Diário do Alentejo
À hora que se anunciou que o cante alentejano foi reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade, mais de 400 crianças, da escola Mário Beirão, envolvidas no projecto "Cante na escola, Herança com raízes", cantaram a moda “Castelo de Beja”.
Vale a pena ler este excelente artigo de Miguel sousa Tavares, hoje, no Expresso sobre
a detenção de José Socrates, cujo título é «O Linchamento de José
Sócrates».
Blogue "Narrativa Diária".
«Mal se anunciou a prisão de José Sócrates, o país saiu à
rua em festa virtual... Fui testemunha, madrugada fora, da felicidade de
milhares... O cidadão comum teme que José Sócrates acabe sem castigo.
Eu também”.
Alberto Gonçalves, “DN”, 22.11.14.
O “cidadão comum” e o Alberto Gonçalves
podem estar descansados: pior castigo do que aquele que José Sócrates já
teve é difícil. Tratando-se do cidadão José Sousa, os danos sofridos
por ora ficariam no estrito conhecimento de alguns familiares e amigos
íntimos, aguardando ele, quase de certeza em liberdade, que o julgamento
os agravasse ou não. Mas tratando-se do cidadão José Sócrates Pinto de
Sousa, os danos — pessoais, familiares, políticos e profissionais, agora
e para sempre — são irreversíveis. E à prisão preventiva soma-se a
condenação preventiva e definitiva. Se a vontade do “cidadão comum”
fosse bastante, nem haveria necessidade de julgamento: ele já está
feito.
Ninguém, absolutamente ninguém de
boa-fé, pode dizer neste momento se José Sócrates é culpado ou inocente
das gravíssimas acusações de que foi alvo. Pela simples razão de que um
processo-crime se divide em várias fases — inquérito e acusação, defesa e
contraprova, pronúncia ou arquivamento, e julgamento — e apenas estamos
na primeira. Se a “prisão” (como sintomaticamente escreve Alberto
Gonçalves, em lugar de “detenção”) tivesse já por si o valor de uma
sentença condenatória, estaríamos de regresso à barbárie. Mas os
magistrados não são o “cidadão comum” e a sua justiça é a do Estado de
direito e não a da turba linchadora. A sua primeira tarefa é exactamente
essa, a de tornar clara a diferença.
Pessoas que respeito têm argumentado que
a insistência na crítica aos “pormenores” que envolveram a detenção,
interrogatório e prisão preventiva de Sócrates desviam as atenções do
essencial, que é a gravidade das acusações contra ele. Estão errados,
por várias razões: primeiro, porque isso pressupõe o tal julgamento
prévio de condenação; segundo, porque, não se conhecendo em toda a sua
extensão a acusação e, em extensão alguma, a defesa, a única coisa que
pode ser seriamente discutida é exactamente a parte processual relativa à
detenção, interrogatório e medidas de coacção; e, em terceiro lugar e
sobretudo, porque, ao contrário do que afirmam, não se trata de
pormenores, mas justamente da marca de água onde se encontra ou não o
rasto do respeito pelos direitos de cidadania, justamente quando ele é
mais necessário. Os meus leitores far-me-ão o favor de lembrar que há
muito escrevo sobre a Justiça, não ocultando todas as críticas que
crescentemente me mereceu o que vejo como uma deriva justiceira, muitas
vezes assente no atropelo de leis e princípios básicos de um Estado de
direito, e fundada num especialíssimo regime de absoluta
irresponsabilidade e ausência de controlo externo, como seria
recomendável em democracia. As circunstâncias da “Operação Marquês” não
fizeram senão cimentar as minhas razões.
Para começar, não acho normal nem
saudável que todos os principais crimes mediáticos ou envolvendo os
chamados “poderosos” tenham a instrução a cargo de um único juiz e um
único procurador. É assim há dez anos no TCIC e nem a nomeação de outro
juiz, em Setembro passado, fez com que Carlos Alexandre deixasse de
chamar a si todos os processos principais: Ricardo Salgado, vistos gold,
José Sócrates. Ora, isto contraria um princípio fundamental da justiça
que é o do “juiz natural”: não são os juízes que escolhem os processos,
mas os processos que escolhem os juízes — por escala ou por sorteio. Mas
quando só há um juiz (e um procurador), este princípio é espezinhado e,
pela ordem natural das coisas, o juiz passa a fazer parte da equipa de
acusação com o Ministério Público e a polícia criminal — o que é um
grave desvirtuamento da sua posição, que deve ser de equidistância entre
as partes. E, em termos práticos, um tribunal onde só há um juiz e um
procurador, podendo haver vários, é um tribunal especial — coisa que a
Constituição proíbe, por razões que qualquer democrata compreende.
Depois, e como já muitas vezes disse, não aceito a figura agora em voga
da detenção para interrogatório ou para investigação. Considero-a uma
interpretação abusiva e intolerável da lei. Respondem que havia o perigo
de Sócrates, desembarcado em Lisboa, ir directo a casa destruir provas.
Pois que tivessem feito a busca antes, quando ele cá estava: bastava
tocar à campainha e mostrar o mandado. Ou então esperavam-no
discretamente no aeroporto e perguntavam-lhe se ele consentia numa busca
imediata, evitando a detenção.
Nós, os que ainda não votámos nas redes
sociais, precisamos de saber se, no final de um processo justo, José
Sócrates é culpado ou inocente. Mas a verdade é que não tenho grandes
dúvidas de que a detenção prévia, as filmagens após comunicação interna,
o aparato policial no tribunal, a saída em carrinha celular, tudo foi
feito com a clara intenção de o humilhar, num ajuste de contas que vem
bem de trás e que já conhecera dois episódios absolutamente lamentáveis
para a justiça: a tentativa de o incriminar por “atentado ao Estado de
direito” e o vergonhoso processo Freeport.
Não acho aceitável que a PGR faça sair
um comunicado após a detenção em que logo se diz que esta foi fundada na
análise de “movimentos bancários sem justificação conhecida ou
legalmente admissível” — justamente o que cabia provar à acusação e
sobre o que o arguido ainda nem sequer se tinha podido justificar. E não
quero acreditar que o despacho com as medidas de coacção tenha as 236
páginas que vi referidas, pois que isso levaria a pensar que, mesmo com
abundante copy-paste, a decisão já estaria na cabeça do juiz antes mesmo de ele escutar as explicações dos arguidos e os argumentos da defesa.
Acima de tudo, porém, aquilo que não é possível aceitar, sob pena de
total capitulação perante o abuso, é a habitual, mas desta vez
absolutamente escabrosa, violação do segredo de justiça. E não me refiro
aos jornais de estimação do Ministério Público ou ao ‘jornalismo do
botox’, mas sim a um jornal como o “Público”, que, citando “fonte
próxima do processo”, pespega com toda a acusação do MP no jornal,
tratando-a como verdade definitiva e sem ter ao menos o cuidado de
perguntar à fonte quais os elementos de prova concretos em que se
fundava tal verdade. Não vale a pena alongarmo-nos em considerações
sobre a intolerável prepotência que representam estas grosseiras e
sistemáticas violações do segredo de Justiça por parte das entidades de
investigação criminal: quem não percebe é porque só vai perceber se um
dia lhe tocar.
Mas é de uma imensa hipocrisia a vigência de um sistema
de segredo de Justiça que permite que na fase da instrução (que,
compreensivelmente, é aquela em que é excepcionado o princípio da
igualdade entre partes), essa desigualdade legal seja acrescentada por
uma desigualdade ilegal que faz com que a defesa esteja obrigada ao
silêncio, enquanto a acusação litiga publicamente nos jornais, fazendo
passar a sua versão, sem contraditório. Além de mais, é de uma cobardia
sem remissão. E que serve dois fins: instigar o tal julgamento do
“cidadão comum” e ficar bem na fotografia, quando todos, temerosamente,
vêm dizer que “a Justiça funciona”. Como se a simples prisão de
suspeitos e a divulgação pública das suspeitas, sem lugar a defesa,
fosse sinal de que a Justiça funciona! Porque será então que os armários
estão cheios de processos assim iniciados e que, uma vez promovido o
julgamento popular, nunca mais chegaram a julgamento num tribunal?
