07/12/2012

Governo brasileiro prepara decreto para adiar acordo ortográfico para 2016




Se se confirmar esta notícia, talvez haja uma esperança de voltarem atrás com a aberração do Acordo Ortográfico.

Senhores Governantes de Portugal e, sobretudo, senhores autores deste A. O., e também responsáveis das instituições de Cultura, os Editores e jornalistas, enfim, todos os que se apressaram a pô-lo em prática antes da data oficial para a sua adopção:  Vejam como vos pagam no Brasil pela vossa subserviência e pela corrupção da riquíssima Língua Portuguesa, que é a nossa - mãe e origem de todas as variantes dos países que falam Português!
Foi crime de lesa-Pátria, cometido à revelia de todos os que amam a nossa Língua, expressão da nossa identidade, e a utilizam como uma nobre arte.
O Brasil faz-vos o "manguito", gozando com a vossa cara e a vossa incompetência.
Segue a notícia:

 
Fonte da assessoria do Ministério de Relações Exteriores brasileiro avançou aos meios de comunicação locais que a pasta está a preparar um decreto que será apresentado à presidente Dilma Rousseff e que tem o intuito de protelar a entrada em vigor do novo AO, escreve o Jornal do Brasil.
O acordo, assinado em 2008 por sete países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), e que pretende simplificar as regras ortográficas e aumentar o prestígio da língua no cenário internacional, deveria ser aplicado pelo governo a partir de 1 de janeiro de 2013, ditavam as normas estabelecidas pelos países.
O senador de Goiás, Cyro Miranda, um dos mais acérrimos críticos do novo acordo, confirma que a presidente Dilma Rousseff tem a intenção de emitir um decreto que adia a data.
Cyro Miranda acrescenta que o ideal seria adiar a vigência para 2018 ou fazer um outro acordo que tenha a contribuição de mais sectores da sociedade.
“Para além do novo acordo ter sido mal feito, os professores ficaram de fora”, disse. “Precisamos de rever tudo. Temos que descomplicar a língua, se não vai ser só retórica... Temos que aprovar um formato com lógica”, disse Cyro Miranda, citado pela Agência Brasil.
 
O senador afirma que governo brasileiro vai sugerir aos outros países que adiem a vigência do novo AO para que todos possam fazer uma total reformulação.
As mudanças nas regras da língua portuguesa foram elaboradas para uniformizar a grafia dos países que utilizam o idioma e dos oito membros da CPLP apenas Angola não aderiu ao documento.
O novo AO foi introduzido no sistema educativo português em 2011. A 1 de janeiro de 2012, órgãos, serviços, organismos e entidades governamentais adoptaram oficialemnte a nova grafia.

04/12/2012

Agenda de Dezembro

S. Domingos de Rana - 21 de Dezembro, 21.30 h. - Apresentação
Deana Barroqueiro apresenta o seu último romance, O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto
. Biblioteca Municipal de Cascais - S. Domingos de Rana
Rua das Travessas, Bairro do Moinho, Massapés, Tires
2785-285 São Domingos de Rana
Informações: Noites com Poemas. 214815403/4 ou bsdr@cm-cascais.pt.

Mem Martins - 4 de Dezembro - Feira do Livro 
Deana Barroqueiro conversa com os alunos
Apresentação a cargo do Professor Luís Martins (e escritor com o pseudónimo de Miguel Real).
.Escola Secundária de Mem Martins
Rua São Francisco Xavier 2635-195 Rio de Mouro

Fim do programa «Câmara Clara»


 

«Câmara Clara» e «Diário Câmara Clara» terminam em 2012

Através de um comunicado, Paula Moura Pinheiro revelou que a decisão de terminar com os dois programas «foi comunicada a Jorge Wemans, em junho deste ano, quando era ainda diretor da RTP2».

O comunicado na íntegra:

«Caros amigos, o Câmara Clara e o Diário Câmara Clara terminam no fim de 2012. Esta decisão foi comunicada a Jorge Wemans, em junho deste ano, quando era ainda diretor da RTP2.

Foi, para mim, um enorme privilégio trabalhar sobre as obras das muitas centenas de criadores, artistas e investigadores de que o Câmara Clara se ocupou ao longo dos últimos seis anos e meio. Um enorm
e privilégio trabalhar com os excelentes profissionais que integram a equipa do Câmara Clara, externa à RTP. Um enorme privilégio trabalhar com os profissionais da RTP que exemplarmente cumpriram a sua parte na produção e na realização do programa.

