29/03/2010

Em Terras de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva

Desejo expressar aqui os meus agradecimentos ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Castelo Branco, Dr. Joaquim Morão Lopes Dias, pelo amável convite que me fez para uma apresentação do meu romance "O Espião de D. João II", na sua bonita cidade que muito amo. Um carinho extensível a toda a região que procurei homenagear com a minha obra, ou não fosse eu casada com um natural desta terra tão especial e que tantos heróis pôs no mundo.

No âmbito das festas do Município, a Exma Sra. Dra. Maria Cristina Vicente Pires Granada, Vereadora da Cultura, abriu o auditório da moderna Biblioteca Municipal, de que é directora, para receber, com extrema afabilidade e simpatia, os três escritores - Deana Barroqueiro, João L. Inês Vaz e Paulo Loução, que é simultaneamente o editor da Ésquilo - autores de três obras que tratam de personagens e temas da região, as quais foram apresentadas por ilustres personalidades albicastrenses: Pedro Salvado, Pires Nunes e Maria Adelaide Salvado. Podem ver aqui algumas fotos do evento.


Agradeço também a todos (e foram muitos) os que vieram assistir à apresentação, que pecou por demasiado extensa, por serem três obras e seis oradores, do que, pela parte que me toca, peço desculpa.

Quero agradecer ainda o convite do Exmo. Senhor António Carrega, Presidente da Junta de Freguesia da bonita vila de Alcains, pelo jantar de comida tradicional (gostosíssima) que ofereceu aos palestrantes, durante a festa da Feira do Queijo. um produto que pode rivalizar com o queijo da serra da Estrela.
A todos, a minha imensa gratidão!

26/03/2010

Heróis e Enigmas da Beira Interior

Amigos de Castelo Branco e arredores:

Não se esqueçam de que hoje, Sexta-feira 26, pelas 18.30 h. terá lugar, no Auditório da Biblioteca Municipal, uma apresentação de três obras que têm ligação com a Beira Baixa e não só:
- «O Espião de D. João II» de Deana Barroqueiro – pela Dra. Maria Adelaide Neto Salvado.
- «Os Lusitanos no Tempo de Viriato» de João L. Inês Vaz – pelo Dr. Pedro Salvado.
- «Grandes Enigmas da História de Portugal», Vol. I e II, coordenação de Miguel Sanches de Baêna e Paulo Alexandre Loução – pelo Dr. Pires Nunes. No Vol. II, o artigo «O Enigmático Espião de D. João II» é da autoria de Deana Barroqueiro.

Será um prazer voltar a ver-vos logo à tarde.

25/03/2010

Lembrete

Queridos amigos

Não querem aparecer, pelas 19 h., na Livraria Barata (Av. de Roma, 11 A - Lisboa), para conversar e dar apoio ao jovem autor, Pedro Medina Ribeiro, na apresentação da sua primeira obra?
Fico à vossa espera.

24/03/2010

"O Navegador da Passagem"... à vista!

Finalmente! Apareceu de novo e em força, nas principais livrarias e grandes superfícies, "O Navegador da Passagem", com a chancela da Porto Editora, que foi lançado em Outubro de 2008, esgotou em 15 didas e teve a 2ª edição disponível já em Novembro desse mesmo ano.
No entanto, o livro deixou de se ver a partir de Março de 2009 e, no passado Natal, quase não se achou à venda, pelo que os meus leitores se queixavam de só o conseguirem comprar pela internet.
Era frustrante, para mim, pois esta obra forma uma "dupla" com "O Espião de D. João II" (este publicado pela Editora Ésquilo), como se fossem as duas faces de uma medalha com a efígie do Príncipe Perfeito. A propósito das viagens do Navegtador Bartolomeu Dias, narra-se o reinado de D. João II, o seu projecto político e a luta contra as forças que se lhe opunham. Com o Espião Pêro da Covilhã e a sua Demanda das especiarias e do Reino do Preste João, fala-se do sonho desse grande rei, completando a história do seu reinado.

Fico muito grata à Porto Editora, por ter apostado novamente n' "O Navegador da Passagem", satisfazendo assim a procura dos meus leitores. Bem hajam!

19/03/2010

Agenda de Março

25 de Março, Quinta-feira, às 19 h.
Editora da Oficina do Livro-Leya, Livraria Barata


Lançamento do livro "A Noite e o Sobressalto"
de Pedro Medina Ribeiro.
Um jovem autor de grande talento, com histórias
de arrepiar.
Apresentação a cargo de Deana Barroqueiro

Espero-vos na Barata (Av. de Roma - Lisboa)
para uma amena cavaqueira


26 de Março, Sexta-feira, às 18.30 h.
Castelo Branco - Auditório da Biblioteca Municipal




A Biblioteca Municipal de Castelo Branco e a Ésquilo, Edições e Multimédia têm o prazer de convidar V. Exas. a assistir à sessão «Heróis e Enigmas da Beira Interior».
O evento será presidido pela Dra. Cristina Granada, Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco.
Farão alocuções sobre o tema, a Dra. Deana Barroqueiro, o Prof. Doutor João L. Inês Vaz, o Prof. Paulo Alexandre Loução.
Serão apresentados três livros relacionados com o tema:
- «O Espião de D. João II» de Deana Barroqueiro – pela Dra. Maria Adelaide Neto Salvado.
- «Os Lusitanos no Tempo de Viriato» de João L. Inês Vaz – pelo Dr. Pedro Salvado.
- «Grandes Enigmas da História de Portugal», Vol. I e II, coordenação de Miguel Sanches de Baêna e Paulo Alexandre Loução – pelo Dr. Pires Nunes.

Obs: Nesta obra, o artigo «O Enigmático Espião de D. João II» é da autoria de Deana Barroqueiro.

Contamos com a sua presença!

18/03/2010

Desde o Minho...

A Voz do Silêncio

Descemos as escadas de pedra, devagar, até à planície de retalhos verdes, amarelos e vermelhos. Açucena empurrava o vento com os braços esticados, e dizia que as ervas eram o tapete do rio, os malmequeres a jarra da avó e as papoilas um dos sonhos da Bela Adormecida. E eu perguntava-lhe por outros sonhos e ela fechava os olhos e não me respondia.

Começou a pingar. Recolhemo-nos debaixo de um alpendre. Nas traves de madeira carcomida, ouviam-se as alcoviteirices dos pássaros e ela continuava com os braços esticados para apanhar a água do céu. Depois, em cima dum carrinho de mão estacionado numa meda de palha, passava os dedos na cara, e com as avelãs dos olhos à mostra dizia que a Bela Adormecida já tinha acordado.

Isabel

17/03/2010

Oferta do blogue Sorumbático


EM AGRADECIMENTO pela participação dos nossos leitores, Carlos Medina Ribeiro, que publicou no blogue Sorumbático o texto "Um Professor suicidou-se" oferece um livro aos autores dos três comentários que melhor abordaram o problema em discussão:
Fernando Rebelo, Gonçalo Correia e Fernando.
Os três têm, a partir de agora, 24h para escreverem para premiosdepassatempos@iol.pt indicando, por ordem decrescente de preferência, o que preferem: Capitães da Areia, Entre o Pavor e a Esperança, ou um livro da lista que pode ser consultada [Aqui]; e morada para envio, evidentemente.