Tudo isto são pormenores? Pois, talvez.
Mas preparem-se para muitos mais pormenores destes, porque, como diz o
povo, o que começa torto, raramente se endireita. E nós precisamos de
saber, sem uma dúvida razoável, se, no final de um processo justo, José
Sócrates é culpado ou inocente. Nós, isto somos: os que ainda não
votámos nas redes sociais nem celebrámos madrugada fora a sentença que
queremos. Nós os que ainda acreditamos que se fez um longo caminho desde
os tempos em que o imperador consultava a turba para que ela decidisse a
sorte dos condenados.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso , 29 de novembro de 2014
Subscrevo na totalidade as palavras de Clara Ferreira Alves, incluindo a indiferença por José Sócrates. Mas assusta-me a Justiça (ou falta dela) que se pratica em Portugal, a qual mais parece fruto de filmes Western Spaghetti, de cowboys da Série B, do que um dos pilares fundamentais de uma democracia!
A uns suspeitos deixam-se durante meses nas empresas e lugares que se presume terem desfalcado e criminosamente aproveitado para enriquecer, permitindo-lhes acabar de sacar o pouco que escapara à rapina de anos; a outros, por razões que me parecem mais políticas do que de apuramento da verdade, faz-se uma espécie de caça e quase linchamento em praça pública.
E não consigo compreender como se entrega a um único juíz, por muito competente que seja, mais de meia-dúzia de processos de corrupção, dos mais complexos que surgiram no nosso país, nestes últimos anos!
Clara Ferreira Alves |
A Justiça é antes de mais um código e um processo na sua fase de aplicação. Ou seja, obediência cega, essa sim cega, a um conjunto de regras que protegem os cidadãos da arbitrariedade. Do abuso de poder. Do uso excessivo da força. Essas regras têm, no seu nó central, uma ética. Toda e qualquer violação dessa ética é uma violação da Justiça. E uma negação dos princípios do Direito e da ordem jurídica que nos defendem.
Num caso de tanta gravidade como este, o da suspeita de crimes graves e detenção de um ex-primeiro-ministro do Partido Socialista, verifico imediatamente que o processo foi grosseiramente violado. Praticou-se, já, o linchamento público. Como?
1) Detendo o suspeito numa operação de coboiada cinemática, parecida com as de Carlos Cruz e Duarte Lima, a uma hora noturna e tardia, num aeroporto, quando não havia suspeita de fuga, pelo contrário. O suspeito chegava a Portugal. Porque não convocá-lo durante o dia para interrogatório ou levá-lo de casa para detenção?
2) Convidou-se uma cadeia de televisão a filmar o acontecimento. Inacreditável.
3) Deram-se elementos que, a serem verdadeiros, deviam constar em segredo de Justiça. Deram-se a dois jornais sensacionalistas, o "Correio de Manhã" e o "Sol", que nada fizeram para apurar o que quer que seja. Nem tal trabalho judicial lhes competia. Ou seja, a Justiça cometeu o crime de violação do segredo de Justiça ou pior, de manipulação do caso, que posso legitimamente suspeitar ser manipulação política dadas as simpatias dos ditos jornais pelo regime no poder. Suspeito, apenas. Tenho esse direito.
4) Leio, pela mão da jornalista Felícia Cabrita, no site do "Sol", pouco passava da hora da detenção, que Sócrates (entre outros crimes graves) acumulou 20 milhões de euros ilícitos enquanto era primeiro-ministro. Alta corrupção no cargo. Milhões colocados numa conta secreta na Suíça. Uma acusação brutal que é dada como certa. Descrita como transitada em julgado. Base factual? Fontes? Cuidado no balanço das fontes, argumentos e contra-argumentos? Enunciado mínimo dos cuidados deontológicos de checking e fact-checking? Nada. Apenas "o Sol apurou junto de investigadores". O "Sol" não tem editores. Tem denúncias. Violações de segredo de Justiça. Certezas. E comenta a notícia chamando "trituradora" de dinheiro aos bolsos de Sócrates. Inacreditável.
5) Verificamos apenas, num estilo canhestro a que a biógrafa de Passos Coelho nos habituou (caso Casa Pia, entre outros) que a notícia sai como confirmada e sustentada. Se o Watergate tivesse sido assim conduzido, Nixon teria ido preso antes de se saber se era culpado ou inocente. No jornalismo, como na justiça, há um processo e uma ética. Não neste jornalismo.
6) Neste momento, não sei nem posso saber se Sócrates é inocente ou culpado. Até prova em contrário é inocente. In dubio pro reo. A base de todo o Direito Penal.
7) Espero pelo processo e exijo, como cidadã, que seja cumprido à risca. Não foi, até agora. Nem neste caso nem noutros. Isto assusta-me. Como me assustou no caso Casa Pia. Esta Justiça de terceiro mundo aterroriza-me. Isto não acontece num país civilizado com jornais civilizados. Isto levanta-me suspeitas legítimas sobre o processo e a Justiça, e neste caso, dada a gravidade e ataque ao regime que ele representa, a Justiça ou age perfeitamente ou não é Justiça.
8) Verifico a coincidência temporal com o Congresso do PS. Verifico apenas. Não suspeito. Aponto. E recordo que há pouco tempo um rumor semelhante, detenção no aeroporto à chegada de Paris, correu numa festa de embaixada onde eu estava presente. Uma história igual. Por alturas da suspeita de envolvimento de José Sócrates no caso Monte Branco. Aponto a coincidência. Há um comunicado da Procuradoria a negar a ligação deste caso ao caso Monte Branco. A Justiça desmente as suas violações do segredo de Justiça. Aponto.
9) E não, repito, não gosto de José Sócrates. Nem desgosto. Sou indiferente à personagem e, penso, a personagem não tem por mim a menor simpatia depois da entrevista que lhe fiz no Expresso há um ano. Não nos cumprimentamos. Não sou amiga nem admiradora. É bizarro ter de fazer este ponto deslocado e sentimental mas sei donde e como partem as acusações de "socratismo" em Portugal.
10) As minhas dúvidas são as de uma cidadã que leu com atenção os livros de Direito. E que, por isso mesmo, acha que a única coisa que a Justiça tem a fazer é dar uma conferência de imprensa onde todos, jornalistas, possamos estar presentes e fazer as perguntas em vez de deixar escorregar acusações não provadas para o "Correio da Manhã" e o "Sol". E quejandos. Não confio nestes tabloides para me informarem. Exijo uma conferência de imprensa. Tenho esse direito. Vivo num Estado de Direito.
11) Há em Portugal bom jornalismo. Compete-lhe impedir que, mais uma vez, as nossas liberdades sejam atropeladas pelo mau jornalismo e a manipulação política.
12) Vou seguir este processo com atenção. Muita. Ou ele é perfeito, repito, ou é a Justiça que se afundará definitivamente no justicialismo. Na vingança. No abuso de poder. Na proteção própria.
O teste é maior para a Justiça porque é o teste do regime democrático. E este é mais importante que os crimes atribuídos a quem quer que seja. Não quero que um dia, como no poema falsamente atribuído a Brecht, venham por mim e não haja ninguém para falar por mim. A minha liberdade, a liberdade dos portugueses, é mais importante que o descrédito da Justiça. A Justiça reforma-se. A liberdade perde-se. E com ela a democracia.
