27/10/2013

Segredos da Descoberta da Austrália pelos Portugueses

Mais um livro sobre a possibilidade, que para muitos certeza, da Descoberta da Austrália pelos Portugueses. Quem leu o meu último romance - O Corsário dos Sete Mares - lá encontrou, embora de forma ficcionada, a maioria dos argumentos e provas a favor desta teoria. Mesmo para quem não tenha estudado este assunto, pode acreditar que os Portugueses não tivessem visto e explorado as costas da Austrália, quando descobriram e desembarcaram em todas as ilhas junto a essas costas, incluindo Timor e Papua, tinham bases comerciais nos arquipélagos de Banda e Molucas, de onde partiam para mercadejar com os indígenas?
Segredos da Descoberta da Austrália pelos Portugueses

Segredos da Descoberta da Austrália pelos Portugueses

Rainer Daehnhardt


NOVAS REVELAÇÕES COMPROVAM A PRESENÇA DE NAVEGADORES PORTUGUESES NA AUSTRÁLIA MAIS DE 200 ANOS ANTES DA COROA INGLESA Baseando-se em dois mapas de 1547 recentemente descobertos numa biblioteca em Los Angeles, nos Estados Unidos, os autores defendem a hipótese, solidamente sustentada pela cartografia quinhentista e pela toponímia, da descoberta da Austrália e, muito provavelmente, da Nova Zelândia, pelos navegadores portugueses.

Apesar desta teoria ser já defendida por alguns investigadores escoceses e ingleses desde o séc. XVIII, a presente obra revela novos dados que fortalecem e clarificam a descoberta portuguesa, que terá ocorrido mais de dois séculos antes do Capitão James Cook reclamar, em 1770, a posse do vasto território australiano para a coroa inglesa. Esta obra inclui uma ampla quantidade de antigos mapas, dos quais se destaca um, de 1598, de origem inglesa - aqui reproduzido a cores - contendo informações inéditas que revelam ser uma cópia de portulanos portugueses anteriores.

Infelizmente, os mapas secretos lusos não chegaram até aos nossos dias porque, muito provavelmente, foram ocultados ou destruídos pela coroa portuguesa, que quis manter afastados os seus rivais, particularmente os espanhóis. Todas estas descobertas, para além de revelarem informações inéditas sobre a verdadeira amplitude dos Descobrimentos Portugueses, revelam a importância dada pela cartografia lusa ao Extremo Oriente.

PARA ALÉM DA HISTÓRIA OFICIAL DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES, EXISTE UMA HISTÓRIA SECRETA, ONDE PROLIFERAM AS RIVALIDADES, OS SEGREDOS DA COROA E AS ESTRATÉGIAS POLÍTICAS Inclui Reprodução a Cores de um Mapa Inédito da Austrália do Séc. XVI

23/10/2013

Os ovários e os testí­culos sauditas

Segundo um dos religiosos conservadores mais importantes da Arábia Saudita, de seu nome Saleh Saad al-Lochaidn, a condução de automóveis por parte das mulheres pode danificar-lhes os ovários.
Vale a pena ler o que este teólogo escreveu, tendo em conta a densidade do saber do nosso religioso... "Se uma mulher conduz um carro que seja absolutamente necessário pode sofrer consequências psicológicas negativas, já que existem estudos médicos fisiológicos que demonstram que a condução afeta automaticamente os ovários e pressiona a pélvis para cima... Por isso achamos que aquelas que conduzem habitualmente têm crianças com problemas clínicos de diferentes níveis...", assegurou numa entrevista à publicação digital Sabq.org.

A notícia, transcrita de um jornal marroquino, dá muito que pensar.
Se um homem tiver de conduzir um carro de modo imperativamente, pensando bem face a este estudo científico, pode sofrer consequências psicológicas negativas, já que a condução pode afetar automaticamente os testículos e pressionar a pélvis para cima. É que não há dúvidas que a condução masculina implica que os testículos sejam em maior ou menor grau constrangidos contra o banco onde jaz o traseiro.

Sem ser médico, mas do que resulta da chamada experiência comum, os homens a conduzir para além do traseiro "sentam" os testículos no banco.
Ora cabe perguntar se o que sucede na Arábia Saudita por causa dos ovários não poderá estar a suceder na Europa em todas as crianças que apresentam problemas negativos já não por causa não da condução das mulheres, mas sim de tal pressão nos testículos dos homens.
Na Arábia Saudita só os homens podem conduzir. A proibição das mulheres conduzirem resulta de fatwas (éditos) dos religiosos que são para cumprir.