Orgulho-me do serviço que prestámos. Um serviço que é uma das faces, em meu entender inegociável, do serviço público de televisão.

É com naturalidade que aceitamos a ideia de que haja quem pode cumprir melhor a missão que nos estava atribuída. O futuro o dirá. A questão que se coloca agora não é, portanto, a do fim do Câmara Clara nas suas versões semanal e diária. A questão, premente, é a de saber que meios, que espaço e que visibilidade reserva o serviço público de televisão à cobertura de uma das áreas nevrálgicas do desenvolvimento do país: a inovação nas artes e nas ideias e a conservação do nosso extenso e precioso património cultural - da literatura à arquitetura.

A si, que nos acompanhou durante todos estes anos, agradecemos a atenção e a confiança. Foi sempre a pensar em si que cultivámos, com exigência e rigor, a clareza na comunicação daquilo que, acreditamos, deve ser acessível a todos. Até sempre»

Ficamos mais pobres, digo eu, que vejo desaparecer todos os programas culturais de qualidade, para serem substituídos por telenovelas, concursos imbecis ou degradantes e comédias de baixíssimo nível.

Acabei de ler e assinar a petição online: «Pela continuidade do programa Câmara Clara em Canal Público Aberto de Televisão»
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N32936
Podem fazê-lo também, se concordarem.

29/11/2012

Público - A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões



por António Bagão Félix

Aprovado o OE 2013, Portugal arrisca-se a entrar no "Guinness Fiscal" por força de um muito provavelmente caso único no planeta: a partir de um certo valor (1350 euros mensais), os pensionistas vão passar a pagar mais impostos do que outro qualquer tipo de rendimento, incluindo o de um salário de igual montante! Um atropelo fiscal inconstitucional, pois que o imposto pessoal é progressivo em função dos rendimentos do agregado familiar [art.º 104.º da CRP], mas não em função da situação activa ou inactiva do sujeito passivo e uma grosseira violação do princípio da igualdade [art.º 13.º da CRP].
Por exemplo, um reformado com uma pensão mensal de 2200 euros pagará mais 1045 € de impostos do que se estivesse a trabalhar com igual salário (já agora, em termos comparativos com 2009, este pensionista viu aumentado em 90% o montante dos seus impostos e taxas!).
Tudo isto por causa de uma falaciosamente denominada "contribuição extraordinária de solidariedade" (CES), que começa em 3,5% e pode chegar aos 50%. Um tributo que incidirá exclusivamente sobre as pensões. Da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações. Públicas e privadas. Obrigatórias ou resultantes de poupanças voluntárias. De base contributiva ou não, tratando-se por igual as que resultam de muitos e longos descontos e as que, sem esse esforço contributivo, advêm de bónus ou remunerações indirectas e diferidas.
Nas pensões, o Governo resolveu que tudo o que mexe leva! Indiscriminadamente. Mesmo - como é o caso - que não esteja previsto no memorando da troika.
Esta obsessão pelos reformados assume, nalguns casos, situações grotescas, para não lhes chamar outra coisa. Por exemplo, há poucos anos, a Segurança Social disponibilizou a oferta dos chamados "certificados de reforma" que dão origem a pensões complementares públicas para quem livremente tenha optado por descontar mais 2% ou 4% do seu salário. Com a CES, o Governo decide fazer incidir mais impostos sobre esta poupança do que sobre outra qualquer opção de aforro que as pessoas pudessem fazer com o mesmo valor... Ou seja, o Estado incentiva a procura de um regime público de capitalização (sublinho, público) e logo a seguir dá-lhe o golpe mortal. Noutros casos, trata-se - não há outra maneira de o dizer - de um desvio de fundos através de uma lei: refiro-me às prestações que resultam de planos de pensões contributivos em que já estão actuarialmente assegurados os activos que caucionam as responsabilidades com os beneficiários. Neste caso, o que se está a tributar é um valor que já pertence ao beneficiário, embora este o esteja a receber diferidamente ao longo da sua vida restante. Ora, o que vai acontecer é o desplante legal de parte desses valores serem transferidos (desviados), através da dita CES, para a Caixa Geral de Aposentações ou para o Instituto de Gestão Financeira da S. Social! O curioso é que, nos planos de pensões com a opção pelo pagamento da totalidade do montante capitalizado em vez de uma renda ou pensão ao longo do tempo, quem resolveu confiar recebendo prudente e mensalmente o valor a que tem direito verá a sua escolha ser penalizada. Um castigo acrescido para quem poupa.
Haverá casos em que a soma de todos os tributos numa cascata sem decoro (IRS com novos escalões, sobretaxa de 3,5%, taxa adicional de solidariedade de 2,5% em IRS, contribuição extraordinária de solidariedade (CES), suspensão de 9/10 de um dos subsídios que começa gradualmente por ser aplicado a partir de 600 euros de pensão mensal!) poderá representar uma taxa marginal de impostos de cerca de 80%! Um cataclismo tributário que só atinge reformados e não rendimentos de trabalho, de capital ou de outra qualquer natureza! Sendo confiscatório, é também claramente inconstitucional. Aliás, a própria CES não é uma contribuição. É pura e simplesmente um imposto. Chamar-lhe contribuição é um ardil mentiroso. Uma contribuição ou taxa pressupõe uma contrapartida, tem uma natureza sinalagmática ou comutativa. Por isso, está ferida de uma outra inconstitucionalidade. É que o já citado art.º 104.º da CRP diz que o imposto sobre o rendimento pessoal é único.