Muito obrigada, amigos.

14/03/2010

A propósito do assédio ("bullying")

Agradeço profundamente aos que se deram ao trabalho de me ler e de deixar os seus comentários ao meu texto, tanto aqui como no blogue "Sorumbático". Foi para proporcionar essa troca de ideias com os meus leitores ou outros cibernautas que eu quis ter, além da minha página de escritora, este blogue.

Não pretendo ser "modeladora de opiniões" (já os há em demasia e não tenho formação para tão difícil empresa). Escrevo apenas sobre o que conheço ou o que observo, em particular, sobre o que me alegra ou me desgosta além do razoável e não suporto ver gente humilhada ou subjugada a qualquer tipo de poder.

Reajo instintivamente, à ameaça ou intimidação e contra-ataco, mesmo sabendo o perigo que corro. Não se trata de bravura, mas desse "Síndrome de Joana d'Arc" que me impele a lutar contra a injustiça. Desde menina.

Por isso, também tinha dificuldade em aceitar que um professor - sobretudo um homem, porque a matilha dos opressores escolhe habitualmente professoras muito jovens ou idosas, por serem presa fácil -, não conseguisse controlar uma turma e se deixasse abater, ao ponto de cair em tal depressão que necessitasse de tratamento psiquiátrico ou o pudesse levar ao desespero do suicídio, como confessou o colega na sua nota de despedida.

Contudo, ao longo dos últimos anos, fui vendo aumentar a indisciplina e diminuir a capacidade das escolas e os seus instrumentos para a conter, por obra e graça das directivas e reformas do M.E. O sentimento de impunidade e do "vale-tudo" tornou-se regra entre os estudantes e ai daqueles que se tornem seus alvos e não reajam ou não consigam impor-se-lhes. Há os que o conseguem, com mais ou menos luta; outros, para sobreviverem, "fazem o jogo" dos alunos, deixando-os "à solta"; os mais fracos e sensíveis são triturados.
Assisti, apesar da ajuda que colegas e membros do Conselho Directivo lhes prestasvam, à destruição de alguns colegas (homens e mulheres) que tinham vindo para o ensino cheios de esperança e de desejo de se fazerem bons profissionais. Não lhes deram essa oportunidade.

Cada vez há mais casos de professores com problemas de depressão, há artigos, relatórios e estatísticas sobre isso, mas também sei que só quem tenha um contacto próximo com a comunidade escolar conseguirá perceber a gravidade do problema. Daí que a situação se tenha vindo a agravar a passos de gigante. Sem a solidariedade e a compreensão dos seus pares e da sociedade, o indivíduo fica isolado, vulnerável e indefeso.

Em que outra profissão, um trabalhador (e a classe dos professores é aquela cujos membros têm mais habilitações académicas e profissionais, actualmente já todos têm Licenciaturas e muitos o Mestrado) está sujeito a sofrer, diariamente e durante seis ou oito horas seguidas, o desgate de vagas sucessivas, de 25/30 crianças e adolescentes "apenas" barulhentos e desatentos, embora simpáticos (no melhor cenário) ou indiciplinados, violentos e grosseiros (nos piores casos)?

Por que razão não tem o professor o direito, como qualquer outro profissional em contacto com o público, de se recusar a dar aulas a uma turma de alunos que o ofendem e humilham, que se estão nas tintas para o que ele lhes quer ensinar e lhe fazem a vida negra?
Não pode, porque, se se recusar, fica sujeito a um processo disciplinar, com consequências gravíssimas. Só poderá libertar-se abandonando o ensino, se tiver outros meios de subsistência ou se estiver disposto aos riscos de mudar de vida, a meio da carreira, para começar de novo, depois de ter passado os seus melhores anos como professor.

Muitas vezes os colegas e a direcção da escola não sabem do seu sofrimento porque os visados não contam o que se passa, por vergonha (vejam a entrevista no link do post anterior, embora não seja sobre a escola, refere inúmeros casos patéticos de suicídio devido ao assédio), o que os leva a isolar-se cada vez mais. Tal como acontece com os alunos vítimas de assédio (prefiro a palavra portuguesa ao "bullying") dos colegas mais velhos ou mais fortes, quase sempre em bando.

Há uns anos, eu aconselhava a minha profissão aos mais jovens, agora digo a todos para a evitarem, tal como aconselhava a frequentar a escola pública e, agora, aconselho a privada, não por terem melhores professores, mas porque aí os pais pagam balúrdios de propinas e obrigam os filhos a comportarem-se bem e a estudarem, para que eles não sejam recusados ou expulsos por essas escolas. As públicas são praticamente gratuitas e, mesmo com cadastro, um aluno não pode ser recusado e é quase impossível expulsá-lo.

Tive, durante cerca de 30 anos, a paixão do ensino, nos últimos anos perdi-a quase por completo. Aposentei-me por antecipação e com penalizações. Retomei a escrita, senti-me renascer e voltei a ser feliz. Mesmo assim ainda fui a muitas escolas falar aos alunos, porque sentia-lhes a falta. Tenho uma grande capacidade de comunicação e sempre captei a atenção dos jovens com as minhas histórias.

Agora, já nem isso se consegue. Não voltarei a perder o meu tempo e as energias a ir às escolas falar para uma massa barulhente e grosseira (a última sessão foi numa das boas escolas de Lisboa, só com Secundário e num bairro tradicionalmente rico), que só ali está para "se baldar às aulas" e, apesar da vigilância dos professores, faz tudo para estragar a conversa que alguns alunos ainda interessados procuram manter.

Quando se passar a responsabilizar os pais pelo abandono e mau comportamento dos filhos, talvez as coisas mudem.

Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal

Entrevista a Christophe de Dejours no Público, sobre um tema e uma realidade de que ainda se fala muito pouco. É extensa, mas vale a pena ler. Conclusões esmagadoras, as deste psiquiatra e psicólogo, director do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção (Paris). Explica bem o acto do professor de Sintra.
Leia a entrevista Aqui

13/03/2010

Um Professor suicidou-se

Suicidou-se um professor.

A anterior equipa do Ministério da Educação, se ainda estivesse em funções, diria certamente que ele era um dos muitos professores sem perfil para a complexa missão de ensinar crianças ou adolescentes, dos docentes que nunca poderiam progredir na carreira, dos que deveriam ser avaliados por quem de direito o poderia fazer com rigor, por serem os mais directamente interessados – os seus alunos e os respectivos Pais ou Encarregados de Educação.

Com a boa prática de estes últimos começarem a interessar-se muito mais pelo trabalho dos filhos, indo com maior frequência à escola, sobretudo para pedir satisfações ou até administrar uns tabefes ao docente que não souber levar o seu educando, mesmo contra vontade da criança ou do adolescente, a frequentar as suas aulas e, coisa mais rara e improvável, a estudar.

Suicidou-se um professor.

E, se ainda estivessem em funções trabalhando para impor a sua brilhante reforma do ensino, a anterior equipa ministerial diria talvez que o professor suicida era a prova viva de que tinham razão quando se devotaram, desde o primeiro dia da sua tomada de posse, à necessária e espinhosa tarefa de disciplinar a classe, “metendo os professores na ordem”, de os “triturar”, se necessário fosse, por serem uma classe de incompetentes, preguiçosos e absentistas.

