20/10/2012
Lembrete do Lançamento...
Para os amigos que já não se lembram do dia, hora e local do lançamento, aqui fica de novo o convite: No Padrão dos Descobrimentos, na próxima 3ª feira, dia 23 de Outubro, às 18.30 h. Lá vos espero, com imensíssimo prazer. A entrada é livre, não se fizeram convites em papel, só de e-mail.
Tito Couto recomenda O Corsário dos Sete Mares.wmv
No Porto Canal, Tito Couto, na sua rubrica Muito Mais Que Livros, de 19 de Outubro, em conversa com Maria Cerqueira Gomes, recomenda a leitura do romance O Corsário dos Sete Mares, de Deana Barroqueiro.
19/10/2012
(HD 720p) Theme From "The Legend of Suriyothai" (Parts 1 & 2 Combined)
Mencionei já várias mulheres que são personagens reais do meu romance, algumas das quais tiveram repercussões durante séculos no Ocidente, até aos nossos dias.
No 7º Mar do meu romance O Corsário dos Sete Mares - Mar de Andaman -
podemos ver parte da história que serve de guião ao filme tailandês The Legend of Suriyothai (A Lenda de Suriyothai), encomendado e financiado pela rainha Sirikit ao realizador Chatricharlem (2001), com uma versão de Francis Ford Coppola. O guião foi baseado na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto e num relatório de Domingos de Seixas a el-rei D. Manuel. No 7º e último mar, de Andaman, esta história é narrada por outra personagem feminina rival de Suriyothai, a não menos ambiciosa Sri Sudachan. Este vídeo mostra com enorme fidelidade o ambiente das cortes do Sião, as suas guerras, costumes, trajos, armas, etc. Sobre o filme ver:
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Legend_of_Suriyothai
II - O Cerco de Diu
Ainda no 2º Mar (Arábia e Malabar), a Fortaleza de Diu sofre dois terríveis cercos e protagoniza dois dos episódios mais heróicos e sofridos peas gentes portuguesas: Por imperativos de economia narrativa e de acordo com a sua importância em relação a Fernão Mendes Pinto, dedico mais tempo ao primeiro (1538-39) do que ao segundo (1546). Nele se destaca outra misteriosa mulher, cognominada A Marquesa, de passado nebuloso mas apaixonante. Apesar do silêncio e do desprezo a que as votavam os cronistas e outros escritores e governantes, algumas mulheres lograram romper a muralha do esquecimento, para se mostrarem tão fortes e heróicas como os homens. A Marquesa, tal como Iria Pereira, é um bom exemplo desta multidão silenciada e corajosa.
Aqui tendes a planta da Fortaleza de Diu, do "Livro das Plantas de todas as fortalezas, cidades e povoaçoens do Estado da Índia Oriental", de António Bocarro.
Ver mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/
II - Mar da Arábia e Malabar
No 2º dos 7 mares do meu "Corsário" _ Mar da Arábia e Malabar _, os capítulos distribuem-se por 3 lugares: Cochim, Diu e Goa. Na fortaleza de Cochim, além de alguns conhecidos heróis e meliantes da nossa História, temos uma heroína quase desconhecida - Iria Pereira, a primeira Portuguesa a pisar terras da Índia. É ela que vai mostrar as dificuldades com que Afonso de Albuquerque se deparou na Índia, lutando não só contra os muçulmanos, mas também contra os invejosos portugueses, seus inimigos. Iria Pereira, entre outras coisas, ensina a fazer uns biscoitos, que os leitores podem experimentar. Aqui vos deixo a planta da fortaleza de Cochim, do "Livro das Plantas de todas as fortalezas, cidades e povoaçoens do Estado da Índia Oriental", de António Bocarro.
Fortificação portuguesa localizada em Cochim, na costa do Malabar, no sudoeste da índia. Conquistada em 1503, por D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei da índia, que inicia, em 26 de setemb...
