04/03/2013
Rota das Letras espera atrair mais público de vários quadrantes, de dentro e fora de Macau
O artigo de Rita Marqus Ramos, no jornal Hoje Macau, dá uma informação pormenorizada sobre o Festival Literário de Macau - A Rota das Letras -, das instituições culturais que o apoiam e também do respectivo programa, que continua incompleto.
Na Segunda, 11 de Março:
- Às 15 h. na Rádio Macau, na Rua das Mariazinhas.
Hélder Fernando vai entrevistar-me no seu prograna do mesmo nome
- Às 18 h., na Fundação Rui Cunha
Vou participar num painel sobre Literatura de Viagens (Travel Literature)com Joaquim Magalhães de Castro, Alexandra Lucas Coelho, Bárbara Bulhosa e Sheng Keyi. Moderador: Hélder Beja.
Dia 14, às 12 h. televisão de Macau - TDM
Gravação para o programa de entrevistas "A Páginas Tantas", de Marco Carvalho.
Não sei a que escola ou escolas irei, nem quando estarei na Feira do Livro ou ainda quando apresentarei o meu romance "O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto", a convite da casa de Portugal em Macau. Logo que o saiba informarei os leitores.
Ler artigo de Hoje Macau
01/03/2013
As dez verdades do negócio da edição de livros
Os que se interessam pelo "negócio" dos livros ou que querem publicar uma obra, leiam este artigo, que é muito esclarecedor e, embora se refira à publicações americanas, pode servir de termo de comparação com o que se passa entre nós. Extremamente esclarecedor!
Fiquei espantada por ver que qualquer dos meus romances vende muitíssimo mais do que a maioria dos livros publicados na América.
The 10 Awful Truths about
Book Publishing
(Steven Piersanti, President, Berrett-Koehler Publishers )
1. The number of books being published every year has exploded.
Bowker reports that over three million books were published in the U.S. in 2010 (May 18, 2011 Bowker Report). The number of new print titles issued by U.S. publishers has grown from 215,777 in 2002 to 316,480 in 2010. And in 2010 more than 2.7 million “non-traditional” titles were also published, including self-published books, reprints of public domain works, and other print-on-demand books. In addition, hundreds of thousands of English-language books are published each year outside the U.S.
2. Book industry sales are declining, despite the explosion of books published.
Adult nonfiction print unit book sales peaked in 2007 and have declined each year since then, according to BookScan (Publishers Weekly, January 2, 2012). Similarly, bookstore sales peaked in 2007 and have fallen each year since then, according to the U.S. Census Bureau (Publishers Weekly, February 20, 2012).
3. Despite skyrocketing e-book sales, overall book sales are still shrinking.
“Print Declines Outpace Digital Gains” was the Publishers Weekly’ headline of September 19, 2011. For the full year of 2011, a 17.1% decline in print sales outweighed a 117.3% increase in e-book sales, resulting in a 5.8% decline in combined print and e-book sales, according to the Association of American Publishers (Publishers Weekly, March 5, 2012). Similarly, combined print and e-book sales of adult trade books fell by 14 million units in 2010, according to the August 9, 2011 BISG BookStats report. The total book publishing pie is not growing, yet it is being divided among ever more digital and print products.
4. Average book sales are shockingly small, and falling fast.
Combine the explosion of books published with the declining total sales and you get shrinking sales of each new title. According to BookScan – which tracks most bookstore, online, and other retail sales of books (including Amazon.com) – only 263 million books were sold in 2011 in the U.S. in all adult nonfiction categories combined (Publishers Weekly, January 2, 2012). The average U.S. nonfiction book is now selling less than 250 copies per year and less than 3,000 copies over its lifetime. And very few titles are big sellers. Only 62 of 1,000 business books released in 2009 sold more than 5,000 copies, according to an analysis by the Codex Group (New York Times, March 31, 2010).
5. A book has less than a 1% chance of being stocked in an average bookstore.
For every available bookstore shelf space, there are 100 to 1,000 or more titles competing for that shelf space. For example, the number of business titles stocked ranges from less than 100 (smaller bookstores) to approximately 1,500 (superstores). Yet there are 250,000-plus business books in print that are fighting for that limited shelf space.
6. It is getting harder and harder every year to sell books.
Many book categories have become entirely saturated, with a surplus of books on every topic. It is increasingly difficult to make any book stand out. Each book is competing with more than ten million other books available for sale, while other media are claiming more and more of people’s time. Result: investing the same amount today to market a book as was invested a few years ago will yield a far smaller sales return today.
7. Most books today are selling only to the authors’ and publishers’ communities.
Everyone in the potential audiences for a book already knows of hundreds of interesting and useful books to read but has little time to read any. Therefore people are reading only books that their communities make important or even mandatory to read. There is no general audience for most nonfiction books, and chasing after such a mirage is usually far less effective than connecting with one’s communities.
8. Most book marketing today is done by authors, not by publishers.
Publishers have managed to stay afloat in this worsening marketplace only by shifting more and more marketing responsibility to authors, to cut costs and prop up sales. In recognition of this reality, most book proposals from experienced authors now have an extensive (usually many pages) section on the authors’ marketing platform and what the authors will do to publicize and market the books. Publishers still fulfill important roles in helping craft books to succeed and making books available in sales channels, but whether the books move in those channels depends primarily on the authors.
