Espero que consigam ver esta primeira parte de um espantoso documentário; depois, se quiserem mais, têm no youtube as restantes partes. É de arrepiar, se de facto as coisas se passam assim.
(Alemanha, 2008, 108min. - Direção: Erwin Wagenhofer)
Documentário de altíssimo nível, essencial para se entender o mundo em que vivemos pela ótica financeira internacional. Dos mesmos criadores do documentário "We Feed the World".
30/07/2011
28/07/2011
A Presidenta foi estudanta?!
Através da escritora Alice Vieira, chegou-me este texto cuja leitura vos proponho, pois o seu autor (que desconheço) "põe os pontos nos iis" sobre esta questão de um erro que se pretende fazer passar por uma forma correcta do nosso maltratado Português.
Refere Alice Vieira: "Pilar del Rio costuma explicar que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República".
Pilar del Rio é espanhola, digo eu, não tem obrigação de conhecer as regras gramaticais da Língua Portuguesa, os nossos políticos e os restantes portugueses já não.
Ainda nesta semana, escutei Helena Roseta dizer :« Presidenta !»,retorquindo a um comentário de um jornalista, muito segura da sua afirmação...( Sicnotícias)
Uma belíssima aula de português foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.
A Presidenta foi estudanta?!
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?
No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".
Refere Alice Vieira: "Pilar del Rio costuma explicar que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República".
Pilar del Rio é espanhola, digo eu, não tem obrigação de conhecer as regras gramaticais da Língua Portuguesa, os nossos políticos e os restantes portugueses já não.
Ainda nesta semana, escutei Helena Roseta dizer :« Presidenta !»,retorquindo a um comentário de um jornalista, muito segura da sua afirmação...( Sicnotícias)
Uma belíssima aula de português foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.
A Presidenta foi estudanta?!
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?
No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".
Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva
Chama-se “Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva” e é o novo livro de Ana Paula Figueira, com ilustrações de Ana Afonso e um audio-livro lido pela cantora e actriz Anabela (publicado pela MEL Editores). O lançamanto foi no dia 26 de Julho, em Lisboa. A apresentação da obra foi feita pela Dra. Maria de Jesus Barroso Soares.“Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva” é o primeiro livro de ficção de Ana Paula Figueira, e reúne cinco histórias que atravessam parte da vida de duas mulheres.
Uma obra de grande qualidade gráfica, com expressivas ilustrações e de conteúdo cheio de sensibilidade, servido por uma linguagem poética e terna que faz falta, nos tempos que correm, para contrabalançar a agressividade e violência.
Um livro que se reomenda para crianças e adultos.
19/07/2011
A Harpa de Burma - Saung
Um filme japonês sobre a Harpa de Burma, um lindíssimo instrumento em forma de barco, que vale a pena ver, pela sua mensagem. Passa-se no ano em que eu nasci, em 1945.
18/07/2011
Um livro pode ajudar a salvar um monumento?
A minha querida Amiga, Maria Fernanda Pinto, a propósito da vinda a Portugal de uns jovens estudantes de arquitectura que estão a trabalhar na recuperação de uns pombais tradicionais na aldeia de Uva, Vimioso, pede-me para contar como ajudei a alertar as autoridades competentes para a importância do complexo quinhentista de Paço dos Negros, Almeirim.

Foi a leitura do meu romance D. Sebastião e o Vidente, agraciado com o Prémio Máxima de Literatura Especial do Júri, que deu origem a um evento que foi, para mim, tão espectacular como o lançamento da obra nos Jerónimos e que, tal como este constituiu um dos momentos mais felizes da minha vida.
Nos finais de Agosto, recebi um e-mail de um leitor de Almeirim, Aquilino Fidalgo, que se tem batido, no seu povoado Paço dos Negros, pela conservação dos restos de um monumento, exactamente o Paço dos Negros que dá o nome à terra e que as autarquias têm desleixado e se encontra em ruínas. Cometo aqui a indiscrição de transcrever alguns excertos, esperando que ele me perdoe:
Agosto 28, 2007 10:20 PM
Paço dos Negros
Olá!
Dr.ª
Sou natural de uma pequena aldeia do concelho de Almeirim, no sopé Sul da Serra com o mesmo nome e na margem direita de Ribeira de Muge (Mugem).
Nesta pequena aldeia existe a ruína de um pequeno Paço, que em tempos idos foi palco de utilização nobre. Este paço que tem resistido às agruras do tempo, não está resistindo ao vil ataque dos ignorantes e daqueles que embora legitimamente eleitos, primam por o amputar, pilhar, aniquilar ao ínfimo da sua importância em prol de outros interesses políticos e imobiliários (…).