Fortificação portuguesa localizada em Cochim, na costa do Malabar, no sudoeste da índia. Conquistada em 1503, por D. Francisco de Almeida, primeiro Vice-rei da índia, que inicia, em 26 de setemb...
ro do mesmo ano, a primeira fortificação portuguesa na índia: o Castelo Manuel. Esta fortificação, que substitui a primeira paliçada de madeira que protegia a feitoria portuguesa erguida em 1501 por Pedro Álvares Cabral, foi construída por D. Afonso de Albuquerque, segundo Vice-rei da índia. Ela é bem visível no lado esquerdo da ilha, tendo à frente a Sé e a igreja de São Francisco, única estrutura que subsiste até nossos dias. É atacada por uma armada de Calecute e defendida por Duarte Pacheco em 1504. Dois anos depois (03/mar/1506), sob as ordens de D. Francisco de Almeida, inicia-se a sua reconstrução em pedra e cal. Essa pequena estrutura tornar-se-ia a residência dos Capitães, ao passo que a cidade de Cochim de Baixo, onde residia a colônia portuguesa, receberia muralhas e baluartes em seu perímetro. A muralha que a envolvia foi erguida em diferentes épocas desde 1530.
Retoma-se o Mito do Preste João
Na 1ª parte do meu romance O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto, o Mar Roxo, pude voltar a um tema fascinante da nossa História, que havia tratado em O Espião de D. João II, quando Pêro da Covilhã descobre o tão desejado e encoberto Reino do Preste João. Um Imperador cristão em pleno coração do continente africano, que toda a Cristandade buscava descobrir em vão há mais de 200 anos, a fim de fazer frente à influência árabe e turca no Oriente. Para quem não leu o romance anterior, pode ver aqui um pouco da história do mito.
Origens do mito
O mito do Rei do Mundo tem raízes na expansão do
cristianismo nos primeiros séculos nas longínquas terras do Sul e do Oriente e
as comunidades cristãs posteriores, nestorianas e jacobitas:. Os antigos membros da igreja de Edessa, expulsos a seguir à condenação de Nestorius no Concílio de Éfeso, espalharam-se pelo Oriente, fixando-se na Arábia, Pérsia, Índias, Tartária e China.
. O apóstolo S. Tomé que pregou na Índia e criou numerosas comunidades de cristãos.
. A tradição popular à volta da notícia da existência do príncipe cristão, apoiada na memória do antigo Presbyteros Johannes, de Éfeso, confundido com o apóstolo S. João Evangelista, que não teria morrido, eternamente à espera da segunda vinda de Cristo e do Reino de Deus na Terra.
. O apóstolo S. Mateus que evangelizou o Alto Egipto e a Etiópia.
. O eunuco baptizado, que converteu ao cristianismo a rainha Candacia de Meroe e Etiópia.
. As cópias de uma carta, supostamente escrita pelo rei sacerdote, dirigidas ao papa Alexandre III, aos imperadores do Oriente, Manuel I Comeno, e do Ocidente, Frederico Barba Roxa, aos reis Luís VII de França e mesmo D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. A carta descrevia o imenso império do Presbítero João que reinava sobre as três Índias e várias outras nações, como as dez tribos perdidas de Israel, tendo ainda setenta reis tributários. O seu exército trazia por insígnias dez cruzes de ouro e pedraria, cada uma com dez mil homens de cavalo e cem mil a pé. Outras descrições fantásticas enchiam as numerosas páginas da missiva. Sendo falsa (forjada na Europa por algum aventureiro literário ou por padres que queriam animar a fé dos cristãos, em tempos de dominação e conquista muçulmana), a carta foi considerada verdadeira e a lenda passou de vago boato a realidade comprovada.
Cronologia da busca do Preste João pelos Portugueses
1486 – D. João II enviou Bartolomeu Dias para a costa de África em demanda doa passagem para o Índico, com negros e negras para lançar nas terras descobertas para saber notícias do Preste.
1487 – D. João II despachou por terra Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, com recomendações para a busca de “um príncipe que se chamava Preste João”.
1494 – Pêro da Covilhã descobriu na Etiópia um Preste João: Eskender, o Negusa Nagast ou Rei dos Reis.
1495 – Morte de D. João II e subida ao trono de D. Manuel I. Preparação da expedição de descoberta de uma derrota para as Índias.
1500 – No mapa de Juan de
1514 – Chegou a Lisboa Mateus, o emissário da rainha Helena da Etiópia (por influência de Pêro da Covilhã), que foi muito bem recebido por D. Manuel.
