- OS LIVROS SÃO VENDIDOS COMO DETERGENTES...
Entrevista feita por Mário Gonçalves para a Revista on-line
Livros & Leituras.
Ler AQUI.
- LETRAS, CHÁ E SIMPATIA, COM DEANA BARROQUEIRO
Entrevista feita por Carmo Vasconcelos, no Nº 2 da Revista on-line Eisfluências, para divulgação de autores de Língua Portuguesa.
Ler AQUI.
17/01/2010
Cartinha do Minho
Navegadora,
Um instante para o suspiro das palavras...
Só se abria aquela janela quando o Sol espontava na tília do jardim.
Era a hora afortunada e redonda, como as bolachas de aveia que saíam da boca do forno para a boca sôfrega do menino, que chegava da escola.
A mochila galopava dois degraus de cada vez, e ouvia-se a barafusta entre a lata dos lápis de cor e a colecção de berlindes. E os olhos do verde mais verde que a Primavera arranca à terra, inundavam de alegria o tricotar cinzento derramado no colo da avó. Os dedos bondosos e frios perdiam-se no labirinto de caracóis castanhos do menino, que lhe lembravam a mãe em tardes que a memória pescava, com o mar quase
sempre à beira dos olhos.
Logo vinha a sombra da tília. Ela dizia que era uma porta para um jardim subterrâneo de flores, que só se podiam ver se se piscasse três vezes. Ele dizia que eram asas de morcegão que a bengala podia espantar, como se fosse uma varinha de condão.
Depois, quando o depois do dia se escurece de noite a janela fechava-se, com um estalido de dedos, para a magia se arrastar pelos corredores do sono, dos dois.
O beijinho e o sorriso.
Isabel
Um instante para o suspiro das palavras...
Só se abria aquela janela quando o Sol espontava na tília do jardim.
Era a hora afortunada e redonda, como as bolachas de aveia que saíam da boca do forno para a boca sôfrega do menino, que chegava da escola.
A mochila galopava dois degraus de cada vez, e ouvia-se a barafusta entre a lata dos lápis de cor e a colecção de berlindes. E os olhos do verde mais verde que a Primavera arranca à terra, inundavam de alegria o tricotar cinzento derramado no colo da avó. Os dedos bondosos e frios perdiam-se no labirinto de caracóis castanhos do menino, que lhe lembravam a mãe em tardes que a memória pescava, com o mar quase
sempre à beira dos olhos.
Logo vinha a sombra da tília. Ela dizia que era uma porta para um jardim subterrâneo de flores, que só se podiam ver se se piscasse três vezes. Ele dizia que eram asas de morcegão que a bengala podia espantar, como se fosse uma varinha de condão.
Depois, quando o depois do dia se escurece de noite a janela fechava-se, com um estalido de dedos, para a magia se arrastar pelos corredores do sono, dos dois.
O beijinho e o sorriso.
Isabel
16/01/2010
Os números da Escrita
Leio, com um sorriso, as notícias do confronto entre as editoras Gradiva e Bertrand pelo lugar cimeiro de vendas dos seus "bestsellers", respectivamente, Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos e O Símbolo Perdido, de Dan Brown.
Os dois romances invadiram o mercado, disputando os melhores lugares nas livrarias e grandes superfícies (pagos pelas editoras), em pilhas e pirâmides que sufocavam as obras dos escritores não mediáticos. Em Outubro e Novembro entraram e mantiveram-se sempre no topo das vendas, em Dezembro já se amontoavam em pilhas mais ou menos imutáveis, escoando-se devagarinho.
A propósito deste sucesso, lembro-me de ter tido, na semana do Natal, no dia 21, uma experiência simultaneamente exultante e decepcionante: em todas as livrarias e espaços de venda de livros do Centro Comercial do Colombo não havia à venda UM ÚNICO exemplar do meu romance O Espião de D. João II. Resposta dos respectivos funcionários: tinham-se vendido todos e estavam pedidos mais para depois do Natal!

Seria intencional? Teriam as livrarias encomendado exemplares a mais dos bestsellers e, agora, procuravam "empurrá-los", junto com outros excedentes, aos compradores natalícios dos últimos dias que, pressionados pela necessidade, acabariam por levar estes em vez dos livros que buscavam?
Conheço mal a obra dos dois autores da disputa. Apenas li do americano O Código Da Vinci, que considerei um bom policial até ao último terço do livro, "atamancado" pelo autor, de qualquer maneira, talvez devido à dificuldade de dar um final verosímil a uma teoria fantasiosa que ele pretendia fazer passar por verdade histórica e assente em pesquisa de documentação séria, quando afinal partiu de textos apócrifos que a crítica esclarecida e os próprios autores dos textos falsos desmantelaram.
No entanto, como a receita pegou, Dan Brown passou a repeti-la nas obras seguintes (sobre isto falou Helena Barbas, na Fnac, como se pode ver no post Partilha com os Leitores), desmotivando-me da sua leitura, tal como a quase metade dos seus leitores, pelos números que foram fornecidos pelo DN e pelos comentários que tenho lido nos blogues.
Comprei o último livro de José Rodrigues dos Santos, mais para o ler como documento jornalístico do que como obra literária (que ainda não sei se é), dado que, por formação e experiência profissional de crítica de texto literário verso outros registos, não posso deixar de ver as diferenças entre eles, classificá-los e apreciá-los de modos distintos. Se Fúria Divina tiver qualidade literária, darei por bem empregue o tempo que roubei ao meu próprio trabalho para o ler e ficarei feliz por o seu autor ter batido Dan Brown.
Todavia, parece-me haver cada vez mais escrita jornalística (boa e má, como em todos os outros géneros) e menos Literatura. Autores que conseguem escrever muito e muito depressa, publicar grandes livros sobre os temas "na berra", com garantida visibilidade nos Media, impressionam-me, mas fazem-me desconfiar.
Talvez porque, como autora, além de procurar contar bem uma história e do cuidado com o pormenor na descrição dos ambientes - que é caraterística indispensável ao romance histórico -, sofro obsessivamente com a linguagem, a escolha e variedade do vocabulário, os diferentes tipos de registo e discurso, de acordo com as personagens e, sobretudo, a própria construção e estrutura do romance, a fim de não me repetir.
Procuro, assim, dar ao leitor algo de diferente, em cada livro, que é o meu modo de lhe agradecer a fidelidade com que me premeia. Mas isto dificilmente se consegue sem se empregar muito do nosso tempo, uma quase exclusiva dedicação, imenso trabalho e espírito de sacrifício.
Produtos instantâneos ou semi-instantâneos devem ser reservados ao domínio da culinária e doçaria, como os pudins Nestlé e as gelatinas Royal, porém, mesmo aí, eu não faço cedências e a minha cozinha há-de ser sempre feita de raiz, lenta, apurada e de cunho tradicional, mesmo que seja para um número restrito de comensais.