Estou lendo o seu livro, " D. Sebastião e o Vidente". Estou adorando a leitura que me proporciona. Confesso que logo na página 106 quando se refere ao Paço dos Negros, me arrepiei! Pensei: Será que é o meu Paço dos Negros?
Na página 117 quando o refere novamente e descreve a sua construção, fiquei de lágrimas, as dúvidas estavam esclarecidas. Pelo que vou lendo, tantos, embora talvez não conheçam a aldeia sabem da história de Paço dos negros, será possível que autarcas e naturais que conhecem a sua aldeia e até conhecem um pouco da história não façam tudo o que está ao seu alcance para a preservar?!!
Gostaria de, juntamente com o Rancho Folclórico de Paço dos Negros, O Rotary Club de Almeirim e com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, a convidar a fazer uma apresentação do seu Livro, no Paço dos Negros – Almeirim.
Respeitosamente e esperando sua resposta
Aquilino Fidalgo

Claro que acedi, não só encantada, como emocionada também por a minha obra ter causado tal efeito. Porém, o evento organizado por um grupo de pessoas e instituições do Concelho de Almeirim ultrapassou todas as expectativas, ocupando todo o dia 13 de Outubro com inúmeras actividades e teve repercussões que excederam as expectativas dos promotores.
Participaram o Rancho Folclórico de Paço dos Negros (em cuja sede, completamente cheia das gentes de Paço dos Negros e arredores, apresentei o livro) que apresentou cantos e danças palacianas, o Rotary Club de Almeirim (que fez o percurso de D. Sebastião pelas terras da Ribeira de Muge), a Quinta do Casal Branco da Família Vasconcellos (a coutada de caça preferida de D. Sebastião, agora com as coudelarias do Cavalo Lusitano e vinhos de exportação) que ofereceu o cocktail, a Confraria Gastronómica de Almeirim (que recriou a antiga receita do Bolo Finto para a recepção na Quinta do Casal Branco) e o Convento da Serra (onde D. Sebastião se refugiava durante as suas crises de melancolia), com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim.
A minha ida a Paço dos Negros e a apresentação do livro tiveram foros de um verdadeiro acontecimento cultural e histórico. Deu maior visibilidade ao lugar, o evento teve grande destaque nas páginas centrais dos jornais portugueses na América e no Canadá e, para meu grande orgulho, a minha pequena contribuição, fez com que os promotores conseguissem verbas para recuperarem a capela de Paço dos Negros!
Actualmente o complexo histórico de Paço dos Negros tem tido obras de recuperação, embora em grande parte feitas pelos próprios moradores da terra, que continuam sem perder a esperança no interesse dos agentes ligados à Cultura e Defesa do Património.
Aqui tens, Fernanda, a minha história.

Foi a leitura do meu romance D. Sebastião e o Vidente, agraciado com o Prémio Máxima de Literatura Especial do Júri, que deu origem a um evento que foi, para mim, tão espectacular como o lançamento da obra nos Jerónimos e que, tal como este constituiu um dos momentos mais felizes da minha vida.
Nos finais de Agosto, recebi um e-mail de um leitor de Almeirim, Aquilino Fidalgo, que se tem batido, no seu povoado Paço dos Negros, pela conservação dos restos de um monumento, exactamente o Paço dos Negros que dá o nome à terra e que as autarquias têm desleixado e se encontra em ruínas. Cometo aqui a indiscrição de transcrever alguns excertos, esperando que ele me perdoe:
Agosto 28, 2007 10:20 PM
Paço dos Negros
Olá!
Dr.ª
Sou natural de uma pequena aldeia do concelho de Almeirim, no sopé Sul da Serra com o mesmo nome e na margem direita de Ribeira de Muge (Mugem).
Nesta pequena aldeia existe a ruína de um pequeno Paço, que em tempos idos foi palco de utilização nobre. Este paço que tem resistido às agruras do tempo, não está resistindo ao vil ataque dos ignorantes e daqueles que embora legitimamente eleitos, primam por o amputar, pilhar, aniquilar ao ínfimo da sua importância em prol de outros interesses políticos e imobiliários (…).
Estou lendo o seu livro, " D. Sebastião e o Vidente". Estou adorando a leitura que me proporciona. Confesso que logo na página 106 quando se refere ao Paço dos Negros, me arrepiei! Pensei: Será que é o meu Paço dos Negros?
Na página 117 quando o refere novamente e descreve a sua construção, fiquei de lágrimas, as dúvidas estavam esclarecidas. Pelo que vou lendo, tantos, embora talvez não conheçam a aldeia sabem da história de Paço dos negros, será possível que autarcas e naturais que conhecem a sua aldeia e até conhecem um pouco da história não façam tudo o que está ao seu alcance para a preservar?!!