9. No other industry has so many new product introductions.
Every new book is a new product, needing to be acquired, developed, reworked, designed, produced, named, manufactured, packaged, priced, introduced, marketed, warehoused, and sold. Yet the average new book generates only $50,000 to $200,000 in sales, which needs to cover all of these expenses, leaving only small amounts available for each area of expense. This more than anything limits how much publishers can invest in any one new book and in its marketing campaign.
10. The book publishing world is in a never-ending state of turmoil.
The thin margins in the industry, high complexities of the business, intense competition, churning of new technologies, and rapid growth of other media lead to constant turmoil in bookselling and publishing (such as the bankruptcy of Borders and many other stores). Translation: expect even more changes and challenges in coming months and years.
STRATEGIES FOR RESPONDING TO “THE 10 AWFUL TRUTHS”
1. The game is now pass-along sales.
2. Events/immersion experiences replace traditional publicity in moving the needle.
3. Leverage the authors’ and publishers’ communities.
4. In a crowded market, brands stand out.
5. Master new digital channels for sales, marketing, and community building.
6. Build books around a big new idea.
7. Front-load the main ideas in books and keep books short.
21/02/2013
Apresentação do novo romance na Murtosa, nos Jogos Florais 2012
Um pouco atrasada (por só agora ter visto o vídeo no youtube), a minha entrevista para a televisão local, Ribeirinhas, aquando da apresentação, na Murtosa, do meu romance O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto, editado pela Casa das Letras/Leya, durante a sessão da entrega de prémios dos Jogos Florais de 2012.
14/02/2013
No Dia dos Namorados...
Saúdo-vos, no Dia dos Namorados (e no Ano da Serpente chinês), com "TENTAÇÃO DA SERPENTE", a minha obra histórica mais erótica e poética, dedicada ao Amor e à Mulher, em que procurei transformar os estereótipos do Velho Testamento em personagens reais da Antiguidade pré-clássica, recriando o seu mundo através de documentos da época.
É o meu livro preferido, que tem tido um percurso atribulado, embora com várias edições em Portugal, Brasil, Espanha e Itália (na 1ª versão como "Contos Eróticos do Velho Testamento").
Namorem e amem, hoje e sempre, queridos amigos!
É o meu livro preferido, que tem tido um percurso atribulado, embora com várias edições em Portugal, Brasil, Espanha e Itália (na 1ª versão como "Contos Eróticos do Velho Testamento").
Namorem e amem, hoje e sempre, queridos amigos!
13/02/2013
Apresentações em Castelo Branco e Vila Velha de Ródão
Lembrete aos Amigos
1 - Castelo Branco, dia 19, 3ª Feira, às 18 h.
Apresentação de O Corsário dos Sete Mares
por Deana Barroqueiro
em Cultura Vibra
Cine-Teatro Avenida
Avenida G. Humberto Delgado
Castelo Branco
2 - Vila Velha de Ródão, dia 20, 4ª Feira, 17.30
Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão
10/02/2013
O Ano da Serpente
Começa hoje o Ano Novo Chinês da Serpente. Aqui vos deixo uma das histórias de O Corsário dos Sete Mares, passada no Sião/Tailândia, onde este Signo vai ter papel preponderante nas intrigas e jogos de poder da concubina Sri Suda Chan, que o vídeo do filme Suriyothai ajudará a visualizar, embora com legendas em Inglês:
"O leito do canal Pla Mo parece refluir de susto à passagem dos dragões, serpentes, cavalos e outras míticas criaturas, de pescoços empinados e fauces escancaradas, exibindo os dentes acerados e as línguas pendentes dos predadores. Nas últimas horas da segunda noite do crescente, emergem das sombras como uma horda de monstros farejando as presas na caçada.
Os cânticos marcam o ritmo dos remos e as chusmas das laulees dos cortesãos e servidores de Khun Worawongsa, esforçam-se por acompanhar as remadoras da barca real, que segue na frente, refulgindo nas chamas trémulas dos archotes e lanternas, ostentando orgulhosamente os estandartes e símbolos da antiga dinastia Uthong, de novo no poder.
No coberto do barco, que se assemelha a um templo ou palacete de madeiras fina-mente trabalhadas e graciosos minaretes com agulhas douradas, a rainha Sri Suda Chan, des-cendente dos primeiros reis de Ayuthya, reclinada no seu leito, sente uma opressão no peito, como um mau presságio, que não a deixa saborear o momento da vitória e da sua consagra-ção. Nem a presença do rei seu marido, que joga com o pequeno Sri Sin, nem a filha que esbraceja no colo da ama ou os mexericos e gracejos das suas aias logram dissipar as nuvens sombrias que parecem adensar-se com o raiar da manhã. A imagem do abutre a voar em círculos sobre o palácio não a deixa sossegar.
Já vai a meio o nono mês do Ano do Macaco, de mil quinhentos e quarenta e oito, um ano sumamente auspicioso que lhe propiciara a tessitura sem falhas de todos os desígnios, enredos e jogadas perigosas que concebera, permitindo-lhe a consumação das suas ambições do poder e do amor com que sempre sonhara. Assim lho profetizara a bisavó, a mais velha descendente dos Uthong, que vivia encerrada no seu paço, com a lepra a corroer-lhe o corpo e a fazer-lhe mais clarividente o dom da visão.