Estranhamente, os partidos e as forças sindicais secundarizaram ou omitiram esta situação de flagrante iniquidade. Por um lado, porque acham que lhes fica mal defender reformados ou pensionistas desde que as suas pensões (ainda que contributivas) ultrapassem o limiar da pobreza. Por outro, porque tem a ver com pessoas que já não fazem greves, não agitam os media, não têm lobbies organizados.
Pela mesma lógica, quando se fala em redução da despesa pública há uma concentração da discussão sempre em torno da sustentabilidade do Estado social (como se tudo o resto fosse auto-sustentável...). Porque, afinal, os seus beneficiários são os velhos, os desempregados, os doentes, os pobres, os inválidos, os deficientes... os que não têm voz nem fazem grandiosas manifestações. E porque aqui não há embaraços ou condicionantes como há com parcerias público-privadas, escritórios de advogados, banqueiros, grupos de pressão, estivadores. É fácil ser corajoso com quem não se pode defender.
Foi lamentável que os deputados da maioria (na qual votei) tenham deixado passar normas fiscais deste jaez mais próprias de um socialismo fiscal absoluto e produto de obsessão fundamentalista, insensibilidade, descontextualização social e estrita visão de curto prazo do ministro das Finanças. E pena é que também o ministro da Segurança Social não tenha dito uma palavra sobre tudo isto, permitindo a consagração de uma medida que prejudica seriamente uma visão estratégica para o futuro da Segurança Social. Quem vai a partir de agora acreditar na bondade de regimes complementares ou da introdução do "plafonamento", depois de ter sido ferida de morte a confiança como sua base indissociável? Confiança que agora é violada grosseiramente por ditames fiscais aos ziguezagues sem consistência, alterando pelo abuso do poder as regras de jogo e defraudando irreversivelmente expectativas legitimamente construídas com esforço e renúncia ao consumo.
Depois da abortada tentativa de destruir o contributivismo com o aumento da TSU em 7%, eis nova tentativa de o fazer por via desta nova avalanche fiscal. E logo agora, num tempo em que o Governo diz querer "refundar" o Estado Social, certamente pensando (?) numa cultura previdencial de partilha de riscos que complemente a protecção pública. Não há rumo, tudo é medido pela única bitola de mais e mais impostos de um Estado insaciável.
Há ainda outro efeito colateral que não pode ser ignorado, antes deve ser prevenido: é que foram oferecidos poderosos argumentos para "legitimar" a evasão contributiva no financiamento das pensões. "Afinal, contribuir para quê?", dirão os mais afoitos e atentos.
Este é mais um resultado de uma política de receitas "custe o que custar" e não de uma política fiscal com pés e cabeça. Um abuso de poder sobre pessoas quase tratadas como párias e que, na sua larga maioria, já não têm qualquer possibilidade de reverter a situação. Uma vergonha imprópria de um Estado de Direito. Um grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal Constitucional.