Suicidou-se um professor.

Com esta desvalorização da classe, os professores foram espoliados da sua dignidade, despidos de toda a autoridade, deixados indefesos e sem recursos, no exercício de uma profissão que é das mais difíceis, exactamente pelo que exige dos seus membros e da relação com o Outro (os alunos), tão infinitamente delicada que o mais leve sopro a pode romper.
Face a uma sociedade cada vez mais grosseira, inculta, desprovida de ética e de moral – cujos maus exemplos vêm de cima, a começar por aqueles que nos desgovernam para se governarem –, em que muitos pais, para não dizer a maioria, se demitiram da sua função de pais e guias da vida dos seus filhos, não lhes inculcando no tempo devido (desde o berço) os mais básicos princípios de disciplina, civismo e decência.

Os alunos deixaram de respeitar os professores e de ouvir os seus ensinamentos, insultando-os e humilhando os mais fracos, porque a tutela os desrespeitou e humilhou.
Em muitas escolas as aulas transformaram-se em arenas e muitos professores não conseguiram enfrentar o pesadelo e desistiram ou adoeceram. Porque não têm apoio, porque a escola não quer ou não pode agir.

E um professor suicidou-se

Quando a antiga equipa ministerial viu os vídeos que passaram nas televisões, com crianças e adolescentes a portarem-se nas aulas como no recreio ou num circo, a insultarem e baterem nos colegas e em professoras (jovens e idosas, para as crianças isso não conta, quanto mais frágil for a vítima, tanto melhor…), negaram a evidência e tomaram por excepção o que começava a ser uma regra.

Seis mil professores pediram, no mesmo ano, a aposentação antecipada.
E, agora, um professor suicidou-se.

Se a anterior equipa ministerial estivesse em funções talvez fizesse um inquérito aos alunos do professor suicida, para apurar se estes jovens do 9º ano, com uma idade média de 15 anos, que o empurravam, lhe davam “calduços” e chamavam “cão”, não teriam ficado traumatizados pelo acto tresloucado do seu suicídio. Não hesitariam seguramente em fazer-lhe um processo disciplinar a título póstumo.

Um Professor suicidou-se.
Antes de se lançar ao rio, escreveu no seu diário: “Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio”.

A anterior equipa ministerial não é a única culpada da degradação do ensino, ela é fruto da degradação da nossa sociedade e toda a comunidade tem culpa, por se demitir das suas funções e dos seus deveres.

Talvez o desespero e a morte deste Professor façam despertar as consciências e haja uma reflexão séria sobre o estado a que chegou o nosso ensino, a nossa política e a nossa sociedade.

Eu escrevo com dor e asco. Para que os Professores que sofrem ou conhecem estas situações as denunciem e que se repensem as leis e os estatutos dos Professores e dos alunos, de modo a que os docentes possam ensinar num bom ambiente de trabalho, os alunos prevaricadores possam ser punidos com severidade e os pais responsabilizados pelo mau comportamento dos seus filhos.

10/03/2010

Desde o Minho...

O meu sorriso

Era uma tarde como outra qualquer. Eu acomodei o corpo ao assento do carro. Ele tardaria um pouco mais a chegar. Gosto de me antecipar à hora marcada, para apreciar o antes. Esfregava as mãos e impingia-lhes o sopro de uma boca sem palavras. Lá fora, os carrapichos verdes das árvores ao fundo, agitavam-se, comovedores como asas fincadas. Pelo pára-brisas desceu um gato pardo, como se adivinhasse que no assento
de trás havia um peixe avermelhado num frasco de vidro, que arregalava os olhos e batia com a cauda em desespero.

Depois dos estendais, era um campo descosido de vedações, onde o Maio costuma soltar flores de muitas cores, encavalitadas na sombra que os pássaros deixam ficar.

Decidi abrir a porta. O gato escapuliu por um vau que eu desconhecia. Corri pelo campo fora, com asas cosidas aos braços e numa nuvem cinzenta verti a água do frasco e o peixe foi com ela. Viajaram até à beira do rio e quando ele chegou junto a mim mostrei-lhe as minhas mãos molhadas, com cheiro a cardume.
Beijou-me os olhos e eu acordei.


Cerzir palavras

A névoa aos pés do rio era manto alinhavado por escamas. Assim o descreveu a minha boca fechada no papel desdobrado em cima da pedra, numa friagem que intumescia as palavras de uma cor misteriosa. Um pintarroxo poisou num barquito que vacilava entre a noite e a madrugada. Tinha uma baga presa no bico.

Só quando raiava e a aura lhe trazia o pescador de volta, a rota das pétalas era retomada. Ele vinha com o pendor da lua nos lábios. O mesmo rosto escanhoado e as mãos grandes na flor prensada em páginas manuscritas, lá no fundo do cesto de vime, com cheiro a horas coadas por redes quiméricas. Eu via-os partir. E durante algum tempo vogava com eles. As asas soltavam as amarras do pensamento. O sacudir das águas calçava os pés do rio lentamente, como quem quer seguir o sonho que medrou e que o simples piar delata.

Uma chuva morna ancorou pouco depois e descreveu ilhas azuis no papel e istmos nos meus dedos. A écharpe escorregou. Caiu no chão. Voltou ao contorno do pescoço. Notei-lhe tufos. Eram as pétalas garridas que o pescador não soube achar.


Navegadora,
Uma tarde de Inverno à lareira e com a Maria João Pires a tecer o ar de brilhos.
O beijinho e o sorriso.

Se o azul do céu tiver corrupios brancos são sementeiras de palavras.

Isabel

09/03/2010

Das Mulheres no Velho Testamento

No rescaldo do Dia da Mulher, lembrei-me de uma das numerosas "histórias exemplares" do Velho Testamento que serviram de base aos meus contos, que tenho estado a refazer para uma nova edição. É muito significativo da condição da mulher, ainda nos nossos dias (como a violência doméstica e o número de mulheres mortas pelos companheiros), ver como nesta parábola é aceite como coisa natural o crime hediondo contra uma mulher indefesa e inocente, que o próprio marido entrega aos algozes para salvar a pele. Passa-se em Gabaa, com a mulher de um levita, hospedado na casa de Ard.

"Enquanto restauravam as suas forças, comendo e bebendo, vieram os habitantes da cidade, gente péssima, e, cercando a casa do velho, bateram violentamente à porta, dizendo:
- Traze cá para fora o homem que entrou na tua casa, pois queremos abusar dele.
Ard saiu e foi ter com eles, dizendo:
- Não queirais, irmãos, cometer semelhante maldade, pois este homem é hóspede da minha casa. Não pratiqueis semelhante infâmia. Aqui está a minha filha virgem e a mulher deste homem. Eu vo-las trarei, e vós podereis fazer delas o que quiserdes; somente vos peço que não cometais contra este homem esse crime contra a natureza.

Eles, porém, não o quiseram ouvir. Então o levita, vendo isto, trouxe-lhes a sua mulher: eles conheceram-na e abusaram dela durante toda a noite e despediram-na ao amanhecer. Ao romper do dia, veio a mulher à porta da casa onde estava o seu marido e caiu morta.