– Boon Sri é, como tu, do sangue real dos Uthong – dissera-lhe na sua voz enrouquecida de feiticeira – e ambos deviam estar no trono. Mas ele ocupa um miserável posto de curador de ritos e de pagodes e tu, em vez do título de rainha que te é devido, és apenas uma das quatro concubinas principais. Deste modo, os usurpadores Suphannaphum humilham os herdeiros da estirpe dos primeiros reis, quando devia ser um filho vosso a herdar o reino e restaurar a nossa dinastia.
As palavras da velha Princesa foram a chispa que lhe ateara a paixão desmedida por Boon Sri e a levara ao adultério, sem se importar com o risco que corria. Por ele jogara um jogo perigoso em que apostara tudo, incluindo a própria vida, e ganhara. O humilde brâmane curador do pátio exterior dos pagodes, que soubera enfeitiçá-la com a sua beleza e voz admirável, é agora Khun Worawongsa, o novo Rei dos Reis do Sião, coroado havia quarenta e dois dias, depois de removido o último obstáculo do seu caminho: o rei Yot Fa, o filho que concebera de Chai Raja.
Rodeara-se de parasitas dependentes dos seus favores, a fim de lhe conseguir primeiro a regência e logo a coroação, mas sabe que o trono ainda não está seguro. Embora se tivessem desembaraçado de quase toda a oposição, há muitas famílias nobres das outras três dinastias que a odeiam, acusando-a das mortes de Chai Raja e de Yot Fa, o filho de ambos, conspirando para a sua perda, chefiados pela ardilosa princesa Suriyothay, da dinastia Sukhothai.
Se esta caçada fosse bem sucedida e Boon Sri tomasse com as suas próprias mãos o divino elefante, símbolo do poder real, conquistaria o título de Senhor do Elefante Branco e com ele a confiança e devoção do povo. Por isso concordara com a expedição às florestas do Lopburi, apesar dos maus pressentimentos e, sobretudo, por esse convite ter partido do príncipe do Camboja, o filho adoptivo de Chai Raja e seu aliado.
O Ano do Galo que se avizinha, segundo lhe vaticinara a bisavó, será propício à consolidação dos seus negócios e alianças, contudo não pode descurar os inimigos. Se Boon Sri caçar a sua presa, ela tratará de se desembaraçar sem demora da perigosa Suriyothay que não se poupa a esforços para os derrubar e pôr no trono o seu marido. Phra Thien, o meio irmão de Chai Raja, é o espinho das suas vidas e sua maior ameaça, apesar de se ter feito monge, quando se refugiara num templo, para escapar à prisão e morte por conspiração no assassínio do rei, de que ela o acusara.
Para maior desassossego, os espias tinham-na informado de que Suriyothay recebera a visita do seu parente Khun Phiren, descendente dos reis Sukhothai e comandante do poderoso exército do norte. Fazia parte das crónicas secretas da corte de Ayuthya os seus amores de juventude, contrariados pela família, que forçara a filha a casar com o Príncipe Thien. O encontro dos dois era a prova de que a sua adversária conspirava contra eles.
A lembrança dos rivais crispa-lhe o rosto de ódio e a sua fiel Prik, a extensão armada do seu braço, sobressalta-se com o fogo negro dos seus olhos. Olhos de serpente, em cujo ano nascera e cujo espírito encarnara, com um fascínio a que nenhum homem, velho ou moço, sábio ou néscio, podia ou desejava resistir. Um poder que, apesar da sua juventude, a fizera sobrepujar-se às quinhentas mulheres do harém real, ascender do anonimato à posição de concubina de primeira ordem e daí a consorte-não-real de Chai Raja, lugar que lhe abrira as portas do poder e de alguma liberdade que ela soubera aproveitar com mestria.
No Ano da Cabra, de mil quinhentos e trinta e cinco, quando a rainha Jitravadee morrera a dar à luz, abrira-lhe o caminho para a sua ascensão ao lugar de consorte favorita e, graças à sua natureza voluptuosa e sabedoria nas artes de sedução (reforçadas pelo nascimento dos filhos Yot Fa e Sri Sin, concebidos por frio cálculo), conseguira grande ascendente sobre o rei e consolidara o seu poder, o que a fazia ser temida senão respeitada por todos os clãs das três dinastias rivais: Suphannaphum, Sukhothai e Prasat Thong.
Chamara para o seu serviço no palácio apenas gente da casta Uthong, parentes e aliados, começando pelas mulheres – a governante Prik que daria a vida por ela, as aias e açafatas, as guerreiras da sua guarda pessoal e das suas casas, as portadoras dos seus palanquins e as remadoras do seu laulee, as servas e escravas – e, aos poucos, fora substituindo por amigos fiéis alguns oficiais e servidores antigos que se demitiam dos seus postos ou morriam inesperadamente.
A sua paixão por Boon Sri fora obra do destino e estava escrito nos céus. Acontecera no ano da Serpente, de mil quinhentos e quarenta e cinco, o signo propício aos amores proibidos, aos escândalos mais danosos e aos negócios escuros, assim como fonte de tumultos, sedições e revoltas que quase sempre levavam a golpes de estado. Durante uma das suas visitas à bisavó, quando atravessara o pátio exterior das estátuas de Buda, vira um jovem brâmane a oficiar os ritos, escutara a magia do seu canto e o seu coração abrira-se como uma flor tocada pelo sol.