PS1: Com a antecipação em "cima da hora" da passagem da idade de aposentação dos 64 para os 65 anos na função pública já em 2013 (até agora prevista para 2014), o Governo evidencia uma enorme falta de respeito pela vida das pessoas. Basta imaginar alguém que completa 64 anos em Janeiro do próximo ano e que preparou a sua vida pessoal e familiar para se aposentar nessa altura. No dia 31 de Dezembro, o Estado, através do OE, vai dizer-lhe que, afinal, não pode aposentar-se. Ou melhor, em alguns casos até poderá fazê-lo, só que com penalização, que é, de facto, o que cinicamente se pretende com a alteração da lei. Uma esperteza que fica mal a um Governo que se quer dar ao respeito.
PS2: Noutro ponto, não posso deixar de relevar uma anedota fiscal para 2013: uma larga maioria das famílias da classe média tornadas fiscalmente ricas pelos novos escalões do IRS não poderá deduzir um cêntimo que seja de despesas com saúde (que não escolhem, evidentemente). Mas, por estimada consideração fiscal, poderão deduzir uns míseros euros pelo IVA relativo à saúde... dos seus automóveis pago às oficinas e à saúde... capilar nos cabeleireiros. É comovente...

Jornal Público, 29 de Novembro 2012

23/11/2012

À Descoberta de Fernão Mendes Pinto

Está on-line a entrevista À Descoberta de Fernão Mendes Pinto que me fez Eugénia Sousa, para o jornal Ensino Magazine, de Novembro, nº 177:
Para ler AQUI, pp.18/19.

Nota: Ensino Magazine é um Jornal Mensal de Distribuição Gratuita nas Escolas Básicas, Secundárias e Superiores a nível nacional, com uma tiragem de 20.000 exemplares.

17/11/2012

Lembrete aos Amigos de Lisboa


 
Amigos de Lisboa: 

Venho lembrar-vos que estarei à vossa espera,
3ª feira, 20 de Novembro, às 18.30,
na Fnac do Chiado, para vos apresentar
O Corsário dos Sete Mares e responder às vossas perguntas.
Levo uma surpresa.
Aqui têm o convite da FNAC


15/11/2012

Lembrete aos Amigos de Aveiro


Atenção, caros Amigos de Aveiro, lembrem-se do nosso encontro na Bertrand do Fórum, Domingo dia 17, às 17.30. O nosso amigo comum Celso dos Santos, presidirá àa Tertúlia e faremos ambos a apresentação de O(s) Corsário(s) dos Sete Mares.  Plural, porque, quando falamos de Fernão Mendes Pinto, ele é o pretexto para se evocar muitos outros e falarmos deles como pioneiros da globalização. Estaremos à vossa espera com uma pequena surpresa!
 
Aqui têm o cartaz da Livraria, que até é bem giro, embora não sobressaia no fundo negro do meu blogue!

Akemi Maeda e Keiko Fujiki


My dearest friends, Akemi Maeda and Keiko Fujiki, to whom I dedi8cated my "Pirate of  the Seven Seas" (O Corsário dos Sete Mares), as a token of my gratitude for the love and care they feel and show towards Portugal and our Culture and History.

親愛なる友、前田明美様と藤木桂子様へ
お二人のポルトガルの文化と歴史に対する学識と好意への
感謝のしるしとして、またあの巨大地震と津波の被害から
立ち直ろうと頑張る勇敢な日本人に敬服し、共感を覚える
私からの記念のしるしとして、この本を贈呈致します。》

As minhas queridíssimas amigas, Akemi Maeda e Keiko Fujiki, a quem dediquei O Corsário dos Sete Mares, em reconhecimento do amor que devotam a Portugal, à nossa História e Cultura.

12/11/2012

Um presente muito especial



















Um leque antigo, pintado à mão por um grande artista, para o teatro Noh. Um dos lados representa a Primavera, com ramos cobertos de flores; no verso está representado o Outono, com as folhas vermelhas dos áceres a cairem das árvores. Lindíssimo!

Oferta da minha amiga Akemi Maeda (Fundação de Artes e Música Akemi Maeda, em Osaka), pela publicação de O Corsário dos Sete Mares que lhe foi dedicado, assim como à nossa comum amiga Keiko Fujiki e ao povo do Japão pela coragem com que enfrentaram a catástrofe e o sofrimento do Tsunami. Espantou-me a imensa admiração que a Senhora Akemi Maeda e muitos outros japoneses do seu círculo de amigos e colaboradores têm pela Cultura e História Portuguesa.