Fui convidada para fazer parte da 2ª mesa-redonda da 1ª edição do Diáspora, o Festival Literário de Belmonte:
MESA 2 — «QUANDO DECIDIMOS VER AS NAÇÕES COMO QUEREMOS, NÃO PRECISAMOS DE SAIR DE CASA», ASTOLPHE DE CUSTINE Auditório Municipal 8 de novembro, 14h30
Já
ninguém viaja sem levar preconceitos na mala. Pedro Álvares Cabral foi
um dos últimos viajantes verdadeiramente livres? Em que medida estas
viagens mudaram verdadeiramente o nosso país? MODERAÇÃO: Tito Couto CONVIDADOS: Deana Barroqueiro, Miguel Real e João Morgado
PROGRAMA COMPLETO:
Sessões nas escolas Escola Básica e Secundária Pedro Álvares Cabral 7 de novembro
André Letria, Margarida Fonseca Santos, Ricardo Henriques e Tiago Albuquerque: um quarteto de embaixadores das letras que visitará várias escolas do concelho de Belmonte com o objetivo de levar aos alunos a literatura, a ilustração, a prática da leitura e a paixão arrebatadora pelas letras.
Sessão Inaugural Salão Nobre dos Paços do Concelho 7 de novembro, 21h00O presidente da Câmara Municipal de Belmonte abre oficialmente a programação do Diáspora, numa sessão de boas-vindas ao público e aos participantes.
Mesas MESA 1 — NO PRINCÍPIO ERA O LIVRO Igreja Matriz de Belmonte 7 de novembro, 21h30
Qual o papel simbólico do livro nas principais religiões? Em que medida o sentido sagrado do livro não foi transposto para o universo da leitura? Seriam as religiões diferentes sem livros? MODERAÇÃO: Padre Carlos Lourenço CONVIDADOS: Sheikh David Munir e Francisco José Viegas
MESA 2 — «QUANDO DECIDIMOS VER AS NAÇÕES COMO QUEREMOS, NÃO PRECISAMOS DE SAIR DE CASA», ASTOLPHE DE CUSTINE Auditório Municipal 8 de novembro, 14h30
Já ninguém viaja sem levar preconceitos na mala. Pedro Álvares Cabral foi um dos últimos viajantes verdadeiramente livres? Em que medida estas viagens mudaram verdadeiramente o nosso país? MODERAÇÃO: Tito Couto CONVIDADOS: Deana Barroqueiro, Miguel Real e João Morgado
MESA 3 — UM PAÍS EM SEGUNDA MÃO Auditório Municipal 8 de novembro, 16h00
A emigração por quem a conta e por quem a vive. Do bidonville francês à mátria castelhana, como é viver num país desenhado para outros? MODERAÇÃO: Júlio Magalhães CONVIDADOS: Karla Suárez e Ricardo Dias Felner
MESA 4 — «É O CORAÇÃO QUE FAZ O CARÁTER», EÇA DE QUEIRÓS Auditório Municipal 8 de novembro, 17h30
Que papel desempenha a emoção na história dos grandes personagens? Uma biografia faz-se mais de factos ou de sentimentos e emoções? Biografar é também emocionar o leitor? MODERAÇÃO: Tito Couto CONVIDADOS: Isabel Stilwell e Joaquim Vieira
MESA 5 — «GOSTAVA DE ESTAR NO CAMPO PARA PODER GOSTAR DE ESTAR NA CIDADE», FERNANDO PESSOA Auditório Municipal 9 de novembro, 15h00
É um dos lugares comuns mais repetidos da literatura mundial: d’ A Cidade e as Serras a Bouvard e Pecouchet, o campo e a cidade continuam a ser rasgados por trincheiras literárias. Num país tão pequeno, há espaço para o interior? Moderação: Tito Couto Convidados: Afonso Cruz, Bruno Vieira Amaral e Valério Romão
Conferência de Encerramento Auditório Municipal 9 de novembro, 16h30
Conferência «As Margens», por Álvaro Laborinho Lúcio. Das personagens que são marginais à marginalidade da Cultura. Margens e periferia, são equivalentes? O que é viver à margem do litoral e até da Europa? Na conferência de encerramento do Diáspora, um homem do Direito abraça a marginalidade.
Exposições Ecomuseu do Zêzere MAR, DE ANDRÉ LETRIA Mar, de André Letria, é uma das obras que mais prémios tem trazido ao ilustrador, nascido em Lisboa em 1973. Ao longo deste atividário*, concebido em parceria com Ricardo Henriques, as ilustrações de André Letria explicam 206 palavras e 80 atividades relacionadas com o mar, um elemento tão importante na obra que elege a sua premissa: «Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque não se chama planeta Mar?» Conheça a obra através das ilustrações presentes na exposição.
*atividades + abecedário FUTURO, DE ANDRÉ LETRIA Futuro é a obra mais recente de André Letria, na já habitual parceria com Ricardo Henriques. Nas ilustrações patentes no Ecomuseu do Zêzere, André Letria ilustra o conceito de «futuro», recorrendo a outros conceitos que, acredita ele, estarão para prevalecer: dos «políticos» às velhas «tartarugas», passando pelos «pêlos» do corpo humano e pelo «vujà-dé». Apresentação de livro
MAR, DE ANDRÉ LETRIA E RICARDO HENRIQUES Ecomuseu do Zêzere 8 de novembro, 11h30
Apresentação com humidade relativa do livro MAR, o primeiro de uma coleção de atividários* do animal editorial Pato Lógico.
Haverá um vislumbre sobre o futuro dos atividários, até porque um dos livros a lançar, proximamente será sobre o futuro. André Letria, cenógrafo, ilustrador e editor usará de um linguajar colorido com recurso a cores PANTONE e verniz localizado. Ricardo Henriques, publicitário e autor infantil — ele mesmo infantil — abusará do escárnio marinheiro.
FEIRA DO LIVRO
Ao longo do Diáspora, os livros viajam com a feira do livro do festival. A apoiar a realização da feira está a Bertrand, que permitirá ao público adquirir as obras dos participantes.
O “Diáspora – Festival Literário de Belmonte”, que se realiza entre os dias 07 e 09 de novembro para “levar a cultura literária a toda a população”, contará com a presença de 20 autores”, anunciaram esta quinta-feira os organizadores.
O festival é promovido pela Câmara Municipal de Belmonte em parceria com uma empresa de consultores editoriais e terá uma componente dirigida ao público em geral e outra mais direcionada para a comunidade escolar, explicou à agência Lusa a vice-presidente da autarquia, Sofia Fernandes.
“Este evento pretende levar a cultura literária a toda a população e também incentivar o gosto pela leitura, designadamente junto dos mais jovens, pelo que teremos ações nas quais o público em geral será convidado a participar e outras que serão realizadas no meio
escolar”, referiu.
A autarca sublinhou ainda o “caráter informal” das conferências, nas quais se pretende que o público “interaja e converse com os autores convidados” de forma a contrariar a ideia de que estes eventos “são maçudos e destinados apenas a alguns”, acrescentou.
“Os escritores também estarão disponíveis para falar com os leitores, para assinar livros e inclusivamente para terem ‘dois dedos de conversa’, seja durante as conferências, seja enquanto andam pelas ruas da vila”, detalhou Paulo Ferreira, que integra a equipa da promoção do festival.
Entre os escritores já confirmados estão Francisco José Viegas, Isabel Stilwell, Júlio Magalhães ou Deana Barroqueiro, entre outros nomes “consagrados e muito conhecidos do grande público”, que deverão contribuir para “despertar a curiosidade das pessoas” e garantir “maior sucesso” à iniciativa.
Com a denominação de “Diáspora”- termo que pretende fazer a ligação ao património existente em Belmonte e ao facto de Pedro Alvares Cabral aí ter nascido – o festival terá um conjunto de cinco conferências, cinco mesas redondas/debate e uma conferência de encerramento, para além das sessões nas escolas.