Os dois romances invadiram o mercado, disputando os melhores lugares nas livrarias e grandes superfícies (pagos pelas editoras), em pilhas e pirâmides que sufocavam as obras dos escritores não mediáticos. Em Outubro e Novembro entraram e mantiveram-se sempre no topo das vendas, em Dezembro já se amontoavam em pilhas mais ou menos imutáveis, escoando-se devagarinho.
A propósito deste sucesso, lembro-me de ter tido, na semana do Natal, no dia 21, uma experiência simultaneamente exultante e decepcionante: em todas as livrarias e espaços de venda de livros do Centro Comercial do Colombo não havia à venda UM ÚNICO exemplar do meu romance O Espião de D. João II. Resposta dos respectivos funcionários: tinham-se vendido todos e estavam pedidos mais para depois do Natal!

Seria intencional? Teriam as livrarias encomendado exemplares a mais dos bestsellers e, agora, procuravam "empurrá-los", junto com outros excedentes, aos compradores natalícios dos últimos dias que, pressionados pela necessidade, acabariam por levar estes em vez dos livros que buscavam?
Conheço mal a obra dos dois autores da disputa. Apenas li do americano O Código Da Vinci, que considerei um bom policial até ao último terço do livro, "atamancado" pelo autor, de qualquer maneira, talvez devido à dificuldade de dar um final verosímil a uma teoria fantasiosa que ele pretendia fazer passar por verdade histórica e assente em pesquisa de documentação séria, quando afinal partiu de textos apócrifos que a crítica esclarecida e os próprios autores dos textos falsos desmantelaram.
No entanto, como a receita pegou, Dan Brown passou a repeti-la nas obras seguintes (sobre isto falou Helena Barbas, na Fnac, como se pode ver no post Partilha com os Leitores), desmotivando-me da sua leitura, tal como a quase metade dos seus leitores, pelos números que foram fornecidos pelo DN e pelos comentários que tenho lido nos blogues.
Comprei o último livro de José Rodrigues dos Santos, mais para o ler como documento jornalístico do que como obra literária (que ainda não sei se é), dado que, por formação e experiência profissional de crítica de texto literário verso outros registos, não posso deixar de ver as diferenças entre eles, classificá-los e apreciá-los de modos distintos. Se Fúria Divina tiver qualidade literária, darei por bem empregue o tempo que roubei ao meu próprio trabalho para o ler e ficarei feliz por o seu autor ter batido Dan Brown.
Todavia, parece-me haver cada vez mais escrita jornalística (boa e má, como em todos os outros géneros) e menos Literatura. Autores que conseguem escrever muito e muito depressa, publicar grandes livros sobre os temas "na berra", com garantida visibilidade nos Media, impressionam-me, mas fazem-me desconfiar.
Talvez porque, como autora, além de procurar contar bem uma história e do cuidado com o pormenor na descrição dos ambientes - que é caraterística indispensável ao romance histórico -, sofro obsessivamente com a linguagem, a escolha e variedade do vocabulário, os diferentes tipos de registo e discurso, de acordo com as personagens e, sobretudo, a própria construção e estrutura do romance, a fim de não me repetir.
Procuro, assim, dar ao leitor algo de diferente, em cada livro, que é o meu modo de lhe agradecer a fidelidade com que me premeia. Mas isto dificilmente se consegue sem se empregar muito do nosso tempo, uma quase exclusiva dedicação, imenso trabalho e espírito de sacrifício.
Produtos instantâneos ou semi-instantâneos devem ser reservados ao domínio da culinária e doçaria, como os pudins Nestlé e as gelatinas Royal, porém, mesmo aí, eu não faço cedências e a minha cozinha há-de ser sempre feita de raiz, lenta, apurada e de cunho tradicional, mesmo que seja para um número restrito de comensais.
13/01/2010
Agenda Janeiro
20 de Janeiro, Quarta-feira, às 18.30 h.
Lisboa – Sociedade de Língua Portuguesa
Apresentação do romance O Espião de D. João II, pela Dra. Elsa Rodrigues dos Santos, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa.
Seguir-se-á uma conversa informal com os Leitores, a quem deixo o meu convite, para que me dêem o prazer da sua companhia, em especial a daqueles que ainda não tive oportunidade de conhecer ou ver em anteriores sessões.
Espero-vos na sede da SLP:
R. Mouzinho da Silveira, nº 23
Lisboa (Metro: Marquês de Pombal)
Lisboa – Sociedade de Língua Portuguesa
Apresentação do romance O Espião de D. João II, pela Dra. Elsa Rodrigues dos Santos, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa.
Seguir-se-á uma conversa informal com os Leitores, a quem deixo o meu convite, para que me dêem o prazer da sua companhia, em especial a daqueles que ainda não tive oportunidade de conhecer ou ver em anteriores sessões.
Espero-vos na sede da SLP:
R. Mouzinho da Silveira, nº 23
Lisboa (Metro: Marquês de Pombal)
08/01/2010
Desde o Minho... Ano Novo Estrelado
Navegadora,
Hoje a luz ténue da manhã trouxe-me, à ponta dos dedos, fantasias.
Um véu de chuva abicava a pele dela. Devagar, descia a rua, com o salto alto a tinir nas pedras e a saia preta com pintinhas brancas, roçagante nas nozes dos joelhos, que ele descascava com o miolo das mãos húmidas. Os dedos alados, voavam dos lábios para os bolsos e dos bolsos para o adeus. E nesses interiores nocturnos haviam restos de carmim e faúlhas que recolhiam nas bermas daquele palpitar. Eram felizes.
Conheceram-se no pousio do calendário, quando o sal dos olhos se dilui. Por detrás da vitrina, lá longe ele via entre os cumes, como se alourava a fogaça mais doce e gemiam remanescentes de água, nas nervuras da terra. Aurora, era o seu nome.
- A senhorita que deseja?
- Daquele tecido que está na montra.
- O das pintinhas?
- Esse mesmo.
A partir de então, dedos de alfaiate desabotoaram cada prímula que amanhecia. Devagar, foi talhada a vida com o ponto pé de flor do amor.
Até que um dia ela não veio e a vitrina estava deserta.
Um menino que apanhara um galho nos montes, lá longe, trotava pela rua que descia, quando caía neve como pintinhas no manto da noite, que emudecia.
Escuto Mahler, à procura do sonho perpétuo.
O beijinho e o sorriso, sempre. Muito obrigada, Navegadora, pelo carinho.
Isabel
Quem tem de agradecer sou eu, minha querida Poetisa Encoberta das Terras do Norte, pelo seu carinho e por estas esculturas de palavras que me permite partilhar com os meus leitores.
Escuto Bach, à procura de um Tempo Perdido para outro reencontro com a minha escrita.
Um beijo grande.
Hoje a luz ténue da manhã trouxe-me, à ponta dos dedos, fantasias.
Um véu de chuva abicava a pele dela. Devagar, descia a rua, com o salto alto a tinir nas pedras e a saia preta com pintinhas brancas, roçagante nas nozes dos joelhos, que ele descascava com o miolo das mãos húmidas. Os dedos alados, voavam dos lábios para os bolsos e dos bolsos para o adeus. E nesses interiores nocturnos haviam restos de carmim e faúlhas que recolhiam nas bermas daquele palpitar. Eram felizes.