Soubera pela Princesa Velha que ele pertencia à estirpe dos reis Uthong e fora desa-possado dos direitos e posição que eram seus por nascimento. De regresso ao palácio, ainda turbada de emoção, jurara diante dos seus pagodes restituir Boon Sri à sua nobre condição. Por sugestão sua, Chai Raja quisera ouvi-lo cantar e ele surgira com todo o fulgor da sua juventude, o corpo escultural quase nu, com a tanga branca de brâmane a cingir-lhe os rins e o sexo, o longo cabelo brilhante e negro como a asa de um corvo a emoldurar o rosto de uma beleza comovente.
Cantara para ela, não para o rei, ousando olhá-la com os seus olhos de um negro aveludado, apanágio dos homens do seu clã. O cântico sagrado, em vez de lhe apaziguar a alma, incandescera-lhe o corpo insatisfeito, esse corpo que Chai Raja tomava ao capricho da sua vontade, exigindo ser servido sem servir, satisfazendo-se sem a comprazer, retirando-se saciado e deixando-a faminta. A sua condição de concubina real, embora favorita, era a de uma mulher malograda, defraudada dos seus sonhos de amor e de prazer no leito de um homem que não desejava, confinada desde a mais tenra juventude ao harém do palácio, um gineceu a fervilhar de intrigas, de invejas e de ódios.
Deixavam-na indiferente os sete guizos de ouro que Chai Raja ostentava orgulhosa-mente no seu membro, como prova da sua virilidade, e ela tinha de recorrer à sua perícia na arte de bem fingir e a todos os artifícios e invenções em que a sua imaginação era fértil, para que o seu corpo se movesse com cadência, paixão e ritmo, segundo os acordes do instrumento de amor de Sua Alteza, para que a desejasse cada vez mais e a procurasse sempre. Escondendo o asco e a rebeldia no prazer fingido dos suspiros e gemidos, na boca sôfrega que não saboreia a doçura da língua, na vagina que se cerra não de gozo mas de raiva, no abandono do corpo que grita insaciado.
O amor de Boon Sri fora uma epifania que a levara ao êxtase, a revelação de um misterioso jardim de delícias até então vedado, embora pressentido em cada gota do seu sangue e desejado por cada partícula do seu corpo. Fogo ateado em incêndio pelo desafio do interdito, o perigo da denúncia, o risco da mutilação e morte infamantes. Almas e corpos executando em perfeita sintonia a dança do amor, pura harmonia de sons nos cascavéis de prata, maviosos de ternura, vibrantes de paixão, leve tinido em tom de suspiro na modorra do repouso, para logo se reacender num crescendo de fanfarra gloriosa até à explosão de todos os sentidos.
No Ano da Serpente do ciclo anterior, mil quinhentos e trinta e três, Chai Raja soubera aproveitar-se dos distúrbios das províncias do norte causados pela morte do rei Boromma e fraca regência da rainha, para chefiar uma rebelião e apoderar-se do trono pela força, matando o sobrinho.
Doze anos volvidos, cumpria-se o ciclo dos astros e o ominoso signo da Serpente chegara de novo com tumultos nas terras do norte, forçando o rei a partir mais uma vez para Chiang Mai com todos os homens capazes de pegar numa arma, além da sua temível guarda pessoal de portugueses, deixando o reino entregue às mulheres. Nas veias de Sri Suda Chan corria o sangue espesso de reis ambiciosos e, mau grado a sua condição, ansiava pela restauração do poder dos Uthong a que se achava com direito. Uma aspiração exacerbada pelo receio de vir a ser preterida por outra favorita, mal Chai Raja se fartasse dela, um destino que se adivinhava próximo. A ausência do rei dera-lhe grande liberdade de acção, fornecendo-lhe ao mesmo tempo pretexto e ocasião para pôr em prática os seus planos.
Fizera transferir Boon Sri para as capelas interiores do palácio, com o título de Khun Jinarat, o venerável cargo de curador das imagens douradas de Buda, em substituição do anterior oficiante que aparecera morto no rio, assassinado por salteadores. Por fim pudera entregar-se sem peias ao amor que a enfeitiçara como um filtro mágico e a fazia escrava do amante, a ponto de estar disposta a todas as loucuras e crimes para não o perder.
Foi então que o destino ditou mais uma vez o curso da sua vida…
Estremece, desperta das suas recordações por algo exterior e olha em volta, sentindo-se perdida. À entrada do canal Sa Bua, o nevoeiro envolvera tudo numa espécie de fumo espesso que mal permite ver a um palmo de distância e penetra até no coberto; na barca, que apenas desliza, reina um silêncio quase absoluto para a timoneira e as remadoras não se distraírem e evitarem os obstáculos e o desastre.
Foi esse inesperado silêncio que a despertou. Não sabe a razão do reviver da sua vida passada, senão aquele peso no peito que parece esmagá-la e de que gostaria de se livrar gritando. Sente-se vulnerável fora do palácio, desprotegida, porém, fugir seria mostrar fraqueza ante o inimigo. Conta com a protecção do cunhado Nai Chan, o Segundo Rei, que virá do lado dos currais, pelo canal, ao encontro da barca real e já não deve tardar a aparecer. Nai Chan fora uma peça fundamental para o êxito da sua tomada do poder.