Da programação, constam igualmente uma exposição e o espetáculo “Trovas & Canções” de Ruy de Carvalho, que pretende recordar alguns dos poemas que tornaram famosas várias canções portuguesas, de Pedro Homem de Mello a José Luís Gordo, sem esquecer Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Moniz Pereira e Manuel Alegre.
Este evento está orçamentado em 17.500 euros, mais despesas de divulgação e logística igualmente garantidas pelo município.
Venho convidar todos os leitores que gostam de romance histórico e de viagens, para uma conversa informal, tendo o meu romance O Corsário dos Sete Mares - Fernão
Mendes Pinto como pretexto para vos contar algumas das muitas histórias fantásticas que vou descobrindo nas pesquisas para os meus
romances e que poucos portugueses conhecem. Aviso-vos já que
sou uma boa comunicadora, a dificuldade está em calar-me. Para me conhecerem melhor e à minha obra, se tiverem tempo e disposição, visitem a minha página principal: http://deanabarroqueiro.blogspot.pt/
23 de Outubro, Quinta-feira, às 21.30 h. No espaço das Leituras Revoltas Rua dos Anjos 12 F, 1150-037 Lisboa
O livro Os Portugueses em New Jersey, recentemente publicado na área
de Newark, passou nos últimos dias a constar entre os livros de consulta
da Biblioteca Pública da cidade, na Washington Street.
No âmbito de acordos que levaram a Biblioteca Pública de Newark a
ceder imagens históricas da cidade para publicação no livro, o seu autor
Fernando dos Santos esteve naquela biblioteca a entregar exemplares
para futura consulta por estudiosos da presença portuguesa neste estado
americano.
Os livros foram recebidos pelo Dr. George S. Hawley, bibliotecário
supervisor daquela instituição pública, e podem ser consultados na
secção de New Jersey da biblioteca.
Com mais de 500 páginas, o livro foi posto à venda quarta-feira,
dia 17, sendo o primeiro a debruçar-se sobre a história da presença
portuguesa em New Jersey.
O volume é o resultado de quatro anos de investigação próxima e de
um longo acompanhamento da comunidade portuguesa deste estado por parte
do autor, Fernando dos Santos, que durante mais de três décadas foi
chefe da redacção do jornal Luso-Americano, publicado em Newark, NJ.
Para além dos primeiros dias da presença portuguesa em New Jersey
graças aos contactos comerciais do século 18 entre a vizinha Filadélfia e
portos portugueses e, posteriormente, pelos atractivos comerciais e
industriais da também próxima Nova Iorque, o autor refere ainda a
história das principais comunidades portuguesas de New Jersey, das suas
instituições, das suas empresas e do seu envolvimento político ao nível
de municípios, condados e do estado.
Como complemento ao seu estudo sobre a presença portuguesa em New
Jersey, o autor sintetiza também a intervenção política de
luso-americanos noutros 17 estados da União americana (Alasca, Arizona,
Califórnia, Colorado, Connecticut, Flórida, Geórgia, Hawaii, Luisiana,
Maryland, Massachusetts, Nova Iorque, Novo México, Pensilvânia, Rhode
Island, Carolina do Sul e Virginia) e ao nível do governo federal.
O livro contém ainda inúmeras referências e tabelas estatísticas
sobre a emigração portuguesa para os Estados Unidos recorrendo, do lado
americano, quer aos censos populacionais quer às publicações do
Homeland Security Department e, do lado de Portugal, ao Instituto
Nacional de Estatística.
The book The Portuguese in New Jersey, which tells the history of the
Portuguese presence in this state, will be released Wednesday,
September 17.
The book, in Portuguese, with 542 pages, is the result of a 4 year
long close investigation and a long monitoring of the Portuguese
community of this state by the author, Fernando dos Santos, who, for
over three decades, worked as the senior news editor of the
Luso-Americano Newspaper, published in Newark, New Jersey.
This publication also coincides with the 75th anniversary of the
continuous publication of the Luso-Americano (1939-2014). This important
community news media was first published in Newark in 1928, but for
sometime, succumbed to the big economic recession that followed.
In addition to the first days of Portuguese presence in New Jersey
thanks to the commercial contacts in the 18th century between
neighboring Phildadelphia and the Portuguese ports, and later by the
attractive commercial and industrial relations with New York, the author
also tells the history of the main Portuguese communities in New
Jersey, its institutions and companies, as well as its political
involvement at municipal, county and state levels.
As an “introduction” in this book, the author dedicates one hundred
pages to the Portuguese pioneers in the American territory, as well as
to the massive immigration of Portuguese pioneers to Hawaii, New England
and California. The author justifies the long introduction with the
need for the readers, “by seeing the tree — the Portuguese presence in
New Jersey — to better understand the whole forest.”
As a complement of his study of the Portuguese presence in New
Jersey, the author synthesizes the political intervention of
Portuguese-Americans in other 17 states of the American Union (Alaska,
Arizona, California, Colorado, Connecticut, Florida, Georgia, Hawaii,
Louisiana, Maryland, Massachusetts, New York, New Mexico, Pennsylvania,
Rhode Island, South Carolina and Virginia) and at the Federal Government
level.
The book also contains numerous references and statistical tables
about the Portuguese immigration to the United States, resorting, in the
United States, to the American Census and the publications from the
Homeland Security Department, and in Portugal, to the Instituto Nacional
de Estatística.
The first census done in the United States occurred in 1790, but was
mainly interested in finding out about the eventual military capability
of its population. The first census to be concerned with “foreigners”
was done in 1820, and it asked the residents if they were “foreigners
not naturalized”, but didn’t bother establishing their national origin.
Only after the 1850 Census government wanted to know “the place of
birth” of the residents and their parents.
Prior to this book, Fernando dos Santos published two books, one
about the Portuguese in Hawaii (1996) and another one about his stay
among the Ianomamis, Macuxis and Wapichanas Indian tribes in the
Brazilian Amazon (1994).
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The book is available at the Luso-Americano Bookstore
(http://www.lusoamericano.com/bookstore), 88 Ferry St., Newark, NJ,
07105 ($39.95+$4.13 postage)
Contacts: bookstore@lusoamericano.com or tel. 973-589-4600
Lembrete aos amigos interessados no evento de 27 e 28 de Setembro:
Atenção à alteração de hora no Programa: Eu estarei no Teatro Clube de
Alpedrinha, Domingo 28, às 10 h. 30, para a mesa redonda "Viagem com
História", com Gabriel Magalhães, Miguel Real e Cristina Vieira.
Estarei na livraria Bulhosa de Entrecampos para conversar com os Leitores sobre o meu "Corsário dos Sete Mares -
Fernão Mendes Pinto" e outros temas que venham a "talhe de foice". É um
espaço muito agradável e familiar, com sofás cómodos, para uma tertúlia
entre amigos (e tem um pequeno bar com bom café!).
Livraria Bulhosa de Entrecampos Campo Grande, 10 - B 1700-092 Lisboa (Metro Entrecampos)
1º
Festival Literário da Gardunha/Fundão
28 de Setembro,
Domingo às 10 h. 30
Estarei numa mesa redonda com Gabriel Magalhães e Miguel Real, moderada por Cristina
Vieira, sobre o tema "Viagem com História" Organizado pela Câmara do Fundão, sob o mote «A Viagem começa aqui»,
está garantida uma
intensa e interessante discussão da literatura de viagem. Nos dias 27 e 28, são várias as personalidades que irão falar do mapa das suas viagens literárias em mesas-redondas: Albano Martins, Alice Vieira,
Antonieta Garcia, Américo Rodrigues, Arnaldo Saraiva, Artur Portela,
Catarina Nunes de Almeida, Carlos Vaz Marques, Deana Barroqueiro,
Fernando Alvim e Fernando Paulouro Neves, Miguel Real, entre outros
As honras de abertura, no dia 27, caberão ao escritor e jornalista espanhol Javier Reverte, um dos nomes mais conceituados da literatura de viagem.