Conheceram-se no pousio do calendário, quando o sal dos olhos se dilui. Por detrás da vitrina, lá longe ele via entre os cumes, como se alourava a fogaça mais doce e gemiam remanescentes de água, nas nervuras da terra. Aurora, era o seu nome.
- A senhorita que deseja?
- Daquele tecido que está na montra.
- O das pintinhas?
- Esse mesmo.
A partir de então, dedos de alfaiate desabotoaram cada prímula que amanhecia. Devagar, foi talhada a vida com o ponto pé de flor do amor.
Até que um dia ela não veio e a vitrina estava deserta.
Um menino que apanhara um galho nos montes, lá longe, trotava pela rua que descia, quando caía neve como pintinhas no manto da noite, que emudecia.
Escuto Mahler, à procura do sonho perpétuo.
O beijinho e o sorriso, sempre. Muito obrigada, Navegadora, pelo carinho.
Isabel
Quem tem de agradecer sou eu, minha querida Poetisa Encoberta das Terras do Norte, pelo seu carinho e por estas esculturas de palavras que me permite partilhar com os meus leitores.
Escuto Bach, à procura de um Tempo Perdido para outro reencontro com a minha escrita.
Um beijo grande.
07/01/2010
Um falso rastreio
Ao longo dos últimos anos temos sido massacrados com telefonemas de empresas a oferecer presentes, "gratuitamente e sem qualquer compromisso", de telemóveis, electrodomésticos e até viagens ao estrangeiro. Estas ofertas escondem sempre a venda de um determinado produto. Muita gente caiu no logro e aprendeu a lição.
Como estas campanhas de "ofertas" deixaram de surtir efeito, os vigaristas de Marketing pensaram noutro esquema para atrair potenciais clientes: o falso pretexto de um rastreio para prevenção de doenças cardiovasculares.
E eu, apesar da minha total recusa a estas campanhas por telefone, caí no logro, porque o "rastreio" me foi apresentado como uma campanha oficial de saúde - como tantas outras que o Estado promove -, para mais crédito ainda, estava sediada na Associação dos Deficientes das Forças Armadas, dizendo-me que era para ensinarem os sintomas e a prevenção dos AVC, fazerem medições de tensão e ritmo cardíaco, etc., etc. Chegaram ao requinte de prevenir que não devíamos comer meia-hora antes da marcação!
E assim, meus queridos leitores, eu e o meu marido caímos que nem uns patinhos e lá fomos, cheios de boa fé. O "rastreio" ou rasteira aos utentes era o negócio de colchões e cadeiras de massagens de 4.500 euros! Só não desarvorámos porta fora por pena da moça que nos atendia e estava apenas a fazer um trabalho de tarefeira, não sendo responsável pelos procedimentos quase fraudulentos da empresa que a contratou a prazo.
A moça até era simpática, fez-nos um questionário que deixámos a meio (porque acabámos por levar o caso para a paródia e respondemos tipo comédia nonsense), mediu-nos a tensão e o ritmo cardíaco, com esses aparelhinhos caseiros que se compram nos supermercados, e a massagem de demonstração da cadeira deu um certo gozo, mas, o que mais me irritou foi ter deixado de lanchar para ir, sem comer por medo de indigestão ou AVC, àquela sessão, onde esperei uma hora para ser atendida e me tentarem vender um colchão e uma cadeira de massagens.
Este rastreio começou na terça-feira e vai prolongar-se por mais de um mês. Homem prevenido vale por dois, por isso aqui vos deixo o meu aviso. Não me digam agora que a realidade é melhor do que a ficção! Eu continuo a preferir a ficção...
Como estas campanhas de "ofertas" deixaram de surtir efeito, os vigaristas de Marketing pensaram noutro esquema para atrair potenciais clientes: o falso pretexto de um rastreio para prevenção de doenças cardiovasculares.
E eu, apesar da minha total recusa a estas campanhas por telefone, caí no logro, porque o "rastreio" me foi apresentado como uma campanha oficial de saúde - como tantas outras que o Estado promove -, para mais crédito ainda, estava sediada na Associação dos Deficientes das Forças Armadas, dizendo-me que era para ensinarem os sintomas e a prevenção dos AVC, fazerem medições de tensão e ritmo cardíaco, etc., etc. Chegaram ao requinte de prevenir que não devíamos comer meia-hora antes da marcação!
E assim, meus queridos leitores, eu e o meu marido caímos que nem uns patinhos e lá fomos, cheios de boa fé. O "rastreio" ou rasteira aos utentes era o negócio de colchões e cadeiras de massagens de 4.500 euros! Só não desarvorámos porta fora por pena da moça que nos atendia e estava apenas a fazer um trabalho de tarefeira, não sendo responsável pelos procedimentos quase fraudulentos da empresa que a contratou a prazo.
A moça até era simpática, fez-nos um questionário que deixámos a meio (porque acabámos por levar o caso para a paródia e respondemos tipo comédia nonsense), mediu-nos a tensão e o ritmo cardíaco, com esses aparelhinhos caseiros que se compram nos supermercados, e a massagem de demonstração da cadeira deu um certo gozo, mas, o que mais me irritou foi ter deixado de lanchar para ir, sem comer por medo de indigestão ou AVC, àquela sessão, onde esperei uma hora para ser atendida e me tentarem vender um colchão e uma cadeira de massagens.
Este rastreio começou na terça-feira e vai prolongar-se por mais de um mês. Homem prevenido vale por dois, por isso aqui vos deixo o meu aviso. Não me digam agora que a realidade é melhor do que a ficção! Eu continuo a preferir a ficção...
Livraria Ideal - TVI 24
A página on-line do programa Livraria Ideal, de João Paulo Sacadura, já está de novo operacional e podem visualizar não só a minha entrevista como as de muitos outros escritores que fazem jus ao talento, boa preparação e simpatia do entrevistador. Basta clicar AQUI e fazer correr, na base do ecrã, as miniaturas dos entrevistados até ao dia 30/11, para clicar na minha. Tenham um bom visionamento e divirtam-se com estas gostosas conversas!
26/12/2009
Desde o Minho, o pássaro da manhã...
Nesta manhã, o sol entrou-me pelas janelas e com ele vieram as palavras dessa poetisa que se esconde por trás dos gestos de todos os dias e dos múltiplos papéis da vida em que se desdobram as mulheres.
Todavia, a voz subterrânea e íntima de Isabel é mais forte do que todas as vozes do quotidiano, impossível de silenciar, desassossegada, irisada e poderosa como o caudal do rio que banha a sua cidade.
Saboreio-a como um refresco e sei que o dia já não pode correr mal.
Obrigada, Isabel, poetisa encoberta das Terras do Norte, cuja paisagem nos oferece feita pintura e poema. Aqui a tendes:
DESDE O MINHO...