Nesse ano de quarenta e cinco, quando Chai Raja, ausente quatro meses em campa-nha, regressava ferido a Ayuthya, ela descobria com desespero a sua prenhez, fruto do seu adultério. Quando fores ao bosque não te esqueças da catana, dizia o povo. Desafiara tabus, correra riscos e agora, face ao perigo, só lhe restava atacar para se defender e vencer ou mor-rer. Era tempo agir, não havia que hesitar."
Nota: vídeo mostra a continuação do texto, o resultado dos manejos da concubina Sri Suda Chan, a Serpente: envenenamento do rei, sucessão do seu filho menor, assegurando a sua regência e a do amante, o brâmane Boon Sri. O mau augúrio surge no dia da coroação, com o tremor de terra, anunciando as desgraças que hão-de cair sobre a cabeça dos traidores.
07/02/2013
Lembrete aos Amigos de Sintra
CASA DO FAUNO - SINTRA, 9 de Fevereiro, Sábado, às 15 h.
Caros Amigos e Amigas, venho lembrar-vos que estarei à conversa com os leitores que me derem o prazer de aparecer em Sintra, sobre o meu romance O Corsário dos Sete Mares, Fernão Mendes Pinto e outros aventureiros para lhes contar histórias da nossa História e das relações dos Portugueses com os povos do Oriente, no Século XVI.
Morada: Casa do Fauno
Quinta dos Lobos, 1
Caminho dos Frades
(a 400 m da Quinta da Regaleira, Sintra)
Para verem a localização e o modo de lá chegar: http://casadofauno.wordpress.com/localizacao/
Caros Amigos e Amigas, venho lembrar-vos que estarei à conversa com os leitores que me derem o prazer de aparecer em Sintra, sobre o meu romance O Corsário dos Sete Mares, Fernão Mendes Pinto e outros aventureiros para lhes contar histórias da nossa História e das relações dos Portugueses com os povos do Oriente, no Século XVI.
Morada: Casa do Fauno
Quinta dos Lobos, 1
Caminho dos Frades
(a 400 m da Quinta da Regaleira, Sintra)
Para verem a localização e o modo de lá chegar: http://casadofauno.wordpress.com/localizacao/
31/01/2013
Deana Barroqueiro apresenta O Corsário dos Sete Mares em Macau
Casa de Portugal em Macau
A convite da Sra. Dra. Maria Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, Deana Barroqueiro vai apresentar o seu romance, O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto, na 2ª edição do festival literário “Rota das Letras”, que se realizará entre 10 e 16 de Março, em Macau.
O evento incluirá conferências e debates, uma Feira do Livro, exposições de artes plásticas, concertos e projecção de filmes. De acordo com a organização, o festival leva este ano a Macau vários autores da literatura lusófona e chinesa contemporânea:
De Portugal, estarão presentes, Dulce Maria Cardoso, Rui Zink, Francisco José Viegas e Valter Hugo Mãe, Ricardo Araújo Pereira, a escritora e jornalista Alexandra Lucas Coelho, o jornalista e tradutor Carlos Vaz Marques, a editora Bárbara Bulhosa e a romancista Deana Barroqueiro, esta presença com o apoio da Casa de Portugal.
Do espaço da lusofonia: De Angola estará presente José Eduardo Agualusa, de Timor-Leste Luís Cardoso, do Brasil o poeta Regis Bonvicino e o director-geral da Festa Literária Internacional de Paraty, Mauro Munhoz. Ainda do Brasil, marcam presença Paloma e Cecília Amado, filha e neta de Jorge Amado, que morreu em 2001 e que será um autor homenageado no festival, que inclui a exibição de um documentário e um filme de ficção sobre a sua vida e um dos seus livros.
Da China: Bi Feiyu, vencedor de vários prémios literários no país e do Asian Man Booker Prize, Hang Shaogong, autor de “A Dictionary of Maqiao” e tradutor de livros de Fernando Pessoa, Hong Ying, uma das autoras chinesas mais reconhecidas internacionalmente; e Yi Sha, um nome controverso na poesia chinesa contemporânea, assim como Sheng Keyi, Qiu Huadong, Pan Wei, Wang Gan, Haung Lihai, Li Shao Jun e a poetisa taiwanesa Xi Murong.
Macau estará representado pela poetisa Fernanda Dias e pelos escritores Tong Mui Siu, Chek In, Lou Mou e Wong Man Fai.
No campo do cinema, serão também várias as presenças e exibições de filmes com destaque para o filme “A Última Vez Que Vi Macau”, dos cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, “Journey to the South” do realizador chinês Wiseman Wang e que conta a história de um camionista atravessa a China em direção a sul e à província de Guangdong - adjacente a Macau e Hong Kong -, tentando arranjar dinheiro para solucionar problemas familiares. Ivo Ferreira, um realizador português agora residente em Macau, também dará a conhecer “Na Escama do Dragão”, o seu novo filme.
Na música, o fado será cantado por Camané, contando ainda o festival com Dead Combo, considerado um dos projectos musicais de maior destaque em Portugal. Organizado pelo Jornal Ponto Final, “Rota das letras” tem este ano o apoio de várias entidades públicas como a Fundação Macau e o Instituto Cultural que coorganizam o evento.