Um espectro percorre Portugal: é o espectro da pobreza, da miséria moral, da fraude, da mentira, do embuste, da indecência, da ladroagem, da velhacaria. Este indecoro do BES foi o destapar do fétido tacho da pouca-vergonha. Os valores mais rudimentares das relações humanas pulverizaram-se. Já antes haviam sido atingidos por decepções constantes daqueles que ainda acreditavam na integridade de quem dirige, decide, organiza. Agora, o surto alcançou a fase mais sórdida. Creio que, depois de se conhecer toda a extensão desta burla, algo terá de acontecer. Com outra gente, com outros padrões, não com estes que se substituem, num jogo de paciências cujo resultado é sempre o mesmo. Mas esta afirmação pertence aos domínios da fé, não aos territórios das certezas.
O Dr. Carlos Costa revelou ter avisado a família Espírito Santo de que ia ser removida. Na TVI, Marques Mendes, vinte e quatro horas antes, anunciara o cambalacho. Já destituído, Ricardo Salgado e os seus estabeleceram três negócios ruinosos para o banco, abrindo o buraco da vigarice para quase cinco mil milhões de euros. Quem são os outros cúmplices, e quais as razões explicativas de não estarem na cadeia?
Enquanto o País mergulha num atoleiro, o Dr. Passos nada o crawl, com esfuziante aprazimento, nas doces águas algarvias. Há dias, afirmou que os contribuintes não serão onerados com as aldrabices dos outros. Mas já foi criado um chamado Fundo de Resolução, com dinheiro procedente, de viés, do nosso próprio dinheiro, embuçado na prestação de um grupo de bancos. Quanto ao extraordinário Dr. Cavaco, o reconhecimento generalizado da sua inutilidade como medianeiro de conflitos, e conivente com o que de mais detestável existe na sociedade portuguesa, converteu-se num lugar-comum.
Foi o "sistema" que criou esta ordem de valores espúrios. Este poder dissolvente fez nascer, por todo o lado, a ideia do facilitismo, oposta às regras da convivência que estruturaram os princípios da nossa civilização, dando-lhe um sentido humano. Tudo é permitido, e esta noção brutal, inculcada por "ideólogos" estipendiados ou fanatizados concebeu as suas próprias regras. A impunidade nasce do "sistema", e Salgado é o resultado, não a causa, o resultado de um aproveitamento imoral estimulado pelas fórmulas dessa ordem de valores. Surpreendemo-nos com o comportamento de quem assim foi educado, porém temos de estudar e de analisar aquilo que os explica.
O "sistema", em cuja origem está a raiz do mal, não carece de "regulação", exactamente porque a "regulação" nada resolve e apenas prolonga a crise sobre a crise. O capitalismo sabe e consegue simular a sua própria regeneração. Mas é uma hidra que se apoia em referências na aparência inexpugnáveis, realmente falaciosas. Enfim: o nosso dinheiro está à guarda de ladrões.
Esta SEXTA-feira, 8 de Agosto, 21h30 na Casa do Fauno
- Sintra Palestra por Deana Barroqueiro
Entrada Livre
Queridos amigos e amigas, se forem passear e jantar a Sintra e vos apetecer ouvir-me contar histórias, no ambiente muito familiar e ao mesmo tempo mágico da Casa do Fauno, venham passar o serão connosco.
Vai ser a minha primeira acção ainda em convalescença, mas espero estar em forma, porque falar das minhas personagens reais dá-me um alento fantástico e eu transformo-me em aventureira, espia e navegadora. Fico à vossa espera, com muita vontade de rever os conhecidos e de conhecer novos amigos.
Resumo da palestra:
Portugueses dos Séculos XV e XVI – fidalgos e plebeus, navegadores e corsários, aventureiros e mercadores, estrategas militares e diplomatas, homens das Ciências, das Letras e das Artes, bem como mulheres sem nome mas de igual coragem –, numa espantosa odisseia de Descobrimento, desbravaram novos mundos em mares desconhecidos, carregando no bojo das suas naus (as mortíferas “prisões do mar”), não apenas mercadorias, mas sobretudo novos saberes, técnicas, costumes, ideias, crenças, linguagens e mesmo a escrita, que levaram aos quatro cantos do mundo e trocaram com os mais diversos povos do planeta, concretizando a primeira grande globalização da Idade Moderna.
Fernão Mendes Pinto, protagonista do romance O Corsário dos Sete Mares, de Deana Barroqueiro, encarna como nenhum outro aventureiro, as melhores características do português do Período dos Descobrimentos, ao explorar durante 20 anos, o Oriente longínquo – Malaca, Sião, Java, Samatra – sendo pioneiro no conhecimento da China e do Japão.
São histórias desta tremenda epopeia que a escritora quer narrar, através de mapas e objectos oriundos da “Pestana do Mundo”, numa conversa despretensiosa com os amigos da Casa do Fauno.Deana Barroqueiro - Romancista e Deana Barroqueiro. Morada da Casa do Fauno:
Quinta dos Lobos, 1, Caminho dos Frades (a 400 m da Quinta da Regaleira, Sintra) Coordenadas GPS: 38º 47.883 N – 9º 23.941 W
Como chegar à Casa do Fauno a partir de Sintra?
1. Vá até ao Centro da Vila de Sintra
2. Siga na direcção da Qta. da Regaleira / Seteais
3. Perto da porta principal da Qta. da Regaleira vire à direita (passando em frente à Qta. do Relógio) e entre na Rua da Trindade (que tem um sinal com a indicação de “rua sem saída”) – A partir daqui já poderá encontrar placas com a indicação “Casa do Fauno” e “Ishtar – Artes Mágicas”
4. Siga em frente durante cerca de 400 metros, chegando ao Caminho dos Frades
5. Quando vir a bifurcação da “Fonte dos Amores” continue pela direita e, cerca de 10 metros à frente, à sua esquerda, encontrará o portão da Quinta dos Lobos, onde se situa a Casa do Fauno e a loja Ishtar – Artes Mágicas (assim como o Almáa Sintra Hostel) Entre e encontre-nos à sua esquerda!
A 23 de julho, um pequeno país corrupto e torturador, mas rico em petróleo, onde nunca se falou nem falará português, vai entrar para a CPLP. Que país é este?
Em 1968 um obscuro funcionário público, que falhara três vezes o
exame de admissão à carreira, subia ao poder, nas primeiras, e até
agora únicas, eleições livres alguma vez realizadas na Guiné Equatorial
(GE), então um acidente da história da colónia recém independente de
Espanha. Francis Macias Nguema, um marxista que, mesmo assim, não
hesitava em chamar a Hitler o "salvador de África", era um homem doente,
perseguido por pesadelos, que tinha por hábito fumar marijuana, beber
iboga (com efeitos semelhantes aos do LSD) e jantar sozinho com
fantasmas, com quem conversava longamente. Ficou conhecido como "o
milagre único".
Reinou durante onze anos, tendo distribuído cargos pelos seus
familiares. Entre estes estava um sobrinho, o tenente-coronel Teodoro
Nguema Obiang, governador militar da Ilha de Bioko e da capital, Malabo,
bem como responsável pela famosa prisão Playa Negra, onde eram
encarcerados os opositores políticos. Aqui, um dos divertimentos eram as
"danças de sábado à noite", em que um prisioneiro era obrigado a dançar
à volta da fogueira durante horas, enquanto cantava laudas ao ditador.