O pássaro da manhã tinha lona de falua nas asas e milho-rei no bico.
Eu estava sentada no meu castelo de pedras rumorosas a vigiar o
nascente. Cada minuto de espera era um acento, um risco de chuva. Eu anelava por aquele novelo de luz para rutilar a minha tristeza.
Ao longe, pelos caminhos núncios da aldeia, vinham as mulheres com cabazes de trabalho nos braços e com o credo na boca. Se uma aragem lhes desalinhava as madeixas do cabelo arruçado, logo ajeitavam o lenço delido na cabeça e pregavam os olhos nas tranças que escorriam pelas ladeiras dos corpos tenros.
As raparigas que esvoaçavam além,entre as flores rasteiras e cheirosas que bordejavam a biqueira do rio, livravam-se das alparcatas do medo e derriçavam palavras mudas nas águas translúcidas. Depois, inundavam o tempo no macramé das hortas e faziam da terra o ventre das suas vidas.
O pássaro da manhã aninhou-se no meu castelo para encher de azul as linhas que escrevo e espigar o sonho da noite escura.
Navegadora,
Estendo-lhe as minhas mãos, os dedos entrelaçados de gratidão.
Os meus filhos ofereceram-me neste Natal o filme que não pude ver no cinema: "O Leitor". Hoje de manhãzinha, deixei-me ir pelas imagens, para desvendar se o destino era um acaso na vida daquelas personagens.
Um beijinho. Um sorriso.
Isabel
Valença do Minho, 26 de Dezembro de 2009
Sou eu que lhe devo gratidão, querida Isabel, e um grande beijo de amizade.
Todavia, a voz subterrânea e íntima de Isabel é mais forte do que todas as vozes do quotidiano, impossível de silenciar, desassossegada, irisada e poderosa como o caudal do rio que banha a sua cidade.
Saboreio-a como um refresco e sei que o dia já não pode correr mal.
Obrigada, Isabel, poetisa encoberta das Terras do Norte, cuja paisagem nos oferece feita pintura e poema. Aqui a tendes:
DESDE O MINHO...
O pássaro da manhã tinha lona de falua nas asas e milho-rei no bico.
Eu estava sentada no meu castelo de pedras rumorosas a vigiar o
nascente. Cada minuto de espera era um acento, um risco de chuva. Eu anelava por aquele novelo de luz para rutilar a minha tristeza.
Ao longe, pelos caminhos núncios da aldeia, vinham as mulheres com cabazes de trabalho nos braços e com o credo na boca. Se uma aragem lhes desalinhava as madeixas do cabelo arruçado, logo ajeitavam o lenço delido na cabeça e pregavam os olhos nas tranças que escorriam pelas ladeiras dos corpos tenros.
As raparigas que esvoaçavam além,entre as flores rasteiras e cheirosas que bordejavam a biqueira do rio, livravam-se das alparcatas do medo e derriçavam palavras mudas nas águas translúcidas. Depois, inundavam o tempo no macramé das hortas e faziam da terra o ventre das suas vidas.
O pássaro da manhã aninhou-se no meu castelo para encher de azul as linhas que escrevo e espigar o sonho da noite escura.
Navegadora,
Estendo-lhe as minhas mãos, os dedos entrelaçados de gratidão.
Os meus filhos ofereceram-me neste Natal o filme que não pude ver no cinema: "O Leitor". Hoje de manhãzinha, deixei-me ir pelas imagens, para desvendar se o destino era um acaso na vida daquelas personagens.
Um beijinho. Um sorriso.
Isabel
Valença do Minho, 26 de Dezembro de 2009
Sou eu que lhe devo gratidão, querida Isabel, e um grande beijo de amizade.
25/12/2009
Erro na minha Página
Alguns dos meus Leitores devem ter-se apercebido de um erro na minha Página: por lapso, de que peço desculpa, o link para o podecast Fantástica Aventura, com a crítica da Dra. Elsa Rodrigues dos Santos, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa, estava trocado, remetendo para a entrevista da Ana Aranha, tendo sido já corrigido e pode ser também ouvido Aqui.
Feliz Natal, Amigos, espero que tenham passado uma boa Consoada e comecem a preparar uma Passagem de Ano bem animada!
Feliz Natal, Amigos, espero que tenham passado uma boa Consoada e comecem a preparar uma Passagem de Ano bem animada!
24/12/2009
Tempo de Luzes - Maria Teresa Horta

A minha querida amiga Maria Teresa Horta, uma das maiores poetisas portuguesas de todos os tempos, e uma espantosa Mulher a quem muito admiro, enviou-me este poema de Natal que eu dedico a todos os meus amigos, para que se encantem como eu com a magia das suas palavras e imagens. Desejo-vos uma alegre e pacífica consoada. Obrigada, Maria Teresa Horta!
Tempo de Luzes
É um tempo coado
de azevinho.
Com odores de doce
e de memória
O colo da mãe
em desalinho.
A cor da ternura
na demora
É um tempo de luzes
e de linho.
Com sussurros
de cristal e de romã
Lonjura que nos traz
o som de um sino.
Onde o sonho se mistura
com a manhã
Maria Teresa Horta
Natal 2009
Desde o Minho, com a chuva a salivar as ruas...
Há palavras que nos acalentam como línguas de fogo à lareira, quando o inverno nos agride com violenta zanga. Há frases que nos fazem cerrar os olhos para as ver e ouvir melhor com o coração ou a alma.
Desde o Minho, me chegou de novo a voz singular da minha íntima-desconhecida Isabel. É este presente de Natal que desejo partilhar com os leitores, por ser demasiado belo para ficar apenas comigo. Aqui o tendes:
Navegadora,
O sino da igreja roça a clarabóia do luar. A névoa é espartilho nos caminhos da aldeia. Desde as janelas aprecio as grinaldas com luzes de ir e vir a chamar pelo Natal. Imagino mãos-meninas a remexer fantasias. E o bafejo do silêncio a inaugurar um novo conto. O Dezembro é a inexperiência dos sentimentos. Escreve-se com linhas de açúcar e canela. Liquefaz-se na boca e alimenta o sonho que se quer fermentado.
Boa noite, Navegadora!
Hoje pelas sete e pico da manhã já trazia um braçado de lenha, desde a paisagem vidrada pelo gelo, para acender a lareira. Depois bebi o meu leite bem quente com café, na caneca verde, e comi um bolo de arroz.
Ali ao pé da chama e aquelas línguas de fogo a lembrarem dióspiros. É no silêncio da casa e no estremecer da aurora que eu me sinto felizarda. Leio, escrevo, ou penso tão simplesmente.
É para mim um privilégio ter as minhas palavras no seu blogue. Muito obrigada! Eu sou forasteira nestes balcões de letras. Não possuo nenhum. Muito obrigada pelo seu afago!
Trouxe-me um sorriso e um semicerrar de pálpebras, Navegadora.
Um beijinho.
Um doce Natal e para 2010 uma frota destemida, pelo mar adentro das palavras sábias.
Isabel.