Além de não serem de descartar outros esclarecimentos científicos deste religioso acerca das razões pelas quais as mulheres precisam de uma autorização por escrito do marido, ou do pai, ou do irmão ou mesmo do filho para sair ou até submeterem-se a operações cirúrgicas.
Não há dúvidas que a atenção que merecem as mulheres na Arábia Saudita, esse grande aliado ocidental, é de tal monta que elas mobilizam maridos, pais, irmãos ou filhos para que eles possam decidir magnanimamente se a esposa, a filha, a irmã ou a mãe pode ser sujeita a uma intervenção cirúrgica. Coisa que ela nunca poderá decidir ,apesar do Concílio de Trento no século XIV da era cristã.
Os pais, os filhos, os irmãos não precisam de mobilizar a opinião da esposa, das mães ou pais, ou das irmãs para dar autorização àqueles seres humanos do género masculino.
Repare-se na nobreza de raciocínio: estes homens conduzem sem sentirem o peso dos testículos porque o que os preocupa não são os testículos exteriores ao corpo humano, mas sim os ovários escondidos dentro do corpo feminino.

As coisas valem o que valem. E do ponto de vista de uma sociedade que se funda em pressupostos como este não pode haver dúvidas do seu grau de iniquidade e de violência por tratar as mulheres sauditas como sendo seres menores, a ponto de uma mãe ter de pedir autorização a um filho para sair, andar na rua ou submeter-se a uma intervenção cirúrgica.

A Arábia Saudita está colada à Síria, que tem dentro dela milhares de combatentes que se orientam por estes princípios brutais e obscurantistas.
Os que já visitaram a Síria e viram as mulheres sírias conduzir poderão imaginar, caso vençam estes rebeldes, o retrocesso baseado na necessidade de proteger os ovários das mulheres sírias... Permitindo todo o tipo de atropelos aos direitos humanos? O que se seguirá? Decapitações à sexta? Chicotadas todos os dias? Entrada sem qualquer mandado em casa de quem quer que seja, menos da família real, para averiguar se naquela casa impera o vício? Ai os ovários. E os testículos!!!

Mas há também boas notícias porque a Terra, apesar da família saudita real, movimenta-se: pela primeira vez na Arábia Saudita foi permitido às mulheres serem advogadas. Já há quatro mulheres advogadas...

Domingos Lopes (Advogado)

18/10/2013

O que dizem os meus leitores

Esta rubrica (em título), do meu blogue Conversa com os Leitores, foi criada para eu poder comunicar com quem não tem Facebook, uma rede que utilizo diariamente, em detrimento do blogue, porque a troca de mensagens é rapidíssima e, portanto, mais fácil para estabelecer um diálogo quase instantâneo com os nossos interlocutores.
"O que dizem os meus leitores" é o lugar privilegiado para me escreverem as suas impressões e as suas críticas, fazerem perguntas ou pedirem esclarecimentos sobre os meus romances, permitindo-me assim reflectir sobre o meu trabalho para tentar escrever cada vez melhor.
Se a mensagem chega por e-mail, peço ao seu autor licença para a publicar neste espaço e, assim,  partilhá-la convosco, meus amigos na escrita e na vida. Como esta que recebi ontem do leitor João Ribeiro e me encantou:

"Olá,

Venho por este meio, simultaneamente, felicitá-la e agradecer-lhe  pelo seguinte motivo. Ter escrito "D. Sebastião e o vidente". Estou a menos de dez capítulos de acabar a obra. Adorei. A história é já por si trágica e apaixonante mas a sua escrita faz-nos estar presentes no momento, obrigado por isso. Cada página que leio transporta-me para a realidade do que aconteceu.
Não consigo no entanto, perder a esperança que talvez, afinal, tudo irá correr bem e que nós ganhámos a batalha, que o desastre de Alcácer Quibir nunca aconteceu.... Que vou ler um capítulo que explica a verdade em que saímos vitoriosos da batalha... Sou assim, vivo a vida entre o real e o fantasioso.
Não conte a ninguém mas provavelmente vou chorar  quando acabar o livro. Fico sempre sensibilizado com as desventuras deste nosso maravilhoso País. Não fosse os grandiosos feitos que alcançámos andaria sempre deprimido. Não fosse isso e o facto de acreditar, acreditar sempre que nos vamos levantar e seremos melhores do que alguma vez fomos.
Mais do que a felicidade que desejo para mim, para os meus ou mesmo para o mundo desejo acima de tudo, Portugal.
Tudo de bom para si Deana.

Do leitor,
João Ribeiro"

07/10/2013

Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo (12-09-2013)

Não deixem de ouvir esta crítica lúcida, de um homem inteligente e decente, qualidades cada vez mais raras entre os políticos .

E neste momento Pacheco Pereira ainda não sabia dos cortes das pensões de viuvez (de sobrevivência).

A propósito dos comentadores da TV, a sua crítica assenta como uma luva à parelha histriónica Judite de Sousa/Marcelo Rebelo que falam da crise que esmaga os portugueses mais desprotegidos  com tal ligeireza e falta de sensibilidade, como se comentassem um "fait divers" ou uma telenovela. Porque a crise passa-lhes ao largo, eles estão a salvo nos respectivos poleiros...  Faço minhas as palavras de Pacheco Pereira:
Sinto-me mal neste país que amo.


04/10/2013

Hiroshima Nuclear (atomic) Bomb - USA attack on Japan (1945)

Antecedentes à rendição do Japão: as bombas atómicas lançadas, um mês antes, pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki: Recriação segundo testemunhos dos sobreviventes (inglês).