Gostaria de, juntamente com o Rancho Folclórico de Paço dos Negros, O Rotary Club de Almeirim e com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, a convidar a fazer uma apresentação do seu Livro, no Paço dos Negros – Almeirim.
Respeitosamente e esperando sua resposta
Aquilino Fidalgo

Claro que acedi, não só encantada, como emocionada também por a minha obra ter causado tal efeito. Porém, o evento organizado por um grupo de pessoas e instituições do Concelho de Almeirim ultrapassou todas as expectativas, ocupando todo o dia 13 de Outubro com inúmeras actividades e teve repercussões que excederam as expectativas dos promotores.
Participaram o Rancho Folclórico de Paço dos Negros (em cuja sede, completamente cheia das gentes de Paço dos Negros e arredores, apresentei o livro) que apresentou cantos e danças palacianas, o Rotary Club de Almeirim (que fez o percurso de D. Sebastião pelas terras da Ribeira de Muge), a Quinta do Casal Branco da Família Vasconcellos (a coutada de caça preferida de D. Sebastião, agora com as coudelarias do Cavalo Lusitano e vinhos de exportação) que ofereceu o cocktail, a Confraria Gastronómica de Almeirim (que recriou a antiga receita do Bolo Finto para a recepção na Quinta do Casal Branco) e o Convento da Serra (onde D. Sebastião se refugiava durante as suas crises de melancolia), com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim.
A minha ida a Paço dos Negros e a apresentação do livro tiveram foros de um verdadeiro acontecimento cultural e histórico. Deu maior visibilidade ao lugar, o evento teve grande destaque nas páginas centrais dos jornais portugueses na América e no Canadá e, para meu grande orgulho, a minha pequena contribuição, fez com que os promotores conseguissem verbas para recuperarem a capela de Paço dos Negros!
Actualmente o complexo histórico de Paço dos Negros tem tido obras de recuperação, embora em grande parte feitas pelos próprios moradores da terra, que continuam sem perder a esperança no interesse dos agentes ligados à Cultura e Defesa do Património.
Aqui tens, Fernanda, a minha história.
17/07/2011
Da pesquisa para o meu romance
Na pesquisa para o meu próximo romance sobre o Fernão Mendes Pinto, matei a cabeça a descrever os instrumentos do Século XVI, que o meu herói ouviu na Birmânia - em Pegu, Martavão, Arracão e outros lugares -, durante uma missão diplomática.
Então descobri uma orquestra tradicional da Birmânia com os instrumentos que eu imaginei (com bastante verosimilhança) a partir das descrições antigas. Só falta a harpa (Saung) em forma de barco.
Gostaria de partilhar convosco, algumas descobertas que tenho feito (e farei decerto muitas mais), para me sentir mais acompanhada neste mundo estranho e solitário que é para mim a escrita de um romance histórico. Aqui têm, a mais recente descoberta, quando lerem o meu livro (se eu o acabar) já poderão reconhecer e visualizar estes espantosos instrumentos musicais.
Então descobri uma orquestra tradicional da Birmânia com os instrumentos que eu imaginei (com bastante verosimilhança) a partir das descrições antigas. Só falta a harpa (Saung) em forma de barco.
Gostaria de partilhar convosco, algumas descobertas que tenho feito (e farei decerto muitas mais), para me sentir mais acompanhada neste mundo estranho e solitário que é para mim a escrita de um romance histórico. Aqui têm, a mais recente descoberta, quando lerem o meu livro (se eu o acabar) já poderão reconhecer e visualizar estes espantosos instrumentos musicais.
06/07/2011
O que dizem os Leitores...
...Sobre O Navegador da Passagem
Julgo que um dos maiores prazeres de qualquer escritor consiste em saber que a sua obra agradou. Outro será o contacto com os leitores em palestras ou nas feiras do livro, sítios privilegiados para estes encontros. Foi precisamente na Feira do Livro de Lisboa deste ano que conheci a leitora Maria de Jesus e lhe pedi que me desse a sua opinião sobre os livros (trazia vários para eu assinar).
Recebi há dias o seu e-mail, ao qual já respondi, mas que gostaria de vos dar a conhecer, visto serem as críticas dos leitores a melhor recomendação para a leitura de um livro.
Boa tarde. Espero que se encontre de boa saúde.