29/01/2013
Agenda de Fevereiro
1 - Sintra, 9 de Fevereiro, Sábado, às15 h.
2 - Castelo Branco, dia 19, 3ª Feira, às 18 h.
Apresentação de O Corsário dos Sete Mares
por Deana Barroqueiro
em Cultura Vibra
Cine-Teatro Avenida
Avenida G. Humberto Delgado
Castelo Branco
3 - Vila Velha de Ródão, dia 20, 4ª Feira, 17.30
Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão
Entrevista a Deana Barroqueiro na RDP-i
Caros Amigos/as: Foi transmitida no passado dia 23 a entrevista que me fez Isabel Flora Albano para a rubrica Ilustres Desconhecidos no programa Tertúlia Portuguesa, da RDP-internacional, sobre a minha vida, obra e o meu mais recente romance, O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto, editado pela Casa das Letras/Leya.
Foi uma conversa informal e simpática, à mistura com muitas histórias da nossa História, a que, se tiverem curiosidade e paciência para me ouvir, poderão aceder aqui: Ilustres Desconhecidos: http://www.rtp.pt/play/p683/e104769/ilustres-desconhecidos
Fernão Mentes? Minto! Uma expressão popular associada a uma fascinante personagem da história de Portugal e à sua peregrinação em terras do oriente, agora revisitada em mais um romance histórico de Deana Barroqueiro, autora galardoada com o prémio Máxima de Literatura - Prémio Especial do Júri.
Primeira Emissão: 11 Jan 2013Duração: 38m
Classificação: T
Ilustres Desconhecidos
Um espaço onde lhe daremos a conhecer projectos de vida diferentes.
Mais importante do que a fama é o trabalho desenvolvido em prol dos outros.
Aqueles que pelo seu exemplo melhoram o mundo têm aqui o seu programa.
Dar a conhecer projetos ou indivíduos que... pelas suas ações ou postura, contribuam para criar um mundo melhor.
Pretende-se mostrar histórias de vida interessantes e revelar iniciativas que embora possuam valor, não tiveram anteriormente uma grande divulgação.
Um espaço onde lhe daremos a conhecer projectos de vida diferentes.
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Aqueles que pelo seu exemplo melhoram o mundo têm aqui o seu programa.
Dar a conhecer projetos ou indivíduos que... pelas suas ações ou postura, contribuam para criar um mundo melhor.
Pretende-se mostrar histórias de vida interessantes e revelar iniciativas que embora possuam valor, não tiveram anteriormente uma grande divulgação.
19/01/2013
Conversa na Biblioteca dos Anjos
Dia 24, 5ª feira, às 17 horas, estarei na Biblioteca da Junta de Freguesia de Anjos, para conversar com os leitores e contar-lhes histórias da nossa História, sobre navegadores, aventureiros e conquistadores a propósito do meu novo romance, O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto.
Quem quiser aparecer para a tertúlia, será muito bem-vindo!
Endereço:
Biblioteca Clodomiro Alvarenga
Junta de Freguesia de Anjos
R. Maria da Fonte - Mercado Forno do Tijolo - Bloco C
1170-221 Lisboa
11/01/2013
Agenda de Janeiro
III - Lisboa, 24 de Janeiro, Quinta-feira, 17.00 h
Biblioteca Clodomiro Alvarenga
Junta de Freguesia dos Anjos
Rua Maria da Fonte – Mercado do Forno do Tijolo
Lisboa
Lisboa
Apresentação de
O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto
Deana Barroqueiro falará sobre o trabalho de pesquisa, como escritora, da paixão que nutre pela história de Portugal, sobre o que a move e a leva a fazer justiça à memória de certas personagens cruciais da nossa história
Deana Barroqueiro falará sobre o trabalho de pesquisa, como escritora, da paixão que nutre pela história de Portugal, sobre o que a move e a leva a fazer justiça à memória de certas personagens cruciais da nossa história
II - Beja, 18 de Janeiro, Sexta-feira, 18.30 h
Biblioteca Municipal de Beja
Apresentação de
O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto
Deana Barroqueiro fala do seu
romance, como veículo para melhor conhecimento as viagens de Descobrimento dos
Portugueses no Oriente do Século XVI e o seu pioneirismo numa estratégia de Globalização
I - Beja, 17 de Janeiro, Quinta-feira, 14 h
Farei parte da MESA REDONDA
sob o tema
"AS VIAGENS... REPRESENTAÇÕES DO TURISMO NA LITERATURA"
no âmbito do Projecto
do Instituto Politécnico de Beja
Auditório dos Serviços Comuns
Rua Pedro Soares
Campus do Instituto Politécnico de Beja
Programa:
14h00: Abertura dos Trabalhos
«Miguel Tavares», Diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja
«João Silva», Coordenador do Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja
«Edgar Carneiro», aluno do 3º ano do Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja
14h45: Mesa Redonda
«João Pombeiro», Diretor da revista “Ler”
«Deana Barroqueiro», autora de numerosos romances inspirados em conhecidos personagens históricos
«Manuel Alberto Valente», diretor editorial da secção Lisboa da Porto Editora
«Ana Coelho», sócia da Livraria “Palavra de Viajante”
«Maria Paula Santos», responsável pela Biblioteca Municipal de Beja José Saramago
Moderadores:
«Fernando Martins», aluno do 3º ano do Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja
«Ana Rita Caeiro», aluna do 3º ano do Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja.