Imagens autênticas, sem palavras:

Japanese Sign Final Surrender 日本の降伏

Efeméride histórica, de repercussão mundial, sobretudo no Ocidente, comemorada há dias:

A Rendição do Japão em 02 de Setembro de 1945

Um tesouro histórico tornado público. Este é o filme feito durante a cerimónia de rendição do Japão ao General Douglas McArthur a bordo do couraçado Missouri, na baía de Tóquio, em 02 de setembro de 1945. O público em geral teve acesso apenas às fotos tiradas na ocasião.

Lamento que não esteja legendado em português, mas, mesmo para quem não domine o inglês, as imagens falam por si

News reel of the surrender ceremony on board the USS Missouri in Tokyo Bay on September 2, 1945. Background music is "With Honour Crowned".

30/09/2013

A NATUREZA DA "CRISE PORTAS" É SER ENDÉMICA


Crónica de José Pacheco Pereira, no Público de Sábado, 28 de Setembro
Uma profunda reflexão sobre a situação política que vale a pena ler até ao fim.


A palavra desagregação não chega. Decomposição também serve, mas não é suficiente, porque pelo menos o esqueleto tem estrutura. Quando chamei a este Governo o "navio-fantasma", ainda pensei que a evidência da desagregação não fosse tão rápida, depois do fôlego das proclamações de que "no fim de tudo o Governo ficou melhor" e de que o país, empurrado pelos "sinais" de recuperação, ia para bom porto. Se pudesse ter uma tabuleta gigante nela escreveria: "Com esta gente nunca. Nunca, jamais, em tempo algum".
 
A rábula actual do défice na "negociação" com a troika, com Portas e Maria Luís a deambularem pelos "centros políticos" da CE, do BCE e do FMI, para fazerem a "negociação política", depois a irem à Assembleia dizerem aquilo que desdizem no dia seguinte, com Portas a dizer uma coisa e Passos outra, com recados do PSD em período eleitoral enchendo o peito de ar contra a "hipocrisia" do FMI, com truques, mensagens, recados e intrigas, com a troika a fazer de esfíngica com aqueles com que se tem de encontrar, sindicatos, deputados, mas que considera irrelevantes para qualquer decisão, apenas reuniões protocolares aborrecidas que são perda de tempo, com a cacofonia do PS, mostra como singra o "navio-fantasma" com as suas velas cor de sangue. 

O que temos hoje à nossa frente? Ideias, planos, projectos, ideologias? Nem isso. Apenas pessoas, e pessoas que não valem muito. Estão desprestigiadas, mesmo quando tinham apenas um vago prestígio. Estão confundidas, embora a clareza nunca tenha sido uma coisa por aí além. Fazem o que sabem fazer, fazem pela vida. Tentam sobreviver e manter o poder no meio dos sarilhos que criaram e estão agarradas ao seu eu, nalguns casos um gigantesco Eu, noutros um pequeno eu que não se enxerga, mas existe, está lá, ocupa espaço. 

Nós baixamos de tal modo os critérios de exigência, que aceitamos ser governados por gente muito acima do seu princípio de Peter, mesmo para serem bons chefes de secretaria. Que experiência tinham, que qualificações tinham, que adquirido traziam consigo, que caracteres excepcionais, que cinismo lúcido e criador ou bondade genuína, que inteligência especial, que intuição carismática, traziam consigo para ocuparem, numa das maiores crises da nossa história, a condução de Portugal? Nem sequer eram homens normais, cuja razoabilidade e senso comum nos protegiam da asneira. Eram a gente da estufa partidária, com um curso de como singrar no aparelho, uma ambição desmedida, sabedores de que o essencial era estarem no lugar certo na altura certa. E estavam. E estavam, porque nós os deixamos estar. Em democracia, é assim, quem chega ao poder, está lá com o nosso voto. Seja Sócrates, seja Passos Coelho, seja Portas.

Não há outra maneira de entender o que se está a passar nestes dias, a não ser percebê-lo nas suas pessoas, porque são as pessoas que lhe dão forma e expressão, e, a poucos meses de se ter "ultrapassado" a crise Portas, esta continua a revelar-se, como se podia prever, endémica.

Há uma razão para que reine uma enorme confusão vinda de cima e perplexidade vinda de baixo. A teia que une o de cima com o de baixo é feita de mentiras. Mentiras em toda a sua plenitude, com todas as cambiantes, omissão de verdade, sugestão de falsidade e falsidade. A maioria dos portugueses não sabe nada do que se passa e os poucos conhecedores preparam em segredo a sua Arca de Noé. O que se passa nos encontros com a troika? Não se sabe. O que se passou em Bruxelas e Washington? Não se sabe. O que os homens de Lagarde ou de Draghi ou de Barroso dizem? Não se sabe. Recados não são informação. Nunca nos tempos mais recentes tão pouca informação fidedigna existe.