1515 – D. Manuel enviou Duarte Galvão como embaixador ao Preste com um sumptuoso presente. Houve desentendimentos entre o Governador Lopo Soares de Albergaria, o embaixador português e o abexim Mateus. A expedição da armada ao Mar Vermelho (que deixaria a delegação portuguesa nas terras do Preste) acabou
1520-1527 – O novo Governador, Diogo Lopes de Sequeira, improvisou uma embaixada para o Preste, escolhendo para embaixador D. Rodrigo de Lima. No início da viagem, morre o embaixador Mateus, enviado da rainha Eleni. A delegação portuguesa andou seis anos pela Etiópia e conviveu com Pêro da Covilhã, então, senhor de um grande feudo, quase um reino, casado com uma etíope e pai de numerosa prole. Iniciaram-se, assim, as relações oficiais de aliança entre os dois reinos.
NOTA NEGATIVA PARA O MUSEU DA MARINHA
NOTA NEGATIVA PARA O MUSEU DA MARINHA, cujos serviços administrativos pediram 5.500 euros pelo aluguer de uma sala (por 3/4 horas) para a apresentação de um livro. Extorsão ou estratégia para afastar "quem não é da casa", embora sejam financiados por todos os portugueses que pagam impostos?
Quando, para o lançamento do meu Corsário dos Sete Mares, a editora Casa das Letras/Leya procurava um lugar que tivesse ligação com o romance, pensou no Museu da Marinha, mas o aluguer da sala das galeotas (com poucas cadeiras e por poucas horas) custaria 5.500 euros!!! Como se pode justificar tamanha exorbitância, num país em crise, pobre em dinheiro e em Cultura, pedida por uma instituição paga pelos nossos impostos? Só pode ser uma estratégia para afas tar os que não pertençam ao seu "clube". O Padrão dos Descobrmentios, gerido pela Câmara, apresentou um pedido decente e eu poderei fechar nele o meu Ciclo dos Descobrimentos, ali iniciado com a apresentação de O Navegador da Passagem pelo Prof. Eduardo Marçal Grilo. Vale a pena ver esta Página sobre o Monumento, para se lembrarem das figuras que o compões:
http://www.pbase.com/ diasdosreis/descobrimentos
Quando, para o lançamento do meu Corsário dos Sete Mares, a editora Casa das Letras/Leya procurava um lugar que tivesse ligação com o romance, pensou no Museu da Marinha, mas o aluguer da sala das galeotas (com poucas cadeiras e por poucas horas) custaria 5.500 euros!!! Como se pode justificar tamanha exorbitância, num país em crise, pobre em dinheiro e em Cultura, pedida por uma instituição paga pelos nossos impostos? Só pode ser uma estratégia para afas tar os que não pertençam ao seu "clube". O Padrão dos Descobrmentios, gerido pela Câmara, apresentou um pedido decente e eu poderei fechar nele o meu Ciclo dos Descobrimentos, ali iniciado com a apresentação de O Navegador da Passagem pelo Prof. Eduardo Marçal Grilo. Vale a pena ver esta Página sobre o Monumento, para se lembrarem das figuras que o compões:
http://www.pbase.com/
Colectânea de escritores portugueses traduzidos (Bolonha)
Recebi hoje a colectânea de textos de escritores de Língua Portuguesa, traduzidos por formandos da Scuola Superiore per Interpreti e Traduttori da Universidade de Bolonha/Forli, orientados pela Professora Anabela Ferreira. Este trabalho pretende contribuir para o conhecimento da literatura portuguesa contemporânea em Itália.
Fui um dos autores escolhidos para a tradução, com os primeiros capítulos do meu romance O Navegador da Passagem e confesso-me emocionada com a tradução de Martina Diani, que soube compreender e transmitir na perfeição o espírito ou alma dos meus textos, pelo que lhe estou profundamente agradecida.
14/10/2012
Tese de Mestrado sobre O Romance da Bíblia
Poster da Iniciação Científica, na Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil), de Késia de Oliveira, sob a orientação da Prof. Dra. Lyslei Nascimento : "Reescrever o sagrado: mulheres e crimes em O Romance da Bíblia" de Deana Barroqueiro. Saiu este ano uma nova edição do mesmo romance com o título de "Tentação da Serpente".