16h30: Encerramento
«Vito Carioca», Presidente do Instituto Politécnico de Beja
«Jorge Pulido Valente», Presidente da Câmara Municipal de Beja
«Nuno Madeira», Assessor da Senhora Secretária de Estado do Turismo
«Luís Rodrigo», aluno do 3º ano do Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja
17h00: Alentejo de Honra
Ver mais em: https:// tourismtoliterature.webnode .pt/
10/01/2013
SPA não vai adoptar Acordo Ortográfico
Já não era sem tempo que a Sociedade Portuguesa de Autores tomasse posição contra este Acordo Ortográfico feito por interesses políticos de alguns e à revelia da maioria dos Portugueses e das instituições credenciadas para tratarem da Língua Portuguesa. Foi preciso que o Brasil roesse a corda...
Não admira que Carlos Reis se insurja contra esta decisão da SPA, sendo um defensor acérrimo e militante deste canhestro AO e dos seus próprios interesses, enquanto professor de uma universidade brasileira, a ponto de insultar todos os que se opunham a esta pantomima política. No Público de 9/1/2013.
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai continuar a redigir os seus documentos e a sua comunicação de acordo com a norma ortográfica antiga. O professor Carlos Reis critica a decisão, acusando a instituição de estar a correr “atrás de lebres mal informadas ou tendenciosas”.
A decisão da administração da SPA, anunciada esta quarta-feira na sua página oficial na Internet, é justificada com a consideração de que “este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido”. A Sociedade invoca ainda a circunstância de “o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o AO” e de “Angola ter assumido publicamente uma posição contra”.
O professor Carlos Reis, reconhecido defensor do AO, critica a posição da SPA, acusando a instituição de “correr atrás de lebres mal informadas ou tendenciosas”. “Ao contrário do que diz o site da SPA, o Brasil não adiou uma decisão final sobre o AO, o que fez foi prolongar por mais algum tempo o período de transição até à sua aplicação obrigatória” em 2016, acrescenta, num depoimento enviado ao PÚBLICO por email, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e ex-director da Biblioteca Nacional.
Carlos Reis – que no ano lectivo 2011-12 leccionou na Universidade Católica do Rio Grande do Sul – refere, de resto, que pôde verificar in loco “que o AO foi já generalizadamente adoptado no Brasil, sem dramas nem histerias”, e cita, como exemplo, o recente anúncio do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, de que vai ajustar já às novas regras os textos da comunicação da sua exposição permanente Linha do Tempo da Língua Portuguesa.
No seu comunicado, a SPA volta a criticar “a forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado português”, responsabilizando, em particular, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, do anterior governo socialista, Luís Amado, “que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas”.
“O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso” – acrescenta o comunicado da SPA – “prejudicou seriamente todo este processo, e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.”
Carlos Reis concorda neste ponto com a SPA: “É de uma total irresponsabilidade a forma como este assunto tem sido tratado pelo Estado português, em particular quando Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros.” Mas chama a atenção para outro aspecto a ter em conta, na posição que o Brasil tem tomado perante o assunto: “Como o AO carece de alguns reajustamentos (só a gritaria portuguesa em torno deste assunto impediu que isso fosse reconhecido com serenidade), será o Brasil a liderar esse processo, quando ele acontecer. As pessoas que tanto temem o protagonismo do Brasil nesta matéria estão a dar àquele grande país esse protagonismo, quando contribuem para amplificar notícias que aconselhariam mais informação e mais prudência”, diz o professor da Universidade de Coimbra.
Carlos Reis acrescenta que se a recente posição do Brasil, de adiar a obrigatoriedade de utilização das determinações do AO para 2016, “tem alguma coisa que ver com Angola (que, mais tarde ou mais cedo, vai ter mesmo de adoptar o AO), então isso só mostra que aquele país tem mais atenção ao universo da língua portuguesa e às suas singularidades do que Portugal, destituídos como estamos de uma política de língua estrategicamente ponderada”.
O polémico dossier do AO teve, esta semana, mais um desenvolvimento na Assembleia da República, com a aprovação, por unanimidade, na terça-feira, da criação de um Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do AO, sob proposta do deputado comunista Miguel Tiago.
Não admira que Carlos Reis se insurja contra esta decisão da SPA, sendo um defensor acérrimo e militante deste canhestro AO e dos seus próprios interesses, enquanto professor de uma universidade brasileira, a ponto de insultar todos os que se opunham a esta pantomima política. No Público de 9/1/2013.
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai continuar a redigir os seus documentos e a sua comunicação de acordo com a norma ortográfica antiga. O professor Carlos Reis critica a decisão, acusando a instituição de estar a correr “atrás de lebres mal informadas ou tendenciosas”.
A decisão da administração da SPA, anunciada esta quarta-feira na sua página oficial na Internet, é justificada com a consideração de que “este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido”. A Sociedade invoca ainda a circunstância de “o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o AO” e de “Angola ter assumido publicamente uma posição contra”.
O professor Carlos Reis, reconhecido defensor do AO, critica a posição da SPA, acusando a instituição de “correr atrás de lebres mal informadas ou tendenciosas”. “Ao contrário do que diz o site da SPA, o Brasil não adiou uma decisão final sobre o AO, o que fez foi prolongar por mais algum tempo o período de transição até à sua aplicação obrigatória” em 2016, acrescenta, num depoimento enviado ao PÚBLICO por email, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e ex-director da Biblioteca Nacional.