Quando se cansava, era espancado com barras de metal incandescente,
aquecidas nas brasas. Segundo o historiador Randall Fegley, o atual
presidente da GE, Teodoro Nguema Obiang, dirigia, pessoalmente, muitos
dos homicídios neste centro de tortura. Mais. Teodoro era para Macias
"aquilo que Heinrich Himmler era para Adolfo Hitler".
O Dachau e o Kuwait de África
O regime era então conhecido como o "Dachau de África" e não foi
sem satisfação que o resto do mundo assistiu ao golpe de Estado que
Obiang liderou contra o seu tio, em 1979. Macias foi julgado e executado
- mas por "apenas" 157 assassínios que não implicavam nenhum dos
golpistas. Obiang foi recebido de braços abertos pela comunidade
internacional, disposta a esquecer o passado em prol de uma promessa de
abertura. O rei Juan Carlos de Espanha jantou em Malabo e, em 1981, o
país recebeu até a visita de João Paulo II.
Mas a Guiné Equatorial continuou a aparecer nos relatórios das
organizações internacionais como um regime pária e ditatorial. Até
meados dos anos 90, era tido como um "narco Estado". O general
brigadeiro Obiang foi "reeleito", em 1982, 1989, 1996, 2002 e 2009,
sempre com percentagens superiores a 97% dos votos - em 2002, um círculo
eleitoral conseguiu até atribuir-lhe 103 por cento. Os velhos modos de
fazer política não mudaram e Obiang nomeou familiares diretos para os
cargos mais importantes - filhos das suas cinco mulheres e familiares
próximos ocupam, até hoje, ministérios, direções-gerais, rádios, cargos
militares e grandes empresas, apropriando-se da riqueza do Estado. Ao
mesmo tempo, silencia opositores políticos, recorrendo à tortura e a
execuções.
Com a descoberta de petróleo, em 1996, a cleptocrática oligarquia
familiar torna-se numa das dinastias mais ricas do mundo. O país começa a
ser conhecido como o "Kuwait de África" e as grandes petrolíferas
mundiais - ExxonMobil, Total, Repsol - instalam-se lá.
Obiang é, hoje, um dos dez chefes de Estado mais ricos do planeta -
e o ditador há mais tempo no poder. Em 2011, ele tinha, só nos EUA,
mais de 700 milhões de dólares em contas pessoais e o seu filho favorito
fazia planos para comprar um iate por uns meros 360 milhões, o dobro do
orçamento do país para a Educação. A pena de morte está suspensa -
condição exigida para que a GE pudesse entrar na CPLP. Mas os opositores
políticos continuam a ser presos e torturados e nenhum mecanismo impede
as execuções extrajudiciais. O dinheiro, esse, continua a jorrar.
O príncipe, o Rolls e os sapatos azuis
Poucas histórias ilustram esta fantástica riqueza como a de
"Teodorin" Obiang, o diminutivo pelo qual é conhecido o ex-ministro das
Florestas, vice-presidente e herdeiro do regime. A sua riqueza é
conhecida por causa dos processos que lhe foram interpostos na justiça
dos EUA, de França e de Espanha, por lavagem de dinheiro e corrupção.
Trata-se de um playboy excêntrico, que gosta de se apresentar como
"príncipe", e de fazer uma vida consentânea, entre Paris e os EUA, no
seu jato, que usa como se de um táxi se tratasse, e na qual, segundo a
Foreign Policy (FP), não faltam festas com acompanhantes de luxo, drogas
e até tigres. Na Cidade Luz, é dono de uma mansão de seis andares, na
avenue Foch, uma das mais caras da cidade, e tem automóveis avaliados em
mais de 40 milhões de euros.
Na Califórnia, é proprietário de uma mansão em Malibu e tem como
vizinhos Mel Gibson e Britney Spears. Mas esta não é uma mansão
qualquer, mesmo para os padrões locais: são 1 400 m2 de construção, com
oito casas de banho e um número igual de lareiras, piscina com vista
para o Pacífico, campo de ténis e de golfe - e há 36 carros de luxo na
garagem (sete Ferraris, cinco Bentley, quatro Rolls Royce's; dois
Maybach...). O príncipe faz questão de pôr todo o pessoal (jardineiros,
seguranças, criados) em fila, quando chega e quando parte deste seu
"palácio".
O seu antigo motorista, Benito Gialcone, conta que ele pedia os
carros de forma a condizerem com a indumentária: "Estou de sapatos
azuis, traz-me o Rolls azul"). Certa vez, no Hermitage, fê-lo regressar
de táxi à mansão, pois, quando verificou que as pessoas paravam para
admirar o seu Bugatti Veyron, quis que fosse buscar o segundo, para que
os visitantes do museu soubessem que tinha dois. Trata-se, diz um
diplomata americano à FP, "de um idiota imprudente e instável". Mas um
com o qual os EUA - e Portugal - terão de lidar, num futuro próximo.
Direitos Humanos: Uma das piores ditaduras de áfrica
Prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais, tortura, ausência de
liberdade de expressão e de associação. Ausência de tribunais
independentes e de Estado de direito, corrupção oficial generalizada.
Eleições fraudulentas, restrições à existência de partidos políticos.
Violência e discriminação contra crianças, mulheres, gays e pessoas com
HIV. Estas são, para o Departamento de Estado dos EUA, algumas das
características da Guiné Equatorial.
Área: 28051 km2 Língua: Espanhol População: 650 000 habitantes PIB per capita: 24 035 dólares (Portugal: 20 188 dólares) 78 % vive com menos de um dólar por dia 15% das crianças morrem antes dos 5 anos 1/3 dos adultos morre antes dos 40
(Banco Mundial; OMS)
Ricardo Salgado, presidente do BES, disse que os portugueses "não querem trabalhar" e que preferem viver à sombra do “subsídio de desemprego”.
A propósito desta "moralista" declaração de
Ricardo Salgado, feita no passado Maio, antes dos escândalos do BES e do
GES, de que era dono e senhor (DDT - Dono De Tudo). lembrei-me de uma
passagem do Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira, que é de uma actualidade extraordinária. Ora vejam:
"Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores,
ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já
que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de
vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a
circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão
que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos
mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos
pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem
pequenos, nem mil, para um só grande. (...) Tão alheia cousa é, não
só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo
elemento, todos cidadãos da mesma pátria e todos finalmente irmãos,
vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para
encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que
prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o
vejais nos homens. (...) O POLVO O polvo com aquele seu capelo
na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece
uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma
brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou
desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes
Doutores da Igreja latina e grega, que o dito polvo é o maior traidor do
mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou
pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As
cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que
em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos
limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo,
faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente
costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede
que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o
salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe
os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não
fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o
prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os
braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é
verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às
escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si,
tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz,
para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua
maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor!"
Enquanto no futebol, tão promovido e supervalorizado, poucos resultados se vêem, em outros desportos tão desprezados pelos media, Portugal ganha medalhas, batendo-se com os mais fortes. Seis medalhas (1 de ouro e 5 de bronze), nos Jogos europeus que tiveram lugar na Alemanha. Com muito poucos apoios.
.
O seleccionador de canoagem, Ryszard Hoppe, manifestou-se esta segunda-feira "convicto" de que Portugal pode apresentar-se nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 com "um mínimo de 10 atletas e pensar em duas ou três medalhas".
Numa análise aos Europeus da Alemanha, em que Portugal obteve o melhor desempenho de sempre, com uma medalha de ouro e cinco de bronze, o técnico polaco recordou que "a equipa está cada vez mais forte e maior": "Trouxemos 10 embarcações, oito foram a finais A e seis conquistaram medalhas. Isto é uma grande coisa."