Obrigada, Isabel. Quem dera que este espaço, o meu cantinho de intimidade com os amigos que me visitam, fosse esse balcão de letras para registo das suas palavras, animando-a a outros voos que se adivinham de grande fôlego. Era uma honra para mim e seguramente um prazer para os que amam a palavra escrita e a alma que nela pensa e sente.
Feliz Natal, poetisa encoberta, obrigada por este presente de Boas Festas!
E que em 2010, na destemida frota, seja a Isabel um piloto a descobrir a sua rota nesse mar das palavras sensíveis que a habitam. Um beijo, desde Lisboa.
Desde o Minho, me chegou de novo a voz singular da minha íntima-desconhecida Isabel. É este presente de Natal que desejo partilhar com os leitores, por ser demasiado belo para ficar apenas comigo. Aqui o tendes:
Navegadora,
O sino da igreja roça a clarabóia do luar. A névoa é espartilho nos caminhos da aldeia. Desde as janelas aprecio as grinaldas com luzes de ir e vir a chamar pelo Natal. Imagino mãos-meninas a remexer fantasias. E o bafejo do silêncio a inaugurar um novo conto. O Dezembro é a inexperiência dos sentimentos. Escreve-se com linhas de açúcar e canela. Liquefaz-se na boca e alimenta o sonho que se quer fermentado.
Boa noite, Navegadora!
Hoje pelas sete e pico da manhã já trazia um braçado de lenha, desde a paisagem vidrada pelo gelo, para acender a lareira. Depois bebi o meu leite bem quente com café, na caneca verde, e comi um bolo de arroz.
Ali ao pé da chama e aquelas línguas de fogo a lembrarem dióspiros. É no silêncio da casa e no estremecer da aurora que eu me sinto felizarda. Leio, escrevo, ou penso tão simplesmente.
É para mim um privilégio ter as minhas palavras no seu blogue. Muito obrigada! Eu sou forasteira nestes balcões de letras. Não possuo nenhum. Muito obrigada pelo seu afago!
Trouxe-me um sorriso e um semicerrar de pálpebras, Navegadora.
Um beijinho.
Um doce Natal e para 2010 uma frota destemida, pelo mar adentro das palavras sábias.
Isabel.
Obrigada, Isabel. Quem dera que este espaço, o meu cantinho de intimidade com os amigos que me visitam, fosse esse balcão de letras para registo das suas palavras, animando-a a outros voos que se adivinham de grande fôlego. Era uma honra para mim e seguramente um prazer para os que amam a palavra escrita e a alma que nela pensa e sente.
Feliz Natal, poetisa encoberta, obrigada por este presente de Boas Festas!
E que em 2010, na destemida frota, seja a Isabel um piloto a descobrir a sua rota nesse mar das palavras sensíveis que a habitam. Um beijo, desde Lisboa.
23/12/2009
O que dizem os Críticos
Na 2ª feira, dia 21, ao dar uma volta pelas livrarias (e grandes superfícies) do Colombo e da Baixa lisboeta, para fazer as últimas compras de Natal,apercebi-me, com uma satisfação mesclada de grande frustração, de que os exemplares d'"O Espião de D. João II" se tinham esgotado e, segundo me disseram os responsáveis, só voltariam a aparecer depois do Natal!
Aparentemente os livreiros ainda receiam apostar em mim... apesar da evidência de que tenho cada vez mais leitores, e a prova está no facto da editora Ésquilo estar a preparar uma 2ª edição para sair em Janeiro.
Como consequência deste sucesso, venho aqui agradecer aos jornalistas e críticos que, com as suas palavras, promoveram o meu romance de forma espontânea e desinteressada, citando algumas dessas frases de apreço, para conhecimento dos meus Leitores:
«A Deana tem sido demasiado discreta, não tem aparecido nos grandes encontros, o seu nome não tem feito o burburinho que eu acho que merecia.
Ao ler o seu livro esqueci-me do lápis que, enquanto crítica, uso sempre que comento uma obra.».
Helena Barbas (Docente da Universidade Nova de Lisboa e crítica literária do semanário Expresso.)
.
«Outro aspecto importante desta obra O Espião de D. João II) é a linguagem que se reporta à época do Renascimento, (…) própria de um escudeiro da baixa nobreza real que se assemelha à linguagem antiga da Beira Baixa, contribuindo para o enriquecimento do léxico e para a qualidade da narrativa.
D. B. nestas quinhentas e tal páginas consegue não fatigar o leitor, pelo interesse que suscita, ao mesmo tempo que nos oferece valiosas lições históricas, pondo em realce a figura do rei D. João II como um grande monarca, prestigiando este género de romance histórico e a Língua Portuguesa, não só pela trama urdida, como pela elegância e sobriedade do estilo.».
Elsa Rodrigues dos Santos (Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa)
.
«O Espião de D. João II" de D. B. (Esquilo, 2009) é um romance baseado em factos reais, que nos permite acompanhar a viagem de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João. Transpondo para os dias de hoje a imagem de um “agente secreto”, travestido de James Bond ou de Indiana Jones, a autora não comete o erro do anacronismo e procura (…) transmitir ao público o ambiente geral do final do século XV, com uma evidente vivacidade (…), o que permite ao leitor acompanhar o relato sem perder a atenção bem desperta.
(…) Estamos, assim, perante um romance histórico que é, a um tempo, livro de viagens e relato de aventuras. E como diria o Padre Álvares: “todas as cousas a que o mandaram soube, e de todas deu conta”. Quem melhor poderia sublinhar esta preocupação? Esta é a melhor homenagem que pode ser feita a Pêro da Covilhã, cuja memória parece ir-se desvanecendo, apesar da sua importância fundamental.».
Guilherme d’Oliveira Martins (Presidente do Tribunal de Contas e do Centro nacional de Cultura)
.
«Agradeço-lhe desde já o prazer que tive em a conhecer e poder falar consigo.
Afinal, devo-lhe muitas horas boas a "viajar" no tempo e a viver aventuras com heróis nacionais por esse mundo fora e por esse Portugal Histórico... assim sabe bem aprender o nosso passado, e se não o soubermos e acarinharmos não teremos um futuro digno!
Em breve serão os meus filhos a poder lerem-na e a vibrar com os seus aventureiros!
Bem-haja...e continue sempre a dar-nos estórias emocionantes da nossa História!».
João Paulo Sacadura (Jornalista da TVI24 / LIVRARIA IDEAL)
Para todos, a minha imensa gratidão! São frases laudatórias que alguns Leitores reputarão talvez de excessivas e me acusarão de deixar, debaixo do tapete do esquecimento, as críticas negativas. Todavia, por impossível que possa parecer, ainda não recebi qualquer crítica negativa e asseguro-vos, desde já, que aqui as porei assim que as receber.
Aparentemente os livreiros ainda receiam apostar em mim... apesar da evidência de que tenho cada vez mais leitores, e a prova está no facto da editora Ésquilo estar a preparar uma 2ª edição para sair em Janeiro.