Reescrever o sagrado:
mulheres e crimes em O romance da Bíblia,
de Deana Barroqueiro
Késia Oliveira (Bolsista IC/CNPq)
Lyslei Nascimento (Orientadora)
Resumo
Esta pesquisa visa estudar as estratégias de reescritura da narrativa bíblica na literatura a partir do conceito de crime. Para isso, serão estudados as noções de sagrado e profano, de acordo com Mircea Eliade, em uma possível relação com a intertextualidade. Nesse sentido, a apropriação de um texto sagrado, portanto, total e unívoco, como a Bíblia, pela literatura criaria desvios que podem provocar uma multiplicidade de vozes e a fragmentação ou a desconstrução de verdades absolutas. Deana Barroqueiro em O romance da Bíblia: um olhar feminino do Antigo Testamento, 2010, é uma das escritoras que, na contemporaneidade, ao reescrever episódios bíblicos, como o de Judite ou Ester, e conferir voz a personagens tradicionalmente silenciados, parece criar uma literatura em que alguns embates entre o sagrado e o profano são explorados. A metodologia desta investigação será bibliográfica com o estudo dos conceitos de intertextualidade e apropriação. Além disso, serão estudados as noções de sagrado e profano. A partir desse aparato teórico, objetiva-se elaborar uma leitura crítica de O romance da Bíblia, de Deana Barroqueiro.
Reescrever o sagrado:
mulheres e crimes em O romance da Bíblia,
de Deana Barroqueiro
Késia Oliveira (Bolsista IC/CNPq)
Lyslei Nascimento (Orientadora)
Resumo
Esta pesquisa visa estudar as estratégias de reescritura da narrativa bíblica na literatura a partir do conceito de crime. Para isso, serão estudados as noções de sagrado e profano, de acordo com Mircea Eliade, em uma possível relação com a intertextualidade. Nesse sentido, a apropriação de um texto sagrado, portanto, total e unívoco, como a Bíblia, pela literatura criaria desvios que podem provocar uma multiplicidade de vozes e a fragmentação ou a desconstrução de verdades absolutas. Deana Barroqueiro em O romance da Bíblia: um olhar feminino do Antigo Testamento, 2010, é uma das escritoras que, na contemporaneidade, ao reescrever episódios bíblicos, como o de Judite ou Ester, e conferir voz a personagens tradicionalmente silenciados, parece criar uma literatura em que alguns embates entre o sagrado e o profano são explorados. A metodologia desta investigação será bibliográfica com o estudo dos conceitos de intertextualidade e apropriação. Além disso, serão estudados as noções de sagrado e profano. A partir desse aparato teórico, objetiva-se elaborar uma leitura crítica de O romance da Bíblia, de Deana Barroqueiro.
Metodologia
A metodologia desta
investigação será bibliográfica com o estudo dos conceitos de intertextualidade
e apropriação. Além disso, serão estudados as noções de sagrado e profano. A
partir desse aparato teórico, será feita uma leitura crítica de O romance da
Bíblia, de Deana Barroqueiro.
CARAVAGGIO, Michelangelo. Judith degola Holofernes. 1598.
Objetivos
- Estudo dos conceitos
de intertextualidade e apropriação, a partir das noções de sagrado e profano;
- Leitura crítica de O
romance da Bíblia, de Deana Barroqueiro.
Referências
_ A
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Trad. Euclides Martins et
alii. São Paulo: Paulus, 2010. _ BARROQUEIRO, Deana. O romance da Bíblia: um
olhar feminino do Antigo Testamento. Lisboa: Ésquilo, 2010. _ BUCHMANN,
Christina; SPIEGEL, Celina (Org.). Fora do jardim: mulheres escrevem sobre a
Bíblia. Tradução de Tania Penido. Rio de Janeiro: Imago, 1995. _ COMPAGNON,
Antoine. O trabalho da citação. Trad. Cleonice Mourão. Belo Horizonte: Editora
UFMG, 1996. _ ECO, Umberto. O sagrado não é uma moda. In: _____. Viagem na
irrealidade cotidiana. Trad.
Aurora F. Bernardini e Homero de Andrade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
p. 110-116. _ ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões.
Tradução de Rogério Fernandes. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010. _ ROGERSON,
John William. O livro de ouro da Bíblia: origens e mistérios do livro sagrado.
Trad. Talita Rodrigues. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. _ SANT'ANNA, Affonso
Romano. Paródia, parafrase & cia. São Paulo: Ática, 1985.
Projeto de Pesquisa
Protocolos, evangelhos apócrifos e
testamentos traídos: a literatura como crime09/10/2012
Pré-apresentação aos Leitores
O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto só vai aparecer nas livrarias a partir do dia do lançamento, 23 de Outubro, 18.30 h., no Padrãos dos Descobrimentos. Contudo, está disponível em pré-venda nas livrarias on-line de 1 a 19 de Outubro.
Em modo de pré-apresentação deixo aqui a minha Carta aos Leitores que me serve de introdução ao romance:
A palavra deve ser vestida como uma deusa e elevar-se como um pássaro
(Provérbio Tibetano)
Caríssimo
leitor/leitora
Nesse século
XVII, a sua obra (de difícil leitura nos nossos tempos) teve uma enorme
repercussão na Europa, com vinte edições em várias línguas, contribuindo para o
conhecimento pelos europeus dos povos do Oriente, dos costumes e mentalidades
de variadíssimas civilizações até então totalmente desconhecidas. Independentemente
das imprecisões e erros cronológicos ou dos exageros e efabulações que
contribuem para o fascínio da Literatura de Viagens, em que se insere a Peregrinação.
Posteriormente,
nos finais do século XIX e também no
século XX, as opiniões dos críticos dividiram-se sobre a importância e o valor do
autor e da sua obra. Os Portugueses seguindo, como é seu hábito, as vozes dos
críticos ingleses – que se esforçam por enaltecer os seus heróis e apagar ou
destruir os das outras nações que lhes foram rivais, em particular o Portugal
dos Descobrimentos –, encarniçaram-se contra a “inveracidade” da sua narração.
O galardão
que lhe ofereceram pela singularidade do seu génio e pela sua obra única – sem
comparação na Europa do seu tempo – foi o chiste que perdurou, denegrindo o seu
nome e o seu trabalho: Fernão, Mentes?
Minto.
No entanto, Fernão
Mendes Pinto faz parte também da Literatura e História de países tão longínquos
como Japão, Birmânia ou Tailândia, surgindo como um dos primeiros portugueses a
tocar solo japonês e o noivo do primeiro
matrimónio de uma japonesa com um ocidental, um caso que servirá de suporte ao
mito da Madame Butterfly, na tradição oral e escrita de cerca de quatrocentos
anos; ou ainda como cronista quase único das guerras da Birmânia com o Sião,
nos finais da década de 1540, que serviram de base para o impressionante filme
histórico A Lenda de Suriyothai, de Chatrichalerm
Yukol (2002) e Francis
Ford Coppola (2003).
Figura
polémica, ele pertence à galeria de personalidades marginalizadas ou
injustamente ignoradas que tenho procurado reabilitar em benefício dos meus
leitores, como Bartolomeu Dias e Diogo Cão em O Navegador da Passagem, Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva em O Espião de D. João II e tantos outros
que os Portugueses esqueceram ou desconhecem ainda, substituídos no nosso tempo
por “famosos” de vidas fugazes e vazias.
No entanto, hesitei
sempre em escrever um romance sobre este anti-herói desmesurado, de quem pouco
mais se sabe além daquilo que ele contou na sua Peregrinação, uma vida de contínuas viagens, aventuras e desastres
que davam e sobejavam para outras sete vidas. Embora ninguém pudesse oferecer
melhor exemplo e suporte para se
escrever a saga dos Portugueses no Oriente longínquo, parecia-me uma
tarefa impossível romancear a vida de Fernão Mendes Pinto sem correr o risco de
me colar à sua narrativa, fazendo uma paráfrase ou uma glosa da sua obra.
Como pretendo
que cada um dos meus livros seja diferente dos anteriores, necessito de
experimentar estruturas e processos narrativos distintos, para manter viva a
chama da imaginação e da paixão da escrita que me faz sentir viva e me
alimenta, no intuito de causar surpresa aos meus leitores, permitindo-me o
prazer de um diálogo renovado a cada romance.