E as lendas não encaixam. Até agora, o "prestígio" conseguido por Portugal travava os juros e fazia-os descer. Quantas vezes a retomada do "prestígio" de Portugal foi louvada, nalguns casos como o único resultado da governação Passos-Gaspar. "Credibilidade" era a buzzword. Era por aí que regressaríamos aos mercados em Setembro de 2013, este mês. Era a barreira que nos separava da Grécia e nos colocava ao lado da Irlanda. E, subitamente, hoje ninguém do lado do poder já fala de "credibilidade", a não ser quando serve para se aceitar mais uma medida de austeridade. Ou um novo "imposto", como o Presidente chamou aos cortes dos reformados, o que deve ter posto o Governo com os cabelos em pé. 

Porquê? Primeiro, porque a "credibilidade" não era assim tão sólida como se dizia; depois porque o penhor da "credibilidade", Vítor Gaspar, se foi embora, e, por fim, porque a crise Portas mostrou a fragilidade de tudo. Os propagandistas do Governo acusam o Tribunal Constitucional, mas basta olhar com atenção para os juros, para perceber o enorme estrago que foi a crise Portas, tornando tudo muito frágil. E para perceber outra realidade incómoda para o Governo, que a evolução dos juros da dívida dependem essencialmente da conjuntura europeia e internacional e aquilo que considerávamos o grande mérito do nosso Governo, era pouco mais do que evitar, pela obediência e bom comportamento, não agravar altos e baixos que vinham de fora. Que foi o que a crise Portas fez.

O que se passava é que, como muita gente prudente disse e o Governo, ofuscado por si próprio, não queria ouvir, nunca estivemos, nem estamos, em condições de "voltar aos mercados", porque a política seguida é errada e é insustentável em democracia, façam-se os pactos, acordos, entendimentos, "consensos" que se quiserem. E porque comparticipamos pelo euro numa crise europeia económica, social, política, em que somos, com a Grécia, o elo mais fraco. Por isso a troika pode ir-se embora daqui a uns meses, que um segundo resgate, às claras ou disfarçado de "plano cautelar", vai continuar a manter-nos sob controlo estrangeiro tendo como único objectivo manter a política actual. 

Como acontece sempre, a imoralidade de cima penetra como um veneno em todo o tecido social. Estamos hoje menos "povo", mas uma soma de medos, egoísmos, defesas, invejas e raivas. Acresce que a relação do poder actual na governação é doentia, para não dizer outra coisa. A grande responsabilidade de Cavaco Silva foi ter mantido um Governo que não existe, não tem primeiro-ministro, mas dois, cada um para um Governo, um é o do CDS e outro é, mais ou menos, do PSD, que não se governa a si próprio quanto mais o país. E a única coisa que é capaz de fazer são medidas avulsas, mal pensadas e mal preparadas e muitas vezes iníquas, que dão cabo da vida das pessoas, não para um ano ou dois ou três, mas para o resto das suas vidas. Depois arranjam um nome pomposo para lhe dar.

Passos Coelho é o factor permanente e estático da governação. Está lá e permite tudo. Está muito agarrado ao poder. Mas o factor dinâmico da crise é Portas, por isso muita da confusão actual se lhe deve, quer ao que fez, quer ao que está a fazer a ver se remedeia o que fez. Aceitou ser primeiro-ministro na prática, com tudo o que implica a assunção de um máximo poder, para o qual não tem legitimidade eleitoral, mas sabe que essa oferta foi dada com desespero de causa e é mantida com dolo. 

O que faz Paulo Portas hoje é tentar desesperadamente reconstruir-se dos efeitos do "irrevogável" e dos milhões que nos custou na crise que deve ter o seu nome. O que Passos Coelho e o PSD fazem é impedi-lo de obter ganho de causa. No meio de tudo isto há eleições e as eleições contam e muito. Todos usam e manipulam os jornais, que se deixam alegremente encher com recados e pseudo-informações. É uma festa.

A salgalhada dos 4% e dos 4,5% (em que Seguro participa com os seus 5%, provavelmente porque sabe ou suspeita que o Governo já conseguiu os 4,5%), a valsa de declarações eleitorais contra a troika, os ralhetes a pedir silêncio, desobedecidos de imediato, são o retrato dessa decomposição com que comecei este artigo. Não são mais do que os sinais de como a crise Portas continua em pleno, Portas a querer mostrar serviço, Passos Coelho a dificultar-lhe a vida, e nenhum a ter qualquer consideração nem com as pessoas, nem com o país. Eles vivem noutro mundo e nenhum pode vir dizer que é Portugal que lhes interessa, mas a única coisa que lhes importa que não se "lixe" são eles próprios.

25/09/2013

Tese: O Romance da Bíblia/Tentação da Serpente


"O romance da Bíblia: a reescrita profana de Deana Barroqueiro" (Brasil)

Poster de apresentação da tese de Késia Oliveira (Bolsista IC/CNPq), da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil), sob a orientação da Professora Dra. Lyslei Nascimento, sobre o meu romance Tentação da Serpente/Romance da Bíblia, que me deixou imensamente orgulhosa.




