approximately 250 million people in Portugal, Brazil, Angola, Mozambique, Timor and Cabo Verde, being the third European language and the eighth most spoken worldwide.
And, as everybody knows, the knowledge of any language cannot be accomplished without the understanding of the country’s culture, which can be easily and enjoyably acquired through the works of its writers and other artists.
By the way, I hope that most (if not all) of the conferences and roundtables will be held in Portuguese, otherwise it would be rather awkward, given the special aims of this festival.

_ Do you look forward to participating?

. Of course, I’m eager to participate in such an important event! It will allow me to meet other writers, not only from the Lusophone world, but also from China and other eastern countries. And, as The Pirate of the Seven Seas (O Corsário dos Sete Mares), my new historical novel’s subject is Fernão Mendes Pinto – a sixteenth century Portuguese adventurer that sailed for almost 20 years on the China sea –, I was preparing my trip to China and Macau, in order to follow his trail, when I received the Casa de Portugal’s invitation, from Mrs. Maria Amélia António, to present my book at The Script Road. It was the most delightful surprise!
So, I’ll be in Macau for the Festival, where I hope to participate in some events and visit some schools, and on the 17th I’ll leave for my two weeks tour in China.

_ What do you hope to achieve by being a part of it?

. I hope to learn a lot by listening to my fellow writers and, it is also a great opportunity for me to present my work during The Script Road festival, making myself known to the Macau readers. And (who knows? – in the Year of the Serpent anything is possible!), as half of my book is about China and the early contacts with Portuguese merchants and diplomats, maybe “The Pirate of The Seven Seas” will attract the attention of a publisher interested in making a Chinese edition.

_ Do you feel that Macau has potential in terms of becoming a hive of expressed creativity?

. I have never been in Macau, I don’t know its way of life and thinking, as a live community, so it is rather difficult for me to express my opinion on this matter. However, Macau was (and still is, I believe) a multicultural crossroad, which generally makes the perfect conditions to potentiate creativity and original works of any art.

_ Do you believe this literary and arts festival is a good way to lure out talented folk in Macau?

. I think it is already doing it, motivating potential new writers, for example, with the short-story competition and other events. But it is essential to have a very good, even aggressive, advertising campaign of the festival, namely among the young people, students and others.

BACK ON THE ROAD WITH MORE THAN 30 GUESTS

The 2nd edition of The Script Road – Macau Literary Festival will be held from March 10 to 16 and will bring to the city more than 30 renowned writers, publishers, translators, journalists, musicians, filmmakers, visual artists and more.

 This year the event will receive even further significant support from the Cultural Affairs Bureau of Macau and the Macau Foundation, who now co-organise the festival together with Ponto Final newspaper. Following last year’s model, conferences and debates will be held alongside a book fair, art exhibitions, music concerts and film screenings.

 The 2013 Festival programme will feature prominent contemporary Chinese writers including Bi Feiyu, winner of some of the highest literary awards in China; Han Shaogong, author of “A Dictionary of Maqiao” and translator of the work of Fernando Pessoa; Hong Ying, one of the best internationally known Chinese writers; and Yi Sha, a controversial contemporary poet. Other names such as Sheng Keyi, Qiu Huadong, Pan Wei, Wang Gang, Huang Lihai, Li Shao Jun and Taiwanese poet Xi Murong are also very influential writers in contemporary Chinese literature – and all of them will be joining the festival. 

On the Portuguese-speaking side, The Script Road is inviting Dulce Maria Cardoso, one of the greatest novelists of her generation; Rui Zink and Ricardo Araújo Pereira, who work with language and humour in a very special way; Francisco José Viegas, former Portuguese Culture Secretary of State, writer and publisher; Valter Hugo Mãe, recent winner the PT Prize, one of the most prestigious literary prizes for Portuguese-speaking authors; writer and journalist Alexandra Lucas Coelho; journalist and translator Carlos Vaz Marques; publisher Bárbara Bulhosa; and, with the support of Casa de Portugal, novelist Deana Barroqueiro.

 José Eduardo Agualusa, an Angolan author and one of the best-known Portuguese-speaking contemporary African writers, will also join this festival edition, as will Luís Cardoso, probably the most important literary voice from East Timor. From Brazil the poet Regis Bonvicino and Paraty Festival director Mauro Munhoz have already been confirmed to take part. Paloma and Cecília Amado, daughter and granddaughter of Jorge Amado (1912-2001), one of the greatest Brazilian novelists of all time, are coming to Macau to pay homage to his work by showing a documentary and a fiction film based on his life and on one of his books, respectively.

A number of local writers, including poet Fernanda Dias, are also among the invited guests of the event, representing the Macau literary scene. The Script Road has also decided to gradually open the event to other Asian and Latin writers, and that’s why this year we welcome French authors Antoine Volodine and Claude Hudelot, who have both already developed affinities with Macau, China and the Lusophone world.

 One of the highlights of the festival’s programme will be the launch of a book of short stories set in the territory. At last year’s edition of The Script Road audiences were invited to take part in a short story competition, judged by a panel of the visiting international authors at the event: Su Tong, José Luís Peixoto and Xu Xi, one from each language, Chinese, Portuguese and English. From more than 30 entries, a number of stories were chosen for publication. These short stories will be published together with stories written by last year’s guest writers, such as José Luís Peixoto, Lolita Hu, João Paulo Cuenca, Jimmy Qi and Rui Cardoso Martins. This year the Festival is again inviting all visiting authors to write about Macau.

 The Script Road will feature some cinematic highlights. The award-winning film João Pedro Rodrigues and João Rui Guerra da Mata will have its Chinese pre-premier at the festival, before being presented at the Hong Kong International Film Festival. The Chinese filmmaker Wiseman Wang will bring us “Journey to the South”, a road movie where a truck driver crosses China, heading south to Guangdong province, trying to earn money to solve family issues. Macau-based director Ivo Ferreira will also screen his new film, “On The Dragon’s Flake”, and historian and Sinologue Claude Hudelot will present “Hou Bo, Xu Xiaobing, Mao’s Photographers”, a documentary he directed together with Jean-Michel Vecchiet.

 As with last year’s festival, music will again play an important part in the 2013 event. Portugal’s finest traditional music will be performed by celebrated fado singer Camané. The Portuguese folk musical band Dead Combo, one of the most interesting music projects in Portugal and which gained international acclaim after appearing on Anthony Bourdain’s world popular TV Show “No Reservations”, is also confirmed to take to the stage.

The Script Road will host two artists-in residence based at; Chen Yu from China and Theodore Mesquita from Goa. The two painters, from very different backgrounds, will follow the same brief: to create works that reflect their experience of Macau. As well as creating new art, they will also be exhibiting previous works, in the lower gallery of the Orient Foundation.
Another exhibition, curated by the local artist Alice Kok, will be held at the Old Court Building where a number of local creative authors will work on the theme “Beyond Words”.

 In cooperation with the Education and Youth Affairs Bureau, the Festival aims to establish a strong connection with local schools and universities, giving young readers a chance to get in touch with the guest authors.

 This year’s festival has the support of the Macau University (UMAC), the Pen Club, the Institute for Civic Affairs (IACM), the Macau Tourism Bureau, the Macau Education and Youth Affairs Bureau, the Society of Arts and Letters, IPOR, the Orient Foundation, Macau Closer, the Portuguese Bookshop and Casa de Portugal as well as other public and private entities. ative; width: 16px; z-index: 1;">