À dificuldade
de conciliar as peregrinações de
Fernão por inúmeros mares, ao som da aventura, para mais enredada nos erros de
datas, lugares e acontecimentos (compreensíveis, por estar a contar tais
sucessos quase trinta anos depois de os ter vivido), com a saga dos Portugueses no Oriente – com
que pretendo completar a narrativa dos Descobrimentos que venho fazendo ao
longo das minhas obras –, acrescentei uma estrutura demasiado complexa de
concretizar, mas que, por meio de múltiplas intertextualidades, me permitia alargar
o conhecimento dos meus leitores, espicaçar-lhes a curiosidade e diverti-los. Levando-os, numa viagem no Tempo
e na pele das personagens, ao encontro de mundos antigos e de outros povos, tão
diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes na sua humanidade. Daí a razão para
cada capítulo começar por um provérbio e um texto da época retratada, português
ou dos muitos países visitados e até imaginados, desde o Mar Roxo à Terra
Australis, na busca incessante da mítica Ilha do Ouro.
A divisão do
romance em sete mares, de acordo com as áreas geográficas por onde Fernão navegou,
teve de jogar com mais de uma viagem ao mesmo lugar, feitas em épocas diferentes,
intercaladas com as de outros mares que poderiam estar nos seus antípodas. Por
isso a sua narradora, meu caro Leitor/Leitora, ousa guiá-lo algumas vezes por
entre esses baixios e restingas para que chegue a bom porto, estabelecendo
consigo um diálogo mais cúmplice e íntimo.
Recriando com
fidelidade esses mundos de antanho, sempre através do olhar do visitante,
maravilhado ou repugnado com o que via. Desta forma, certas atitudes, falas e
pensamentos das personagens podem veicular mentalidades e comportamentos que,
nos nossos dias, não podemos deixar de considerar preconceituosos ou mesmo racistas,
mas que no tempo dos Descobrimentos traduziam o ponto de vista próprio do homem
europeu, que se julgava o centro do mundo, dificilmente aceitando o Outro, de
raça ou credo diferentes, como detentor de uma civilização e cultura distintas.
Procurei
manter em Fernão Mendes Pinto, a personagem central do romance, essa
característica picaresca, tão portuguesa, do andarilho aventureiro que, graças
à sua esperteza e expediente (vulgo “desenrascanço”), consegue salvar-se das
situações mais difíceis e perigosas e sobreviver. Contudo, ele é muito mais do
que uma figura de comédia, a sua inteligência e curiosidade, a ânsia de
conhecer o mundo, os sentimentos de piedade e generosidade, o seu espírito
crítico, evidentes na sua obra, dão-lhe uma dimensão humana a que dificilmente
se pode ficar indiferente.
Ele é também
o pretexto para o encontro ou a evocação de outras histórias com “heróis”
conhecidos ou anónimos, cuja grandeza e miséria, tão humanas, construíram o
nosso Passado colectivo, criando os alicerces do nosso Presente e, de algum
modo, marcando também o Futuro dos
Portugueses.
Se o leitor
chegar ao fim do romance com desejos de saber mais destas gentes e da sua saga
no Oriente, será a minha maior recompensa pelos três anos de trabalho que me
levou a fazê-lo. Oxalá…
Deana Barroqueiro
04/10/2012
Os Sete Mares do Corsário
A fim de dar aos Leitores uma ideia da estrutura do romance O Corsário dos Sete Mares, a Casa das Letras/Leya disponibilizou na sua Página on-line, em pré-publicação, o primeiro capítulo do o livro.
Ver AQUI.
Para situar os Leitores no espaço da acção, do Mar Roxo ao Mar do Japão, o romance tem logo no início, em dupla página, esta carta/mapa que achei inserida numa edição muito antiga das Décadas da Ásia de João de Barros. E, para cada uma das sete partes/mares em que se divide o livro, há o mapa correspondente (baseado no primeiro ou em outras cartas de marear coevas de Fernão Mendes Pinto.
02/10/2012
O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto
O novo romance de Deana Barroqueiro
Fernão Mendes Pinto é o exemplo vivo do aventureiro português do Século XVI, que embarcava para o Oriente com o fito de enriquecer.
Curioso, inteligente, ardiloso e hábil, capaz de todas as manhas para sobreviver, vai tornar-se num homem dos sete ofícios, sendo embaixador, mercador, médico, mercenário, marinheiro, descobridor e corsário dos sete mares – Roxo, da Arábia, Samatra, China, Japão, Java e Sião – por onde, durante vinte anos, navegou e naufragou, ganhou e perdeu verdadeiros tesouros, fez-se senhor e escravo, amou e foi amado, temido e odiado.
Herói polémico e marginalizado, Fernão participa em campanhas de paz e guerra, da Etiópia à China, sendo também um dos primeiros portugueses a visitar o Japão, onde introduz os mosquetes ali desconhecidos e fica nas crónicas locais como o noivo do primeiro matrimónio de uma japonesa com um ocidental.
Através de Fernão Mendes Pinto e dos testemunhos das personagens com quem se cruza, na sua peregrinação pelo Oriente longínquo, a autora faz ainda a narrativa dos principais episódios da grande saga dos Descobrimentos Portugueses, como as conquistas de Goa e Malaca, o heróico cerco de Diu ou as campanhas do Preste João na Etiópia.
Em sete mares se divide o romance, por onde o leitor, na pele das personagens, fará uma intrigante viagem no Tempo, ao encontro de si próprio e de mundos e povos antigos, tão diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes, uma peregrinação na busca incessante de fortuna, encarnada na demanda da mítica Ilha do Ouro.
14/09/2012
Carta Aberta ao Primeiro-Ministro, de Eugénio Lisboa
O texto que publico na íntegra, por cortesia da poetisa Ana Paula Lavado, é do escritor e ensaísta Eugénio Lisboa. O autor foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO / conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres entre 1978-1995 / professor catedrático especial de Estudos Portugueses na Universidade de Nottingham / professor catedrático visitante da Universidade de Aveiro / e coordenador do ensino da língua portuguesa na Suécia.
É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham e Aveiro. A Câmara de Cascais outorgou-lhe a medalha de Mérito Cultural.Em Moçambique foi sucessivamente administrador e director das petrolíferas SONAPMOC, SONAREP e TOTAL.
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
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Camões no Oriente, de Eduardo Ribeiro
Finalmente em Portugal a apresentação da obra do investigador e escritor Eduardo Ribeiro, a cargo do Prof. Dr. Rui Manuel Loureiro. Uma sessão a não perder.
18 de Setembro, pelas 18 h.
na Delegação Económica e Comercial de Macau
Av. 5 de Outubro, nº 115 - r/chão
Lisboa
SINOPSE DO LIVRO
‘’Camões no Oriente’’ de Eduardo Ribeiro é um «contributo relevante para o conhecimento da vida de Camões nas partes do Oriente e para o conhecimento de alguns aspectos da sua obra poética escrita durante uns largos anos», segundo palavras de um emérito camonista em carta particular ao Autor.
Que continua: «o título não faz jus à amplitude da obra (…) porque as suas informações, reflexões e plausíveis conjecturas sobre Camões após o seu regresso a Lisboa, em 1570, em particular sobre a edição de Os Lusíadas, merecem leitura atenta».
Com efeito, a obra que ora apresentamos ao público é muito mais do que o título anuncia. O título, retirado do primeiro dos seis textos publicados (Roteiro Cronológico de Camões no Oriente), acompanha cronologicamente a vida do Poeta quinhentista desde a partida de Lisboa para a Índia em 1553, segue-lhe os passos em Goa (1553-1562), acompanha-o até Macau (1562-1564), faz com ele o regresso pelo Índico (Goa, 1565?-1567) e Moçambique (1568-1569) e, finalmente, analisa os últimos dez anos do Poeta no Reino (1570-1580).
Um acompanhar a par e passo dos últimos vinte e sete anos do Épico e Lírico, dessa figura ímpar das Letras Portuguesas, aqui revisitado mas sobretudo descoberto, num ‘’passeio prazenteiro e redentor pelo Camões que não nos foi mostrado e nunca revelado’’, em ‘’digressão não apenas pelo poeta mas pelo homem de combate e de cultura, o cidadão, o pinga-amor, o amador, o cientista, o homem liberto que Camões sempre foi, ainda que várias vezes preso, súbdito e obediente, soldado do império, amante da arte e dos sentidos, escravo do seu estro criador, um português de alma genuinamente lusa (…)’’ (Frederico Rato, Nota de Apresentação).
É esse Camões que Eduardo Ribeiro pacientemente estuda e investiga, recupera e trata, remoça e nos devolve, após trabalho de formiguinha talentosa, laboriosa e infatigável, em dádiva generosa’’) (idem).