 

12/09/2013

Museu do bonsai



Em Sintra, existe um Museu do Bonsai, único no país, onde é possível perceber que um bonsai é muito mais do que uma árvore envasada, é uma obra de arte.

Merece, sem dúvida, uma visita.

Este vídeo já tem 5 anos, mas o Museu está um encanto e as pessoas que atendem na estufa e loja são simpatiquíssimas.

Quando o visitei, este mês de Setembro, no dia 10, apanhei uma promoção de 50% em todos os bonsai da loja. As árvores eram lindíssimas, apetecia-me trazer muitas mais, mas só comprei quatro.

Os bonsaistas inveterados ainda podem conseguir magníficos exemplares por metade do preço. E quem não visitou, mesmo que não cultive bonsai deve ir lá nestes dias magníficos de  quase Outono.

Mais informações no site do Museu: http://bonsaicentro.net/bc/index.php

24/07/2013

Deana Barroqueiro A Páginas Tantas

Uma grande surpresa, que chegou no dia do meu aniversário, enviada pelo jornalista Marco Carvalho: a entrevista que ele me fez para a televisão de Macau, aquando da apresentação de "O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto", a convite da Casa de Portugal.

Marco Carvalho deu-me espaço e tempo para contar histórias da nossa História, numa conversa amena e despretensiosa, com tamanha simpatia que conquistou para sempre a minha amizade.

Apesar da gripe terrível que apanhei à chegada a Macau e da febre que ainda tinha, a entrevista até nem correu mal, creio mesmo que os espectadores ficaram com uma ideia (se ainda não conheciam) do importantíssimo papel que os Portugueses  tiveram em dar a conhecer à Europa o verdadeiro Oriente, até então praticamente desconhecido.

Para quem tiver pachorra para ver e ouvir...



16/07/2013

Do Tempo da Outra Senhora: Cinemateca

Caras Amigas e Amigos cinéfilos:

CINEMATECA PORTUGUESA:  Filmes portugueses alojados no YouTube 1930 - LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA (1930 - Leitão de Barros... 
Para ver aqui:

26/06/2013

Respondendo a Miguel de Sousa Tavares

Por Anabela Bragança, uma professora de Coimbra, indignada:
 
 Caro Miguel

Desde já peço desculpa pela familiaridade do trato, mas como nos conhecemos tão bem sinto-me no direito de ser mais tu-cá-tu-lá consigo. Li o seu artigo sem adulteração, aquele do Expresso do último sábado, do dia 15 de Junho de 2013. Escrevo a data completa porque a quantidade de textos que debita poderiam criar na sua cabeça alguma confusão sobre o espaço temporal a que me refiro. Devo dizer que é um texto bem escrito, daqueles que se aprendem a escrever quando se tem uma professora à moda antiga, das que nos ensinam a amar o saber e fazer da vida uma busca continua desse mesmo saber, das que nos ensinam a ter espírito critico, das que nos ensinam a pensar e a usar com racionalidade essa fundamental característica que é uma das que nos distinguem das restantes espécies da Classe Mammalia. Como se deu ao trabalho de fazer uma breve introdução romanceada do seu percurso pelo primeiro ciclo, então escola primária, vou, também eu, essa breve introdução, sem as figuras de estilo que o Miguel usa, porque em mim a escritora não pode florescer por falta não de vocação que essa até tenho, mas de tempo, e a seu tempo entenderá o porquê. Então vejamos, em 1976 entrei na escola primária. A escola que me acolheu, uma das obras positivas do tempo assumidamente autocrático, era linda, branca, com casas de banho que por acaso não funcionavam mas estavam lá, com as paredes preenchidas pelos trabalhos de desenho dos meus colegas mais velhos que a minha arte ainda não se tinha manifestado. Sabe porque é que a minha escola era linda? Porque eu não sou filha de nenhuma escritora, nem nenhum deputado, nunca os meus olhos tinham visto tanto livro junto, e refiro-me a meia dúzia que havia lá pela minha escola de aldeia, longe de Lisboa e do Porto. Sabe Miguel, acredito que pense efectivamente que sabe, ou não tivesse sido aluno da D. Constança, as vivências da realidade são diferentes de ser humano para ser humano, e por isso o quadro feio e negro da escola do Miguel pode ser belo e muito colorido para alguns dos seus colegas de carteira. Mas deixemos isto e continuemos na saga do meu percurso escolar. Tal como o Miguel também na minha escola éramos muitos, tanto que nem me lembro do número, será porque isso nunca foi relevante? É que das pessoas ainda me lembro bem, das brincadeiras também, das aulas também… As duas salas estavam sempre cheias, como um ovo, havia dois turnos de aulas com 4 professoras, duas de manhã e duas de tarde. A mim calhou a D. Maria Isabel, uma mulher linda, com o seu cabelo cinzento e os lábios pintados de uma cor fabulosa, um tom de laranja doce. A D. Maria Isabel acabou de me ensinar a ler, que alguma coisa a minha teimosia já me havia feito aprender. Sabe Miguel, em algumas situações a teimosia é uma característica boa, de tal forma que no final do primeiro período já eu substituía a minha avó na leitura de “O amigo do Povo” às suas comadres analfabetas. Vou agora refrescar-lhe a memória em relação ao que era o primeiro período: - período de tempo que mediava entre Outubro e meados de Dezembro, suponho que entende o que lhe estou a dizer, mas se não informe-se junto de alguns psicólogos e pedagogos credíveis. Abreviando um pouco, e quase para terminar este parágrafo, devo dizer-lhe que a minha professora foi tão boa que em 3 anos resolveu comigo as questões que para muitos se resolviam em 4, e para outros muitos em mais de 4. Tal como a sua, também a minha deixou em mim um apetite voraz para as letras, chamava-me “papa livros” tal era a minha voracidade, e todas as semanas, levava de Coimbra para mim muitos livros. A minha professora Maria Isabel era uma mulher completa com marido, 3 filhos, sendo um surdo-mudo,  pais e sogros. Vivia do seu trabalho e como tal faltou algumas vezes, pois não tinha possibilidades económicas para delegar responsabilidades. Mas sabe o que lhe digo, foram muitos os alunos que mandou para a universidade, que hoje até lêem o que o Miguel escreve com espírito crítico. Neste momento poderia considerá-lo um mentecapto e situar este comentário no seu texto brilhante, mas não o vou fazer, porque o Miguel também teve uma boa professora na escola primária.