Chegada a manhã, levantou-se o marido e, ao abrir a porta para continuar o seu caminho, eis que a sua mulher jazia diante da porta, com as mãos estendidas sobre a soleira. Julgando-a adormecida, disse-lhe:
- Levanta-te e vamos.
Mas a mulher não lhe respondeu. Tomou-a, então, pô-la sobre o jumento e regressou à sua casa.

Chegando à sua casa, tomou o cutelo, dividiu o cadáver da sua mulher, membro por membro, em doze partes, e enviou-as a todas as tribos de Israel."

(in "Bíblia Sagrada" - Nova edição papal, traduzida das línguas originais, com uso crítico de todas as fontes Antigas, pelos Missionários Capuchinhos).

Ora, nem nesta Bíblia, comentada numa auto-declarada visão crítica, surge a mais leve censura ao crime feito à mulher ou aos dois homens que a sacrificaram, nem sequer pela profanação do cadáver, esquartejado e enviado às tribos de Israel para pedir vingança, não pela morte da mulher mas apenas pela ofensa feita ao marido.

O coração dos Missionários Capuchinhos nem sequer se comoveu com a imagem da mulher caída no chão, com as mãos estendidas para a soleira da porta numa súplica vã, no seu comentário só é referida a "baixeza moral" dos benjamitas, pelo pecado da sodomia.
Este episódio é uma repetição da história de Lot, com idêntica "moralidade", esta com a agravante de justificar o incesto de Lot com as duas filhas.

Como já referi, neste blogue, pretendo com os meus contos, denunciar essa tradição da condição da mulher, desprezada, aviltada, usada pelos homens como objecto de compra e venda, inferior ao gado dos seus rebanhos, e como animal de procriação, veiculada nos ditos livros sagrados das três religiões principais e de que, mesmo no Século XXI, a mulher ainda continua a ser vítima, em nome de Deus, com afrontoso despudor e impunidade, sobretudo nos países muçulmanos.

05/03/2010

Saiu a 2ª Edição d' O Espião de D. João II

Finalmente, meus queridos leitores, deu-se o parto da 2ª edição d'O Espião de D. João II, revista e com um Prefácio do Dr. Guilherme d'Oliveira Martins. O romance viu a luz esta semana e julgo que já terá deixado a incubadora, para se mostrar em público no berçário das livrarias.

Lembro-vos (e soube-o por muitos de vós, leitores amigos) que a 1ª edição esgotou antes do Natal. Nessa semana, como vos disse em outra postagem, no dia 21 de Dezembro já não havia um único exemplar em todas as livrarias e espaços de venda de livros, do Centro Comercial Colombo. E o mesmo sucedia na Baixa e em outros sítios de Lisboa. Leitores de Aveiro e Castelo Branco disseram-me que quiseram oferecer o romance e não o acharam em parte alguma, livrarias ou grandes superfícies.
Foi frustrante!

Os que andaram à procura e lhe sentiram a falta, se ainda for a tempo, ficarão satisfeitos com a versão corrigida e prefaciada com um belo texto do Dr. Oliveira Martins.

Agradeço também aos que me têm visitado aqui, neste blogue e na minha Página, e peço desculpa pela ausência, mas fui atacada fortissimamente por uma ideia para o meu segundo livro que me tem empolgado e, portanto, escravizado. Quando isto acontece, não há nada, ou quase nada, que logre desviar-me da escrita e eu estou desde Janeiro sem sair de casa (só para as consultas do hospital - ainda tenho cicatrizes no remendo do nariz, mas vai bem), feita bicho-do-mato, intratável, mas muito sensibilizada quando me escrevem.

Estou também a rever os dois volumes dos Contos e Novos Contos Eróticos do Velho Testamento, que dificilmente se encontram no mercado, tendo em vista uma nova edição num só volume. Considero estes contos os meus melhores textos, por neles ter ousado mais do que em qualquer outra das minhas obras e por estarem escritos numa linguagem poética, que é a mais íntima de mim.

Há quem diga que não vale a pena escrever contos, por não haver leitores para eles. Custa-me a crer! Podem ser belíssimos desafios da arte de escrever. Que pensam os meus queridos leitores? Podem dar-me a vossa opinião, para eu decidir se vale ou não a pena fazer nova edição?
Bem hajam!

Um beijo de muita amizade
Deana

17/01/2010

Entrevistas on-line

- OS LIVROS SÃO VENDIDOS COMO DETERGENTES...
Entrevista feita por Mário Gonçalves para a Revista on-line
Livros & Leituras.
Ler AQUI.

- LETRAS, CHÁ E SIMPATIA, COM DEANA BARROQUEIRO
Entrevista feita por Carmo Vasconcelos, no Nº 2 da Revista on-line Eisfluências, para divulgação de autores de Língua Portuguesa.
Ler AQUI.

Cartinha do Minho

Navegadora,

Um instante para o suspiro das palavras...

Só se abria aquela janela quando o Sol espontava na tília do jardim.
Era a hora afortunada e redonda, como as bolachas de aveia que saíam da boca do forno para a boca sôfrega do menino, que chegava da escola.

A mochila galopava dois degraus de cada vez, e ouvia-se a barafusta entre a lata dos lápis de cor e a colecção de berlindes. E os olhos do verde mais verde que a Primavera arranca à terra, inundavam de alegria o tricotar cinzento derramado no colo da avó. Os dedos bondosos e frios perdiam-se no labirinto de caracóis castanhos do menino, que lhe lembravam a mãe em tardes que a memória pescava, com o mar quase
sempre à beira dos olhos.

Logo vinha a sombra da tília. Ela dizia que era uma porta para um jardim subterrâneo de flores, que só se podiam ver se se piscasse três vezes. Ele dizia que eram asas de morcegão que a bengala podia espantar, como se fosse uma varinha de condão.

Depois, quando o depois do dia se escurece de noite a janela fechava-se, com um estalido de dedos, para a magia se arrastar pelos corredores do sono, dos dois.

O beijinho e o sorriso.

Isabel

16/01/2010

Os números da Escrita

Leio, com um sorriso, as notícias do confronto entre as editoras Gradiva e Bertrand pelo lugar cimeiro de vendas dos seus "bestsellers", respectivamente, Fúria Divina, de José Rodrigues dos Santos e O Símbolo Perdido, de Dan Brown.

Os dois romances invadiram o mercado, disputando os melhores lugares nas livrarias e grandes superfícies (pagos pelas editoras), em pilhas e pirâmides que sufocavam as obras dos escritores não mediáticos. Em Outubro e Novembro entraram e mantiveram-se sempre no topo das vendas, em Dezembro já se amontoavam em pilhas mais ou menos imutáveis, escoando-se devagarinho.

A propósito deste sucesso, lembro-me de ter tido, na semana do Natal, no dia 21, uma experiência simultaneamente exultante e decepcionante: em todas as livrarias e espaços de venda de livros do Centro Comercial do Colombo não havia à venda UM ÚNICO exemplar do meu romance O Espião de D. João II. Resposta dos respectivos funcionários: tinham-se vendido todos e estavam pedidos mais para depois do Natal!


Seria intencional? Teriam as livrarias encomendado exemplares a mais dos bestsellers e, agora, procuravam "empurrá-los", junto com outros excedentes, aos compradores natalícios dos últimos dias que, pressionados pela necessidade, acabariam por levar estes em vez dos livros que buscavam?