Eis a Dedicatória:

Japonês/Japanese

親愛なる友、前田明美様と藤木桂子様へ
お二人のポルトガルの文化と歴史に対する学識と好意への
感謝のしるしとして、またあの巨大地震と津波の被害から
立ち直ろうと頑張る勇敢な日本人に敬服し、共感を覚える
私からの記念のしるしとして、この本を贈呈致します。》
             
Deana Barroqueiro
 
Português
Às minhas queridas amigas
Akemi Maeda e Keiko Fujiki,
em tributo ao seu conhecimento e amor
pela Cultura e História de Portugal,
e também como prova de admiração e amizade
pelo corajoso povo do Japão
 
English
«To my dear friends
Mrs. Akemi Maeda and Mrs. Keiko Fujiki,
as a tribute to their knowledge and love
for the Portuguese culture and history,
and also as a token of my admiration and sympathy
for the courageous people of Japan »

11/11/2012

Tsunami atacando Minami-Sanriku

O tsunami no Japão: o mar em fúria levando casas e pessoas na sua frente. Filmado no local, por quem teve de fugir. Para ver até ao fim, se tiverem coragem...



07/11/2012

Sarau Cultural na Murtosa


SARAU CULTURAL DE ENTREGA DOS PRÉMIOS DOS JOGOS FLORAIS DA MURTOSA

O Salão Nobre dos Paços do Município da Murtosa acolherá, no próximo dia 17 de novembro, pelas 21.30h, uma um sarau cultural de entrega dos prémios de conto, poesia e pintura dos Jogos Florais da Murtosa 2012, que tiveram como tema “Cais e Ancoradouros: onde a Ria abraça a Terra” e do prémio de fotografia da Murtosa 2012, que deco rreu sob a temática do “Turismo Sustentável”.

Para além da entrega dos prémios aos trabalhos vencedores, a noite cultural contará com a presença da conhecida escritora de ascendência Murtoseira, Deana Barroqueiro, que apresentará, entre nós, o seu mais recente livro, “O corsário dos sete mares”, uma obra que tem como figura principal Fernão Mendes Pinto.

O programa da sessão inclui também um momento musical, com a atuação de Victor Almeida e Silva, conhecido por dar voz a temas de José Afonso, que, acompanhado dos seus guitarristas, interpretará baladas e canções de Coimbra. A entrada é livre.

01/11/2012

Deana Barroqueiro - Clássico e moderno

Artigo de Miguel Real, no JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), de 31 de Outubro de 2012, na sua rubrica Os Dias da Prosa:


DEANA BARROQUEIRO
Clássico e moderno

1. Relação com os anteriores romances
Em seis anos, Deana Barroqueiro tornou-se uma perita no romance histórico. Iniciada na escrita juvenil ao longo da década de 90, operou, já este século, a passagem para a dificílima arte da escrita do romance histórico, constituindo-se hoje, com mais de 2 000 páginas publicadas e, sobretudo, com a recente edição de O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto, um dos mais singulares autores neste género literário.

Com efeito, O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto constitui um ponto de chegada e, porventura, um ponto de viragem na obra de Deana Barroqueiro. Ponto de chegada, devido ao estilo pessoal e ao rigor na investigação com que trabalha a linguagem histórica, que permanece. Ponto de viragem, devido à complexidade estrutural por que envolveu este último romance, cortando de certo modo com a “narrativa linear” (introdução da autora a O Espião de D. João II, 2009, p. 10), que estruturara os seus romances anteriores, sobretudo o referido D. Sebastião e o Vidente (2006), potencializando a “teia” labiríntica “em que se entrelaçam, alternam ou cruzam os sucessos de várias viagens [de Bartolomeu Dias], a diferentes tempos e lugares, evocados ao sabor da ocasião (…) Um puzzle cujas inúmeras peças concorrem para formar um quadro final coerente e possível…” (introdução da autora a O Navegador da Passagem, 2008). De certo modo, O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto é, quanto à forma, o desenvolvimento de O Navegador da Passagem, superiorizando (não no conteúdo, só na forma) D. Sebastião e o Vidente e O Espião de D. João II. Se, quanto ao trabalho sobre a forma estética, O Corsário dos Sete Mares é, indubitavelmente o melhor romance da autora, quanto à substância narrativa ele prolonga o rigor de investigação e o amplíssimo leque vocabular de O Espião de D. João II.

