21/09/2011

Machu Picchu: um sonho

Desde adolescente, há mais de 50 anos, que o meu sonho era visitar Machu Picchu, lugar que fazia parte do meu imaginário, pelo mistério do seu povo e da sua civilização. Concretizei esse sonho agora, aos 66 anos de idade, com dificuldade. A altitude de mais de 4500 metros, no início da viagem, em que visitámos o Cañon de Colca, ia dando cabo de mim, mas preparou-me para Machu Picchu que percorri já sem problemas, maravilhada com o esplendor do lugar e a sua magia. Visitem-no se puderem. Entretanto acompanhem-me neste meu percurso em que pensei em vós:

28/08/2011

Pousada de S. Bento - Caniçada



Situada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, nas proximidades da Caniçada, segundo nos diz o folheto da dita estalagem, teve origem numa casa particular que sofreu adaptações nos anos 60 e foi remodelada em 1990(muitíssimo bem, acrescento eu, que pude disfrutar desde vários ângulos, alturas e recantos a mais esplendorosa paisagem que possam imaginar. Vista do alto, a barragem da Caniçada, enquadrada por cordões de montanhas, de diferentes alturas, formações e cores, é um deslumbramento para os olhos.

Dali se pode partir para a exploração das matas (Albergaria) de vegetação ibérica sprotegida, procurar a nascente do rio Gerês, percorrer uma estrada romana, seguindo os seus marcos miliários e as suas pontes escondidas; repousar por fim os olhos magoados de tanto ver no azul das albufeiras que nos compensam da aspereza colossal do corpo de cimento que as contem. Barragens há muitas, de vários tamanhos e formas, quer do lado da serra da Cabreira, quer do Gerês...

Descobrir igrejas e santuários (S. Bento da Porta Aberta, belo nome, a sossegar-nos!), espinheiros e casas de pedra, árvores com raízes milenares que parecem saídas de um parque jurássico... Algum património cuidado com amor, outro deixado ao abandono e ao desleixo, apesar da seta castanha da autarquia que indica o local de interesse turístico.

Aldeias aconchegadas em presépios de rochas de fogo negro. E os colossais pedregulhos à beira das estradas, com formas de gente e de bicho, dispostos em maravilhoso equilíbrio, como sentinelas mágicas a velar pelos viajantes.

Vale a pena lá ir e ficar um pouco

Pousadas de Portugal



Para me arrancar ao computador e à obsessão do Fernão Mendes Pinto, o meu marido resolveu retomar uma antiga prática nossa em tempo de férias, de passar alguns dias em diferentes Pousadas de Portugal, lugares privilegiados para conhecermos melhor o nosso belíssimo país, não só as paisagens, mas também a História do lugar, as pessoas e a gastronomia da região.

Em todas tenho encontrado qualidade, conforto e bom gosto no aproveitamento das características do espaço, seja histórico, seja de paisagem natural, com um serviço cuidado e eficiente assegurado por funcionários simpatiquíssimos que nos fazem sentir acarinhados e bem-vindos.

Passei os meus anos na Pousada do Castelo de Palmela, numa suite espectacular, jantei uma magnífica empada de perdiz e, nessa noite, ao chegar ao quarto, tinha uma simpática oferta de champanhe, doces e fruta para comemorar! Que mais se podia pedir?
Ofereci-lhes o meu romance O Navegador da Passagem, que tem personagens ligadas aos Castelo de Palmela e à Ordem de Santiago, como D. Jorge, o filho bastardo de D. João II.

O complexo do Castelo, da Igreja e do convento (ocupado pela pousada) é digno de visita demorada e dele se disfruta uma espantosa vista.

Um passeio de barco pelo Sado para ver as suas margens, praias e os golfinhos é outro dos atractivos e não devem perdê-lo, se a oportunidade se vos apresentar.

Vale a pena visitar as escavações romanas de Tróia, agora preparadas para receber visitantes, mesmo com dificuldades motoras.

30/07/2011

Ex-assassino económico John Perkins

Espero que consigam ver esta primeira parte de um espantoso documentário; depois, se quiserem mais, têm no youtube as restantes partes. É de arrepiar, se de facto as coisas se passam assim.