Tive o privilégio de a conhecer pessoalmente na Feira do Livro de Lisboa, no corrente ano, onde colocou a sua dedicatória pessoal nos livros que tenho da sua autoria. Foi muito gratificante para mim, conversar com a senhora, que achei de uma grande simpatia e gentileza, pela forma afável de me receber.
Acabei de ler o seu livro "O navegador da passagem", que achei fantástico. Admirei sobretudo a mestria com que conseguiu recriar os ambientes vividos pelos nossos navegadores durante as suas viagens marítimas, os motins, as doenças, os castigos e até os lugares com as suas paisagens exóticas. Acredito que precisou de realizar uma grande pesquisa histórica e de ler muito antes de iniciar este livro. Li-o com grande prazer e entusiasmo, e também algum divertimento em certas passagens. Era como se estivesse a ler um livro de aventuras. Concordo plenamente com a senhora, quando afirma que Bartolomeu Dias foi um navegador injustiçado no seu tempo.
Desejo-lhe muita saúde e inspiração para continuar a escrever com a mesma mestria e talento.
Um abraço de amizade da sua admiradora,
Maria de Jesus.
Sábado 02-07-2011 16:23
Bem haja, Maria de Jesus, pela sua gentileza e carinho. Muito obrigada.
Julgo que um dos maiores prazeres de qualquer escritor consiste em saber que a sua obra agradou. Outro será o contacto com os leitores em palestras ou nas feiras do livro, sítios privilegiados para estes encontros. Foi precisamente na Feira do Livro de Lisboa deste ano que conheci a leitora Maria de Jesus e lhe pedi que me desse a sua opinião sobre os livros (trazia vários para eu assinar).
Recebi há dias o seu e-mail, ao qual já respondi, mas que gostaria de vos dar a conhecer, visto serem as críticas dos leitores a melhor recomendação para a leitura de um livro.
Boa tarde. Espero que se encontre de boa saúde.
Tive o privilégio de a conhecer pessoalmente na Feira do Livro de Lisboa, no corrente ano, onde colocou a sua dedicatória pessoal nos livros que tenho da sua autoria. Foi muito gratificante para mim, conversar com a senhora, que achei de uma grande simpatia e gentileza, pela forma afável de me receber.
Acabei de ler o seu livro "O navegador da passagem", que achei fantástico. Admirei sobretudo a mestria com que conseguiu recriar os ambientes vividos pelos nossos navegadores durante as suas viagens marítimas, os motins, as doenças, os castigos e até os lugares com as suas paisagens exóticas. Acredito que precisou de realizar uma grande pesquisa histórica e de ler muito antes de iniciar este livro. Li-o com grande prazer e entusiasmo, e também algum divertimento em certas passagens. Era como se estivesse a ler um livro de aventuras. Concordo plenamente com a senhora, quando afirma que Bartolomeu Dias foi um navegador injustiçado no seu tempo.
Desejo-lhe muita saúde e inspiração para continuar a escrever com a mesma mestria e talento.
Um abraço de amizade da sua admiradora,
Maria de Jesus.
Sábado 02-07-2011 16:23
Bem haja, Maria de Jesus, pela sua gentileza e carinho. Muito obrigada.
27/06/2011
Camões na China
Eduardo Ribeiro, de que já aqui tenho falado, estudioso da vida de Camões em Macau, onde reside, vem a Portugal para apresentar o seu novo livro e fazer uma conferência na Casa Memória de Camões, em Constância, no âmbito do colóquio que conta ainda com as palestras de Máximo Ferreira e Ana Maria Dias.Constância, 3 de Julho - Colóquio «Camões pelo Mundo»
11h00 - «Sinais de Camões em Constância» por Ana Maria Dias
15h30 - «De Constância à Índia – Astronomia de Os Lusíadas» por Máximo Ferreira
16h30 - «Camões na China» por Eduardo Ribeiro
Na Casa Memória/Jardim-Horto de Camões, em Constância
A não perder, este belo passeio de Domingo, por um lugar privilegiado, tanto para os apaixonados de Camões como para todos os outros. Eu lá estarei, sem falta!
24/06/2011
A crítica de Nuno Crato à Educação
Intervenção de Nuno Crato no Fórum Portugal de Verdade (em Aveiro), subordinada ao tema da Educação, em 20 de Abril de 2009.
18/06/2011
Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial

A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial foi lançada na quarta-feira, 15 de Junho, em Lisboa, com uma magnífica apresentação de Joaquim Furtado. Contém mais de 600 poemas de 180 autores, 18 dos quais são mulheres.
Honra-me muito pertencer a esse grupo e ver incluído na Antologia um dos primeiros poemas que escrevi na minha juventude, publicado no Suplemento Juvenil Diário de Lisboa, no dia 11 de Julho de 1967.