Mudando de parágrafo e de assunto, tal como o Miguel, sei que o país está à beira da bancarrota, mas na minha família só o direito ao voto responsabiliza por essa situação, sabe porquê? Nunca nenhum dos meus progenitores ocupou lugar em nenhuma das cadeiras da Assembleia da Republica, por partido nenhum quanto mais por dois e ainda mais relevante, nunca nenhum dos meus progenitores foi ministro. Sinto muito Miguel por ter que lhe lembrar que algumas das responsabilidades da miséria que crassa por esse Portugal fora tem genes que lhe foram a si entregues. Mais ainda, na minha família toda a gente produz, desde tenra idade. Sobre trabalho o Miguel, por certo, teria muito a prender comigo e com os meus.

Voltemos agora ao ainda cerne desta questão, a greve dos professores. Sabe Miguel, depois de ler o seu texto, volto a dizer, sem adulterações, fiquei a pensar se o seu sistema digestivo seria igual ao dos restantes mamíferos. E confesso que esta dúvida já me assaltou algumas vezes frente aos seus escritos. Em relação aos professores o Miguel não sabe nada do que pretende dizer, seria bom e revelador de algumas sinapses activas, que se calasse até conseguir saber sobre o que se pronuncia. Eu sou professora, há já muitos anos, executo a profissão que sempre quis ter, lá por causa da minha rica professora Maria Isabel, e trabalho que me desunho, e não falto, e estou disponível para os meus alunos até para ser mãe. O meu horário semanal (e o da maioria) tem sempre muito mais do que as 40 horas agora na moda, tenho que me preparar, nem sequer para cada ano é mesmo para cada turma, pois são sempre diferentes os alunos e as suas interacções; tenho que os avaliar, e isso exige muito pois sou acérrima defensora da avaliação formativa; tenho que tentar manter-me actualizada pois lecciono uma disciplina das ciências mais vanguardista, e isso requer muito tempo (percebe agora porque não me dedico mais à escrita?). Eles, os meus alunos, que são quem me importa, sabem disso! Acho de uma arrogância tola o Miguel vir pronunciar-se sem saber do que fala. Eu também sou leitora e agora vou aqui falar de um  escritor medíocre que já li. Vou tecer comentários sobre obras e escrita que conheço, não sobre números de origem duvidosa! O Miguel escreve com a qualidade necessária para ser comercial, isto é para ganhar dinheiro, muito por sinal. Quer assumir-se como um Eça? Sabe que está a anos luz, sobra-lhe a capacidade descritiva, mas falha nos pormenores, vou dar-lhe um exemplo concreto: descreve cenas de sexo/amor com minúcia, mas impraticáveis por imposição das leis da física. Tenta ser um critico social, mas o seu azedume natural tira-lhe a graça e a leveza que tornam Eça sempre actual. Poderia continuar mas acho que já consegue perceber onde quero chegar. O Miguel é um escritor medíocre, mas isso não faz com que todos os escritores de Portugal o sejam, repare a sua mãe até ganhou um prémio Camões. Até sei que vai pensar que estou a ser ressabiada, será um argumento de defesa legítima uma vez que o estou a atacar, mas totalmente desprovido de verdade. Entenda o que lhe quero dizer de forma clara, há professores medíocres mas a maioria é bastante boa, empenhada e esforçada. Esta greve serviu apenas para mostrar ao governo que o caminho da mentira e do enxovalhamento público tem que acabar. Os direitos dos alunos estão a ser salvaguardados, é certo que temos menos alunos, mas também é certo que cada ano as turmas são maiores e os problemas sociais, que entram sempre pela sala de aula dentro, são cada vez mais. Sabe Miguel, seria mais proveitoso para os alunos trabalhar em salas com menos crianças/jovens e consequentemente menos problemas do que em salas cheias até à porta. Sabe que assim poderíamos desenvolver o espírito critico desses jovens e aí as coisas mudavam um pouco… Já  imaginou um país em que a maioria dos cidadãos tivesse espírito crítico? Imagina o destino que seria dado aos medíocres? Acha que haveria lugar a tantas PPP’s? Acha que o dinheiro do Estado Social  (faço aqui um parêntesis para lhe dizer o que é o estado social, que eu sustento: EDUCAÇÃO, SAÚDE e SEGURANÇA SOCIAL) seria desbaratinado em manobras  bizarras sem que fossem pedidas contas? Acha que os gestores das empresas públicas que acumulam prejuízos continuariam a ser premiados? Acha que se assistiria a uma classe política corrupta, incompetente e desavergonhada de braços cruzados? Acha que haveria prémio para a mediocridade de textos que vendem como cerejas à beira do caminho? Ai Miguel depois destas questões até o estou a achar inocente… acabei de ficar com aquele sorriso que dou aos meus alunos travessos, mas simples, só que para eles é para os conduzir ao bom caminho, para si é mesmo com condescendência.