2.  O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto
O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto integra-se no habitual estilo da autora por via de uma escrita possante e enleante, animada de um luxuriante léxico de época (que as notas de rodapé esclarecem), disseminada por mil e uma pequenas histórias cujo referencial semântico cruza dois registos de escrita. Um registo colectivo e um registo existencial. O primeiro, enquadrador, obedece a uma descrição rigorosa dos acontecimentos, assente numa estrutura clássica (até à publicação do último romance), dotado de um vocabulário clássico, uma investigação séria e rigorosa, de que as bibliografias finais dos seus romances são prova evidente. Neste aspecto reside, digamos assim, o classicismo estético de Deana Barroqueiro, confirmado pela autora na introdução a O Espião de D. João II quando sublinha sofrerem as suas narrativas da “atenção que dou à contextualização e ao pormenor” (p. 11). O segundo, músculo e sangue da narrativa, ostenta um conjunto de pequenas e múltiplas histórias existenciais, ilustrando o modo de vida da época retratada, desde os códigos de cortesia da corte na Europa até à educação dos Naires na Índia e à caçada ao tigre no Malabar. Neste aspecto, cabe sublinhar a espantosa descrição da vida de Pêro da Covilhã no reino do Preste João, de certo modo retomada em O Corsário dos Sete Mares. Por via deste segundo registo de escrita, o classicismo de Deana Barroqueiro moderniza-se, relativiza-se, ostentando marcas multiculturais e intervenção directa do narrador. Com efeito, a autora não procede a juízos morais sobre as condutas das personagens, não omite o violento sangue nascido do encontro histórico entre os portugueses e os povos africanos, árabes e asiáticos no tempo dos Descobrimentos. Muito pelo contrário, ostenta-o como marca indefectível mas ultrapassada da História.

Neste sentido, os romances de Deana Barroqueiro caracterizam-se pelo cruzamento entre uma visão clássica e uma visão moderna da História. A primeira, garante a fidelidade narrativa ao real, provocando o tradicional efeito de verosimilhança; o segundo, abre os acontecimentos a uma interpretação plural, dando-nos sem recriminações a visão cultural do malaio, do chinês, do japonês, do indiano, do muçulmano. É neste enquadramento que se integram os diversíssimos episódios existenciais que perfazem a totalidade do romance: a história do Reino do Preste João, o Cerco de Diu, os mercados de escravos onde F. Mente Pinto é vendido e comprado, a descrição de Cochim, a narração da primeira portuguesa na Índia, Iria Pereira, a morte heróica de D. Lourenço de Almeida, a história dos “casados” de Goa, a busca da Ilha do Ouro, a descrição de Malaca, o destino da embaixada de Tomé Pires ao imperador chinês, os primeiros contactos com a China e com o Japão…

Assim, efeito da visão moderna da concepção de romance da autora, a estrutura romanesca de O Corsário dos Sete Mares, absolutiza o espaço em função da categoria de tempo, dissolvendo a linha cronológica numa sucessão de sete espaços que constituem os “Sete Mares” do título. Com a absolutização do espaço face ao tempo, O Corsário dos Sete Mares torna-se, assim, uma obra aberta, confluência simultânea das três dimensões do tempo. Deste modo, desde os primeiros episódios, O Corsário dos Sete Mares desenha um ambiente histórico tão fantasioso (as desmedidas e múltiplas aventuras de que Fernão Mendes Pinto se considerou protagonista) quanto realista (o modo geral narrativo), criando uma atmosfera histórica credível, confirmado pelas falas da personagem principal, que a todo o momento lamenta o contínuo balancear da sua existência entre a graça e a desgraça – o seu célebre lamento pessoal, “pobre de mim” ou “coitado de mim”. Fernão Mendes Pinto vai rememorando a sua insólita existência, construindo a rede de memória que constitui a totalidade do romance, intercalada por anotações da autora-narradora (em itálico) sobre a subversão da categoria de tempo. No todo, permanece sempre a mesma estrutura capitular: cada capítulo é introduzido “por um provérbio e um texto das época retratada” (p. 12), que introduz o leitor ao ambiente e à mentalidade do tempo.