Como consequência deste sucesso, venho aqui agradecer aos jornalistas e críticos que, com as suas palavras, promoveram o meu romance de forma espontânea e desinteressada, citando algumas dessas frases de apreço, para conhecimento dos meus Leitores:
«A Deana tem sido demasiado discreta, não tem aparecido nos grandes encontros, o seu nome não tem feito o burburinho que eu acho que merecia.
Ao ler o seu livro esqueci-me do lápis que, enquanto crítica, uso sempre que comento uma obra.».
Helena Barbas (Docente da Universidade Nova de Lisboa e crítica literária do semanário Expresso.)
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«Outro aspecto importante desta obra O Espião de D. João II) é a linguagem que se reporta à época do Renascimento, (…) própria de um escudeiro da baixa nobreza real que se assemelha à linguagem antiga da Beira Baixa, contribuindo para o enriquecimento do léxico e para a qualidade da narrativa.
D. B. nestas quinhentas e tal páginas consegue não fatigar o leitor, pelo interesse que suscita, ao mesmo tempo que nos oferece valiosas lições históricas, pondo em realce a figura do rei D. João II como um grande monarca, prestigiando este género de romance histórico e a Língua Portuguesa, não só pela trama urdida, como pela elegância e sobriedade do estilo.».
Elsa Rodrigues dos Santos (Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa)
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«O Espião de D. João II" de D. B. (Esquilo, 2009) é um romance baseado em factos reais, que nos permite acompanhar a viagem de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João. Transpondo para os dias de hoje a imagem de um “agente secreto”, travestido de James Bond ou de Indiana Jones, a autora não comete o erro do anacronismo e procura (…) transmitir ao público o ambiente geral do final do século XV, com uma evidente vivacidade (…), o que permite ao leitor acompanhar o relato sem perder a atenção bem desperta.
(…) Estamos, assim, perante um romance histórico que é, a um tempo, livro de viagens e relato de aventuras. E como diria o Padre Álvares: “todas as cousas a que o mandaram soube, e de todas deu conta”. Quem melhor poderia sublinhar esta preocupação? Esta é a melhor homenagem que pode ser feita a Pêro da Covilhã, cuja memória parece ir-se desvanecendo, apesar da sua importância fundamental.».
Guilherme d’Oliveira Martins (Presidente do Tribunal de Contas e do Centro nacional de Cultura)
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«Agradeço-lhe desde já o prazer que tive em a conhecer e poder falar consigo.
Afinal, devo-lhe muitas horas boas a "viajar" no tempo e a viver aventuras com heróis nacionais por esse mundo fora e por esse Portugal Histórico... assim sabe bem aprender o nosso passado, e se não o soubermos e acarinharmos não teremos um futuro digno!
Em breve serão os meus filhos a poder lerem-na e a vibrar com os seus aventureiros!
Bem-haja...e continue sempre a dar-nos estórias emocionantes da nossa História!».
João Paulo Sacadura (Jornalista da TVI24 / LIVRARIA IDEAL)
Para todos, a minha imensa gratidão! São frases laudatórias que alguns Leitores reputarão talvez de excessivas e me acusarão de deixar, debaixo do tapete do esquecimento, as críticas negativas. Todavia, por impossível que possa parecer, ainda não recebi qualquer crítica negativa e asseguro-vos, desde já, que aqui as porei assim que as receber.
21/12/2009
Vencedores do Passatempo Ésquilo/Marcador de Livros
Tenho o prazer de informar que terminou ontem, dia 20 de Dezembro, o passatempo "O Espião de D. João II", que contou com um total de 127 participações.
Os vencedores, a quem envio parabéns, foram:
Amália da Graça Barreiro Simões,
André Oliveira
e Teresa Duarte
Agradeço, de todo o coração, o interesse e entusiasmo dos leitores que concorreram ao Passatempo e não foram bafejados pela sorte.
Um especial agradecimento também ao editor da Ésquilo, Paulo Alexandre Loução, e ao blogue Marcador de Livros na pessoa de Maria Manuel, a mentora e alma desta iniciativa.
Bem hajam!
Feliz Natal e um magnífico Ano de 2010 para todos.
Os vencedores, a quem envio parabéns, foram:
Amália da Graça Barreiro Simões,
André Oliveira
e Teresa Duarte
Agradeço, de todo o coração, o interesse e entusiasmo dos leitores que concorreram ao Passatempo e não foram bafejados pela sorte.
Um especial agradecimento também ao editor da Ésquilo, Paulo Alexandre Loução, e ao blogue Marcador de Livros na pessoa de Maria Manuel, a mentora e alma desta iniciativa.
Bem hajam!
Feliz Natal e um magnífico Ano de 2010 para todos.
20/12/2009
Belmonte e um Museu dos Descobrimentos
Terra antiga, habitada desde os tempos da Pré-História, obteve foral próprio de D. Sancho I, em 1199, porém, vai adquirir maior relevo, a partir do século XV, quando a sua história se começa a fundir com a história da família dos Cabrais e posteriormente com a dos judeus e cristãos-novos que ali buscaram refúgio.
É, no entanto, com Pedro Álvares Cabral que Belmonte vai entrar com maior pompa e circunstância na grande Epopeia dos Descobrimentos, quando o capitão-mor da segunda armada que el-rei D. Manuel envia à Índia, se desvia da sua rota e concretiza o polémico “achamento” das terras do pau-brasil, um Novo Mundo para a coroa Portuguesa.
Quinhentos e nove anos mais tarde, Belmonte concretiza, por fim, o longo anseio de dar a conhecer esse passado riquíssimo, não só no presente mas também para as gerações vindouras, criando um núcleo museológico de notável interesse, com visitas guiadas por gente conhecedora e apaixonada por tão rico património: O Castelo com a sua preciosa janela manuelina; a antiga judiaria, a sinagoga e o Museu Judaico; a Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais; o Museu do Azeite, o Ecomuseu do Zêzere e, por último, a peça que faltava: O Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo
É deste Centro Interpretativo que vos quero falar, por ser uma obra original, apelativa e espectacular, em termos de tecnologia digital de ponta, que conta a Historia do achamento ou descobrimento do Brasil, como um filme em que os visitantes participam, não só enquanto espectadores, mas sobretudo como actores, desde que se predisponham ao jogo interactivo que as imagens e os botões, ao alcance de um clique, lhes propõem com muito saber, imaginação e graça. Crianças e adultos poderão meter-se na pele do navegador, sentir os balanços da caravela ou da nau até ao enjoo, informar-se sobre aparelhos e técnicas de marear, sofrer uma tempestade e naufrágio, avistar o Novo Mundo, ouvir-lhe os sons distintos, conhecer os seus produtos, trocar presentes com os seus naturais e até dançar ao som de estranhos instrumentos.
Uma viagem lúdica, maravilhosa e profundamente didáctica, diria até de visita obrigatória para as escolas portuguesas. Os estudantes vivê-la-ão como um filme ou um gigantesco jogo de computador, enquanto aprendem a nossa História. Encantou-me a visita e não regateei elogios à gentilíssima guia que me acompanhou e ao meu marido, nessa tarde tremendamente chuvosa de Belmonte.