(Alemanha, 2008, 108min. - Direção: Erwin Wagenhofer)
Documentário de altíssimo nível, essencial para se entender o mundo em que vivemos pela ótica financeira internacional. Dos mesmos criadores do documentário "We Feed the World".

28/07/2011

A Presidenta foi estudanta?!

Através da escritora Alice Vieira, chegou-me este texto cuja leitura vos proponho, pois o seu autor (que desconheço) "põe os pontos nos iis" sobre esta questão de um erro que se pretende fazer passar por uma forma correcta do nosso maltratado Português.

Refere Alice Vieira: "Pilar del Rio costuma explicar que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República".

Pilar del Rio é espanhola, digo eu, não tem obrigação de conhecer as regras gramaticais da Língua Portuguesa, os nossos políticos e os restantes portugueses já não.

Ainda nesta semana, escutei Helena Roseta dizer :« Presidenta !»,retorquindo a um comentário de um jornalista, muito segura da sua afirmação...( Sicnotícias)
Uma belíssima aula de português foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.

A Presidenta foi estudanta?!

Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva

Chama-se “Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva” e é o novo livro de Ana Paula Figueira, com ilustrações de Ana Afonso e um audio-livro lido pela cantora e actriz Anabela (publicado pela MEL Editores). O lançamanto foi no dia 26 de Julho, em Lisboa. A apresentação da obra foi feita pela Dra. Maria de Jesus Barroso Soares.

“Amor e Bondade com Cheiro a Madressilva” é o primeiro livro de ficção de Ana Paula Figueira, e reúne cinco histórias que atravessam parte da vida de duas mulheres.
Uma obra de grande qualidade gráfica, com expressivas ilustrações e de conteúdo cheio de sensibilidade, servido por uma linguagem poética e terna que faz falta, nos tempos que correm, para contrabalançar a agressividade e violência.

Um livro que se reomenda para crianças e adultos.

19/07/2011

A Harpa de Burma - Saung

Um filme japonês sobre a Harpa de Burma, um lindíssimo instrumento em forma de barco, que vale a pena ver, pela sua mensagem. Passa-se no ano em que eu nasci, em 1945.



18/07/2011

Um livro pode ajudar a salvar um monumento?

A minha querida Amiga, Maria Fernanda Pinto, a propósito da vinda a Portugal de uns jovens estudantes de arquitectura que estão a trabalhar na recuperação de uns pombais tradicionais na aldeia de Uva, Vimioso, pede-me para contar como ajudei a alertar as autoridades competentes para a importância do complexo quinhentista de Paço dos Negros, Almeirim.


Foi a leitura do meu romance D. Sebastião e o Vidente, agraciado com o Prémio Máxima de Literatura Especial do Júri, que deu origem a um evento que foi, para mim, tão espectacular como o lançamento da obra nos Jerónimos e que, tal como este constituiu um dos momentos mais felizes da minha vida.

Nos finais de Agosto, recebi um e-mail de um leitor de Almeirim, Aquilino Fidalgo, que se tem batido, no seu povoado Paço dos Negros, pela conservação dos restos de um monumento, exactamente o Paço dos Negros que dá o nome à terra e que as autarquias têm desleixado e se encontra em ruínas. Cometo aqui a indiscrição de transcrever alguns excertos, esperando que ele me perdoe:

Agosto 28, 2007 10:20 PM
Paço dos Negros
Olá!
Dr.ª
Sou natural de uma pequena aldeia do concelho de Almeirim, no sopé Sul da Serra com o mesmo nome e na margem direita de Ribeira de Muge (Mugem).
Nesta pequena aldeia existe a ruína de um pequeno Paço, que em tempos idos foi palco de utilização nobre. Este paço que tem resistido às agruras do tempo, não está resistindo ao vil ataque dos ignorantes e daqueles que embora legitimamente eleitos, primam por o amputar, pilhar, aniquilar ao ínfimo da sua importância em prol de outros interesses políticos e imobiliários (…).
Estou lendo o seu livro, " D. Sebastião e o Vidente". Estou adorando a leitura que me proporciona. Confesso que logo na página 106 quando se refere ao Paço dos Negros, me arrepiei! Pensei: Será que é o meu Paço dos Negros?
Na página 117 quando o refere novamente e descreve a sua construção, fiquei de lágrimas, as dúvidas estavam esclarecidas. Pelo que vou lendo, tantos, embora talvez não conheçam a aldeia sabem da história de Paço dos negros, será possível que autarcas e naturais que conhecem a sua aldeia e até conhecem um pouco da história não façam tudo o que está ao seu alcance para a preservar?!!
Gostaria de, juntamente com o Rancho Folclórico de Paço dos Negros, O Rotary Club de Almeirim e com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, a convidar a fazer uma apresentação do seu Livro, no Paço dos Negros – Almeirim.
Respeitosamente e esperando sua resposta
Aquilino Fidalgo