Carlos Reis – que no ano lectivo 2011-12 leccionou na Universidade Católica do Rio Grande do Sul – refere, de resto, que pôde verificar in loco “que o AO foi já generalizadamente adoptado no Brasil, sem dramas nem histerias”, e cita, como exemplo, o recente anúncio do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, de que vai ajustar já às novas regras os textos da comunicação da sua exposição permanente Linha do Tempo da Língua Portuguesa.
No seu comunicado, a SPA volta a criticar “a forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado português”, responsabilizando, em particular, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, do anterior governo socialista, Luís Amado, “que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas”.
“O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso” – acrescenta o comunicado da SPA – “prejudicou seriamente todo este processo, e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.”
Carlos Reis concorda neste ponto com a SPA: “É de uma total irresponsabilidade a forma como este assunto tem sido tratado pelo Estado português, em particular quando Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros.” Mas chama a atenção para outro aspecto a ter em conta, na posição que o Brasil tem tomado perante o assunto: “Como o AO carece de alguns reajustamentos (só a gritaria portuguesa em torno deste assunto impediu que isso fosse reconhecido com serenidade), será o Brasil a liderar esse processo, quando ele acontecer. As pessoas que tanto temem o protagonismo do Brasil nesta matéria estão a dar àquele grande país esse protagonismo, quando contribuem para amplificar notícias que aconselhariam mais informação e mais prudência”, diz o professor da Universidade de Coimbra.
Carlos Reis acrescenta que se a recente posição do Brasil, de adiar a obrigatoriedade de utilização das determinações do AO para 2016, “tem alguma coisa que ver com Angola (que, mais tarde ou mais cedo, vai ter mesmo de adoptar o AO), então isso só mostra que aquele país tem mais atenção ao universo da língua portuguesa e às suas singularidades do que Portugal, destituídos como estamos de uma política de língua estrategicamente ponderada”.
O polémico dossier do AO teve, esta semana, mais um desenvolvimento na Assembleia da República, com a aprovação, por unanimidade, na terça-feira, da criação de um Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do AO, sob proposta do deputado comunista Miguel Tiago.
07/01/2013
Revista Portugal Mag
Na revista PortugalMag, publicada em França, no seu número de Dezembro, nas páginas 10 e 11, vem um extenso artigo de Maria Fernanda Pinto sobre o meu trabalho de romancista - " Deana e a sua Arte".
Os meus sinceros agradecimentos à jornalista e aos Directores da Revista, Pedro António e Frankelim Amaral, pelo destaque que me deram.
Para ler aqui: http://www.portugalmag.fr/
06/01/2013
Dia de Reis e Padre António Vieira
Ecce Magi ab Oriente venerunt ...
Nasceu hoje a cristandade, porque os três reis que neste dia vieram adorar a Cristo foram os primeiros que o reconheceram por Senhor, e por isso lhe tributaram ouro; os primeiros que o reconheceram por Deus, e por isso lhe consagraram incenso; os primeiros que o reconheceram por homem em carne mortal, e por isso lhe ofereceram mirra. Vieram gentios, e tornaram fiéis; vieram idólatras, e tornaram cristãos. (...)
Foram três, e nem mais nem menos que três, os reis que vieram adorar a Cristo, porque neles se representava todas as partes do mundo que também são três: Ásia, África e Europa. (...)
Dizem que os três reis significavam a Ásia, a África e a Europa; e onde lhes ficou a América? A América não é também parte do mundo, e a maior parte?
Havemos de supor que neste mesmo Mundo em diferentes tempos houve dois Mundos: o Mundo Velho, que conheceram os antigos, e o Mundo Novo, que eles e o mesmo Mundo não conheceu, até que os portugueses o descobriram.
O Mundo Velho compunha-se de três partes: Ásia, África e Europa; mas de tal maneira que entrando neste primeiro composto toda a Europa, a Ásia e a África não entravam inteiras, senão partidas e por um só lado: a África com a parte que abraça o mar Mediterrâneo, e a Ásia com a parte a que se estende o mar Eritreu.
O Mundo Novo, muito maior que o Velho, também se compõe de três partes: Ásia, África e América; mas de tal maneira também, que entrando neste segundo composto toda a América, a Ásia e a África, só entram nele partidas, e com os outros dois lados tanto mais vastos e tanto mais dilatados, , quanto o mar Oceano que os rodeia excede ao Mediterrâneo e Eritreu.
E como os autores antigos só conheceram o Mundo Velho e não tiveram, nem podiam ter conhecimento do Novo; por isso Beda e Ruperto disseram com muita propriedade que os três reis do Oriente ( os Reis Magos que vieram adorar a Cristo ) representavam as três partes do mundo: Ásia, África e Europa. (...)
São Bernardo arguiu com seu grande engenho, que assim como houve três reis do Oriente que levaram as gentilidades[1] a Cristo, assim havia de haver outros três reis do Ocidente que as trouxessem à mesma fé.(...)
(Sermão da Epifania - Pregado na Capela Real à Rainha Regente - ob.cit. Vol.III )
[1] Gentilidades - Pagãos. Sem religião.
[1] Gentilidades - Pagãos. Sem religião.
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