11/01/2011

O Reverso da Fama: A Fama sem Glória


O culto da "Fama", da notoriedade a qualquer preço, causa-me arrepios. Assiste-se actualmente entre a juventude (embora não seja exclusivo dela) a uma ansiosa busca de visibilidade, de exposição nos media, em particular na Televisão, quase sempre pelas piores razões ou à custa da própria degradação do indivíduo. Muitas vezes incentivados pela própria família, cujo dever seria incutir-lhes valores morais que parecem desconhecer.

Expõem-se sem reservas nas redes sociais, exibindo o corpo e a alma perante centenas de desconhecidos. Concorrem aos milhares na esperança de serem escolhidos (e quase se suicidando quando são rejeitados) para programas degradantes, sob todos os pontos de vista, como o Big Brother e quejandos, onde o titereiro da produção os manipula e reduz à mais baixa, vil condição humana, para gozo dos Voyeurs.

A troco dinheiro fácil(?), da "fama" efémera dada por umas fotos em revistas de escândalos ou um convite para uma festa de outros igualmente "famosos". Depois, o programa acaba, ou acaba o "famoso" - quando já lhe espremeram toda a valia -, substituído por idêntica novidade, igualmente ansiosa de se mostrar, de se desnudar até ao mais íntimo do seu ser, de se aviltar e ser humilhada (parece que nem se apercebem de como estão a ser usados, pois mostram ter prazer nisso).

Tornam-se heróis e heroínas de pacotilha, desperdiçando o seu potencial (quando o têm) e comprometendo o futuro que poderia ser brilhante, mas cujo sucesso só se consegue com tempo e trabalho. O outro caminho, o das "Estrelas, palcos e passarelles", parece tão mais fácil, rápido e fulgurante, mesmo que tenham de se prostituir com os que possam ter influência no meio e promovê-los.

E, quando os holofotes se apagam e regressa o anonimato, nem todos têm força para recomeçar o que deixaram a meio, como os estudos ou o seu próprio crescimento - uns roubam, outros prostituem-se ou drogam-se.

Outros conseguem por fim alcançar os seus momentos de Grande Fama, embora sem glória, nas Páginas do Crime.


Foto: Holofotes da fama, de Rogério Gonçalves

5 comentários:

M. disse...

É verdade, Deana! O próprio concurso era degradante, ao fazer desfilar adolescentes quase nus. Quando ao crime em si, toda a história me parece uma invenção e não acredito que tenha sido cometido por aquele rapaz, mas sim por terceiros.
Bjsss,
Madalena

DEANA BARROQUEIRO disse...

Não me referia a um caso em particular, mas ao que acontece no mundo do espectáculo e do entretenimento, em geral, com toda a sua pesada máquina que acaba por triturar os que não são suficientemente fortes para resistirem às tentações ou às desilusões. A falta de qualidade e de ética das estações de televisão contribui grandemente para para o "circo das aparências", dando gato por lebre, exibindo o falso, medíocre e vazio, por "ouro de lei".

Em relação ao caso de New York, o suspeito confessou o crime.

M. disse...

De facto, é assim, a pessoa é envolvida e engolida no meio de todo esse pântano.
Quanto a ter "confessado", sabe-se lá como isso terá ocorrido, uma vez que ele nem advogado tinha. Tudo me parece inventado. "Torturar com um saca-rolhas durante 1 hora"??? E no hotel não ouviam nada? Enfim, desculpe vir aqui com a minha indignação...
Bjs,
Madalena

DEANA BARROQUEIRO disse...

Não tem de que pedir desculpa, Madalena, por dar a sua opinião.
É para isso que eu escrevo também o que penso e lhe agradeço a participação.
Também eu desconfio do que se escreve ou diz nos "media", sobretudo quando são pormenores sórdidos de que são ávidos, mas também não não acredito que a polícia tenha "arrancado" à força a confissão a um turista suspeito de um crime, com contornos passionais, do seu companheiro de quarto da mesma nacionalidade.
Desde o início que o jornalista amigo de Castro e a filha também pareciam não duvidar da sua autoria.
Mas, julgar compete aos tribunais que na América são céleres. Eu apenas lamento o desperdício das vidas da vítima e do agressor.

Jorge Gonçalves disse...

A luta por um lugar na "Fama" é incentivada pela comunicação social e, também, pelas próprias famílias.