Claro que acedi, não só encantada, como emocionada também por a minha obra ter causado tal efeito. Porém, o evento organizado por um grupo de pessoas e instituições do Concelho de Almeirim ultrapassou todas as expectativas, ocupando todo o dia 13 de Outubro com inúmeras actividades e teve repercussões que excederam as expectativas dos promotores.
Participaram o Rancho Folclórico de Paço dos Negros (em cuja sede, completamente cheia das gentes de Paço dos Negros e arredores, apresentei o livro) que apresentou cantos e danças palacianas, o Rotary Club de Almeirim (que fez o percurso de D. Sebastião pelas terras da Ribeira de Muge), a Quinta do Casal Branco da Família Vasconcellos (a coutada de caça preferida de D. Sebastião, agora com as coudelarias do Cavalo Lusitano e vinhos de exportação) que ofereceu o cocktail, a Confraria Gastronómica de Almeirim (que recriou a antiga receita do Bolo Finto para a recepção na Quinta do Casal Branco) e o Convento da Serra (onde D. Sebastião se refugiava durante as suas crises de melancolia), com a colaboração da Câmara Municipal de Almeirim e Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim.

A minha ida a Paço dos Negros e a apresentação do livro tiveram foros de um verdadeiro acontecimento cultural e histórico. Deu maior visibilidade ao lugar, o evento teve grande destaque nas páginas centrais dos jornais portugueses na América e no Canadá e, para meu grande orgulho, a minha pequena contribuição, fez com que os promotores conseguissem verbas para recuperarem a capela de Paço dos Negros!

Actualmente o complexo histórico de Paço dos Negros tem tido obras de recuperação, embora em grande parte feitas pelos próprios moradores da terra, que continuam sem perder a esperança no interesse dos agentes ligados à Cultura e Defesa do Património.
Aqui tens, Fernanda, a minha história.

17/07/2011

Da pesquisa para o meu romance

Na pesquisa para o meu próximo romance sobre o Fernão Mendes Pinto, matei a cabeça a descrever os instrumentos do Século XVI, que o meu herói ouviu na Birmânia - em Pegu, Martavão, Arracão e outros lugares -, durante uma missão diplomática.
Então descobri uma orquestra tradicional da Birmânia com os instrumentos que eu imaginei (com bastante verosimilhança) a partir das descrições antigas. Só falta a harpa (Saung) em forma de barco.
Gostaria de partilhar convosco, algumas descobertas que tenho feito (e farei decerto muitas mais), para me sentir mais acompanhada neste mundo estranho e solitário que é para mim a escrita de um romance histórico. Aqui têm, a mais recente descoberta, quando lerem o meu livro (se eu o acabar) já poderão reconhecer e visualizar estes espantosos instrumentos musicais.

06/07/2011

O que dizem os Leitores...

...Sobre O Navegador da Passagem

Julgo que um dos maiores prazeres de qualquer escritor consiste em saber que a sua obra agradou. Outro será o contacto com os leitores em palestras ou nas feiras do livro, sítios privilegiados para estes encontros. Foi precisamente na Feira do Livro de Lisboa deste ano que conheci a leitora Maria de Jesus e lhe pedi que me desse a sua opinião sobre os livros (trazia vários para eu assinar).

Recebi há dias o seu e-mail, ao qual já respondi, mas que gostaria de vos dar a conhecer, visto serem as críticas dos leitores a melhor recomendação para a leitura de um livro.