Constata-se ter a autora dado relevo simultâneo às três grandes teses sobre Peregrinação, activando-as no texto. A tese de Rebecca Catz designa Peregrinação como a narrativa por excelência anti-Os Lusíadas, opondo o seu conteúdo realista, existencial, vivido, ao conteúdo cruzadístico da epopeia de Camões. A tese de António José Saraiva, que leu a Peregrinação como a grande narrativa pícara portuguesa – tese que Deana Barroqueira, aceitando as restantes, parece privilegiar segundo o texto da introdução. Finalmente, Maria Alzira Seixo, realçando os aspectos positivos de Peregrinação, considera ser esta obra a grande perspectiva literária popular dos Descobrimentos, em contraste com Os Lusíadas (perspectiva erudita), o primeiro grande romance português de aventura localizado num quotidiano existencial concreto, findando com o ciclo das narrativas de cavalaria de estilo mítico e fabuloso, e o primeiro grande texto mundial do encontro entre o Ocidente e o Oriente.

O Corsário dos Sete Mares. Fernão Mendes Pinto,
Casa das Letras, 675 pp., 18,90 euros.

31/10/2012

Agenda de Novembro


Sessões de apresentação

O Corsário dos Sete Mares - Fernão Mendes Pinto 
ou a Saga dos Portugueses no Oriente

Murtosa – 17 de Novembro, 21.30
Salão nobre da Câmara Municipal
Largo do Município, n.º 1
3870 Murtosa
Deana Barroqueiro, apresenta o livro, conversa com os leitores e entrega prémios literários, a convite da Câmara Municipal

Aveiro – 18 de Novembro, 17.30
Livraria Bertrand /Fórum
Rua Batalhão de Caçadores, 10
3810-064 Aveiro
Apresentação por Deana Barroqueiro e Celso Santos, com tertúlia sobre o tema.

Lisboa – 20 de Novembro, 18.30
Fnac Chiado
Rua do Carmo 2
1200-094 Lisboa
Deana Barroqueiro apresenta o seu romance e conversa com os leitores.

25/10/2012

Uma análise concisa sobre a obra de Deana Barroqueiro

Há dias felizes na vida de um autor. Ultimamente tenho tido alguns. Como o lançamento do meu novo romance ou o artigo escrito, a este propósito, no blogue Satanhoco, de que é autor Alexandre A. Ferreira, escritor e ensaista, autor da obra "Moçambique 1489-1975", um dicionário e resenha política, geográfica e histórica de Moçambique.

O autor faz uma brilhante apresentação da tipologia do romance histórico, como introdução a uma aprofundada análise literária da minha obra, até ao último romance, O Corsário dos Sete Mares.

Publicado em 23/10/2012.

 
Uma análise concisa sobre a obra de Deana Barroqueiro

No findar do dia de ontem Deana Barroqueiro alvorou, “urbi et orbi”, o seu mais recente rebento literário, um romance histórico com o título de “O corsário dos sete mares”, cuja narrativa aborda a aventura que foi a vida de Fernão Mendes Pinto, enquanto peregrino derivante no Oriente. Momento de ouro da nossa vida cultural, tal evento teve cabimento num belíssimo monumento – o Padrão dos Descobrimentos – e, como oradores da sapiência quer da obra quer da Autora, duas personalidades que cuidaram de não terem deixado os seus créditos em mãos alheias – Marçal Grilo e Miguel Real.

Após leitura nocturna deste seu último filho literário decidi-me a prestar a minha singela e anónima homenagem à Escritora em causa, que publicamente consagro como uma das aquilatadas na nossa lusitana ágora se bem que, no pleno da minha consciência, reconheça que esta minha consagração não transporta nenhuma mais valia à referida Autora.

A) – Do romance histórico: (1)

Numa breve nótula introdutória sumulo que é pacífico e encontra-se assente que o género literário “romance” subdivide-se em diversos subgéneros, tais como ficção científica, policial, aventuras, amor, biográfico e, também, o histórico, entre outros.

Sendo o romance, na generalidade dos seus subgéneros, uma narrativa descritiva consoante a aptidão e imaginação do Autor (2), detendo este o livre arbítrio de decidir o que fazer com as suas personagens que cria consoante a necessidade de encapotar e encorpar a narrativa, já o subgénero “histórico” traz algumas limitações ao Autor, pois este tem que se cingir a determinados eventos históricos que ocorreram numa determinada época, não podendo escapulir-se dos mesmos.

Ver o resto do artigo no blogue Satanhoco

22/10/2012

O Corsário dos Sete Mares de Deana Barroqueiro


Para os amigos que não puderem estar comigo amanhã, dia 23, no Padrão dos Descobrimentos, em Belém, aqui fica o vídeo de apresentação do romance: