18/03/2010

Desde o Minho...

A Voz do Silêncio

Descemos as escadas de pedra, devagar, até à planície de retalhos verdes, amarelos e vermelhos. Açucena empurrava o vento com os braços esticados, e dizia que as ervas eram o tapete do rio, os malmequeres a jarra da avó e as papoilas um dos sonhos da Bela Adormecida. E eu perguntava-lhe por outros sonhos e ela fechava os olhos e não me respondia.

Começou a pingar. Recolhemo-nos debaixo de um alpendre. Nas traves de madeira carcomida, ouviam-se as alcoviteirices dos pássaros e ela continuava com os braços esticados para apanhar a água do céu. Depois, em cima dum carrinho de mão estacionado numa meda de palha, passava os dedos na cara, e com as avelãs dos olhos à mostra dizia que a Bela Adormecida já tinha acordado.

Isabel

1 comentário:

DEANA BARROQUEIRO disse...

Obrigada, Poetisa Encoberta das verdes paisagens.
Sabe tão bem a sua amizade! Um sabor capaz de me fazer comer, com um sorriso, a sopa de nabo de que não gosto.
Estive com um amigo seu, o professor de escrita criativa, a falar de livros e de escritas, porém, com muita pena minha, não tivemos oportunidade de a folhear como a um belo livro de poesia.
O mistério, de qualquer modo, assenta-lhe bem.
Um grande beijo, amiga