Boa tarde. Espero que se encontre de boa saúde.
Tive o privilégio de a conhecer pessoalmente na Feira do Livro de Lisboa, no corrente ano, onde colocou a sua dedicatória pessoal nos livros que tenho da sua autoria. Foi muito gratificante para mim, conversar com a senhora, que achei de uma grande simpatia e gentileza, pela forma afável de me receber.
Acabei de ler o seu livro "O navegador da passagem", que achei fantástico. Admirei sobretudo a mestria com que conseguiu recriar os ambientes vividos pelos nossos navegadores durante as suas viagens marítimas, os motins, as doenças, os castigos e até os lugares com as suas paisagens exóticas. Acredito que precisou de realizar uma grande pesquisa histórica e de ler muito antes de iniciar este livro. Li-o com grande prazer e entusiasmo, e também algum divertimento em certas passagens. Era como se estivesse a ler um livro de aventuras. Concordo plenamente com a senhora, quando afirma que Bartolomeu Dias foi um navegador injustiçado no seu tempo.
Desejo-lhe muita saúde e inspiração para continuar a escrever com a mesma mestria e talento.
Um abraço de amizade da sua admiradora,
Maria de Jesus.

Sábado 02-07-2011 16:23

Bem haja, Maria de Jesus, pela sua gentileza e carinho. Muito obrigada.

27/06/2011

Camões na China

Eduardo Ribeiro, de que já aqui tenho falado, estudioso da vida de Camões em Macau, onde reside, vem a Portugal para apresentar o seu novo livro e fazer uma conferência na Casa Memória de Camões, em Constância, no âmbito do colóquio que conta ainda com as palestras de Máximo Ferreira e Ana Maria Dias.

Constância, 3 de Julho - Colóquio «Camões pelo Mundo»

11h00 - «Sinais de Camões em Constância» por Ana Maria Dias
15h30 - «De Constância à Índia – Astronomia de Os Lusíadas» por Máximo Ferreira
16h30 - «Camões na China» por Eduardo Ribeiro


Na Casa Memória/Jardim-Horto de Camões, em Constância

A não perder, este belo passeio de Domingo, por um lugar privilegiado, tanto para os apaixonados de Camões como para todos os outros. Eu lá estarei, sem falta!

24/06/2011

A crítica de Nuno Crato à Educação

Intervenção de Nuno Crato no Fórum Portugal de Verdade (em Aveiro), subordinada ao tema da Educação, em 20 de Abril de 2009.

18/06/2011

Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial


A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial foi lançada na quarta-feira, 15 de Junho, em Lisboa, com uma magnífica apresentação de Joaquim Furtado. Contém mais de 600 poemas de 180 autores, 18 dos quais são mulheres.

Honra-me muito pertencer a esse grupo e ver incluído na Antologia um dos primeiros poemas que escrevi na minha juventude, publicado no Suplemento Juvenil Diário de Lisboa, no dia 11 de Julho de 1967.

A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, publicada pelas Edições Afrontamento, é uma obra pioneira, que se (des)esperava há muito, sobre os tempos negros da ditadura e da guerra, uma colectânea da nossa memória colectiva, de um passado próximo que nos tocou e toca a todos.
Obra feita com grande rigor, sensibilidade e um imensíssimo trabalho de pesquisa, coordenado pela Professora Dra. Margarida Calafate Ribeiro, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e pelo Professor Roberto Vecchi, da Universidade de Bolonha.

Aqui vos deixo meu poema seleccionado para a Antologia:

Cantiga de amigo

Olhei-me com sede na manhã fria
e só tinha mãos que o mar esquecia
Morrerei donzela
e sozinha

Toquei-me um calor de corpo macio
e só tive mãos para um mar vazio
Morrerei donzela
e sozinha

E só tinha mãos que o mar esquecia
nessa onda morta amigo não via
Morrerei donzela
e sozinha

E só tive mãos para o mar vazio
na onda lassa nem um barco esguio
Morrerei donzela
e sozinha

Nessa onda morta amigo não via
rumarei meus passos na areia fria
Morrerei donzela
e sozinha.