Falou no seu texto no estado calamitoso em que se encontram as contas públicas, e sou forçada a concordar consigo, só tenho pena que apenas consiga ver o erro, e lhe falte a coragem para imputar responsabilidades. O país está neste estado por causa dos decisores políticos e dos fazedores de opinião, entre os quais o incluo. A má gestão é que nos levou a este marasmo, não fui eu, nem os meus pais. Desde muito jovem que justifico o que como, foi assim que fui educada, é assim que educo os meus filhos e até os meus alunos, dentro do possível. Da má gestão posso ser responsabilizada por votar, mas sempre o fiz em plena consciência, acreditando que dava o meu voto a um ser humano digno. E continuo a fazê-lo! Quanto aos fazedores de opinião é um problema acrescido, porque esses nascem do nome que carregam, tal como o Miguel bem sabe. Por isso lhe digo em jeito de conclusão, este texto só será lido em blogues, porque o apelido Bragança não me abre as portas dos jornais. Fique bem Miguel e quando não conseguir mais dormir, por ter tomado consciência da sua responsabilidade pessoal no estado em que se encontra o país, não pense logo em suicídio, tome primeiro Valeriana e se não resolver tome Xanax.

Anabela Bragança, professora de Biologia, ainda com alegria e orgulho!

Coimbra, 19 de Junho de 2013

23/06/2013

UNESCO classifica Universidade de Coimbra como Património Mundial

Um belo artigo de Luís Miguel Queirós, no Público, sobre a histórica Universidade de Coimbra, considerada por fim como Património Mundial pela Unesco. Parabéns a Coimbra e Portugal! Os Portugueses necessitam de se orgulhar do seu país e da... sua História, face à mediocridade, ignorância, incompetência e, sobretudo, falta de estima e respeito pela Nação e povo que (des)governam. Se conhecessem algo da sua História passada e riqueza cultural, acumulada ao longo dos séculos, talvez se abstivessem mais de a destruir.
Para ver AQUI:

UNESCO classifica Universidade de Coimbra como Património Mundial
 

20/06/2013

Quem é Maria Aliete Galhoz


Maria Aliete Farinho das Dores Galhoz nasceu em Boliqueime, no ano de 1929. Estudou no Liceu de Faro e licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É editora literária, poeta e ensaísta. Entre 1953 e 1972 foi professora do Ensino Secundário. Colaborou em pesquisas de Literatura Popular Portuguesa, tema sobre o qual publicou inúmeros estudos e fez várias conferências, no Centro de Estudos Filológicos, juntamente com Lindley Cintra e Viegas Guerreiro, no Centro de Estudos Geográficos, e no Centro de Estudos de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa. Tem colaboração dispersa nas revistas "Boletim de Filologia", "Colóquio", "O Tempo e o Modo", "Nova Renascença" e em vários jornais. Colaborou e fixou os textos de "Poemas Esotéricos" de Fernando Pessoa em 1993. No campo da investigação da Literatura Tradicional Oral Portuguesa publicou "Pequeno Romanceiro Popular Português" (1977), "Romanceiro Popular Português" (1998), "Memória Tradicional de Vale Judeu" (1996), "Memória Tradicional de Vale Judeu II" (1998), "Romanceiro do Algarve" (2005). Colaborou na edição de "Povo, Povo, Eu te pertenço" de Filipa Faísca em 2000, bem como num conjunto de volumes subordinados ao tema "Património Oral do Concelho de Loulé" em parceria com Idália Farinho Custódio e Isabel Cardigos. Escreveu três livros de poesia: "Poeta Pobre" (1960), "Décima Quinta Matinal Esquecida - "Acto da Primavera" (1967), "Poemas em Rosas" (1985). Em prosa publicou o livro de contos intitulado "Não Choreis Meus Olhos" (1971). Recebeu a Medalha Municipal de Mérito, grau prata, pela Câmara Municipal de Loulé, em 1994. Foi ainda condecorada com o título Doutora Honóris Causa pela Universidade do Algarve (1966) e com o grau honorífico de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1999).
 