18 de Setembro, pelas 18 h.
na Delegação Económica e Comercial de Macau
Av. 5 de Outubro, nº 115 - r/chão
Lisboa
SINOPSE DO LIVRO
‘’Camões no Oriente’’ de Eduardo Ribeiro é um «contributo relevante para o conhecimento da vida de Camões nas partes do Oriente e para o conhecimento de alguns aspectos da sua obra poética escrita durante uns largos anos», segundo palavras de um emérito camonista em carta particular ao Autor.
Que continua: «o título não faz jus à amplitude da obra (…) porque as suas informações, reflexões e plausíveis conjecturas sobre Camões após o seu regresso a Lisboa, em 1570, em particular sobre a edição de Os Lusíadas, merecem leitura atenta».
Com efeito, a obra que ora apresentamos ao público é muito mais do que o título anuncia. O título, retirado do primeiro dos seis textos publicados (Roteiro Cronológico de Camões no Oriente), acompanha cronologicamente a vida do Poeta quinhentista desde a partida de Lisboa para a Índia em 1553, segue-lhe os passos em Goa (1553-1562), acompanha-o até Macau (1562-1564), faz com ele o regresso pelo Índico (Goa, 1565?-1567) e Moçambique (1568-1569) e, finalmente, analisa os últimos dez anos do Poeta no Reino (1570-1580).
Um acompanhar a par e passo dos últimos vinte e sete anos do Épico e Lírico, dessa figura ímpar das Letras Portuguesas, aqui revisitado mas sobretudo descoberto, num ‘’passeio prazenteiro e redentor pelo Camões que não nos foi mostrado e nunca revelado’’, em ‘’digressão não apenas pelo poeta mas pelo homem de combate e de cultura, o cidadão, o pinga-amor, o amador, o cientista, o homem liberto que Camões sempre foi, ainda que várias vezes preso, súbdito e obediente, soldado do império, amante da arte e dos sentidos, escravo do seu estro criador, um português de alma genuinamente lusa (…)’’ (Frederico Rato, Nota de Apresentação).
É esse Camões que Eduardo Ribeiro pacientemente estuda e investiga, recupera e trata, remoça e nos devolve, após trabalho de formiguinha talentosa, laboriosa e infatigável, em dádiva generosa’’) (idem).
11/09/2012
Nevoeiro, de Fernando Pessoa (Mensagem para Passos Coelho)
Depois da mensagem do primeiro ministro a anunciar medidas que vão criar mais pobreza para os velhos e os trabalhadores e mais riqueza para os ricos e intocáveis, deixo-vos esta outra Mensagem premonitória de um poeta desassossegado, na voz de Gal Costa.
Imersos num país de Nevoeiro de que nem o sol glorioso logra libertar-nos, assistimos impotentes à nossa destruição, levada a cabo por governantes incompetentes que juraram proteger-nos. Onde está a prometida equidade, que me faria aceitar os sacrifícios insuportáveis que nos pedem, quando vejo que os que mais podiam contribuir para a crise, são os que menos pagam e mais recebem, graças a um rol de medidas de excepção que lhes são oferecidas?
Estou a atingir o ponto de saturação, com esta política de extorsão, desigualdade de sacrifícios e de falta de horizontes. Estão a destruir o tecido social do país, borrifando-se para a democracia e os direitos do indivíduo. Não foram tanto os gastos das pessoas, mas as más políticas, a corrupção, jogos de influências e compadrios dos partidos que alternaram no Governo que puseram o país neste estado.
Portugal... é Hora!
Imersos num país de Nevoeiro de que nem o sol glorioso logra libertar-nos, assistimos impotentes à nossa destruição, levada a cabo por governantes incompetentes que juraram proteger-nos. Onde está a prometida equidade, que me faria aceitar os sacrifícios insuportáveis que nos pedem, quando vejo que os que mais podiam contribuir para a crise, são os que menos pagam e mais recebem, graças a um rol de medidas de excepção que lhes são oferecidas?
Estou a atingir o ponto de saturação, com esta política de extorsão, desigualdade de sacrifícios e de falta de horizontes. Estão a destruir o tecido social do país, borrifando-se para a democracia e os direitos do indivíduo. Não foram tanto os gastos das pessoas, mas as más políticas, a corrupção, jogos de influências e compadrios dos partidos que alternaram no Governo que puseram o país neste estado.
Portugal... é Hora!
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