Diana Barroqueiro, "Juvenil" do DL, de 11/7/1967


15 de Junho de 2011, 19h00, Centro de Informação Urbana de Lisboa, CES-Lisboa

Enquadramento da obra

Entre 1961-1974 Portugal manteve com as suas então colónias de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau uma guerra, mobilizando perto de um milhão de homens e tocando praticamente todas as famílias portuguesas. A experiência da participação portuguesa neste evento de indefinida colocação historiográfica, quer pela denegação que oficialmente o caracterizou, quer pela radical reformulação geopolítica do país que a partir dele se engendrou com a descolonização, tornou este acontecimento um dos mais complexos, mas também um dos mais trágicos eventos da contemporaneidade portuguesa.

A experiência colectiva e individual da participação dos portugueses neste evento teve, e continua a ter, o seu registo de expressão narrativa e crítica, e o seu registo estético nas mais variadas formas de arte – da pintura e escultura à narrativa, do cinema ao teatro, da música à poesia. Foi sem dúvida na literatura que este registo de reelaboração colectiva e individual do evento se tornou mais marcante, dando origem a cerca de uma centena de romances e a milhares de poemas. Esta poesia, de autores directa ou indirectamente envolvidos na guerra, e elaborada, ou no momento da vivência do evento bélico, ou em seguida, enquanto espaço de memória e de elaboração pós-traumática, foi objecto de estudo do projecto Poesia da Guerra Colonial: “ontologia” de um eu estilhaçado, que decorreu nos últimos anos no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sob orientaçao científica dos dois organizadores da presente antologia e o financiamento da Fundação da Ciência e Tecnologia. A Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial é o resultado visível deste projecto, reunindo mais de seis centenas de poemas de cento e oitenta poetas.

08/06/2011

Testemunho de Vida - Agência Directa

A Agência Directa é um novo órgão de comunicação social, fundada no início de 2011 pelo Grupo Influência Directa (uma associação sem fins lucrativos que implementa e apoia projectos sociais, empreendedorismo e promoção do trabalho, contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente e de excelência).

Pediram-me-me para contar aos seus leitores e utilizadores a minha experiência de vida, cujo texto quem estiver interessado pode ver Aqui

01/06/2011

A grosseria de Vasco Graça Moura

A propósito de um artigo de Vasco Graça Moura, publicado com o título “Um não-país”, no Diário de Notícias, do dia 18 de Maio, que me indignou e me entristeceu.

Os discursos e debates das figuras políticas têm-se pautado pela má educação e grosseria, por vezes boçal, com que se insultam. Outras figuras públicas fazem o mesmo, em vez de recorrerem ao argumento enquanto exercício de inteligência e manifestação de um espírito elevado e com princípios.

Assisto arrepiada à degradação de certas elites, que cultivam as aparências, mas quando abrem a boca, mostram a vulgaridade de seres primitivos, movidos pelos instintos da cobiça e da agressividade. As figuras no poleiro do poder e as diferentes coortes que os rodeiam ou gravitam em esferas próximas, na esperança de se empoleirarem também, não servem de exemplo ao povo ou a juventude que criticam.

De Vasco Graça Moura esperava outra atitude. Aprecio a sua poesia e tenho aplaudido as suas intervenções no domínio da Cultura, como a defesa do património ou a rejeição do Acordo Ortográfico. Porém, é inaceitável e indigna-me profundamente que o escritor escreva artigos de opinião de foro político e use um jornal como uma tribuna pública para insultar grosseiramente os cidadãos que votaram ou vão votar PS (em oposição ao PSD).

Não votei PS nas anteriores eleições, portanto nem enfiei a carapuça, mas repugna-me a atitude do autor e também o facto de que, num jornal de referência como o DN, se use o insulto soez que é próprio dos blogues anónimos. Assim, para Vasco Graça Moura, os cidadãos portugueses são (e passo a citá-lo): “lorpas”, “lorpas contumazes”, “canalha analfabeta e irresponsável do costume”, “a piolheira mais ignóbil”, “a repugnante bronquidão previsível no eleitorado”.

Talvez este artigo seja uma boa recomendação para Vasco Graça Moura conseguir a pasta de Ministro da Educação ou da Cultura, quando o PSD for governo (e se, afinal, não extinguir a última, como prometeu). A mim, incomodou-me pela baixeza do ataque e quase me decidiu a votar PS nas próximas eleições.

Somos realmente um Não País, nisto Vasco Graça Moura tem razão, quando os que deviam servir de farol e ser exemplo de elegância intelectual, preferem espojar-se na lama.

Deana Barroqueiro