Conheço mal a obra dos dois autores da disputa. Apenas li do americano O Código Da Vinci, que considerei um bom policial até ao último terço do livro, "atamancado" pelo autor, de qualquer maneira, talvez devido à dificuldade de dar um final verosímil a uma teoria fantasiosa que ele pretendia fazer passar por verdade histórica e assente em pesquisa de documentação séria, quando afinal partiu de textos apócrifos que a crítica esclarecida e os próprios autores dos textos falsos desmantelaram.

No entanto, como a receita pegou, Dan Brown passou a repeti-la nas obras seguintes (sobre isto falou Helena Barbas, na Fnac, como se pode ver no post Partilha com os Leitores), desmotivando-me da sua leitura, tal como a quase metade dos seus leitores, pelos números que foram fornecidos pelo DN e pelos comentários que tenho lido nos blogues.

Comprei o último livro de José Rodrigues dos Santos, mais para o ler como documento jornalístico do que como obra literária (que ainda não sei se é), dado que, por formação e experiência profissional de crítica de texto literário verso outros registos, não posso deixar de ver as diferenças entre eles, classificá-los e apreciá-los de modos distintos. Se Fúria Divina tiver qualidade literária, darei por bem empregue o tempo que roubei ao meu próprio trabalho para o ler e ficarei feliz por o seu autor ter batido Dan Brown.

Todavia, parece-me haver cada vez mais escrita jornalística (boa e má, como em todos os outros géneros) e menos Literatura. Autores que conseguem escrever muito e muito depressa, publicar grandes livros sobre os temas "na berra", com garantida visibilidade nos Media, impressionam-me, mas fazem-me desconfiar.

Talvez porque, como autora, além de procurar contar bem uma história e do cuidado com o pormenor na descrição dos ambientes - que é caraterística indispensável ao romance histórico -, sofro obsessivamente com a linguagem, a escolha e variedade do vocabulário, os diferentes tipos de registo e discurso, de acordo com as personagens e, sobretudo, a própria construção e estrutura do romance, a fim de não me repetir.
Procuro, assim, dar ao leitor algo de diferente, em cada livro, que é o meu modo de lhe agradecer a fidelidade com que me premeia. Mas isto dificilmente se consegue sem se empregar muito do nosso tempo, uma quase exclusiva dedicação, imenso trabalho e espírito de sacrifício.

Produtos instantâneos ou semi-instantâneos devem ser reservados ao domínio da culinária e doçaria, como os pudins Nestlé e as gelatinas Royal, porém, mesmo aí, eu não faço cedências e a minha cozinha há-de ser sempre feita de raiz, lenta, apurada e de cunho tradicional, mesmo que seja para um número restrito de comensais.

13/01/2010

Agenda Janeiro

20 de Janeiro, Quarta-feira, às 18.30 h.
Lisboa – Sociedade de Língua Portuguesa

Apresentação do romance O Espião de D. João II, pela Dra. Elsa Rodrigues dos Santos, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa.
Seguir-se-á uma conversa informal com os Leitores, a quem deixo o meu convite, para que me dêem o prazer da sua companhia, em especial a daqueles que ainda não tive oportunidade de conhecer ou ver em anteriores sessões.

Espero-vos na sede da SLP:
R. Mouzinho da Silveira, nº 23
Lisboa (Metro: Marquês de Pombal)

08/01/2010

Desde o Minho... Ano Novo Estrelado

Navegadora,

Hoje a luz ténue da manhã trouxe-me, à ponta dos dedos, fantasias.

Um véu de chuva abicava a pele dela. Devagar, descia a rua, com o salto alto a tinir nas pedras e a saia preta com pintinhas brancas, roçagante nas nozes dos joelhos, que ele descascava com o miolo das mãos húmidas. Os dedos alados, voavam dos lábios para os bolsos e dos bolsos para o adeus. E nesses interiores nocturnos haviam restos de carmim e faúlhas que recolhiam nas bermas daquele palpitar. Eram felizes.

Conheceram-se no pousio do calendário, quando o sal dos olhos se dilui. Por detrás da vitrina, lá longe ele via entre os cumes, como se alourava a fogaça mais doce e gemiam remanescentes de água, nas nervuras da terra. Aurora, era o seu nome.
- A senhorita que deseja?
- Daquele tecido que está na montra.
- O das pintinhas?
- Esse mesmo.

A partir de então, dedos de alfaiate desabotoaram cada prímula que amanhecia. Devagar, foi talhada a vida com o ponto pé de flor do amor.
Até que um dia ela não veio e a vitrina estava deserta.
Um menino que apanhara um galho nos montes, lá longe, trotava pela rua que descia, quando caía neve como pintinhas no manto da noite, que emudecia.

Escuto Mahler, à procura do sonho perpétuo.

O beijinho e o sorriso, sempre. Muito obrigada, Navegadora, pelo carinho.

Isabel


Quem tem de agradecer sou eu, minha querida Poetisa Encoberta das Terras do Norte, pelo seu carinho e por estas esculturas de palavras que me permite partilhar com os meus leitores.

Escuto Bach, à procura de um Tempo Perdido para outro reencontro com a minha escrita.
Um beijo grande.

07/01/2010

Um falso rastreio

Ao longo dos últimos anos temos sido massacrados com telefonemas de empresas a oferecer presentes, "gratuitamente e sem qualquer compromisso", de telemóveis, electrodomésticos e até viagens ao estrangeiro. Estas ofertas escondem sempre a venda de um determinado produto. Muita gente caiu no logro e aprendeu a lição.

Como estas campanhas de "ofertas" deixaram de surtir efeito, os vigaristas de Marketing pensaram noutro esquema para atrair potenciais clientes: o falso pretexto de um rastreio para prevenção de doenças cardiovasculares.

E eu, apesar da minha total recusa a estas campanhas por telefone, caí no logro, porque o "rastreio" me foi apresentado como uma campanha oficial de saúde - como tantas outras que o Estado promove -, para mais crédito ainda, estava sediada na Associação dos Deficientes das Forças Armadas, dizendo-me que era para ensinarem os sintomas e a prevenção dos AVC, fazerem medições de tensão e ritmo cardíaco, etc., etc. Chegaram ao requinte de prevenir que não devíamos comer meia-hora antes da marcação!

E assim, meus queridos leitores, eu e o meu marido caímos que nem uns patinhos e lá fomos, cheios de boa fé. O "rastreio" ou rasteira aos utentes era o negócio de colchões e cadeiras de massagens de 4.500 euros! Só não desarvorámos porta fora por pena da moça que nos atendia e estava apenas a fazer um trabalho de tarefeira, não sendo responsável pelos procedimentos quase fraudulentos da empresa que a contratou a prazo.

A moça até era simpática, fez-nos um questionário que deixámos a meio (porque acabámos por levar o caso para a paródia e respondemos tipo comédia nonsense), mediu-nos a tensão e o ritmo cardíaco, com esses aparelhinhos caseiros que se compram nos supermercados, e a massagem de demonstração da cadeira deu um certo gozo, mas, o que mais me irritou foi ter deixado de lanchar para ir, sem comer por medo de indigestão ou AVC, àquela sessão, onde esperei uma hora para ser atendida e me tentarem vender um colchão e uma cadeira de massagens.