No entanto, passado algum tempo, apercebi-me de que me faltara algo, de que só vagamente me dera conta, durante a visita: faltava (com raras excepções como a pia baptismal na entrada) a magia e a emoção que conferem a presença de objectos coevos, desses vestígios verdadeiros do Passado, que nos transportam, mais do que um filme ou uma foto, para a vida de épocas remotas, porque foram usadas e serviram a gente viva como nós e, por isso, têm alma e nos comovem, como aqueles objectos da exposição Encompassing The Globe – Portugal e o Mundo, do Museus de Arte Antiga.
Ter uns tantos objectos reais distribuídos estrategicamente pelas salas a reforçar as imagens e as descrições, como por exemplo, um astrolábio exposto enquanto as imagens e o áudio ensinam para o que serviu e como se usou. Enquanto não tiver esses testemunhos autênticos do Passado, o Centro Interpretativo da Descoberta do Novo Mundo, não poderá ser considerado um Museu, na verdadeira acepção da palavra. Espero que com o tempo (abriram há poucos meses e já contam com um número impressionante de visitantes) isso possa acontecer, porque têm espaço, os seus colaboradores têm vontade e dedicação e todos nós sabemos que há, em muitos armazéns poeirentos, milhares de objectos coevos. O Centro Interpretativo precisará seguramente de dinheiro para os obter e fazer as suas exposições com segurança.
Se há sempre tanto dinheiro para estádios redundantes de futebol, não poderá haver também uma pequena parcela do bolo para os museus? Quando teremos neste país, pioneiro da Globalização, da Descobertas e da Cartografia do Globo, um verdadeiro Museu dos Descobrimentos?
É, no entanto, com Pedro Álvares Cabral que Belmonte vai entrar com maior pompa e circunstância na grande Epopeia dos Descobrimentos, quando o capitão-mor da segunda armada que el-rei D. Manuel envia à Índia, se desvia da sua rota e concretiza o polémico “achamento” das terras do pau-brasil, um Novo Mundo para a coroa Portuguesa.
Quinhentos e nove anos mais tarde, Belmonte concretiza, por fim, o longo anseio de dar a conhecer esse passado riquíssimo, não só no presente mas também para as gerações vindouras, criando um núcleo museológico de notável interesse, com visitas guiadas por gente conhecedora e apaixonada por tão rico património: O Castelo com a sua preciosa janela manuelina; a antiga judiaria, a sinagoga e o Museu Judaico; a Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais; o Museu do Azeite, o Ecomuseu do Zêzere e, por último, a peça que faltava: O Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo
É deste Centro Interpretativo que vos quero falar, por ser uma obra original, apelativa e espectacular, em termos de tecnologia digital de ponta, que conta a Historia do achamento ou descobrimento do Brasil, como um filme em que os visitantes participam, não só enquanto espectadores, mas sobretudo como actores, desde que se predisponham ao jogo interactivo que as imagens e os botões, ao alcance de um clique, lhes propõem com muito saber, imaginação e graça. Crianças e adultos poderão meter-se na pele do navegador, sentir os balanços da caravela ou da nau até ao enjoo, informar-se sobre aparelhos e técnicas de marear, sofrer uma tempestade e naufrágio, avistar o Novo Mundo, ouvir-lhe os sons distintos, conhecer os seus produtos, trocar presentes com os seus naturais e até dançar ao som de estranhos instrumentos.
Uma viagem lúdica, maravilhosa e profundamente didáctica, diria até de visita obrigatória para as escolas portuguesas. Os estudantes vivê-la-ão como um filme ou um gigantesco jogo de computador, enquanto aprendem a nossa História. Encantou-me a visita e não regateei elogios à gentilíssima guia que me acompanhou e ao meu marido, nessa tarde tremendamente chuvosa de Belmonte.
No entanto, passado algum tempo, apercebi-me de que me faltara algo, de que só vagamente me dera conta, durante a visita: faltava (com raras excepções como a pia baptismal na entrada) a magia e a emoção que conferem a presença de objectos coevos, desses vestígios verdadeiros do Passado, que nos transportam, mais do que um filme ou uma foto, para a vida de épocas remotas, porque foram usadas e serviram a gente viva como nós e, por isso, têm alma e nos comovem, como aqueles objectos da exposição Encompassing The Globe – Portugal e o Mundo, do Museus de Arte Antiga.
Ter uns tantos objectos reais distribuídos estrategicamente pelas salas a reforçar as imagens e as descrições, como por exemplo, um astrolábio exposto enquanto as imagens e o áudio ensinam para o que serviu e como se usou. Enquanto não tiver esses testemunhos autênticos do Passado, o Centro Interpretativo da Descoberta do Novo Mundo, não poderá ser considerado um Museu, na verdadeira acepção da palavra. Espero que com o tempo (abriram há poucos meses e já contam com um número impressionante de visitantes) isso possa acontecer, porque têm espaço, os seus colaboradores têm vontade e dedicação e todos nós sabemos que há, em muitos armazéns poeirentos, milhares de objectos coevos. O Centro Interpretativo precisará seguramente de dinheiro para os obter e fazer as suas exposições com segurança.
Se há sempre tanto dinheiro para estádios redundantes de futebol, não poderá haver também uma pequena parcela do bolo para os museus? Quando teremos neste país, pioneiro da Globalização, da Descobertas e da Cartografia do Globo, um verdadeiro Museu dos Descobrimentos?
19/12/2009
O que dizem os meus Leitores
A minha escrita é partilha e cumplicidade entre mim e os meus leitores. Proporciona-me também uma aliciante troca ideias e de conhecimentos. Os meus leitores, com as suas mensagens ou a sua presença nas nossas tertúlias e encontros, fazem-me viver intensamente, umas vezes divertindo-me, outras comovendo-me e animando-me, ou ainda questionando-me e confiando-me as suas angústias e esperanças, com a sinceridade que se tem para com os verdadeiros amigos, enchendo-me sempre de gratidão.
Procuro comentar ou responder aos seus autores, sempre que vejo uma menção às minhas obras em blogues ou nas redes sociais da Internet. No entanto, gostaria de registar neste lugar de Conversa com os Leitores, algumas das muitas mensagens que me encantaram, quer pela graça quer pela emoção ou o enlevo, esperando não cometer uma inconfidência, pelo que porei dos autores apenas o primeiro nome, para salvaguardar a sua identidade.
Assim, deliciei-me com este “desabafo” que descobri num blogue de amantes de livros:
Diogo - Antes de falar sobre livros uma pequena inconfidência sobre os autores deste blog. Todos nós sem excepção temos o sonho de publicar os nossos livros; todos nós escrevemos e, uns mais outros menos, todos temos as nossas histórias alinhavadas...
Vem isto a propósito de quê?
Faço esta inconfidência por causa deste livro publicado pela Ésquilo "O Espião de D. João II" de Deana Barroqueiro.