PÁSSARO

Tenho um pássaro
Não canta
Contudo
irrisoriamenmte pássaro
No meu peito...

Pássaro, garganta, ou alvorada
Fios alvacentos
Da manhã

Entre montes...

Não eras tu, rouxinol
Não era a cotovia
Nem a invisível calhandrina...
Era na minha garganta
Fio da memória
Na manhã já alta...

Portanto
Não canta o pássaro
Que tenho em meu peito...
Leiras
Leivas
Veredas
O pulsar da brisa
Hoje...
Pássaro
Alma cantante
Em minha garganta
Finamente acutilada...

Poema dedicado a Irene Lisboa
"Para Irene Lisboa, que escreveu Um dia e outro dia...:
poético amargo/lírico do quotidiano, do frágil quotidiano no
seu frémito de vida, de dor, de olhar, de Beleza igualmente,
dedico como homenagem e afecto antigos."
 
Publicado por Carlos Pereira \foleirices

A MINHA PROFESSORA

Nestes tempos difíceis para os professores, em luta pelos seus direitos, relembro os meus dias de estudante  e penso que se não fosse por Maria Aliete Galhoz, talvez eu não me tivesse tornado professora e escritora...

Ouço dizer a muita gente da minha idade (e até mais nova) que a escola no seu tempo era muito melhor do que a dos seus filhos ou netos, com professores competentíssimos que sabiam dar-se ao respeito e dominavam na perfeição todos os segredos da arte de ensinar, portanto, a anos-luz dos docentes que, nos últimos vinte anos, lhes seguiram as pisadas nas escolas portuguesas.

Tenho de confessar que não foi essa a minha experiência enquanto estudante, quer no ensino oficial quer no privado. Nas aulas, a maioria dos meus professores limitava-se a ler as matérias dos manuais, obrigando-nos a decorá-las e a despejá-las sem reflexão ou espírito crítico, desencorajando qualquer assomo de criatividade do aluno. Em doze anos de aprendizagem conheci talvez quatro professores competentes, dos restantes não lhes recordo os rostos e muito menos os nomes, porque nenhum deles me marcou. Raramente encontrei compreensão, simpatia ou calor humano nessas professoras que não inspiravam respeito, mas apenas medo. Com elas aprendi a ocultar sentimentos, gostos e, sobretudo, pensamentos.

Contudo, apesar da prepotência tantas vezes desumana dos seus docentes, a escola era um lugar onde os menos privilegiados (assaz raros) podiam ter acesso aos livros e, por eles, à cultura, à descoberta e ao conhecimento, mesmo se o acesso à Biblioteca e aos seus livros fosse limitado ou até vedado. E ler e escrever tornaram-se na minha paixão, na minha evasão, na minha liberdade.

Então, no meu penúltimo ano no Liceu D. Filipa de Lencastre, conheci Maria Aliete Galhoz, a professora de Francês. Como por um toque de magia a desconfortável sala de aula transformou-se num mundo fantástico, com janelas para o sistema solar, as galáxias e o Universo inteiro!

De cabelos louros e ainda jovem, a professora tinha uns olhos azuis que nos olhavam com ternura e uma voz doce que nos afagava e me levava a querer cumprir todas as tarefas que nos pedia em vez de exigir. Para nosso imenso espanto, logo nos primeiros dias, fez-nos dispor as carteiras em círculo, criando uma intimidade/cumplicidade connosco que eu jamais julgaria possível (custou-lhe esta ousadia a desconfiança (e mesmo perseguição) das outras professoras que consideravam os seus métodos pouco didácticos ou mesmo perigosos).

Aliete Galhoz não se limitou a ensinar-nos Francês. Foi com ela que aprendi a ver além do olhar, a interpretar um texto para lá dos limites desse texto, a apreciar o tesouro da nossa Língua e a magia das palavras como criaturas do pensamento; foi ela que me fez amar Fernando Pessoa e muitos outros poetas; pela sua mão fui guiada até aos grandes mestres da literatura e pude maravilhar-me com livros que me desvendavam os mistérios da alma humana e da minha própria alma; por ela cheguei à pintura e à música (quase desconhecidas na minha esfera familiar) e o mundo ficou estranhamente belo.

Ela foi a Mestra, a Educadora o Pigmaleão que modelou e animou o meu Ser futuro. Fez-me compreender que, pelo estudo, eu poderia ir sempre além dos meus limites e ultrapassar todos os obstáculos; a sua generosidade e sensibilidade foram o húmus que fez desabrochar a minha mente e o meu sentir e, pela primeira vez eu escrevi os meus textos sem medo e ousei tirar a máscara e pôr a minha alma a nu.  

Aliete Galhoz foi o modelo que eu tentei seguir na minha carreira de professora, para assim lhe pagar uma enorme dívida de gratidão.