Este rastreio começou na terça-feira e vai prolongar-se por mais de um mês. Homem prevenido vale por dois, por isso aqui vos deixo o meu aviso. Não me digam agora que a realidade é melhor do que a ficção! Eu continuo a preferir a ficção...

Livraria Ideal - TVI 24

A página on-line do programa Livraria Ideal, de João Paulo Sacadura, já está de novo operacional e podem visualizar não só a minha entrevista como as de muitos outros escritores que fazem jus ao talento, boa preparação e simpatia do entrevistador. Basta clicar AQUI e fazer correr, na base do ecrã, as miniaturas dos entrevistados até ao dia 30/11, para clicar na minha. Tenham um bom visionamento e divirtam-se com estas gostosas conversas!

26/12/2009

Desde o Minho, o pássaro da manhã...

Nesta manhã, o sol entrou-me pelas janelas e com ele vieram as palavras dessa poetisa que se esconde por trás dos gestos de todos os dias e dos múltiplos papéis da vida em que se desdobram as mulheres.
Todavia, a voz subterrânea e íntima de Isabel é mais forte do que todas as vozes do quotidiano, impossível de silenciar, desassossegada, irisada e poderosa como o caudal do rio que banha a sua cidade.
Saboreio-a como um refresco e sei que o dia já não pode correr mal.
Obrigada, Isabel, poetisa encoberta das Terras do Norte, cuja paisagem nos oferece feita pintura e poema. Aqui a tendes:

DESDE O MINHO...

O pássaro da manhã tinha lona de falua nas asas e milho-rei no bico.
Eu estava sentada no meu castelo de pedras rumorosas a vigiar o
nascente. Cada minuto de espera era um acento, um risco de chuva. Eu anelava por aquele novelo de luz para rutilar a minha tristeza.

Ao longe, pelos caminhos núncios da aldeia, vinham as mulheres com cabazes de trabalho nos braços e com o credo na boca. Se uma aragem lhes desalinhava as madeixas do cabelo arruçado, logo ajeitavam o lenço delido na cabeça e pregavam os olhos nas tranças que escorriam pelas ladeiras dos corpos tenros.

As raparigas que esvoaçavam além,entre as flores rasteiras e cheirosas que bordejavam a biqueira do rio, livravam-se das alparcatas do medo e derriçavam palavras mudas nas águas translúcidas. Depois, inundavam o tempo no macramé das hortas e faziam da terra o ventre das suas vidas.

O pássaro da manhã aninhou-se no meu castelo para encher de azul as linhas que escrevo e espigar o sonho da noite escura.

Navegadora,

Estendo-lhe as minhas mãos, os dedos entrelaçados de gratidão.

Os meus filhos ofereceram-me neste Natal o filme que não pude ver no cinema: "O Leitor". Hoje de manhãzinha, deixei-me ir pelas imagens, para desvendar se o destino era um acaso na vida daquelas personagens.

Um beijinho. Um sorriso.

Isabel

Valença do Minho, 26 de Dezembro de 2009


Sou eu que lhe devo gratidão, querida Isabel, e um grande beijo de amizade.

25/12/2009

Erro na minha Página

Alguns dos meus Leitores devem ter-se apercebido de um erro na minha Página: por lapso, de que peço desculpa, o link para o podecast Fantástica Aventura, com a crítica da Dra. Elsa Rodrigues dos Santos, Presidente da Sociedade de Língua Portuguesa, estava trocado, remetendo para a entrevista da Ana Aranha, tendo sido já corrigido e pode ser também ouvido Aqui.

Feliz Natal, Amigos, espero que tenham passado uma boa Consoada e comecem a preparar uma Passagem de Ano bem animada!

24/12/2009

Tempo de Luzes - Maria Teresa Horta


A minha querida amiga Maria Teresa Horta, uma das maiores poetisas portuguesas de todos os tempos, e uma espantosa Mulher a quem muito admiro, enviou-me este poema de Natal que eu dedico a todos os meus amigos, para que se encantem como eu com a magia das suas palavras e imagens. Desejo-vos uma alegre e pacífica consoada. Obrigada, Maria Teresa Horta!

Tempo de Luzes

É um tempo coado
de azevinho.
Com odores de doce

e de memória

O colo da mãe
em desalinho.
A cor da ternura

na demora

É um tempo de luzes
e de linho.
Com sussurros

de cristal e de romã

Lonjura que nos traz
o som de um sino.
Onde o sonho se mistura

com a manhã

Maria Teresa Horta
Natal 2009

Desde o Minho, com a chuva a salivar as ruas...

Há palavras que nos acalentam como línguas de fogo à lareira, quando o inverno nos agride com violenta zanga. Há frases que nos fazem cerrar os olhos para as ver e ouvir melhor com o coração ou a alma.

Desde o Minho, me chegou de novo a voz singular da minha íntima-desconhecida Isabel. É este presente de Natal que desejo partilhar com os leitores, por ser demasiado belo para ficar apenas comigo. Aqui o tendes:

Navegadora,

O sino da igreja roça a clarabóia do luar. A névoa é espartilho nos caminhos da aldeia. Desde as janelas aprecio as grinaldas com luzes de ir e vir a chamar pelo Natal. Imagino mãos-meninas a remexer fantasias. E o bafejo do silêncio a inaugurar um novo conto. O Dezembro é a inexperiência dos sentimentos. Escreve-se com linhas de açúcar e canela. Liquefaz-se na boca e alimenta o sonho que se quer fermentado.
Boa noite, Navegadora!

Hoje pelas sete e pico da manhã já trazia um braçado de lenha, desde a paisagem vidrada pelo gelo, para acender a lareira. Depois bebi o meu leite bem quente com café, na caneca verde, e comi um bolo de arroz.

Ali ao pé da chama e aquelas línguas de fogo a lembrarem dióspiros. É no silêncio da casa e no estremecer da aurora que eu me sinto felizarda. Leio, escrevo, ou penso tão simplesmente.

É para mim um privilégio ter as minhas palavras no seu blogue. Muito obrigada! Eu sou forasteira nestes balcões de letras. Não possuo nenhum. Muito obrigada pelo seu afago!

Trouxe-me um sorriso e um semicerrar de pálpebras, Navegadora.
Um beijinho.
Um doce Natal e para 2010 uma frota destemida, pelo mar adentro das palavras sábias.

Isabel
.

Obrigada, Isabel. Quem dera que este espaço, o meu cantinho de intimidade com os amigos que me visitam, fosse esse balcão de letras para registo das suas palavras, animando-a a outros voos que se adivinham de grande fôlego. Era uma honra para mim e seguramente um prazer para os que amam a palavra escrita e a alma que nela pensa e sente.
Feliz Natal, poetisa encoberta, obrigada por este presente de Boas Festas!
E que em 2010, na destemida frota, seja a Isabel um piloto a descobrir a sua rota nesse mar das palavras sensíveis que a habitam. Um beijo, desde Lisboa.