A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, publicada pelas Edições Afrontamento, é uma obra pioneira, que se (des)esperava há muito, sobre os tempos negros da ditadura e da guerra, uma colectânea da nossa memória colectiva, de um passado próximo que nos tocou e toca a todos.
Obra feita com grande rigor, sensibilidade e um imensíssimo trabalho de pesquisa, coordenado pela Professora Dra. Margarida Calafate Ribeiro, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e pelo Professor Roberto Vecchi, da Universidade de Bolonha.
Aqui vos deixo meu poema seleccionado para a Antologia:
Cantiga de amigo
Olhei-me com sede na manhã fria
e só tinha mãos que o mar esquecia
Morrerei donzela
e sozinha
Toquei-me um calor de corpo macio
e só tive mãos para um mar vazio
Morrerei donzela
e sozinha
E só tinha mãos que o mar esquecia
nessa onda morta amigo não via
Morrerei donzela
e sozinha
E só tive mãos para o mar vazio
na onda lassa nem um barco esguio
Morrerei donzela
e sozinha
Nessa onda morta amigo não via
rumarei meus passos na areia fria
Morrerei donzela
e sozinha.
Diana Barroqueiro, "Juvenil" do DL, de 11/7/1967
15 de Junho de 2011, 19h00, Centro de Informação Urbana de Lisboa, CES-Lisboa
Enquadramento da obra
Entre 1961-1974 Portugal manteve com as suas então colónias de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau uma guerra, mobilizando perto de um milhão de homens e tocando praticamente todas as famílias portuguesas. A experiência da participação portuguesa neste evento de indefinida colocação historiográfica, quer pela denegação que oficialmente o caracterizou, quer pela radical reformulação geopolítica do país que a partir dele se engendrou com a descolonização, tornou este acontecimento um dos mais complexos, mas também um dos mais trágicos eventos da contemporaneidade portuguesa.
A experiência colectiva e individual da participação dos portugueses neste evento teve, e continua a ter, o seu registo de expressão narrativa e crítica, e o seu registo estético nas mais variadas formas de arte – da pintura e escultura à narrativa, do cinema ao teatro, da música à poesia. Foi sem dúvida na literatura que este registo de reelaboração colectiva e individual do evento se tornou mais marcante, dando origem a cerca de uma centena de romances e a milhares de poemas. Esta poesia, de autores directa ou indirectamente envolvidos na guerra, e elaborada, ou no momento da vivência do evento bélico, ou em seguida, enquanto espaço de memória e de elaboração pós-traumática, foi objecto de estudo do projecto Poesia da Guerra Colonial: “ontologia” de um eu estilhaçado, que decorreu nos últimos anos no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sob orientaçao científica dos dois organizadores da presente antologia e o financiamento da Fundação da Ciência e Tecnologia. A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial é o resultado visível deste projecto, reunindo mais de seis centenas de poemas de cento e oitenta poetas.
08/06/2011
Testemunho de Vida - Agência Directa
A Agência Directa é um novo órgão de comunicação social, fundada no início de 2011 pelo Grupo Influência Directa (uma associação sem fins lucrativos que implementa e apoia projectos sociais, empreendedorismo e promoção do trabalho, contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente e de excelência).
Pediram-me-me para contar aos seus leitores e utilizadores a minha experiência de vida, cujo texto quem estiver interessado pode ver Aqui
Pediram-me-me para contar aos seus leitores e utilizadores a minha experiência de vida, cujo texto quem estiver interessado pode ver Aqui
01/06/2011
A grosseria de Vasco Graça Moura
A propósito de um artigo de Vasco Graça Moura, publicado com o título “Um não-país”, no Diário de Notícias, do dia 18 de Maio, que me indignou e me entristeceu.
Os discursos e debates das figuras políticas têm-se pautado pela má educação e grosseria, por vezes boçal, com que se insultam. Outras figuras públicas fazem o mesmo, em vez de recorrerem ao argumento enquanto exercício de inteligência e manifestação de um espírito elevado e com princípios.
Assisto arrepiada à degradação de certas elites, que cultivam as aparências, mas quando abrem a boca, mostram a vulgaridade de seres primitivos, movidos pelos instintos da cobiça e da agressividade. As figuras no poleiro do poder e as diferentes coortes que os rodeiam ou gravitam em esferas próximas, na esperança de se empoleirarem também, não servem de exemplo ao povo ou a juventude que criticam.