Nos últimos quatro anos reuni informações dados biográficos sobre uma das mais importantes e mais esquecidas figuras da época dos descobrimentos portugueses: PÊRO DA COVILHÃ. E quando já tinha tudo pronto quando comecei a escrever e a alinhavar as ideias vem-me parar às mãos este livro: O Espião de D. João II.
E esta é a história que eu ia contar. A viagem de Pêro da Covilhã até à Índia e a demanda pelo reino do Preste João. (Eu talvez tivesse abordado um pouco mais a juventude dele em Espanha ao serviço de D. Juan de Guzman mas se já assim o livro tem para cima de 500 páginas se fosse incluir essa fase em detalhe seria um romance interminável).
O livro é excelente mas uma palavra à autora:
- Depois de me ter "roubado" a ideia e de ter escrito o "meu" livro (melhor do que eu poderia escrever) só lhe posso dizer uma coisa: ODEIO-A ....
***
E um escritor pode até sentir inveja de uma leitora que escreve deste modo, em dois luminosos momentos:
Isabel - Navegadora Deana,
Venho com um sopro de letras na boca,
Um livro quando nos finca no assento e nos vasculha a alma
é porque tem vida lá dentro a contar o momento anfíbio, de lágrimas e pele.
Estrépito nas linhas, verde e caruma na volta do capítulo, coalhos de névoa madrugadora em coincidências de nós, gomos marsupiais do dia ido, adágio dos sentidos na esquina dobrada do papel, até ao próximo encontro.
Obrigada por escrever.
Mimos que se entregam de mãos abertas.
Desde o Minho, com a chuva a salivar as ruas, a ensopar os campos e a entristecer o rio.
(…)
Então, naquele instante...
O azul da flor fugiu da aba do chapéu, onde o menino doou ternura, e não mais foi preciso colírio nos olhos. Era uma manhã morna, daquelas que descrevem nas gotas de chuva que arpoam a vidraça, o ronco lento do comboio. Os olhos madrugadores e os dedos capitães faziam os sonhos voar. Estremunhada entre os lençóis verdes do campo e o rezento das pedras dos carreiros, onde os chocalhos das ovelhas e o cajado do homem rude, premeiam a vida na aldeia, escrevo. É o meu amparo. Muito obrigada Navegadora Deana, pelas suas palavras.
Antes de "O Navegador de Passagem", era refém dos horários escolares da minha filha mais nova, depois encontrei-me com o Bartolomeu Dias e agradeci o tempo, o retardar do relógio. Deixei de me pasmar com o vaivém da estudantada que remói as palavras, como cardos.
É mais feliz quem tem o prazer de ter um bom livro por companhia. E quem acha ventos mareiros... para levar palavras.
Navegadora Deana, estou a ouvir Beethoven, quando a tarde está escura e fria neste Alto Minho. Daqui a pouco vou beber um chá e ler defronte a uma janela, com as cortinas repuxadas para o meu mundo entrar.
Um beijinho e o meu sorriso.
***
A minha eterna gratidão, Amigos Leitores!
Procuro comentar ou responder aos seus autores, sempre que vejo uma menção às minhas obras em blogues ou nas redes sociais da Internet. No entanto, gostaria de registar neste lugar de Conversa com os Leitores, algumas das muitas mensagens que me encantaram, quer pela graça quer pela emoção ou o enlevo, esperando não cometer uma inconfidência, pelo que porei dos autores apenas o primeiro nome, para salvaguardar a sua identidade.
Assim, deliciei-me com este “desabafo” que descobri num blogue de amantes de livros:
Diogo - Antes de falar sobre livros uma pequena inconfidência sobre os autores deste blog. Todos nós sem excepção temos o sonho de publicar os nossos livros; todos nós escrevemos e, uns mais outros menos, todos temos as nossas histórias alinhavadas...
Vem isto a propósito de quê?
Faço esta inconfidência por causa deste livro publicado pela Ésquilo "O Espião de D. João II" de Deana Barroqueiro.
Nos últimos quatro anos reuni informações dados biográficos sobre uma das mais importantes e mais esquecidas figuras da época dos descobrimentos portugueses: PÊRO DA COVILHÃ. E quando já tinha tudo pronto quando comecei a escrever e a alinhavar as ideias vem-me parar às mãos este livro: O Espião de D. João II.
E esta é a história que eu ia contar. A viagem de Pêro da Covilhã até à Índia e a demanda pelo reino do Preste João. (Eu talvez tivesse abordado um pouco mais a juventude dele em Espanha ao serviço de D. Juan de Guzman mas se já assim o livro tem para cima de 500 páginas se fosse incluir essa fase em detalhe seria um romance interminável).
O livro é excelente mas uma palavra à autora:
- Depois de me ter "roubado" a ideia e de ter escrito o "meu" livro (melhor do que eu poderia escrever) só lhe posso dizer uma coisa: ODEIO-A ....
***
E um escritor pode até sentir inveja de uma leitora que escreve deste modo, em dois luminosos momentos:
Isabel - Navegadora Deana,
Venho com um sopro de letras na boca,
Um livro quando nos finca no assento e nos vasculha a alma
é porque tem vida lá dentro a contar o momento anfíbio, de lágrimas e pele.
Estrépito nas linhas, verde e caruma na volta do capítulo, coalhos de névoa madrugadora em coincidências de nós, gomos marsupiais do dia ido, adágio dos sentidos na esquina dobrada do papel, até ao próximo encontro.
Obrigada por escrever.
Mimos que se entregam de mãos abertas.
Desde o Minho, com a chuva a salivar as ruas, a ensopar os campos e a entristecer o rio.
(…)
Então, naquele instante...
O azul da flor fugiu da aba do chapéu, onde o menino doou ternura, e não mais foi preciso colírio nos olhos. Era uma manhã morna, daquelas que descrevem nas gotas de chuva que arpoam a vidraça, o ronco lento do comboio. Os olhos madrugadores e os dedos capitães faziam os sonhos voar. Estremunhada entre os lençóis verdes do campo e o rezento das pedras dos carreiros, onde os chocalhos das ovelhas e o cajado do homem rude, premeiam a vida na aldeia, escrevo. É o meu amparo. Muito obrigada Navegadora Deana, pelas suas palavras.
Antes de "O Navegador de Passagem", era refém dos horários escolares da minha filha mais nova, depois encontrei-me com o Bartolomeu Dias e agradeci o tempo, o retardar do relógio. Deixei de me pasmar com o vaivém da estudantada que remói as palavras, como cardos.
É mais feliz quem tem o prazer de ter um bom livro por companhia. E quem acha ventos mareiros... para levar palavras.
Navegadora Deana, estou a ouvir Beethoven, quando a tarde está escura e fria neste Alto Minho. Daqui a pouco vou beber um chá e ler defronte a uma janela, com as cortinas repuxadas para o meu mundo entrar.
Um beijinho e o meu sorriso.
***
A minha eterna gratidão, Amigos Leitores!
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