23/12/2009

O que dizem os Críticos

Na 2ª feira, dia 21, ao dar uma volta pelas livrarias (e grandes superfícies) do Colombo e da Baixa lisboeta, para fazer as últimas compras de Natal,apercebi-me, com uma satisfação mesclada de grande frustração, de que os exemplares d'"O Espião de D. João II" se tinham esgotado e, segundo me disseram os responsáveis, só voltariam a aparecer depois do Natal!

Aparentemente os livreiros ainda receiam apostar em mim... apesar da evidência de que tenho cada vez mais leitores, e a prova está no facto da editora Ésquilo estar a preparar uma 2ª edição para sair em Janeiro.

Como consequência deste sucesso, venho aqui agradecer aos jornalistas e críticos que, com as suas palavras, promoveram o meu romance de forma espontânea e desinteressada, citando algumas dessas frases de apreço, para conhecimento dos meus Leitores:

«A Deana tem sido demasiado discreta, não tem aparecido nos grandes encontros, o seu nome não tem feito o burburinho que eu acho que merecia.
Ao ler o seu livro esqueci-me do lápis que, enquanto crítica, uso sempre que comento uma obra.».
Helena Barbas (Docente da Universidade Nova de Lisboa e crítica literária do semanário Expresso.)

.
«Outro aspecto importante desta obra O Espião de D. João II) é a linguagem que se reporta à época do Renascimento, (…) própria de um escudeiro da baixa nobreza real que se assemelha à linguagem antiga da Beira Baixa, contribuindo para o enriquecimento do léxico e para a qualidade da narrativa.
D. B. nestas quinhentas e tal páginas consegue não fatigar o leitor, pelo interesse que suscita, ao mesmo tempo que nos oferece valiosas lições históricas, pondo em realce a figura do rei D. João II como um grande monarca, prestigiando este género de romance histórico e a Língua Portuguesa, não só pela trama urdida, como pela elegância e sobriedade do estilo.».
Elsa Rodrigues dos Santos (Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa)

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«O Espião de D. João II" de D. B. (Esquilo, 2009) é um romance baseado em factos reais, que nos permite acompanhar a viagem de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João. Transpondo para os dias de hoje a imagem de um “agente secreto”, travestido de James Bond ou de Indiana Jones, a autora não comete o erro do anacronismo e procura (…) transmitir ao público o ambiente geral do final do século XV, com uma evidente vivacidade (…), o que permite ao leitor acompanhar o relato sem perder a atenção bem desperta.
(…) Estamos, assim, perante um romance histórico que é, a um tempo, livro de viagens e relato de aventuras. E como diria o Padre Álvares: “todas as cousas a que o mandaram soube, e de todas deu conta”. Quem melhor poderia sublinhar esta preocupação? Esta é a melhor homenagem que pode ser feita a Pêro da Covilhã, cuja memória parece ir-se desvanecendo, apesar da sua importância fundamental.».
Guilherme d’Oliveira Martins (Presidente do Tribunal de Contas e do Centro nacional de Cultura)

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«Agradeço-lhe desde já o prazer que tive em a conhecer e poder falar consigo.
Afinal, devo-lhe muitas horas boas a "viajar" no tempo e a viver aventuras com heróis nacionais por esse mundo fora e por esse Portugal Histórico... assim sabe bem aprender o nosso passado, e se não o soubermos e acarinharmos não teremos um futuro digno!
Em breve serão os meus filhos a poder lerem-na e a vibrar com os seus aventureiros!
Bem-haja...e continue sempre a dar-nos estórias emocionantes da nossa História!».
João Paulo Sacadura (Jornalista da TVI24 / LIVRARIA IDEAL)


Para todos, a minha imensa gratidão! São frases laudatórias que alguns Leitores reputarão talvez de excessivas e me acusarão de deixar, debaixo do tapete do esquecimento, as críticas negativas. Todavia, por impossível que possa parecer, ainda não recebi qualquer crítica negativa e asseguro-vos, desde já, que aqui as porei assim que as receber.

21/12/2009

Vencedores do Passatempo Ésquilo/Marcador de Livros

Tenho o prazer de informar que terminou ontem, dia 20 de Dezembro, o passatempo "O Espião de D. João II", que contou com um total de 127 participações.

Os vencedores, a quem envio parabéns, foram:

Amália da Graça Barreiro Simões,
André Oliveira
e Teresa Duarte

Agradeço, de todo o coração, o interesse e entusiasmo dos leitores que concorreram ao Passatempo e não foram bafejados pela sorte.

Um especial agradecimento também ao editor da Ésquilo, Paulo Alexandre Loução, e ao blogue Marcador de Livros na pessoa de Maria Manuel, a mentora e alma desta iniciativa.
Bem hajam!

Feliz Natal e um magnífico Ano de 2010 para todos.

20/12/2009

Belmonte e um Museu dos Descobrimentos

Terra antiga, habitada desde os tempos da Pré-História, obteve foral próprio de D. Sancho I, em 1199, porém, vai adquirir maior relevo, a partir do século XV, quando a sua história se começa a fundir com a história da família dos Cabrais e posteriormente com a dos judeus e cristãos-novos que ali buscaram refúgio.

É, no entanto, com Pedro Álvares Cabral que Belmonte vai entrar com maior pompa e circunstância na grande Epopeia dos Descobrimentos, quando o capitão-mor da segunda armada que el-rei D. Manuel envia à Índia, se desvia da sua rota e concretiza o polémico “achamento” das terras do pau-brasil, um Novo Mundo para a coroa Portuguesa.

Quinhentos e nove anos mais tarde, Belmonte concretiza, por fim, o longo anseio de dar a conhecer esse passado riquíssimo, não só no presente mas também para as gerações vindouras, criando um núcleo museológico de notável interesse, com visitas guiadas por gente conhecedora e apaixonada por tão rico património: O Castelo com a sua preciosa janela manuelina; a antiga judiaria, a sinagoga e o Museu Judaico; a Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais; o Museu do Azeite, o Ecomuseu do Zêzere e, por último, a peça que faltava: O Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo

É deste Centro Interpretativo que vos quero falar, por ser uma obra original, apelativa e espectacular, em termos de tecnologia digital de ponta, que conta a Historia do achamento ou descobrimento do Brasil, como um filme em que os visitantes participam, não só enquanto espectadores, mas sobretudo como actores, desde que se predisponham ao jogo interactivo que as imagens e os botões, ao alcance de um clique, lhes propõem com muito saber, imaginação e graça. Crianças e adultos poderão meter-se na pele do navegador, sentir os balanços da caravela ou da nau até ao enjoo, informar-se sobre aparelhos e técnicas de marear, sofrer uma tempestade e naufrágio, avistar o Novo Mundo, ouvir-lhe os sons distintos, conhecer os seus produtos, trocar presentes com os seus naturais e até dançar ao som de estranhos instrumentos.



Uma viagem lúdica, maravilhosa e profundamente didáctica, diria até de visita obrigatória para as escolas portuguesas. Os estudantes vivê-la-ão como um filme ou um gigantesco jogo de computador, enquanto aprendem a nossa História. Encantou-me a visita e não regateei elogios à gentilíssima guia que me acompanhou e ao meu marido, nessa tarde tremendamente chuvosa de Belmonte.