De Vasco Graça Moura esperava outra atitude. Aprecio a sua poesia e tenho aplaudido as suas intervenções no domínio da Cultura, como a defesa do património ou a rejeição do Acordo Ortográfico. Porém, é inaceitável e indigna-me profundamente que o escritor escreva artigos de opinião de foro político e use um jornal como uma tribuna pública para insultar grosseiramente os cidadãos que votaram ou vão votar PS (em oposição ao PSD).
Não votei PS nas anteriores eleições, portanto nem enfiei a carapuça, mas repugna-me a atitude do autor e também o facto de que, num jornal de referência como o DN, se use o insulto soez que é próprio dos blogues anónimos. Assim, para Vasco Graça Moura, os cidadãos portugueses são (e passo a citá-lo): “lorpas”, “lorpas contumazes”, “canalha analfabeta e irresponsável do costume”, “a piolheira mais ignóbil”, “a repugnante bronquidão previsível no eleitorado”.
Talvez este artigo seja uma boa recomendação para Vasco Graça Moura conseguir a pasta de Ministro da Educação ou da Cultura, quando o PSD for governo (e se, afinal, não extinguir a última, como prometeu). A mim, incomodou-me pela baixeza do ataque e quase me decidiu a votar PS nas próximas eleições.
Somos realmente um Não País, nisto Vasco Graça Moura tem razão, quando os que deviam servir de farol e ser exemplo de elegância intelectual, preferem espojar-se na lama.
Deana Barroqueiro
Os discursos e debates das figuras políticas têm-se pautado pela má educação e grosseria, por vezes boçal, com que se insultam. Outras figuras públicas fazem o mesmo, em vez de recorrerem ao argumento enquanto exercício de inteligência e manifestação de um espírito elevado e com princípios.
Assisto arrepiada à degradação de certas elites, que cultivam as aparências, mas quando abrem a boca, mostram a vulgaridade de seres primitivos, movidos pelos instintos da cobiça e da agressividade. As figuras no poleiro do poder e as diferentes coortes que os rodeiam ou gravitam em esferas próximas, na esperança de se empoleirarem também, não servem de exemplo ao povo ou a juventude que criticam.
De Vasco Graça Moura esperava outra atitude. Aprecio a sua poesia e tenho aplaudido as suas intervenções no domínio da Cultura, como a defesa do património ou a rejeição do Acordo Ortográfico. Porém, é inaceitável e indigna-me profundamente que o escritor escreva artigos de opinião de foro político e use um jornal como uma tribuna pública para insultar grosseiramente os cidadãos que votaram ou vão votar PS (em oposição ao PSD).
Não votei PS nas anteriores eleições, portanto nem enfiei a carapuça, mas repugna-me a atitude do autor e também o facto de que, num jornal de referência como o DN, se use o insulto soez que é próprio dos blogues anónimos. Assim, para Vasco Graça Moura, os cidadãos portugueses são (e passo a citá-lo): “lorpas”, “lorpas contumazes”, “canalha analfabeta e irresponsável do costume”, “a piolheira mais ignóbil”, “a repugnante bronquidão previsível no eleitorado”.
Talvez este artigo seja uma boa recomendação para Vasco Graça Moura conseguir a pasta de Ministro da Educação ou da Cultura, quando o PSD for governo (e se, afinal, não extinguir a última, como prometeu). A mim, incomodou-me pela baixeza do ataque e quase me decidiu a votar PS nas próximas eleições.
Somos realmente um Não País, nisto Vasco Graça Moura tem razão, quando os que deviam servir de farol e ser exemplo de elegância intelectual, preferem espojar-se na lama.
Deana Barroqueiro
17/05/2011
O Romance da Bíblia - Livro do Mês na Editora Ésquilo
Caríssimos Leitores:Posso já anunciar-vos a simpática campanha do Editor Paulo Loução, para contrariar a crise (cuja primeira vítima são sempre os livros):
O Romance da Bíblia é o Livro do Mês (ou de Mês e Meio, porque se vai manter até finais de Junho), com 50% de desconto.
O livro pode ser adquirido via on-line no
Sítio da Editora ou na sua sede:
Ésquilo - Edições e Multimédia, lda.
Av. António Augusto Aguiar, 17 - 4º E
1050 - 012 Lisboa - Portugal
Para saber mais sobre esta obra, ver imagens das heroínas, ler excertos e outros textos relacionados clique neste link do blogue O Romance da Bíblia
À Conversa com os Leitores na Feira do Livro de Lisboa
Domingo, 15 de Maio, foi o último dia da Feira do Livro de Lisboa, com uma tarde e noite agradabilíssimas em companhia do não menos simpatiquíssimo professor e escritor António Balcão Vicente que assinava o seu romance "O Templário d'El-Rei" e se prestou a tirar estas fotos a alguns dos meus leitores.
Leitores fiéis que me conheciam de outras Feiras e eventos, que são já amigos e me lêem a alma porque ao escrever, escrevo-me e revelo-me na íntegra, sem disfarces; outros novos, desejosos de me conhecerem pelos mais diversos motivos, mas sempre com a escrita e a leitura como o laço que nos une (ou desunirá, se não gostarem do que leram).
Lamento não ter imagens de todos os que estiveram a conversar comigo, mas não queria abusar da gentileza do meu companheiro escritor. Deixo aqui alguns testemunhos desses momentos de convívio que, embora breves, me compensam dos meses de clausura que passo em casa a escrever. Não ponho os nomes, porque foram muitos e não quero deixar de fora nenhum dos que me deram o seu carinho.
Obrigada, Amigos e Amigas, por gostarem da minha escrita e me terem acompanhado neste dia. Fico à espera dos vossos e-mails, para continuar o contacto e o convívio. Bem hajam!
1511-2011: V Centenário de Paço dos Negros
Na minha actividade de escritora de romance histórico de temática portuguesa, procuro dar visibilidade não só aos indivíduos que se imortalizaram pelas suas obras, mas também aos monumentos, terras e regiões onde tiveram lugar os factos narrados. Assim, tenho levado os meus leitores a viajar no tempo ao encontro desses lugares que fizeram História na época dos Descobrimentos e são parte integrante do nosso Passado Colectivo.
Em alguns lugares, a inclemência da passagem do Tempo, mas, sobretudo a indiferença dos seus governantes e também dos próprios habitantes – muitos dos meus heróis de há cinco séculos já se queixavam desse desprezo – permitiram a degradação, ruína e muitas vezes a destruição de património de grande valor.
Contudo, a preservação e recuperação desse património já acontece algumas vezes por iniciativa de autarcas inteligentes e cultos que reconhecem a mais-valia desses monumentos, de vestígios que apontam para construções antiquíssimas ou mesmo de memórias sem corpo mas com alma. E esse milagre faz-se também por iniciativa dos próprios filhos da terra, que querem preservar a todo o custo a sua identidade e as suas raízes.
Um exemplo flagrante, que tive o privilégio de ver de perto e me apaixonou, tem sido o dos elementos que recentemente formaram a Academia da Ribeira de Muge, com a sua luta de muitos anos pela recuperação do Paço da Ribeira de Muge, vulgo Paço dos Negros, no lugar do mesmo nome, no Concelho de Almeirim. Com esporádicos apoios da Câmara de Almeirim, por iniciativa popular, um grupo de jovens dirigido por Aquilino Fidalgo, descendente de uma das famílias mais antigas da terra, libertaram o espaço de toneladas de entulho e lixo e começaram expor os vestígios e as partes do Paço que ainda estavam de pé mas se encontravam em terrível estado de degradação – além do moinho, os pavilhões da montaria, a capela, parte das salas com lareira e também as escavações para o tanque dos peixes. Pretendiam os elementos da Academia conseguir a classificação do monumento pelo IPPAR, através da Câmara Municipal, até hoje sem sucesso.
O Paço dos Negros foi construído por El-Rei D. Manuel, em 1511 (cem anos depois do Paço Real de Almeirim), para servir de apoio às caçadas nas ricas coutadas da Ribeira de Muge, durante a estadia da nobreza na “Sintra de Inverno”, que ali vinha desenfadar-se; o paço era composto por um pátio central, uma capela e residência real, cemitério, azenha, residência para servos, pomar, horta e pasto para gado.
Este lugar de Paço dos Negros, que eu nunca vira, serviu-me de palco para o início da intriga do meu romance D. Sebastião e o Vidente, por ser o local preferido do Desejado, que fugia do Palácio de Almeirim para ali se refugiar e se dedicar ao seu desenfadamento preferido: a montaria. É nas suas matas que, antes de completar doze anos, D. Sebastião mata o seu primeiro javali.
Entre os actuais paladinos de Paço dos Negros, Aquilino Fidalgo e Manuel Evangelista leram o meu romance e ficaram muito surpreendidos e agradados pela referência e visibilidade dada ao objecto da sua luta; em 2007, convidaram-me para um evento a que chamaram “D. Sebastião no Paço”, fazendo-me uma fantástica homenagem e proporcionando-me um dos dias mais felizes da minha vida, sendo então nomeada “Filha adoptiva de Paço dos Negros”, um título que me honra muito e ainda me comove.
No passado dia 14 de Maio teve lugar a comemoração do 500º Aniversário da fundação do Paço, que se iniciou pela visita ao recinto, seguida do lançamento do livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge – A Tacubis Romana, de Manuel Evangelista, que eu tive o privilégio de apresentar e que é um exaustivo trabalho de investigação sobre a história do lugar; um estudo que abre muitas pistas para outras investigações e monografias académicas de várias disciplinas. Foi ainda apresentada uma reconstituição digital da planta do Paço, tal como seria no século XVI, da autoria de Gustavo Pacheco Pimentel.
A Academia da Ribeira de Muge apresentou inúmeras actividades culturais que testemunham a riqueza do seu património: danças e cantares antigos, representação teatral das lendas do Rei Preto, venda e degustação da sua gastronomia.
Em representação do Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, presidiu às comemorações o sr. Marquês de Rio Maior.
Em alguns lugares, a inclemência da passagem do Tempo, mas, sobretudo a indiferença dos seus governantes e também dos próprios habitantes – muitos dos meus heróis de há cinco séculos já se queixavam desse desprezo – permitiram a degradação, ruína e muitas vezes a destruição de património de grande valor.
Contudo, a preservação e recuperação desse património já acontece algumas vezes por iniciativa de autarcas inteligentes e cultos que reconhecem a mais-valia desses monumentos, de vestígios que apontam para construções antiquíssimas ou mesmo de memórias sem corpo mas com alma. E esse milagre faz-se também por iniciativa dos próprios filhos da terra, que querem preservar a todo o custo a sua identidade e as suas raízes.
Um exemplo flagrante, que tive o privilégio de ver de perto e me apaixonou, tem sido o dos elementos que recentemente formaram a Academia da Ribeira de Muge, com a sua luta de muitos anos pela recuperação do Paço da Ribeira de Muge, vulgo Paço dos Negros, no lugar do mesmo nome, no Concelho de Almeirim. Com esporádicos apoios da Câmara de Almeirim, por iniciativa popular, um grupo de jovens dirigido por Aquilino Fidalgo, descendente de uma das famílias mais antigas da terra, libertaram o espaço de toneladas de entulho e lixo e começaram expor os vestígios e as partes do Paço que ainda estavam de pé mas se encontravam em terrível estado de degradação – além do moinho, os pavilhões da montaria, a capela, parte das salas com lareira e também as escavações para o tanque dos peixes. Pretendiam os elementos da Academia conseguir a classificação do monumento pelo IPPAR, através da Câmara Municipal, até hoje sem sucesso.
O Paço dos Negros foi construído por El-Rei D. Manuel, em 1511 (cem anos depois do Paço Real de Almeirim), para servir de apoio às caçadas nas ricas coutadas da Ribeira de Muge, durante a estadia da nobreza na “Sintra de Inverno”, que ali vinha desenfadar-se; o paço era composto por um pátio central, uma capela e residência real, cemitério, azenha, residência para servos, pomar, horta e pasto para gado.
Este lugar de Paço dos Negros, que eu nunca vira, serviu-me de palco para o início da intriga do meu romance D. Sebastião e o Vidente, por ser o local preferido do Desejado, que fugia do Palácio de Almeirim para ali se refugiar e se dedicar ao seu desenfadamento preferido: a montaria. É nas suas matas que, antes de completar doze anos, D. Sebastião mata o seu primeiro javali.
Entre os actuais paladinos de Paço dos Negros, Aquilino Fidalgo e Manuel Evangelista leram o meu romance e ficaram muito surpreendidos e agradados pela referência e visibilidade dada ao objecto da sua luta; em 2007, convidaram-me para um evento a que chamaram “D. Sebastião no Paço”, fazendo-me uma fantástica homenagem e proporcionando-me um dos dias mais felizes da minha vida, sendo então nomeada “Filha adoptiva de Paço dos Negros”, um título que me honra muito e ainda me comove.
No passado dia 14 de Maio teve lugar a comemoração do 500º Aniversário da fundação do Paço, que se iniciou pela visita ao recinto, seguida do lançamento do livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge – A Tacubis Romana, de Manuel Evangelista, que eu tive o privilégio de apresentar e que é um exaustivo trabalho de investigação sobre a história do lugar; um estudo que abre muitas pistas para outras investigações e monografias académicas de várias disciplinas. Foi ainda apresentada uma reconstituição digital da planta do Paço, tal como seria no século XVI, da autoria de Gustavo Pacheco Pimentel.
A Academia da Ribeira de Muge apresentou inúmeras actividades culturais que testemunham a riqueza do seu património: danças e cantares antigos, representação teatral das lendas do Rei Preto, venda e degustação da sua gastronomia.
Em representação do Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, presidiu às comemorações o sr. Marquês de Rio Maior.
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