"Quando houver mais apoio do Comité Olímpico de Portugal e do Instituto Português do Desporto e Juventude podemos chegar ao Rio 2016 com o mínimo de 10 atletas, e pensar em duas ou três medalhas. Recordo que destas seis medalhas nos Europeus, quatro são em distâncias olímpicas", vincou.
Ryszard Hoppe falava dos bronzes de Teresa Portela em K1 200 e 500 metros, do K4 1000 Fernando Pimenta/João Ribeiro/Emanuel Silva/David Fernandes e da C1 200 Hélder Silva - o título Europeu do K2 500 campeão do mundo Emanuel Silva/João Ribeiro e o bronze do K1 5000 Fernando Pimenta foram os pódios de distâncias não olímpicas.
"O balanço é muito positivo. Esperava bons resultados, mas ninguém pensou em seis medalhas. Três ou quatro era possível, seis é uma grande surpresa. Estou contente porque neste Europeu abrimos uma nova página com a primeira medalha das canoas em Europeus absolutos, com o Hélder Silva ou a Teresa Portela com a sua primeira medalha nos 500 metros e a terceira nos 200. Os K4 e K2 confirmaram o seu nível. Estes rapazes têm nível para chegar aos Jogos e ganhar medalhas", garantiu.
Hoppe revelou que lhe chamaram "louco" quando passou para outros treinadores as responsabilidades técnicas dos kayaks masculinos - que nos últimos dois anos conquistaram a prata olímpica, foram campeões do mundo e vice-campeões europeus -, mas assumiu que o fez a bem de uma "pacificação" e do forçoso reforço dos meios técnicos da federação.
"Não somos diferentes, tirando uns serem mais pequenos e outros mais altos. O importante é o trabalho e um sistema que funcione. A canoagem demonstrou que tudo é possível, mesmo em Portugal. Acho que até em outras modalidades, Portugal pode estar entre os melhores países da Europa e do mundo", defendeu.
O seleccionador afirmou ainda que se vai "reformar em Portugal", só não sabendo se o faz após os próximos Jogos Olímpicos, quando tiver 65 anos e 46 anos de treinador.
"A vida de um treinador é a motivação. Portugal é a minha segunda terra. Nos últimos 10 anos, foi mais importante para mim do que a Polónia, onde tenho a família", concluiu.
O seleccionador seguiu directamente da Alemanha para a Hungria, levando consigo Joana Vasconcelos, Francisca Laia e Maria Cabrita para os Mundiais de sub-23 e juniores, que decorrem no próximo fim-de-semana, em Szeged. Prova que antecede os Mundiais absolutos, em Moscovo, na Rússia, entre 7 e 10 de Agosto.
Humor negro, mas muitíssimo apropriado. Tenham um bom fim-de-semana e pensemos que, a nossa crise não tem comparação com a destas gentes. E que somos bem mais civilizados e tolerantes.
Da forma hollywoodesca de contar o mundo faz parte a estratégia de confinar o mal a uns patifes cheios de avidez ou de perversidade, responsáveis isolados por situações de afundamento moral ou de violação dos direitos das pessoas. Nesses filmes, a ordem e os seus mecanismos apresentam invariavelmente uma capacidade de autorregeneração quase ilimitada que se encarrega de depurar os maus e de devolver a normalidade a um quotidiano por eles ameaçado.
A sucessão de falcatruas e de desmandos no sistema bancário português nos últimos anos faz perguntar se são uns poucos desviantes que espezinham o que de outra forma seria uma ordem que funcionaria bem ou se é o próprio sistema que tem uma lógica baseada na voragem ilimitada e é desordenado por natureza. Por outras palavras, os casos do BPN, do BPP e agora do BES mostram exatamente o quê sobre o capitalismo na era do primado da finança: que ele descamba quando a regulação não funciona ou que não há mesmo regulação que o impeça de descambar?
Dos sobreiros da Vargem Fresca no caso Portucale até aos submarinos, das parcerias público-privadas mais leoninas e ruinosas para o erário público na saúde até aos swaps, da implantação de sedes de empresas do grupo em paraísos fiscais como o Luxemburgo até à assunção de fuga ao fisco durante anos consecutivos pelo seu dirigente máximo (a que uma amnistia fiscal desenhada à medida pelo legislador pôs termo) - a tudo isso o BES aparece indesmentivelmente associado. Tal foi o rosário de trapalhadas e de histórias mal contadas que brada aos céus a quietude de comentadores e editorialistas sempre tão lestos na atribuição à "classe política" ou aos dirigentes sindicais da responsabilidade pela ruína do País.
Dir-se-ia que a liberdade de mercado é mesmo assim, que o seu risco não para às portas de ninguém. Mas o certo é que não é nada disso que causa o afundamento do Grupo Espírito Santo. Porque não é risco de mercado o não reporte de 1,3 mil milhões de euros de passivos nas contas de uma holding. Nem é risco de mercado que uma filial pratique uma política de crédito cujo resultado são 5,7 mil milhões de euros emprestados sem saber para que fins nem a quem. Não, não é risco de mercado, é mesmo jogo de casino com dinheiro alheio.
Repito para que não haja dúvidas: com dinheiro alheio. O Banco Espírito Santo é um dos grandes responsáveis pelo gigantismo da dívida externa do País que motivou a intervenção da troika - uma dívida na sua esmagadora maioria privada e cujo resgate pelo Estado passou para todos nós, contribuintes, o ónus do respetivo pagamento em perda de salários, em perda de pensões ou em perda de qualidade dos serviços públicos de saúde de que se alimenta o crescimento do negócio de saúde do Grupo Espírito Santo. As tantas benesses do amigo Estado - a reprivatização, as PPP, as amnistias fiscais, a inação diante de desmandos sucessivos alimentada pelo vaivém entre direção de empresas do grupo e cargos parlamentares ou governamentais - são um retrato da democracia que temos.
Tresanda a BPN, Parte II. E a pergunta tem pois de ser: o que é que aprendemos com o BPN?
Deveríamos ter aprendido duas coisas. Primeira, que um setor bancário liberalizado gera e desenvolve práticas de poder, de promiscuidade e de contorno da lei que lhe dão uma força crescente. Segunda, que uma regulação a sério de um setor tão crucial implica presença do Estado por via acionista, única forma de conter verdadeiramente a deriva de destruição de uma finança sem rei nem roque.
Quando um destes dias nos vierem com a inevitabilidade de injetar capitais públicos no BES para controlar o risco sistémico, valia a pena lembrar tudo isto.
Togo adota alta tecnologia para proteger os elefantes africanos
O governo do Togo adotou a prática de submeter a
exames de DNA as presas de elefantes apreendidas. O objetivo é coordenar
a luta contra o tráfico de marfim e desmantelar as redes de caça ilegal
tanto no país, que é um dos centros de comércio de marfim na África,
como em outras regiões do continente.
As autoridades togolesas fizeram várias apreensões desde que países
asiáticos as alertaram para a detecção de significativas quantidades de
marfim procedentes de Lomé. Entre agosto de 2013 e janeiro de 2014 foram
apreendidas 4,5 toneladas e 18 pessoas foram detidas, segundo o
ministro de Segurança e Proteção Civil, Yark Damehame.
Togo intensifica esforços para combater o tráfico de marfim
Foto: Emile Kouton/AFP
“Uma equipe de especialistas locais, apoiada pela Interpol, fez
exames de DNA em 200 presas apreendidas em 2013 e 2014″, explicou o
comissário de polícia e chefe do escritório da Interpol em Lomé, Charles
Minpame Bolenga. “Os exames são feitos em um laboratório de Washington
[Estados Unidos]“.
Segundo Bolenga, os resultados permitirão à polícia togolesa conhecer
a origem das presas e a idade dos elefantes. Os primeiros exames
revelaram que a carga apreendida em 2013 “procedia de elefantes do oeste
e do centro da África e que a maioria era muito jovem”.