No entanto, passado algum tempo, apercebi-me de que me faltara algo, de que só vagamente me dera conta, durante a visita: faltava (com raras excepções como a pia baptismal na entrada) a magia e a emoção que conferem a presença de objectos coevos, desses vestígios verdadeiros do Passado, que nos transportam, mais do que um filme ou uma foto, para a vida de épocas remotas, porque foram usadas e serviram a gente viva como nós e, por isso, têm alma e nos comovem, como aqueles objectos da exposição Encompassing The Globe – Portugal e o Mundo, do Museus de Arte Antiga.

Ter uns tantos objectos reais distribuídos estrategicamente pelas salas a reforçar as imagens e as descrições, como por exemplo, um astrolábio exposto enquanto as imagens e o áudio ensinam para o que serviu e como se usou. Enquanto não tiver esses testemunhos autênticos do Passado, o Centro Interpretativo da Descoberta do Novo Mundo, não poderá ser considerado um Museu, na verdadeira acepção da palavra. Espero que com o tempo (abriram há poucos meses e já contam com um número impressionante de visitantes) isso possa acontecer, porque têm espaço, os seus colaboradores têm vontade e dedicação e todos nós sabemos que há, em muitos armazéns poeirentos, milhares de objectos coevos. O Centro Interpretativo precisará seguramente de dinheiro para os obter e fazer as suas exposições com segurança.

Se há sempre tanto dinheiro para estádios redundantes de futebol, não poderá haver também uma pequena parcela do bolo para os museus? Quando teremos neste país, pioneiro da Globalização, da Descobertas e da Cartografia do Globo, um verdadeiro Museu dos Descobrimentos?

19/12/2009

O que dizem os meus Leitores

A minha escrita é partilha e cumplicidade entre mim e os meus leitores. Proporciona-me também uma aliciante troca ideias e de conhecimentos. Os meus leitores, com as suas mensagens ou a sua presença nas nossas tertúlias e encontros, fazem-me viver intensamente, umas vezes divertindo-me, outras comovendo-me e animando-me, ou ainda questionando-me e confiando-me as suas angústias e esperanças, com a sinceridade que se tem para com os verdadeiros amigos, enchendo-me sempre de gratidão.

Procuro comentar ou responder aos seus autores, sempre que vejo uma menção às minhas obras em blogues ou nas redes sociais da Internet. No entanto, gostaria de registar neste lugar de Conversa com os Leitores, algumas das muitas mensagens que me encantaram, quer pela graça quer pela emoção ou o enlevo, esperando não cometer uma inconfidência, pelo que porei dos autores apenas o primeiro nome, para salvaguardar a sua identidade.

Assim, deliciei-me com este “desabafo” que descobri num blogue de amantes de livros:

Diogo - Antes de falar sobre livros uma pequena inconfidência sobre os autores deste blog. Todos nós sem excepção temos o sonho de publicar os nossos livros; todos nós escrevemos e, uns mais outros menos, todos temos as nossas histórias alinhavadas...

Vem isto a propósito de quê?
Faço esta inconfidência por causa deste livro publicado pela Ésquilo "O Espião de D. João II" de Deana Barroqueiro.

Nos últimos quatro anos reuni informações dados biográficos sobre uma das mais importantes e mais esquecidas figuras da época dos descobrimentos portugueses: PÊRO DA COVILHÃ. E quando já tinha tudo pronto quando comecei a escrever e a alinhavar as ideias vem-me parar às mãos este livro: O Espião de D. João II.

E esta é a história que eu ia contar. A viagem de Pêro da Covilhã até à Índia e a demanda pelo reino do Preste João. (Eu talvez tivesse abordado um pouco mais a juventude dele em Espanha ao serviço de D. Juan de Guzman mas se já assim o livro tem para cima de 500 páginas se fosse incluir essa fase em detalhe seria um romance interminável).

O livro é excelente mas uma palavra à autora:
- Depois de me ter "roubado" a ideia e de ter escrito o "meu" livro (melhor do que eu poderia escrever) só lhe posso dizer uma coisa: ODEIO-A ...
.

***

E um escritor pode até sentir inveja de uma leitora que escreve deste modo, em dois luminosos momentos:

Isabel - Navegadora Deana,

Venho com um sopro de letras na boca,

Um livro quando nos finca no assento e nos vasculha a alma
é porque tem vida lá dentro a contar o momento anfíbio, de lágrimas e pele.

Estrépito nas linhas, verde e caruma na volta do capítulo, coalhos de névoa madrugadora em coincidências de nós, gomos marsupiais do dia ido, adágio dos sentidos na esquina dobrada do papel, até ao próximo encontro.

Obrigada por escrever.

Mimos que se entregam de mãos abertas.

Desde o Minho, com a chuva a salivar as ruas, a ensopar os campos e a entristecer o rio.

(…)

Então, naquele instante...

O azul da flor fugiu da aba do chapéu, onde o menino doou ternura, e não mais foi preciso colírio nos olhos. Era uma manhã morna, daquelas que descrevem nas gotas de chuva que arpoam a vidraça, o ronco lento do comboio. Os olhos madrugadores e os dedos capitães faziam os sonhos voar. Estremunhada entre os lençóis verdes do campo e o rezento das pedras dos carreiros, onde os chocalhos das ovelhas e o cajado do homem rude, premeiam a vida na aldeia, escrevo. É o meu amparo. Muito obrigada Navegadora Deana, pelas suas palavras.

Antes de "O Navegador de Passagem", era refém dos horários escolares da minha filha mais nova, depois encontrei-me com o Bartolomeu Dias e agradeci o tempo, o retardar do relógio. Deixei de me pasmar com o vaivém da estudantada que remói as palavras, como cardos.

É mais feliz quem tem o prazer de ter um bom livro por companhia. E quem acha ventos mareiros... para levar palavras.

Navegadora Deana, estou a ouvir Beethoven, quando a tarde está escura e fria neste Alto Minho. Daqui a pouco vou beber um chá e ler defronte a uma janela, com as cortinas repuxadas para o meu mundo entrar.

Um beijinho e o meu sorriso
.

***

A minha eterna gratidão, Amigos Leitores!

16/12/2009

Resultado do Passatempo Segredo dos Livros

Embora com atraso, devido ao turbilhão da minha vida, nestes dois últimos meses, aqui venho dar os meus parabéns aos três leitores que, de um total de sessenta e nove, concorreram ao passatempo que a Editora Ésquilo e o Segredo dos Livros fizeram sobre O Espião de D. João II.

Os vencedores foram:
- Amália Barreiro, Santa Iria da Azóia
- Pedro Serra, Bombarral
- Gabriela Almeida, Coimbra
e irão receber em sua casa, um exemplar do livro "O Espião de D. João II".

Agradeço, sinceramente, o interesse mostrado por todos os participantes, lamentando a sorte dos que não foram contemplados e lembrando-lhes que está a decorrer um novo passatempo com a mesma obra, no Marcador de Livros, de parceria com a Editora Ésquilo.

Não deixem de concorrer, que esta 1ª edição está quase esgotada!

15/12/2009

Passatempo Ésquilo 2: O Espião de D. João II

O blogue Marcador de Livros, em parceria com a Editora Ésquilo, lançou um passatempo, onde serão oferecidos três exemplares deste livro. O desafio decorre até às 23.59 h. do dia 20 de Dezembro.
Vejam como participar AQUI