De acordo com o comissário de polícia, o governo ainda aguarda os
resultados dos exames feitos no material apreendido em janeiro.
“Compartilharemos a informação com todos os países envolvidos para que
possam proteger seus elefantes. Agora essa é a única forma de levar esta
luta de forma eficaz”, ressaltou Bolenga.
A convenção sobre o comércio internacional de espécies em risco de
extinção proibiu o comércio de marfim em 1989. Mas o tráfico continua
devido à forte demanda existente no Oriente Médio e na Ásia, onde as
presas de elefante são usadas para a fabricação de objetos decorativos e
como ingrediente da medicina tradicional.
Segundo ambientalistas, em 1900 havia 10 milhões de elefantes, em
1990 caiu para 1,2 milhão e hoje restam apenas 500 mil. A cada ano
morrem entre 22 mil e 25 mil animais, uma média de 60 por dia. De acordo
com a organização que zela por eles, 20% dos elefantes africanos podem
desaparecer na próxima década se a caça ilegal se mantiver no ritmo
atual.
Lome (AFP) - Togo is intensifying its efforts to crack
down on ivory trafficking after a number of large seizures, warning
smugglers that the country will no longer be a staging post for the
illegal trade.
In the past week alone, nearly four tonnes of ivory have been discovered at the tiny west African nation's main port in the capital, Lome, following other large seizures last year.
The discoveries came after African and Asian nations pledged last month to introduceurgent measures to tackle the illegal ivory trade, from slaughter of elephants to trafficking of tusks.
The meeting in Botswana in December agreed to implement a "zero
tolerance" approach to wildlife crime and international cooperation to
shut down criminal gangs involved in the practice.
On January 23, nearly 1.7 tonnes of ivory was found in a shipping
container bound for Vietnam from Lome, while on Thursday, a further 2.1
tonnes were discovered during a search of the same shipment.
Three people have been arrested, two of them Togolese nationals and the third a Vietnamese man.
Togo's environment and forest resources minister, Andre Johnson, told
AFP: "Investigations are ongoing to ensure that the network is
completely dismantled.
"Togo has today become one of the transit countries for these shameless traffickers."
Elephants, the world's largest land mammal, are one of Africa's biggest tourist attractions and are found across the continent.
But numbers have fallen from 10 million in 1900 and 1.2 million in 1980
to about 500,000 currently, according to conservation groups.
Trade in ivory was banned in 1989 under the Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (CITES).
CITES and other animal protection groups have warned that as many as 20
percent of the continent's elephants could disappear within a decade if
current poaching rates are not tackled.
An estimated 22,000 elephants were killed illegally in Africa in 2012, the groups said.
'Heavily armed criminal networks'
Demand for tusks, particularly in Asia for decorative purposes and use in traditional medicines, has fuelled a lucrative illicit trade thought to be worth up to $10 billion a year.
The proceeds are said to often fund militia and rebel groups.
The head of Togolese environmental and animal protection group Horizon
Vert, Paul Dogboe, said they were "very worried" about ivory smuggling in Africa and particularly in Togo.
Johnson blamed "well-equipped and often heavily armed criminal networks"
for the trade, adding: "Our country will not tolerate trafficking in
objects of endangered species.
"This is why we, in close collaboration with some friendly nations including the United States, France and China, are having a serious crackdown.
"We shall also try to harmonise our strategies with those of other countries in the region."
A senior police officer in charge of tackling drug trafficking and money laundering in Togo, Kodjo Katanga Yeleneke, has said that "tonnes" of ivory have previously left Lome for Indonesia.
As a result Togo's port authorities have increased checks on shipping
containers, using specialist security agents, forest rangers and police.
"The check on containers is very rigorous for some time now. All the
containers must be scanned before sending them to the terminal for
export," said one port customs officer.
Agents from the country's anti-drug trafficking and money laundering agency also carry out unscheduled checks in Lome, including shops, he added.
Last August, 700.5 kilogrammes of ivory -- most of it from Chad -- were
seized from a locally owned shop in Lome, while another suspected
trafficker, a Guinean, was found with 25 kilogrammes of ivory.
Em 13 minutos, o comediante inglês John Oliver, com um humor corrosivo, destrói totalmente a FIFA, mostrando os procedimentos muito pouco transparentes e a corrupção subjacente a esta organização que contribue para a ruína dos países pobres que recebem o Mundial de Futebol, como Portugal em 2004 e o Brasil agora.
Imperdível, para se conhecer este"polvo" que não obedece a leis nem a deveres. Legendado em Português.
John Oliver explain sarcastically, to the Americans, by knowing information about FIFA, how this grey organization produces the World Cup, that helps to ruin a country, like Portugal or Brasil.
You MUST see this vídeo! No subtitles in Portuguese (sem legendas em Português).
Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da
organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo
Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos
Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de
Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e
neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos,
portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais
direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma
indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua
Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de
Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e
que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras
assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos
negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os
afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos,
muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando
Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.
Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e
outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também
juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade
com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram,
sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe
uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles
promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o
português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros
falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades.
Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos
as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as
palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que
somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na
origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico”
aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África,
na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com
o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz
latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta
realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou
de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos
uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a
fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem
jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas
fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários
particularidades da linguagem gestual do entrevistado.
Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa
não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito
facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no
português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer,
estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula.
Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E
também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam
correctamente o português.
Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever
sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer
ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e
vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O
Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este
tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e
praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe
mais palavras do que o operário!
Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados
a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente
em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem
características específicas e varia de província para província. Tem uma
beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também
para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo,
em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos
devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da
CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras
gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável
que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o
justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na
ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a
reboque do difícil comércio das palavras.
Os actos do ISIS obrigam a pensar que não basta derrotá-los no terreno, é preciso algo mais.
Com Bush ironicamente de volta ao Iraque em forma de
porta-aviões (o USS George H.W. Bush foi enviado pela Casa Branca para o
mar Arábico, de forma a ajudar as forças iraquianas em combate) e com
Tony Blair a justificar o seu passado (“Nós não causámos a crise no
Iraque”), os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS)
divulgaram ontem no Twitter uma série de fotografias onde são vistos a
conduzir para valas e a fuzilar dezenas de homens desarmados.
A confiar
na sua versão, terão sido executados 1700 soldados iraquianos que
descrevem como desertores, mas a BBC diz que eram soldados que, perdido o
combate, se renderam aos fanáticos do ISIS. Seja isto verdade ou
encenação (a versão “verdade” interessa às duas partes, ao ISIS para
alardear a sua força, ao exército iraquiano para mostrar a impiedade dos
adversários), não há a mínima dúvida de que o ISIS baseia a sua
actividade, presente ou futura, no terror e na brutalidade mais abjecta.
Fuzilar ou decapitar têm sido actos frequentes no seu avanço e agora
que o mundo reparou neles com mais atenção vão tornar-se mais
exibicionistas e mais perigosos. A aura de invencibilidade com que
ocuparam cidades iraquianas como Tikrit ou Mossul, assim como a forma
com que se insinuam no território (em parte com apoio da população
sunita que a irresponsabilidade de Maliki marginalizou), obriga a pensar
que não basta derrotá-los episodicamente no terreno, é preciso algo
mais.
É por isso que o discurso de Blair traz consigo, no entanto,
algo de incómodo. Porque ao dizer que “a crise reside dentro da região,
e não fora”, só confirma quão aventureira e inqualificável foi a
invasão de 2003 que tão alegremente levou ao derrube de Saddam. Não
porque com ele no poder o Iraque estivesse melhor (tinha o “sossego”
criminoso das ditaduras), mas porque no fragor da “vitória” foi
esquecido o dia seguinte. O resultado está à vista. E agora ninguém sabe
como travar o terror do Levante.